quinta-feira, 4 de junho de 2026

 DIA DO CORPO DE DEUS

"Pega na tua cruz e segue-Me" disse Jesus, a encarnação de Deus para salvar a humanidade. Que quer Ele ensinar ao dizer estas palavras? Pergunta que muitos fazem, desanimados. São palavras, aparentemente, tão misteriosas, tão exigentes para se porem em prática!

Porém, se pensarmos um pouco, talvez não sejam assim palavras tão radicais, tão exigentes. E porquê? Porque a nossa cruz simboliza a nossa vida, com as frustrações que a encerram, com os obstáculos que a definem, com os sofrimentos próprios ou com o sofrimento daqueles que amamos. E esta cruz, digamos, esta condição do viver, que é a natureza da vida, é para ser levada com o amor que nos dá a paz interior de o possuir.
Ao dizer para o seguirmos, Jesus diz que sigamos os caminhos que Ele ensinou para tornar a nossa vida melhor, menos infeliz, mais cheia de sentido, mais confiante, com mais momentos de felicidade e ter ainda a Vida para além da vida. Se amarmos o próximo, e isto é seguir Jesus, a cruz será mais leve e tanto mais leve quanto mais o amarmos.
Jesus só quer dizer que amando o outro, estamos a amá-Lo e, ainda mais, diz que só receberá o nosso amor se for oferecido através de uma pessoa concreta. Amar a Deus não nos aliena dos homens; antes, amar a Deus tem de partir do nosso próximo. Se não partir, Deus não o poderá aceitar, porque para Ele não é verdadeiro amor.
Junho de 2015
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MARIA TRANSPARECE NO MAGNIFICAT

" O Deus escondido desde o princípio e que só é reconhecível pela imensa
Criação, humaniza-se para dar um sentido à vida humana e, precisamente, um sentido
muito mais do que carnal, essa limitação perecível. Será Jesus que oferece à vida
humana um sentido e um sentido que não é perecível, antes eterno, o sentido
espiritual: «O Espírito é que dá vida, a carne não serve para nada. As palavras que
Eu vos disse são espírito e vida» virá a dizer Jesus. Aludia ao facto de a carne se
corromper pela sua natureza efémera. Contudo, vai ser a carne de Jesus que, sendo
a morada do espírito de Deus, servirá como meio de atingir o fim supremo que se
encerra n’Ele, que é a morada do Seu espírito incorruptível. Foi, desde logo, o corpo
de Maria que serviu a Deus para alcançar uma redenção que pode conduzir à “casa”
do Espírito Santo. E Jesus, o Deus incarnado, ao nascer na carne de Maria e ao
ressuscitar dessa mesma carne, pôde oferecer a toda a humanidade a libertação do
estigma do maligno, esse estigma a que chamamos pecado e que domina o mundo
da matéria, sempre à beira do colapso. Em Maria, construiu Deus uma nova Mãe
pronta a unir-se-lhe para alcançar a vitória final e definitiva sobre o mal, que atormenta
a condição humana. Não viria Jesus a proclamá-la? A questão é clara: «Digo-
-vos isto para terdes paz em Mim; no mundo tereis aflições, mas tende confiança!
Eu venci o mundo».
Maria transparece no Magnificat. É essa belíssima oração de Maria o documento
máximo com a sua assinatura. Este documento que Lucas registou, marca o
começo do caminho que conduzirá ao triunfo final do bem sobre o mal, à derrota de
satanás, à recompensa dos puros, dos humilhados, dos pobres, dos abandonados,
de todas as vítimas da injustiça."

Teresa Ferrer Passos, Stabat Mater, Hora de Ler, Leiria, 2020, pp.50-51.

