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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vazio de mãe


«Na casa há vozes de silêncio. Não se escutam. Não alertam. Não dão as mãos. Nem a boca para o suave beijar. As mãos, a boca, os lábios estão vazios de palavras ditas, reditas sem cessar. E a doçura é amarga sensação de tortura ou náusea ou dor sofrida, magoada. Só. Aqui. Entre móveis paredes objectos emudecidos pela tua ausência» (1 de Julho de 1990)

                Teresa Bernardino (ortónimo de Teresa Ferrer Passos) in Carta-Memória à Mãe, 2000 (por ocasião do 10º aniversário da morte de Natércia Paz Ferrer, minha mãe)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Beleza da Fraternidade

«Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo.»
«Porque julgas o teu irmão? E porque o desprezas? Todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus.»
«Acolhei-vos uns aos outros como Cristo também vos acolheu para glória de Deus.»

S. Paulo (Rom 14, 7, 10; 15, 7)

epístola de S. Paulo aos Romanos

sábado, 1 de setembro de 2012

O Jogador



O JOGADOR

Caiu na miséria,
Busca o desafogo:
Joga-se a si próprio
Na mesa de jogo.

O sorriso alarve
Não disfarça o medo:
Máscara falhada,
Cofre sem segredo.

Quanto menos tem,
Mais sobe a parada.
Vemos-lhe o terror
Sob a gargalhada.

Joga-se a si mesmo,
É tudo o que tem.
Jogará ainda
Até ser ninguém.

Não tem importância:
Basta-lhe jogar,
Congelar o tempo,
A carta no ar.

E quando cair
No centro da mesa,
Pode perder tudo,
Ganha uma certeza:

Nunca, em parte alguma,
Em nenhum recanto
De nenhum casino,
Alguém jogou tanto.

29/8/2012

Fernando Henrique de Passos