sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Na luz de outono


Suspensa no interior da catedral
Entre a cúpula e as lajes, a meia altura,
A ânsia de saber vibra e procura
Entre os raios de luz que caem do vitral
A rainha das pedras preciosas – porventura
Trazida por lapso outonal
Com as folhas vermelhas da estação madura.

(E as paredes de pedra transparente,
Olhando além da luz que o atravessa,
Dizem que o dia é todo uma promessa
E dizem mais que um dia assim não mente.)


10/10/2014

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Nada teria a oferecer


«Oponho-me radicalmente à ideia  de que a democratização e a liberalização das estruturas, da disciplina e de certas áreas da doutrina moral da Igreja trarão consigo uma nova primavera do Cristianismo e afastarão a crise da Igreja. (...) Neste caso a Igreja dissolver-se-ia gradualmente no contacto interminável com a sociedade pós-moderna e nada teria a oferecer»

                           Tomás Halík, A Noite do Confessor, Paulinas, 2014, pp.202-203.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

No princípio de tudo


Madrugada muda estendendo-se no vale
União do céu com o calor da terra
Lucidez despontando no sonho sonolento da matéria
Hera trepando por colunas gregas
Entrada iluminada de palácio no centro de Florença
Rua discreta que conduz à razão de ser de todos nós


2/10/2014

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quinta-feira da espiga


Toma o tempo que quiseres.
Senta-te aqui e deixa-te arrastar
Pela contemplação desse mistério,
O grande torvelinho imóvel que te sorve,
Que te arranca as camadas do corpo e, uma a uma,
As recoloca depois na ordem certa.
Toma o tempo que quiseres, mas não perguntes
Que faço aqui no meio das papoilas?
Aguarda apenas que os sons do campanário
Deixem de ser exactos algarismos,
E que o óleo de novo se torne em aguarela
Na hora plena das doze badaladas
Fundidas num único sol-posto,
Prenúncio da derradeira madrugada,
Aquela que nunca terá fim.


29/9/2014

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A ocultação do tempo...



«(a personagem) Tempo 01 -  Um mar sem direcção sou eu e também sou aquele que tudo envolve e ninguém conhece, até mesmo nos domínios do Império da Vigilância Superior, em que há máquinas para desocultar as mais pequenas coisas ou os mais escondidos segredos que habitam o pensamento da gente humana! por isso, tudo o que sinto ou quero, parece desintegrar-se de mim, como se tudo o que me respeita fosse toda uma ocultação, como se nada me pertencesse, apesar de tudo ser meu...»
                  
                               Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8, Harmonia do Mundo, 2007, p. 24.

domingo, 21 de setembro de 2014

Contigo...

Enfermeira Natércia Ferrer

«... O teu corpo mudo. E afinal aprendi, estou a aprender a falar contigo sem tu me poderes dizer nada. Invento os sorrisos que não és capaz de esboçar, encontro as palavras que desejavas dizer-me, descubro a vontade que não expressas, mas te vai na alma. És um corpo iluminado pelo meu olhar sagaz, estonteado, revolto. (...)»

         Teresa Bernardino (ortónimo de Teresa Ferrer Passos) in Carta-Memória à Mãe, 2000 (por ocasião do 10º aniversário da morte de Natércia Paz Ferrer, minha mãe)

O feiticeiro transparente

O mago da praia sem idade
Vê a cada instante o universo inteiro
Conhece todas as cores da única verdade
E num perpétuo lusco-fusco de mosteiro
Vai entretecendo o tempo na eternidade

O bobo do parque dos narcisos
Procura espelhos nos olhos dos pardais
Ouve aplausos no chocalhar até dos próprios guizos
E a ânsia de ouvir cada vez mais
Torna-lhe os gestos febris e imprecisos

O drama todo do mundo
Vem do mágico e do pantomineiro
E do seu laço profundo:
Só pode agir o primeiro
Por meio do bailado do segundo


21/9/2014

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vazio de mãe


«Na casa há vozes de silêncio. Não se escutam. Não alertam. Não dão as mãos. Nem a boca para o suave beijar. As mãos, a boca, os lábios estão vazios de palavras ditas, reditas sem cessar. E a doçura é amarga sensação de tortura ou náusea ou dor sofrida, magoada. Só. Aqui. Entre móveis paredes objectos emudecidos pela tua ausência» (1 de Julho de 1990)

                Teresa Bernardino (ortónimo de Teresa Ferrer Passos) in Carta-Memória à Mãe, 2000 (por ocasião do 10º aniversário da morte de Natércia Paz Ferrer, minha mãe)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Imagens da mente...