terça-feira, 19 de maio de 2026

 A JOIA DE DEUS

"Maria guardou durante nove meses a joia de Deus, o Seu Filho único, a sua incarnação permaneceu por aquele tempo no seio de uma virgem, toda recolhida no silêncio da humildade, toda concentrada na obra de Deus que a estava a habitar. Ela, que viabilizara a visão de Deus pelos homens – «Quem Me vê, vê o Pai» dirá Jesus –, tornar-se-ia, na hora da crucificação, a mãe
de toda a humanidade, tal como o Pai o era já. E só o seu filho, Jesus, tornaria possível a maternidade de Maria a par com a paternidade de Deus em relação à humanidade. Reparemos, assim, nas palavras do Evangelho de S. João: «Aos que crêem n’Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Desde a primeira hora, desde que foi chamada, Maria envolveu-se plenamente neste altíssimo processo. E «o Verbo fez-Se homem e habitou entre nós». Mesmo até à última hora, a da ressurreição de Jesus, Maria esteve presente. Ela foi a «stabat mater» que nenhum sofrimento, por mais cruel que fosse, conseguiu abater. O Deus escondido transparece no mundo, Ele é o próprio filho de Maria, Ele é o Messias proclamado pelos profetas, o Salvador. Esse a quem o discípulo João alude deste modo proléptico: «Quando vier o Espírito da Verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total, porque não falará de Si mesmo (…) Ele glorificar-Me-á (…) Tudo quanto o Pai tem é Meu». É um Deus que não se expõe. É antes um Deus que sugere, insinua, aconselha, na intimidade de Si e de cada um. É o transcendente na pessoa de Jesus, que transmite quem é: «Eu conheço-O porque venho de junto d’Ele e foi Ele Quem Me enviou». Enviou, diz João. E para quê? Para que com a sua carne e na carne, sofresse como o ser humano. O sofrimento foi a sua voz, a sua palavra, o seu gesto dialogante. Escondido, Deus quer sofrer por nós e sofrer connosco, para alcançar a nossa única forma de redenção. Como escreveu, oportunamente, o cardeal Walter Kasper, «se Deus não tivesse sofrido em pessoa na cruz, se o próprio Deus não tivesse morrido por nós na cruz, a morte de Jesus não seria mais do que a morte de um ser humano»".

In Teresa Ferrer Passos, «Stabat Mater», Hora de ler, Leiria, 2020, pp. 49-50.

segunda-feira, 18 de maio de 2026


OS FIOS CONDUTORES DE MARIA

"Outro aspeto relevante da Anunciação a Maria foi ter-lhe sido dado o poder de

aceitar ou recusar a proposta divina, apresentada pelo anjo. Assinalou, por outro

lado, uma clivagem abruta entre o juízo de Deus sobre a mulher e o baixo estatuto

social em que ela vivia na Palestina. Lembremos o que se escrevia no Eclesiástico:

«Foi pela mulher que começou o pecado, e é por causa dela que todos morremos.

Não dês saída à água, nem à mulher perversa a liberdade. Se ela não andar sob a

direção da tua mão, aparta-a da tua pessoa». A mulher não se sentava à mesa

com os homens, mas devia servir-lhes as refeições; fiava, tecia, fazia o pão, mas uma

mulher não podia falar a um homem na rua; devia dar filhos ao esposo e a esterilidade

podia levar o marido a repudiá-la. Como escreveu Daniel Rops, «era tão verdade

que estava na dependência do marido que, segundo a Lei, a mulher de um escravo

era vendida com ele». E chegava-se ao ponto de, «os compromissos que tomava

podiam ser desfeitos pelo marido (…). Enfim, regra geral, nada herdava, nem do

pai, nem do marido». A mulher devia obediência ao pai e depois ao marido. De

facto, a mulher era um ser quase ignorado no que respeitava a direitos fundamentais.

Ora, contrariando os costumes judaicos, o Espírito Santo ofereceu a Maria um

estatuto altíssimo em relação às leis sociais em vigor. É Deus que a enche de graça,

e oferece-lhe, em seguida, a possibilidade de aceitar ou recusar a Sua vontade: ser a

mãe do Salvador do mundo, o prometido Messias. Quando Maria apresenta um

obstáculo incontornável: «Como será isso se eu não conheço homem», e, por

isso, não poder ser mãe do Salvador, usando o argumento da impossibilidade de tal

acontecimento, o anjo contrapõe que «nada é impossível a Deus".

In Teresa Ferrer Passos, Stabat Mater, Hora de ler, Leiria, 2020, pp.45-46.

sábado, 16 de maio de 2026

«Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus. Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros. A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas. O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.»

Excerto de uma mensagem do Papa Leão XIV, no Dia das Comunicações Sociais (17 Maio de 2026), in Pica Pau 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Senhor, graças Vos dou pelo
meu casamento com a Teresa!

Facebook, 23/Abril/2026
Fernando Henrique de Passos

UMA FRASE LINDA, LINDA DEMAIS!

27/Abril 2026
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O valor de um livro, que o mesmo é dizer de uma biblioteca, mede o gosto de quem o lê e de quem o possui. Uma sociedade que rejeita o livro é necessariamente uma sociedade de fracos recursos mentais, uma sociedade que só pode estar no ponto mais baixo da evolução humana.24/4/2026                                                                                                                     T.F.P.

quarta-feira, 25 de março de 2026

DOSSIER PÁSCOA / 2026

 



PÁSCOA PRIMAVERIL (Manhã fina de cristal O grito de Madalena Início de Primavera A dar à luz um poema) Atravessaste o Inverno Meu Jesus ressuscitado Abrindo as portas à luz Fechando à chave o pecado (Na manhã ainda fria Que viu o dia nascer Há indícios primaveris De poesia a acontecer) Tu vens de abismos sem nome Meu Jesus transfigurado Mudando o nosso destino Que estava amaldiçoado (Manhã santa manhã nova Nunca se viu ar tão leve Vai crescendo devagar Um texto que é Deus quem escreve) Domingo de Páscoa (5 de Abril de 2026) Fernando Henrique de Passos




torno-me lento,
cada vez mais lento,
capaz de desvendar
qualquer mistério
sem possuir
qualquer talento
para além da arte
de saber esperar

Um poema de Fernando Henrique de Passos,
a introduzir estas passagens de BYUNG:

«A aceleração generalizada do processo de vida priva o homem da capacidade contemplativa.»

