sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Evocação do Poeta Joaquim Evónio (1938-2012)


LISBOA 94



O preto e o branco
desfraldados,
são um poema as cores de Lisboa…
O branco europeu
mais o negro africano
deram-se as ondas, mãos,
braços do Oceano,
e foram tão longe!

              Joaquim Evónio*

* Colaborador da revista Gazeta (de Poesia) do Mundo de Língua Portuguesa (1994-1996)

«In Memoriam» Joaquim Evónio


«Afinal de contas, o que é Deus?
Uma criança eterna jogando
um jogo eterno num eterno jardim.»

 Shrî Aurobindo



(invoco, para o Dependurado,

o Arcano e Arcaico do Sápido Sol)

I

Alteavas, qual Pessoa,
O astrolábio duma Astarte,
E era Apolo que abençoa,
Era o Sol, engenho e Arte.

E suflavas o aflante,
Era o Sopro alma Deméter,
Era a terra do amante
E era o lírio como Éter.

II

Que ela é verde, verde e vedra,
Ela é Musa não amara,
Que há palavras qual a pedra
E há palavras qual seara.

E na «Mater»-matrimónio
Foste o Sal e a Soidade……
Foste Azul, meu caro Evónio:
És feliz Eternidade.

Armação de Pêra, 15/ 07/ 2012

IN HERBIS ET IN VERBIS

Paulo Jorge Brito e Abreu

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

No 90º Aniversário de Adriano Moreira (6 de Setembro de 2012)


NOTAS DE POLÍTICA


A agitação do poder:
«Muita da agitação oficial e oficiosa, traduzida numa sucessão alucinante de viagens, de encontros, de comunicados, de declarações, de comentários, de promessas, de acordos, deixa apenas a impressão do completo vazio, da inutilidade consciente, do movimento sem finalidade, como se houvesse o propósito de preencher os tempos livres e entreter o eleitorado.»

A soberania:
«No mundo interdependente em que nos aconteceu viver, com uma unidade determinada por factores técnicos que a ética não acompanhou, a soberania deixou de corresponder ao conceito clássico que o direito internacional amparava, e não se perfilou em termos de ser possível uma nova conceptualização pacífica.»

As nações:
«Estas não são politicamente iguais, o fenómeno da soberania limitada alastra mais rapidamente do que o reconhecimento do facto, certas faculdades que antes não se autonomizavam na análise do poder político passaram a ser a única expressão internacional desse poder, a jurisdição interna não tem medida igual para todos os povos. O poder financeiro, o poder tecnológico, o poder cultural, o poder funcional, são mais identificadores de cada um dos Estados, do que o velho conceito de soberania.»
                      
Adriano Moreira in O Novíssimo Príncipe,  Lisboa, 1980


***
«Parece-me evidente, necessário, que haja um conceito estratégico nacional. Que esse conceito estratégico nacional deve e precisa de apoiar-se numa Europa unida, tomando consciência de que a fronteira da pobreza passou para o norte do mediterrâneo e que nós estamos abrangidos por essa fronteira, mas que também há janelas de liberdade. E essas janelas de liberdade principais são o mar, a plataforma Continental e a CPLP.»


Adriano Moreira (Entrevista à Lusa in Jornal de Negócios, 1/9/2012)

Repensar a missão do clero


À MARGEM DO 7º SIMPÓSIO NACIONAL DO CLERO,
EM FÁTIMA

No entender do padre Emanuel Silva a “grande dificuldade” para o clero é o facto de a cultura atual “procurar mais a sensação do que a caminhada, mais as soluções imediatas do que os projetos”.
“A valorização do transitório leva a que muitas vezes se reduza a vida ao sabor dos momentos, em vez de os situar num horizonte mais alargado”,
Padre Emanuel Silva (organizador do Simpósio)

“Uma sociedade sem fé é uma sociedade vazia e foi para isso que procurei chamar a atenção: para a necessidade de trazer à praça pública, que a Igreja não fique num gueto, fechada sobre si própria apenas a falar de Fé aos que já a têm. Deve vir ao átrio, discuta com quem não tem Fé e suscite a discussão destas questões que são verdadeiramente as questões importantes”,
Zita Seabra (Ex-Deputada do PCP)

4/9/2012

domingo, 2 de setembro de 2012

S. Paulo, hoje


«Tudo é permitido, mas nem tudo convém; tudo é permitido, mas nem tudo edifica»
1 Cor 10, 23

«"Tudo me é permitido", mas de nada me farei escravo»
1 Cor 6, 12

«Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos»
2 Cor 4, 8-9

Epístola de S. Paulo aos Coríntios

sábado, 1 de setembro de 2012

O Jogador



O JOGADOR

Caiu na miséria,
Busca o desafogo:
Joga-se a si próprio
Na mesa de jogo.