«(...) O químico do cérebro sente-se cada vez mais a viver dentro de um labirinto misterioso que ele acaba por multiplicar por centenas de outros labirintos. Ao espelhá-los numa contínua sobreposição, imagina séries de imagens deformadas que o estonteiam; entra, depois, num estado de letárgica existência que julga interminável.
Vê-se um espectro mórbido, um corpo esquelético de ninguém, um equívoco da vontade e do ser acabados na solidão. Vive. Sozinho na imobilidade. No excesso da perda, toda a energia se apagou num acaso inevitável.(...)»

Do romance inédito Um Cientista e uma Folha de Papel em Branco de Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A luta pelo poder

Debate Costa-Seguro
A contenda-conflito de Costa contra o secretário-geral do Partido Socialista Seguro dá uma má imagem deste partido político. Dividido, o partido continua a dispersar forças. Pelas argumentações, os dois candidatos a 1º Ministro não se distinguem claramente, ainda que Costa se revele mais prudente, foi infeliz em expressões como "fazer uma fisioterapia" ou "uma agenda para a década".... Costa não se revela melhor ou superior a Seguro, antes pelo contrário... É claro que Costa não é novo nas lides de anteriores governos do PS, mas se sair vencedor nas primárias de 28 de Setembro próximo, não será difícil a Passos Coelho dar-lhe o pontapé de saída daqui a um ano, como já o fez com o experiente e engenhoso José Sócrates, há 3 anos.

11 de Setembro de 2014
Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Numa sociedade que repudia a diferença...

Ana Augusta Plácido com Camilo Castelo Branco
e o primeiro filho, Manuel
«(...) sensível ao desprezo e ao desdém da sociedade, Ana agoniza a dor sem se queixar a Camilo. Ele dá pouca importância às suas mágoas, alcandora-se numa indiferença de palmeira desenraizada. As feridas que já vão atingindo também o corpo da amante, parecem não o tocar. O órgão que mais se ressente é o coração. A sociedade não lhe dá tréguas. E Ana é incapaz de ter o autodomínio necessário para se preservar dos golpes (...)»

     Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido, Edições Gazeta de Poesia, Lisboa, 1995, 1ª edição, p. 233 (Romance publicado por ocasião do 1º Centenário da morte de Ana Augusta Plácido).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Condenação à morte de S. João Baptista

João Batista batizando Jesus
Pintura de Pietro Perugino (século XV)
Capela Sistina, Vaticano


O Martírio de João Baptista
(29 de Agosto)

«Herodes ficou muito triste, mas por causa do juramento que tinha feito diante de seus convidados, determinou que dessem à jovem o que ela tinha pedido, e mandou que cortassem a cabeça de João Baptista na prisão.

A cabeça de João foi levada num prato e entregue à jovem que, por sua vez, a entregou à mãe.

Os discípulos de João vieram e, levando o corpo, o enterraram. Depois foram e contaram a Jesus o que tinha acontecido.

Quando Jesus soube o que tinha acontecido, saiu dali num barco e foi sozinho para um lugar isolado.»
                                                                   (Mc 6,9-13)

Nossa Senhora da Paz, uma Devoção de Benavente

Imagem de Nossa Senhora da Paz 
Igreja matriz de Benavente
(a antiga igreja ficou destruída pelo
terramoto de 1909, mas esta imagem conservou-se intacta)







Meditação - Medicação

S. Pedro de Rates (séc. XIII)
Póvoa de Varzim

(convoco, para a benesse, Mary Baker Eddy)

I
Mago Merlin, de Tomar,
Maria Amélia, que é Mãe:
Higidez pra vós e lar
Em parísio do Além.
Diz o coro: «Parabém».