«Só o ser dá lugar ao demorar-se, porque está e permanece. A época da pressa e da aceleração é, por isso, uma época do esquecimento do ser.»

«Só o homo doloris teria acesso ao aroma da "eternidade".»

«Os homens sucumbem ao "ruído dos aparelhos que tomam, quase, pela voz de Deus. Deus aparece em cada "silêncio" que surge quando os aparelhos técnicos se apagam".

"Deus estabiliza o tempo. A aceleração remete para a morte de Deus".»

«Deus revela-se como Deus da lentidão, como Deus da terra.»

in BYUNG-CHUL HAN, O Aroma do Tempo, Relógio d' Água, 2016, pp.87, 92, 94 e 95.



O REINO MESSIÂNICO

«Brotará uma vara do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor; espírito de sabedoria e entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor. Não julgará pelas aparências, nem sentenciará somente pelo que ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiça, e com equidade os humildes da terra

                                                                                          Isaías. 11, 1-4



Um poema único escrito pela pena do grande poeta João de Deus, lembrando o tempo em que as crianças interrogavam as mães sobre quem era Deus.

CHRISTO

“Minha mãe, quem é aquelle
Pregado n'aquella cruz?”
- Aquele, filho, é Jesus…
É a santa imagem d’Elle!
“E quem é Jesus?” – É Deus!
“E quem é Deus?” – Quem nos cria,
Quem nos dá a luz do dia
E fez a terra e os céos;
E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:
Todo amor, todo bondade!
“E morreu?” – Para mostrar
Que a gente, pela Verdade
Se deve deixar matar.

João de Deus, «Campo de Flores», Lisboa, Imprensa Nacional, 1893, pág. 372.



ENTRADA TRIUNFAL DE JESUS EM JERUSALÉM



A PEDRA ANGULAR

os ramos de palmeira agitam-se nas mãos das crianças.
as mães vibram gritos de alegria, esperam os milagres imprevistos.
chegou o profeta, oh Jerusalém! Jesus está aqui, ainda!
as flores brancas cobrem as ruas empedradas que se tornam níveas,
é preciso que Jesus passe com o seu jumentinho por elas
e as santifique e lhes dê uma palavra. Coragem.
as lágrimas encharcam os lenços pálidos e os cânticos ditos em uníssono.
quem não vai ser trespassado pelo sangue desse Inocente cheio
de misericórdia pelo seu povo, esse povo ávido de
lhe suplicar a compaixão em mais um dia em que é bem vindo?
esse dia inédito pleno de paixão e já tão próximo da páscoa
em que este profeta, ou o Messias (como muitos dizem),
será a pedra angular de uma nova terra.
ele saberá ouvir os gemidos do seu povo pecador!
ele será o seu pastor pleno e o seu Deus amante,
até ao fim dos tempos. Ou até ao fim do tempo?

Domingo de Ramos, 29/3/2026
Teresa Ferrer Passos





A CRUZ UNS DOS OUTROS

«Somos peregrinos da esperança. Caminhamos em direção a um lugar maior, um lugar que rompe o tempo e o espaço, um Lugar que a Páscoa nos revela. E fazemo-lo uns com os outros, cuidando uns dos outros, quaresmando uns com os outros, com os olhos postos no infinito.
(...)
Permitam-me o espanto. E a esperança. A que projetamos em cada Pai-nosso. A que nos faz mover em direção ao amanhã. Permitamo-nos o amor. O que nos leva a segurar a cruz uns dos outros.»

Graça Alves, «Com a esperança na ponta dos dedos», Fátima Missionária, Abril, 2026.




A ÚLTIMA CEIA

«Última Ceia» de Leonardo da Vinci

um cálice a transparecer o sangue.
um cálice a derramar a vida amortecida.
a vida a perder-se do mundo.
a vida a eclipsar-se na morte próxima
do resgate imenso de Jesus.
a vida a ser vida ainda, pelo seu amor infinito.
"bebei"- disse Jesus aos discípulos.
e todos beberam.
depois pegou num pedaço de pão
e dividindo-o, ofereceu-lhes
dizendo: "este é o meu corpo que está pronto,
o meu corpo exausto de vida e sôfrego
da morte que se aproxima para salvar
a todos da morte que derruba e queima e corrompe.
fazei isto num memorando sem fim
e sereis resgatados por mim e pelo Pai na sua imensa
misericórdia perante esse diabólico destino
a que ninguém poderá escapar sem esta
magnífica oferta de divino amor.

