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domingo, 21 de setembro de 2014

O feiticeiro transparente

O mago da praia sem idade
Vê a cada instante o universo inteiro
Conhece todas as cores da única verdade
E num perpétuo lusco-fusco de mosteiro
Vai entretecendo o tempo na eternidade

O bobo do parque dos narcisos
Procura espelhos nos olhos dos pardais
Ouve aplausos no chocalhar até dos próprios guizos
E a ânsia de ouvir cada vez mais
Torna-lhe os gestos febris e imprecisos

O drama todo do mundo
Vem do mágico e do pantomineiro
E do seu laço profundo:
Só pode agir o primeiro
Por meio do bailado do segundo


21/9/2014

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Acerca do poema "Quando a luz escorrega sob os pés descalços"


“(...) E da Lua os longos cabelos prateados
Escorrendo sobre o seu corpo de mulher
Reflectiram os rostos das crianças
Que procuravam de onde vem o medo”
16/10/2013
                  Fernando Henrique de Passos


     “De onde vem o medo?”, pergunta pertinente de Fernando Henrique de Passos. “Reflectiram os rostos das crianças”, a perguntar, cada vez mais e com mais força, a perguntar! Pergunta pertinente, na voz do Poeta. Pergunta a reflectir o drama do sentimento do medo com que se confrontam tantas crianças, vítimas da crueldade, da perfídia, ou da insensatez dos adultos. Adultos que não aprenderam a cuidar delas, adultos sem escrúpulos, indiferentes à sua fragilidade e pureza.

 18/10/2013

                                                             Teresa Ferrer Passos