O primeiro vai cantando,
A segunda já gorjeia,
E ressalta, recitando
Em citérea Citereia.

II

Aqui tanjo o alaúde.
Meu Amigo mais dilecto,
Ele recupera a saúde
No meu Santo Paracleto.
E o divo diz: «É Desperto». 

Que ela sibila, e edule,
Silaba a voz, em Azul:
Se é Diana a irmandade,
Se é Sol, é célica e célia,
A Saúde e a Saudade
Para a Mãe Maria Amélia!!!!!!!!!!!

MENS AGITAT MOLEM

Queluz, 27/ 08/ 2014

Paulo Jorge Brito e Abreu

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Perante uma comunidade cristã?


Papa Francisco

«A divisão é um dos pecados mais graves numa comunidade cristã, porque a torna sinal, não da obra de Deus, mas da obra do diabo»
«O diabo é aquele que separa, destrói as relações, semeia preconceitos».
«Deus quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, perdoarmos e amarmos, para nos parecermos cada vez mais com Ele que é comunhão e amor».
Audiência na Praça de S. Pedro em 26 de Agosto de 2014
                                                                            Papa Francisco


***

Breve reflexão

       Nunca é demais o Papa Francisco voltar ao tema do mal no mundo e, particularmente, ao mal espalhado nas próprias comunidades cristãs.

     Jorge Bergoglio sabe que há cristãos que se afrontam, como se não pertencessem a uma fraternidade. Que se denunciam, como se fosse necessária a denúncia para sobreviverem. Que entram em conflitos movidos pela inveja, pelo medo de serem ultrapassados.

       O Papa fala com a clareza que reveste a dor. Ele sabe que o diabo não está à porta. O diabo está dentro dos corações. O diabo habita bem dentro de uma comunidade cristã que, de acordo com a letra, é fiel a Jesus Cristo, mas não o é, de acordo com o espírito.
27/8/2014 
                                                                     Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Último crepúsculo

Na plataforma giratória,
No centro de todas as incógnitas,
No meio de naves que aterram e descolam
Em escala apressada entre geometrias,
O zumbido azul do escaravelho calmo
Caminhando pata ante pata até ao pôr-do-sol,
Seguindo a certeza rectilínea
Que aponta o horizonte licoroso de lâminas de luz
Onde imerge por uma noite apenas
A promessa do dia de amanhã.


25/8/2014

Fernando Henrique de Passos

sábado, 16 de agosto de 2014

Esvaziada sociedade, hoje...

Salvador Dali

"Os dois grandes produtores de dinheiro são a droga e a pornografia.”

"Vivemos num dos períodos mais selvagens da História".

"Há hoje mais crianças escravizadas, morrendo de doenças e de fome

do que alguma vez houve".

"Muitos intelectuais estão fascinados pela violência e pela crueldade".

                                                                    George Steiner

Fonte: V Conferências Internacionais de Filosofia e Epistemologia
do Instituto Piaget, em Viseu (Agosto/2014) 


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Assunção de Nossa Senhora e os Cristãos no Iraque



Assunção de Nossa Senhora ao Céu


Na hora da prisão, tortura e morte de tantos cristãos do Iraque,

lembramos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu: 

Que o olhar puríssimo de Maria Santíssima,
a Mãe do Cristo Redentor, 
os receba na paz do Paraíso onde subiu. 

Mark Arabo, líder da comunidade caldeia, denunciou que jihadistas do

autoproclamado Estado Islâmico, estão a decapitar crianças cristãs em Mossul.

Muitas mulheres são sequestradas e vendidas como escravas.

O Estado islâmico decapita as crianças, espetando suas cabeças em paus.

As suas mães são também estupradas e assassinadas, denunciou Arabo à CNN.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Gestos...

Perpétuas roxas num jardim

A amizade constrói-se com poucos gestos,
 mas só se destrói com gestos incontáveis.
                                                                Teresa Ferrer Passos

Vento


Tudo se desmorona excepto o vento.
E o frio que gela e arrepia
Atravessa as ruínas, a noite, o esquecimento,
Até abrir, num gesto que é quase violento,
As portas que vão dar ao novo dia.