O sorriso alarve
Não disfarça o medo:
Máscara falhada,
Cofre sem segredo.

Quanto menos tem,
Mais sobe a parada.
Vemos-lhe o terror
Sob a gargalhada.

Joga-se a si mesmo,
É tudo o que tem.
Jogará ainda
Até ser ninguém.

Não tem importância:
Basta-lhe jogar,
Congelar o tempo,
A carta no ar.

E quando cair
No centro da mesa,
Pode perder tudo,
Ganha uma certeza:

Nunca, em parte alguma,
Em nenhum recanto
De nenhum casino,
Alguém jogou tanto.

29/8/2012

Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Universidade de Verão do PSD


VOZES NA UNIVERSIDADE DE VERÃO DO PSD
em Castelo de Vide

“Qualquer responsável tem que estar muito atento porque a prova de civismo da população tem sido enorme, há manifestações sempre com uma ordem exemplar em relação ao resto da Europa, mas tem que se pensar neste ponto: a fadiga tributária é um facto que não pode ser ultrapassado”.
Adriano Moreira (Especialista em Política Internacional)
28/8/2012

“Quando há um programa de ajustamento, há sempre oposição. (…) Há sempre interesses estabelecidos a opor-se”. Quem governa sob um plano de ajustamento tem de conseguir decidir com “verdade e determinação", "independentemente da gritaria".
António Borges, (Economista)
29/8/2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fogos de Guerra

Uma imagem do martírio dos inocentes na Síria


No círculo da dolorosa sensação
Nasce em mim outro círculo. E ouço o sino repicar
anunciando uma nova dor à humanidade.
Tudo me parece envolver-se em margens de rios
com ossos a erguerem-se em montanhas de titânio.
Num tempo de cinzas queimando como fogo,
há ossos amontoados em camas de hospitais.
Aí, os meus suspiros gemem tenebrosos.
Como aguilhões, os ossos fragmentam-se e a dor
invade-me como ondas de metal.
Os nervos danificados na parede da casa
alongam e encolhem, dando-me
a provar um sabor de grito amargo.

Vejo dias ávidos de sol. À noite, as sombras
do martírio de inocentes caem sonâmbulas.
Condenados sem saber,
sentem queimaduras nas mãos débeis.
Condenados sem juiz,
sofrem  a afronta cravada na sua mansidão.
Condenados desde o princípio da terra e do céu,
um silêncio de choro revela-me a revolta
a sucumbir em olhos secos de lágrimas.

Aqui, vejo o pânico em bermas de restolho.
Mas, mesmo ao lado, indiferentes,
dançam jovens com máscaras afiveladas,
dançam ao som do rock e da fantasia,
dançam em busca da fama
e dão  gargalhadas pela glória de estar vivos.

Mais além, os aromas acres de guerra,
perturbam os intervalos da escassa paz.
E tenho sede das marés da esperança
ao ler a guerra em todos os lugares.
Só correm lágrimas a aconchegar as chagas.
Encontro as feridas da saudade, além e aqui,
indestrutíveis.
Nas cidades eternizadas pelo sofrimento,
descubro que, afinal, as gentes perderam
a batalha maior: a batalha da lucidez.

27 de Agosto de 2012

Teresa Ferrer Passos

domingo, 26 de agosto de 2012

Subdesenvolvimento atroz


“Sou sempre contra os reis e os príncipes do petróleo, que compram o mundo aos pedaços para brincarem às caçadas ou a outra coisa qualquer que possam exibir como troféu perante os seus haréns – enquanto os povos dos seus próprios países vivem no subdesenvolvimento mais atroz.”

Catalina Pestana, in Sol, 17/8/2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Aparências




Quantas máscaras, quantas à nossa volta,
rodopiam imparáveis, sedutoras
e mascaradas com os seus próprios disfarces.

Como gargalhadas, as máscaras vibram no nosso coração
descompassado pelo espanto.
Julgam enganar-nos com as suas tribulações.

Como se rolassem num espaço sem entraves,
as máscaras possuem o gosto da mentira
mas aparentam sempre dizer a verdade.

