segunda-feira, 27 de julho de 2026

UM POEMA INÉDITO:

 ONDE ESTÁ O INVISÍVEL?


sangue escorre em homens sem rosto.
o mundo indiferente só quer apagar-se.
é a guerra a procurar ignorar a morte a esculpir palhaços
em delírio e a tropeçarem nas suas sombras
negras como se fossem fuligem de velhas chaminés.
as figuras desesperantes matam cada olhar assombrado.
muitos disfarçam-se em vestuários de carnais contornos.
sem precedentes o entrudo acontece invulnerável
e tosco. os fingimentos grassam monstruosos.
ninguém sabe quem os inscreve nos passeios
ninguém sonha quem os pensa até aos pormenores
ninguém adivinha quem está a comandar o invisível. ninguém!

26 de Julho de 2026
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 24 de julho de 2026

UMA OBRA DE LÍDIA JORGE

LÍDIA JORGE

 ACERCA DE FEIRAS DO LIVRO escreve, hoje, LÍDIA JORGE, a grande escritora portuguesa que bem mereceria o Prémio Maior da Literatura Mundial, o PRÉMIO NOBEL:
«É impossível não pensar que a imaterialidade se transformou na nova matéria prima, tornada única leve e limpa como um sonho (...)
e que os milhares de livros que pendem dos escaparates por onde a chuva entra oferecem o seu contrário. Sob o rigor da bátega, é impossível não pensar que todas as Literaturas estão a passar, noite e dia, para um outro suporte, e uma vez aí acomodadas, os originais não passarão de calhamaços que ocupam espaços necessários para outras funções mais louváveis. Claro que essa limpeza imaterial poderá precisar de outras feiras, mas destas, casinhas forradas de papel com gente lá dentro a escrever palavras de amor a quem se aproxima, não precisará de certeza.»
LÍDIA JORGE, «O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, 30 Crónicas e um Discurso», Editora D. Quixote, 2026, pp.22-23.

terça-feira, 21 de julho de 2026

ENCONTRO ABENÇOADO (há 33 anos)

Quando nós nos encontrámos
O Sol brilhou com mais força
Na bela tarde de Verão. 

Era o Futuro a romper
As grades de uma prisão. 

Era a vida a acontecer
Depois da desolação.

Foi ver bater em uníssono
Coração com coração.

20 de Julho de 2026

Fernando Henrique de Passos

POEMA-MEMÓRIA

INESPERADO AMOR


Conheci-te há trinta e três anos

naquele dia pela tardinha
um aroma novo percorreu a cidade.

o mofo dos tapumes partiu de súbito.
as pedras da calçada estremeceram.
o medo percorria o ar ufano.
a incerteza reinava segura.
até parecia não poder ter fim.

e eu na minha solidão intemerata
julgava-me inteira ainda.
só que ao ver-te como um percurso
corrompido de dor sentei-me à tua frente
e sorri atónita para os teus olhos trémulos.