11/8/2014

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Oração superficial

Oh grandes peixes das águas profundíssimas,
O tesouro dos textos telepáticos
Que nos fazíeis chegar pontualmente
Perdido parece por agora
Nos limos e lodos deste grande lago.

No denso enredado das palavras ávidas
Que se propunham traduzir-vos
Perdida ficou vossa sageza antiga
Que nos falava com gestos de silêncio.

Perdoai a nossa tacanhez
Enviai novamente o vosso auxílio
Pois sufocamos já
Em estreitos canais de altura rasa
Onde insensatos julgávamos prender
O infinito o tudo o além-tudo
Mas só nos prendemos a nós próprios.


10/8/2014

Fernando Henrique de Passos

sábado, 9 de agosto de 2014

Nove de Agosto


Conheço cada idade tua,
E todos os anos até te conhecer.
Conheço o espaço capicua
Que vai do teu amanhecer
À promessa que luta por nascer
No tardio céu da nossa rua.

(falo-te de fadas e de fogo
de escadas que sobem às estrelas
de velas que iluminam os altares de Agosto
de luzes que lambem liturgias mornas
de cânticos idênticos a cardume alado
enchendo de prata as noites perfumadas
pela poesia mansa dos pinheiros doces)

Conheço as manhãs e as noites deste dia
E amo tudo nelas
E sofregamente lhes sorvo tristeza e alegria
E ambas me dão forças para abrir janelas
Donde avisto Vénus, Sol e Lua…

…E esperam só Mercúrio, as três sentinelas
Do deslumbrante céu da nossa rua.

9/8/2014

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Soneto novo

o incêndio de luz que se estende em todos os sentidos
dentro de mim fora de mim
purificando o já agora
e todo o tempo passado e que há-de vir

o crepitar voraz silencioso
a voz que fala sem palavras
a sabedoria dos cadernos virgens
a liquidez lúcida do espaço entre as ideias

escreve na linha interrompida!
põe mais uma letra!
lança a corda sobre o abismo inominável!

tacteia a luz se o brilho é muito forte
escorrega nos arcos e volutas
mastiga o som do éter luminífero


3/8/2014

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Nas Caves do Universo (poema)

( )
É IMPOSSÍVEL perturbar O Nada, QUE NEM SEQUER SABE QUE É ESCRITO COM MAIÚSCULA. COMO ESCALAR UMA ESCARPA VERTICAL DE GELO, CALÇANDO PÉS DE VIDRO? A SOLUÇÃO ESTÁ NO FIM DA AVENTURA, SOB A FORMA DE UMA PICARETA QUE NOS AGUARDA NO CIMO DA MONTANHA.
( )

Piso 0
Piso -1
Piso -2
Piso -3
.
.
.
Piso -5.220.442

NÃO DESÇAS MAIS


A pressão absurda no interior do planeta Terra não consegue ainda assim dar uma ideia da pressão no interior do Universo. Palavra alguma sobrevive aí.


Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Para Sempre



«Tem os lábios cerzidos, a face macilenta. Dá a volta à casa pela frente, vejo-a agora de costas, desliza como aragem pelo chão. Em volta, o jardim imóvel no silêncio. Mas de súbito, aponta de novo à esquina da casa, vem de novo para mim, vem crescendo como um susto. Mas não me olha, não me fala. Vejo-a de costas outra vez, desaparece atrás da casa. É uma tarde de Verão, ergue-se de horizonte a horizonte. Uma voz canta ao longe, na dispersão do entardecer. Vem do fundo da terra, sobe em círculos pelo ar, evola-se na distância. Fico a ouvi-la no silêncio em redor.»

