A JOIA DE DEUS
terça-feira, 19 de maio de 2026
segunda-feira, 18 de maio de 2026
OS FIOS CONDUTORES DE MARIA
"Outro aspeto relevante da Anunciação a Maria foi ter-lhe sido dado o poder de
aceitar ou recusar a proposta divina, apresentada pelo anjo. Assinalou, por outro
lado, uma clivagem abruta entre o juízo de Deus sobre a mulher e o baixo estatuto
social em que ela vivia na Palestina. Lembremos o que se escrevia no Eclesiástico:
«Foi pela mulher que começou o pecado, e é por causa dela que todos morremos.
Não dês saída à água, nem à mulher perversa a liberdade. Se ela não andar sob a
direção da tua mão, aparta-a da tua pessoa». A mulher não se sentava à mesa
com os homens, mas devia servir-lhes as refeições; fiava, tecia, fazia o pão, mas uma
mulher não podia falar a um homem na rua; devia dar filhos ao esposo e a esterilidade
podia levar o marido a repudiá-la. Como escreveu Daniel Rops, «era tão verdade
que estava na dependência do marido que, segundo a Lei, a mulher de um escravo
era vendida com ele». E chegava-se ao ponto de, «os compromissos que tomava
podiam ser desfeitos pelo marido (…). Enfim, regra geral, nada herdava, nem do
pai, nem do marido». A mulher devia obediência ao pai e depois ao marido. De
facto, a mulher era um ser quase ignorado no que respeitava a direitos fundamentais.
Ora, contrariando os costumes judaicos, o Espírito Santo ofereceu a Maria um
estatuto altíssimo em relação às leis sociais em vigor. É Deus que a enche de graça,
e oferece-lhe, em seguida, a possibilidade de aceitar ou recusar a Sua vontade: ser a
mãe do Salvador do mundo, o prometido Messias. Quando Maria apresenta um
obstáculo incontornável: «Como será isso se eu não conheço homem», e, por
isso, não poder ser mãe do Salvador, usando o argumento da impossibilidade de tal
acontecimento, o anjo contrapõe que «nada é impossível a Deus".
In Teresa Ferrer Passos, Stabat Mater, Hora de ler, Leiria, 2020, pp.45-46.
sábado, 16 de maio de 2026
«Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus. Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros. A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas. O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.»
Excerto de uma mensagem do Papa Leão XIV, no Dia das Comunicações Sociais (17 Maio de 2026), in Pica Pau
segunda-feira, 27 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
quarta-feira, 25 de março de 2026
DOSSIER PÁSCOA / 2026
«Só o ser dá lugar ao demorar-se, porque está e permanece. A época da pressa e da aceleração é, por isso, uma época do esquecimento do ser.»
«Só o homo doloris teria acesso ao aroma da "eternidade".»
«Os homens sucumbem ao "ruído dos aparelhos que tomam, quase, pela voz de Deus. Deus aparece em cada "silêncio" que surge quando os aparelhos técnicos se apagam".
"Deus estabiliza o tempo. A aceleração remete para a morte de Deus".»
«Deus revela-se como Deus da lentidão, como Deus da terra.»
in BYUNG-CHUL HAN, O Aroma do Tempo, Relógio d' Água, 2016, pp.87, 92, 94 e 95.
«Brotará uma vara do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor; espírito de sabedoria e entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor. Não julgará pelas aparências, nem sentenciará somente pelo que ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiça, e com equidade os humildes da terra.»
Isaías. 11, 1-4
sábado, 21 de março de 2026
NO DIA MUNDIAL DA POESIA, um poema do meu último livro:
terça-feira, 10 de março de 2026
TENHO A SATISFAÇÃO de anunciar a chegada da editora Hora de ler de mais um livro de minha autoria NO MOMENTO INCERTO DOS POEMAS que reune poemas que escrevi durante os últimos cinco anos, precedido por um gentil Prefácio do Poeta Manuel Neto dos Santos. AQUI vos deixo um deles:
PUBLICAÇÃO NO FACEBOOK:
domingo, 8 de março de 2026
NESTE DIA INTERNACIONAL DA MULHER LEMBRO, DOIS POETAS, JOÃO DE DEUS E ANTERO DE QUENTAL, QUE DERAM À MULHER, UM LUGAR DE GRANDE CARINHO E EXCELÊNCIA. ESTE ARTIGO É IGUALMENTE A MEMÓRIA BREVE DO DIA EM QUE NASCEU JOÃO DE DEUS, 8 DE MARÇO de 1830, em S. Bartolomeu de Messines. (Data da publicação deste artigo: jornal «VOZ DE SILVES», em 3 de Agosto de 1992).