As máscaras passam por nós todos os dias,
passam sem se deformarem,
alardeando a sua inocência fingida.

Brilham as máscaras como sóis,
envelhecem sem uma ruga
e lançam jogos de proveitoso cinismo.

Nas máscaras não crescem canteiros de flores
nem vemos jardins a desenharem corações.
A cada hora, constroem as suas metamorfoses.

Nas máscaras, as emoções confundem-se
com a razão submissa e atónita,
em gritos labirínticos a que falta a verdade.

Nas máscaras, a verdade some-se sem deixar rasto.
A verdade em  destroços deixa-se esmagar
nas garras espetadas de egoísmo.

Nas máscaras tudo se consome e desperdiça.
Crescendo ao lado das máscaras,
a verdade entoa hinos de solidão.

Envolta pela máscara coroada
com falsos diamantes, a verdade
definha e tomba na terra seca.

Sob a fantástica máscara, vive-se  na cidade.
Rostos cobertos de gestos e sons absurdos
cravam o exagero do artifício sobre o real.

A imagem inocente vive na sombra das máscaras.
Possuindo em si toda a verdade, vemo-la apagar-se
devagar nos dias abafados e sem sol.

Teresa Ferrer Passos

Se não existisse o bosão de Higgs


O centro europeu de investigação nuclear (CERN), anunciou que descobriu uma nova partícula subatómica que tem 95 por cento de hipóteses de ser o bosão de Higgs.

O físico português Augusto Barroso (Universidade de Lisboa), em entrevista à RTP/Notícias, pronunciou, sobre o assunto, algumas importantes declarações:

 “A descoberta do bosão de Higgs é um marco no progresso da teoria que explica o mundo”.

“Os cientistas vão continuar a investigar para descobrir as suas propriedades”.

 “Se não existisse o bosão de Higgs muitas coisas teriam de acontecer por acaso e isso é pouco provável”.

“Na minha opinião, existe mais do que um bosão de Higgs”.

Lisboa, 4 Julho de 2012 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O novo sentimento de intranquilidade

"Uma base material que se altera pelos novos paradigmas tecnológicos, novas linguagens e possibilidades reais diferentes. O poder desloca-se do saber para o conhecimento técnico e sobreleva mesmo às formas políticas e éticas de acção. Donde que o sentimento de intranquilidade, ainda residual na sociedade artesanal, e cuja existência se pautava pela tradição, acabe por se objectivar na mobilidade de meios e no homem simbiótico de heterónimas e multíplices possibilidades..."

Carlos Henrique do Carmo Silva, "Tópos e Ritmo da Existência Sacerdotal em Isabel da Trindade", in Revista de Espiritualidade, nº 73, pp. 58, 59

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As marcas da pedofilia


"Toda a investigação disponível demonstra que qualquer criança abusada fica marcada para toda a vida, a nível físico, psíquico e emocional. Nalguns casos, tornam-se em adultos cidadãos associáveis, porque a sua raiva foi mal canalizada. Outros conseguem sublimar, mas nunca esquecer."

Catalina Pestana, in Sol, 10/8/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Nascida em Agosto



Impressão táctil de luz no ar dolente,
A fissura no dia entre manhã e tarde
Deixa entrever canteiros de hortelã
E um perfume verde
Que sobe até aos frutos já maduros
E por eles desliza rumo ao céu
Roçando de passagem nos telhados.
Chamam por ti o canto das cigarras,
A janela a gemer nas dobradiças,
O ranger dos sapatos do teu pai.

Vem, rasga as cortinas,
Surpreende a brisa fatigada,
Une manhã e tarde num só tempo
E caminha decidida pelos anos,
De pés descalços corre sobre as pedras,
Corre sobre a dor que só tu sabes.

Não pares nunca.
Estarei à tua espera no Inverno,
Falto de luz,
Faminto do canto das cigarras,
Da brisa morna,
E do doce gemer de uma janela
Que se espreguiça e volta a adormecer
Sonhando que é cortejada pelo sol…

9/8/2012

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Prostração


(invoco, para o Dependurado, o Arcano e Arcaico da Força feraz)

Numa Graça, Senhora, e em teus passos,
Pus a cota, a couraça e o Cavaleiro,
Solitários, ó Dona, mas os laços
Luziam em castelo verdadeiro.