Vergílio Ferreira, Para Sempre, Bertrand Editora, 8ª edição, 1991, p. 10 (1ª edição, 1983).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A CPLP pode sempre abrir-se a países amigos


A GUINÉ EQUATORIAL
E A COMUNIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA

A Guiné Equatorial reconheceu a língua portuguesa como o terceiro idioma oficial do país, com vista a integrar-se na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Este país pretende aderir à CPLP durante a cimeira de Luanda, ainda que várias personalidades (entre elas Mia Couto, o bispo D. Januário, Manuel Alegre e a Amnistia Internacional, entre outros), se estejam a opor a essa pretensão. Um dos argumentos contra a adesão é o de que o país não tem nada a ver com a língua portuguesa e, além disso, o seu governo não respeita os direitos humanos. 
A partir do decreto do Presidente Teodoro Obiang que classifica a língua portuguesa como a terceira língua oficial da Guiné Equatorial, a integração deste país na CPLP tornou-se um facto incontornável. Foram as naus portuguesas capitaneadas por Fernão Pó que descobriram, em 1472, o território que corresponde hoje à Guiné Equatorial. Esta região, segundo o historiador português João de Barros, já tinha sido motivo de várias expedições de outro navegador português, Fernão Gomes, em anos anteriores. 
Motivações históricas e culturais foram referidas também pelo embaixador cessante da Guiné Equatorial, em Luanda, Eustáquio Nseng Esono. Declarando ser uma decisão meditada, Nseng Esono afirmou que o seu governo aguarda por uma decisão dos Chefes de Estado membros da Comunidade. Explicitando melhor a posição do seu país, quanto a este pedido de integração na CPLP, o embaixador Nseng Esono esclareceu que a Guiné Equatorial pertenceu, desde 1472, a Portugal, por ter sido descoberta por Fernão do Pó. 
A ilha Fernão Pó, hoje chamada ilha Bioco (Formosa), Annobón (Ano Bom) e a costa da Guiné, que formam o território da actual Guiné Equatorial, foram cedidas, mais tarde, pela rainha portuguesa Dona Maria I ao rei de Espanha, Carlos III. A cedência efectivou-se, em 1778, pelo Tratado do Pardo, em troca da metade sul do actual estado do Rio Grande do Sul (território sul-americano). A ilha Bioco é a ilha onde se situa Malabo, a capital da Guiné Equatorial. Singulariza-se esta região africana pelo facto de ser o único país africano de expressão espanhola (Ibérica). 
A integração da Guiné Equatorial na CPLP parece-nos ser, mesmo só por estas razões, uma pretensão não só legítima, como de importante significado histórico para Portugal. E, a isto não devem ser também estranhos, os governos dos países africanos e do Brasil, também eles territórios descobertos por navegadores de Língua Portuguesa. O que é importante é o encontro entre os povos em termos de culturas e de civilizações, seja qual for a língua em que comunicam entre si.*
O governo da Guiné Equatorial acedeu desde já a abolir a pena de morte, e só por isso terá valido a pena o seu ingresso na CPLP.
Portugal, como o país da Europa que se colocou na vanguarda da abolição da pena de morte, em 1867 (a região italiana da Toscana foi a primeira a aboli-la em 1786 por influência do italiano Cesare Beccaria autor de Dos Delitos e das Penas datado de 1764), não pode deixar de se congratular com a aprovação expressa da Guiné Equatorial no conjunto de países da CPLP.

Lisboa, 21 de Julho de 2010
Teresa Ferrer Passos

* Além disso, tal como uma equipa de futebol portuguesa pode receber um jogador de língua espanhola, sem deixar de ser uma equipa de futebol portuguesa, assim também a CPLP pode receber, no seu grupo, um país que não tem como primeira língua o português.  T.F.P. (23/7/2014)

domingo, 20 de julho de 2014

21º Aniversário do nosso primeiro encontro

A PÁGINA


A página roxa desses dias
fez crescer flores amarelecidas
e folhas a perderem-se ressequidas
no meu coração desalentado.
Tinha uma porta entreaberta.
Então, vi-te lá dentro
de braços abertos a chamar-me…
A página roxa destes dias tinha
uma página branca à minha espera.
E comecei a escrever-te em mim…

20/7/2014

                            Teresa Ferrer Passos



ILHA 


Cheguei de noite ao teu dia
Mas não trazia luar,
Nem lua, só poesia.
Deitei ferros na baía,
Tu deixaste-me ficar.

