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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Numa sociedade que repudia a diferença...

Ana Augusta Plácido com Camilo Castelo Branco
e o primeiro filho, Manuel
«(...) sensível ao desprezo e ao desdém da sociedade, Ana agoniza a dor sem se queixar a Camilo. Ele dá pouca importância às suas mágoas, alcandora-se numa indiferença de palmeira desenraizada. As feridas que já vão atingindo também o corpo da amante, parecem não o tocar. O órgão que mais se ressente é o coração. A sociedade não lhe dá tréguas. E Ana é incapaz de ter o autodomínio necessário para se preservar dos golpes (...)»

     Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido, Edições Gazeta de Poesia, Lisboa, 1995, 1ª edição, p. 233 (Romance publicado por ocasião do 1º Centenário da morte de Ana Augusta Plácido).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Camilo e as notícias dos jornais...

Pintura de autor desconhecido
«diariamente Camilo quer que ela lhe leia as notícias  dos jornais e gazetas que chegam do Porto, de Lisboa e de tantos outros lugares. Ouve-as, como se esperasse delas assunto para uma outra novela.(...) Com dolência, Ana lê, vai lendo sempre até Camilo dizer irado. Chega! Estou farto! as mesmas fanfarronices dos políticos, os mesmos casos de faca e alguidar! com o seu nervosismo atávico desconfia sempre que Ana lhe esconde precisamente a notícia que deseja ansiosamente escutar. Talvez uma descoberta científica, uma intervenção honesta na câmara parlamentar, uma qualquer renovação na Santa Sé...» 

                          Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido, 1ª edição, Gazeta de Poesia, 1995, p. 80; 2ª edição (ass. pelo ortónimo Teresa Bernardino), Nova Vega, 2000.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Uma tília do jardim


«de súbito a carruagem! (...) Cá fora Camilo agita as rédeas dos cavalos fogosos numa inquietação que lhe é tão habitual como a sombra da tinta nos seus escritos... ansiedade e determinação na hora do rapto com a experiência da atitude distante... mas eis que descortina Ana passando por trás de uma tília do jardim de acesso à Conceição»

Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido,
 1ª edição, Gazeta de Poesia, 1995, p.97; 2ª edição (ass. pelo ortónimo Teresa Bernardino), Nova Vega, 2000.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sombras luminosas


Camilo (pintura de Roque Gameiro)
«Devagar contemplo o despertar das estrelas na vigília da minha alucinante certeza de conhecer todos os segredos de Ana. As velas que acendo à medida que se vão esgotando sentem como me é indiferente a sua luminosidade apesar de precisar da sombra que projectam para lançar no papel as ondas violáceas da perseverança perante a qual me inclino como um peixe à beira do mar depois da consumação da vida.»

Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido,
Edições Gazeta de Poesia, 1995, p. 64

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ana Plácido e a alma de Camilo

Ana Plácido
«Recordo as palavras de Ana escritas no romance Adelina. Num baixo conceito se observa, lúcida e louca, amante e sem amar, alma elevada e a espelhar-se na poeira mais insignificante e redutora. "Foi na noite maldita daquele baile". Anota Camilo em 1857. Esta frase parece a confissão de um arrependimento. A realidade é-lhe atroz. O desespero habita-o. »
         

Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido,
Edições Gazeta de Poesia, 1995, p.19

Nota: Foto retirada do Blogue "Combustões".