Quinta-feira Santa (2/4/2026)
Teresa Ferrer Passos



E DEPOIS DO TEMPO, RESSUSCITOU!



em cada dia que passa Jesus ressuscita
no nosso coração cansado das horas
esgotadas de medo, de sombras, de ignorância.

Por isso, Vos imploramos:
Senhor, tende piedade das nossas dúvidas,
das nossas inseguranças, das nossas perdidas memórias de Ti!

Senhor, olha-nos de novo, mais uma vez,
perdoa os nossos desvios da Tua Ressurreição,
toda a entoar hinos ao Pai celestial!

Senhor, livra-nos de nós próprios, das nossa tempestuosas
revoltas, impossíveis de sarar ou quase.
Livra-nos dos nossos abismos de morte,
como se não nos tivesses oferecido o maior bem:
a Ressurreição da Tua carne como se fosse a nossa!
que sacramento ter um Pai que não nos esquece e que
nos deseja no seu regaço para uma vida que
não se ausenta da Vossa eternidade,
essa que não reconhece o tempo
mas o despreza para sempre.

Domingo de Páscoa (5/4/2026)
Teresa Ferrer Passos



UMA SANTA PÁSCOA PARA TODO O MUNDO!

sábado, 21 de março de 2026

 NO DIA MUNDIAL DA POESIA, um poema do meu último livro:

AS ÁRVORES
Cada árvore é um livro sacro capaz
de ensinar sem arrogância
e sabe falar sem ruído.
É um altar de leveza e de recato
mesmo quando mostra o céu coberto
das mais carregadas nuvens.
Cada árvore traz a música do vento
mesmo nas folhas mais pequeninas.
Cresce para o alto imenso
e desenha-se na suavidade do ar.
Cada árvore esconde as suas raízes
rompendo arduamente a terra mais endurecida.
Cada árvore irradia uma sombra no azul
com uma imensa luz que nos alenta.
Cada árvore é a imagem
de uma vida encantada
onde está ausente a disruptiva imagem.
A imagem da sua própria morte.
Teresa Ferrer Passos, «No Momento Incerto dos Poemas», Hora de ler, Leiria, 2026, pág. 55.



terça-feira, 10 de março de 2026

 

TENHO A SATISFAÇÃO de anunciar a chegada da editora Hora de ler de mais um livro de minha autoria NO MOMENTO INCERTO DOS POEMAS que reune poemas que escrevi durante os últimos cinco anos, precedido por um gentil Prefácio do Poeta Manuel Neto dos Santos. AQUI vos deixo um deles: 

SILÊNCIO E VOZ

O silêncio é a voz da eloquência maior,
é o som que se esconde e vivifica,
não ilude, não adula
nem faz tropeçar o inocente.
O silêncio não engana com artifícios,
não faz cair em banais palavras,
levanta o enterrado na solidão.

É sentimento forte sem cansaço.
O silêncio engrinalda o sofrimento,
descobre o tamanho da sua alma incendiada
e habita o vento com seus murmúrios.

A flor do incenso a exalar perfume
é um silêncio longo de abandonadas colinas.
Uma semente que cai à terra é o fértil
calor de um silêncio que se eleva até à criação.
A morte segrega o silêncio a cada momento
e transforma-o em vida que irrompe a rodos.

O silêncio está em cada árvore
e nas aves quando cantam ao crepúsculo
e nos lagos calmos que entoam no silêncio
o espelho e a transparência das suas águas.

O silêncio não precisa de palavras,
vê mesmo um simulacro em todas as palavras.
Para quê palavras, pergunta. As infinitas imagens tudo dizem,
responde. As imagens dizem a existência.
Está aqui o silêncio.



 PUBLICAÇÃO NO FACEBOOK:

|recebi agora mesmo pela mão do meu carteiro este livro enviado por Teresa Ferrer Passos. e que enorme e simpática surpresa: não estava nada à espera deste "no momento incerto dos poemas". nunca sei o que dizer com gestos assim. sinto-me aquela criança fascinada perante um novo e apetecido presente. e quero e tenho de sublinhar também: como posso eu ter tanto carinho por alguém que não conheço pessoalmente? a Teresa é desta realidade. a Teresa faz parte de um grupo restrito de amigos do facebook que sempre me rodearam de afecto constante e verdadeiro. muito obrigado, estimada Teresa. obrigado por me fazer feliz "ainda a prometer-me a memória de um poema"|