O mar sem tempo dizia
Que nunca houvera outro par
Como nós, nem haveria,
E o areal repetia
Os tempos do verbo amar…

20/7/2014

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 15 de julho de 2014

PHILO - SOPHIA PERENE

Sophia de Mello Breyner Andresen - crayon de Botelho/2007




(avoco, para a Musa, o Ás de Paus como Arcano)

I

Falua a Fada Oriana
E a barquinha ao Luar:
Vejo a Luz, camoniana,
E a Menina do mar.

No coral eu vejo o cor,
Se desvela o velo, a via,
E na amora, eu digo Amor,
O jardim da Academia.

   II

Eis a Obra, eu digo oblata,
Meu Menino era rapaz,
E tu fizeste a Cantata,
Uma oração pela Paz.

Desde os cantos exemplares,
Desde o mar, que és a marina,
E eu avoco aqui os Lares,
O teu manto, e a matina.

E quando os lábios são lume
E a Lira se anuncia,
Tens o Génio, tens o Nume
E tens um nome: Poesia.

Queluz, 14/ 07 / 2014

COOPERATORES VERITATIS

                                                         Paulo Jorge Brito e Abreu   



terça-feira, 8 de julho de 2014

A criança à descoberta do mundo



     O Artemanhas é um projeto de Educação Estética e Artística para crianças que nasceu em 2001, em Cascais, fundado por Madalena Wallenstein.

     Tendo intervindo nos mais diversificados contextos da educação formal e não formal, hoje o Artemanhas desenvolve seis projetos com uma equipa pluridisciplinar que acredita que a educação estética e artística pode contribuir, através da oferta de experiências poéticas, criativas e inspiradoras, para a vida.

     A oficina é para nós um lugar de transformação onde artemanhar é um processo de constante equilíbrio entre a aquisição de linguagens artísticas e a expressão do que guardamos cá dentro, onde o prazer e a motivação nos mantêm suspensos.
     As oficinas de Expressão têm como objetivo desenvolver as potencialidades artísticas inerentes a cada pessoa.
     
     O trabalho lúdico propicia o autoconhecimento ampliando as relações com o exterior e com o outro.

In Internet, Artemanhas

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bohm's advice


Quando o Espaço esquartejou o Ser
A Eternidade e o Tempo foram separados um do outro
E o Caminho Único tornou-se infinitamente bifurcado

Somos agora obrigados a escolher a cada instante
E as escolhas que fazemos não devem ser as certas
Pois não nos estão a levar ao reencontro


7/7/2014

Fernando Henrique de Passos

domingo, 6 de julho de 2014

Silêncio que avança para mim



«Senhor, como estás longe e oculto e presente! Oiço apenas o ressoar do teu silêncio que avança para mim e a minha vida apenas toca a franja límpida da tua ausência. Fito em meu redor a solenidade das coisas como quem tenta decifrar uma escrita difícil. Mas és Tu quem me lês e me conheces. Faz que nada do meu ser se esconda. Chama à tua claridade a totalidade do meu ser para que o meu pensamento se torne transparente e possa escutar a palavra que desde sempre me dizes.»

                                           Sophia de Mello Breyner Andresen

(In Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Julho de 2014)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

No dia da trasladação de Sophia para o Panteão Nacional

Sophia de Mello Breyner Andresen
 (1919-2004)
«Eu sou uma menina do mar. Chamo-me Menina do Mar e não tenho outro nome. Não sei onde nasci. Um dia uma gaivota trouxe-me no bico para esta praia. Pôs-me numa rocha na maré vaza e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim (...) Tu nunca foste ao fundo do mar e não sabes como lá tudo é bonito. Há florestas de algas, jardins de anémonas, prados de conchas. Há cavalos marinhos suspensos na água com um ar espantado, como pontos de interrogação. Há flores que parecem animais e animais que parecem flores.»

   Excerto do livro de Sophia de Mello Breyner Andresen, A Menina do Mar, Ed. Figueirinhas, Barcelos, 1976, pp.18-19.