da nossa identidade pessoal"
Carlo Rovelli, A Ordem do Tempo
aquela manhã a romper-se de incógnita erguia-se
quando, solitária, olhei a janela do meu quarto.
estava embaciada pela dúvida
de uma chuva finíssima
inesperada e densa. tudo eclodia
num enigma angustiante
dentro de uma floresta
onde a luz não penetrava.
apenas sombras gigantes se
desenhavam no meu horizonte a estreitar-se
entre palavras a pairar na minha memória
exausta. entre fragmentos de dias alucinantes
o mundo amortecido despertava
apenas com sinais nunca vistos antes.
e, mesmo assim, tudo me fazia acreditar
numa terra subterrânea
onde haveria alguma luz mesmo débil
na minha caverna ávida
de um tempo de amor desmedido
Teresa Ferrer Passos