20 de Julho de 2026
                                        Teresa Ferrer Passos

FOTO : Bar da Fundação Calouste Gulbenkian

Bar da Fundação Calouste Gulbenkian


sexta-feira, 17 de julho de 2026

ACERCA DA CPLP E TAMBÉM ACERCA DO ESTADO DA NAÇÃO

A CPLP, como o Dr. José Luís Carneiro escreve, ontem, no Linkedin, não deve ser secundarizada nas opções estratégicas do nosso país, como país que colonizou, durante séculos, grandes países africanos como Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Principe, entre outras regiões. Entre 1994 e 1996, lancei em Lisboa ( sob os ortónimos Teresa Bernardino Passos/Teresa Ferrer Passos) a revista "Gazeta de Poesia do Mundo de Lingua Portuguesa", em que atribuí grande destaque à CPLP e à sua importância como perpetuadora da Língua Portuguesa no mundo. A CPLP, como o Dr. José Luís Carneiro escreve, ontem, no Linkedin, não deve ser secundarizada nas opções estratégicas do nosso país, como país que colonizou, durante séculos, grandes países africanos como Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Principe, entre outras regiões. Entre 1994 e 1996, lancei em Lisboa ( sob os ortónimos Teresa Bernardino Passos/Teresa Ferrer Passos) a revista "Gazeta de Poesia do Mundo de Lingua Portuguesa", em que atribuí grande destaque à CPLP e à sua importância como perpetuadora da Língua Portuguesa no mundo. A CPLP, como o Dr. José Luís Carneiro escreve, ontem, no Linkedin, não deve ser secundarizada nas opções estratégicas do nosso país, como país que colonizou, durante séculos, grandes países africanos como Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Principe, entre outras regiões. Entre 1994 e 1996, lancei em Lisboa ( sob os ortónimos Teresa Bernardino Passos/Teresa Ferrer Passos) a revista "Gazeta de Poesia do Mundo de Lingua Portuguesa", em que atribuí grande destaque à CPLP e à sua importância como perpetuadora da Língua Portuguesa no mundo.

18 de Julho de 2026
Teresa Ferrer Passos


O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO teve ontem início com uma espetacular apologia do atual Governo pelo próprio Governo dirigido por Luís Montenegro. O Debate sobre o estado da nação deveria começar sempre pelos parlamentares a representar, pelos seus partidos, o sentir do estado da nação. Contudo, não é assim. Estes, são relegados para o fim do Debate, Debate esse ainda não iniciado. afinal. Como podem os representantes da nação debater um imbatível discurso, não pela força e veracidade absoluta de todas as suas afirmações, nem pelos seus, por vezes encomiásticos argumentos, a favor de medidas ou dos seus ministros? Para fazer um Debate exaustivo do estado da nação, o Primeiro Ministro deveria respeitar, em primeiro lugar, as posições assumidas pelos representantes da Assembleia da República, representantes maiores da vontade do Povo Português. Só depois, lhe seria legítimo responder a todas as censuras ou elogios que lhe fossem dirigidos.

17/Julho/2026
Teresa Ferrer Passos

sábado, 11 de julho de 2026

PARA ONDE CAMINHAMOS?

Para onde caminhamos, num mundo a eclodir de Inteligências Artificiais enganosas, de apelos falsos para atingir fins hediondos, de ruturas fundas para encontrar uma fictícia e breve felicidade?
T.F.P.

«O mundo precisa desesperadamente de pessoas que fujam da plateia artificial e que mostrem, sem subir ao palco, através da sua escrita real, o que lhes vai na alma.»
Maria Pais (in Facebook)

EFEITOS DA DIGITALIZAÇÃO...

Suécia, Finlândia, Noruega, França, Itália e Dinamarca passaram a questionar os efeitos da digitalização precoce sobre o aprendizado. A mudança não nasceu de uma simples preferência pelo passado, mas de estudos que associam o uso de papel e lápis a uma melhor retenção de informações, maior capacidade de concentração e compreensão mais profunda dos conteúdos. (DAS NOTÍCIAS)



UM POEMA INÉDITO:

Minha mãe, então enfermeira 
no Hospital Rainha D. Estefânia
(1948)

 
CANÇÃO À MINHA MÃE
 
                     no dia 11 de Julho, trinta e seis anos depois.
 
nesta hora de assombro pelo teu perfil
escrevo numa vertigem de memória
ou na folha da árvore mais portentosa da montanha?
não  sei responder, nem sequer sei o porquê da minha dúvida.
tudo é uma incógnita nesta terra árida e envolta em ventania.
 
nesta hora de assombro pelo teu sorriso santo
penso na tua voz de melíflua dicção
na tua fé sem princípio nem fim
na tua alma perfumada de brandos sonhos
e parece que ouço o som do teu coração cansado.
 
nesta hora de assombro pelas flores com que cobrias
a mesa de jantar do dia dos meus anos,
nesta hora amarga pela tua ausência próxima
recordo o tempo infindo à espera de escutar-te,
nem que fosse por uns breves instantes.
instantes mesmo pesados de bruma.
  
11 de Julho de 2026

                                            Teresa Ferrer Passos