E ominosos, cruentos foram traços
Que eu ia similando no sendeiro;
E foram, as cantigas, os cansaços,
Sem plaga, sem Maria o marinheiro.

No mundo só e triste, e mal e rudo,
Vitupério, escombros, e eu só.
Me foi negada a casa, o pão e tudo,

Roubaram-me o liame, o laço, o nó,
E eu fiquei, para sempre, medo e mudo,
Tu ficaste, formosa, feita em pó.

Lisboa, 07/ 06/ 2006, 17/ 07/ 2012

SIC ITUR AD ASTRA

Paulo Jorge Brito e Abreu

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A importância da Educação Física


“Não é coerente o Ministério da Saúde estar alarmado com os problemas da obesidade e da diabetes entre crianças e jovens – e, ao mesmo tempo, a escola pública legislar no sentido de despromover o único factor preventivo eficaz [a Educação Física], que deve chegar, tão precocemente quanto possível, a todos os cidadãos.”

Catalina Pestana, in Sol, 3/8/2012

sábado, 28 de julho de 2012

Bendito Esposo


Nas lágrimas derramadas, reconheço a tua  pureza bendita.
Nelas inscreves o pânico da separação primeira,
na casa já a perder o sentido...

Num hospital, vejo-te naquilo em que ninguém repara.
Leio-te no fundo da tua excelsa alma.

Como Deus conhece a generosidade do teu amor em mim…
Como Deus conhece as tuas trevas nas horas da tua doença…
Como Deus conhece a força do teu amor, sempre a vencê-la!

Como um mar imenso em turbilhão,
vejo irromper a tua paixão a cada instante.

Conto agora dezoito anos da nossa vida
em comum, numa comunhão tão funda,
que não sei já o que significa a palavra fim


Lisboa, 28 de Julho de 2012

Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Adão e Eva


Passais lentamente o corredor de espelhos,
O cheiro amargo da hera nas narinas,
O tapete de musgo sob os pés.
O labirinto de translúcidas molduras
Engana-vos de novo.
Os rostos ambíguos e estáticos
Trocam olhares em todos os sentidos
E sois atravessados por uma luz vegetal.
Os reflexos de cor das telas nas paredes
Perdem-se nas sombras de verde transparente
Que vós próprios projectais.
Um pouco mais e o ar ficará líquido
E nadareis na água doce e entre os limos
E a galeria de quadros madrepérola
Será soluto e vós solvente.
E, liquefeitos, cristalizareis
As cores azuladas do poente.

26/7/2012

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 24 de julho de 2012

Dezanove Anos


Faz hoje dois dias,
Fez dezanove anos
Que nos conhecemos.
Faz hoje dois dias,
Tu estavas ausente,
A casa vazia.
O dia doía
De te ver doente.

Lá longe de casa
Teu corpo sofria.
Mais sofria a alma
Por falta de amor
Das que te acolhiam
Na cama moderna,
Cama articulada,
Cama gradeada,
Cama vigiada,
Cama desprezada
Por mulheres-robô
Com alma de cão,
Que se riem muito,
Riem sem parar,
Riem sem razão.

Eu, na nossa casa,
No nosso jardim,
Colhia sorrisos
Para te levar,
E juntava as letras
Da palavra amar.
E ao meio-dia
Ia-te encontrar;
E ao meio-dia
A tarde cantava
Da  nossa alegria…

22/7/2012

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ventre Materno


em águas de nenúfares
a vida cresceu em ti
e eu, dentro das gotas,
vivi nesse lago em que te vi.
E no ventre de minha mãe te descobri
na sua transparência
cresci devagar e te sorri.

Foi na hora do  teu grito fálico
a descer do céu desértico
e a tocar o ventre de Natércia
que como um véu me cobria.

Natércia me guardava só para o teu corpo
- maravilha cósmica de vida e arte -
e eu, como se ela fizesse uma alquimia,
 a querer ainda nela amar-te…
com esperança e fantasia.

26 de Janeiro de 1999

Teresa Ferrer Passos

domingo, 22 de julho de 2012

Memória de Alcantarilha


Ali, ao crepúsculo, vibrava o espaço numa sinfonia
Imensa. Os sons, irreconhecíveis, prolongavam-se
Na minha alma cansada e ansiando paz.

Ali, ao crepúsculo, o piar do cuco tímido e choroso
Fazia-me pensar em todas as solidões do mundo.
Mas, os sinos da igreja desviavam-me o pensamento.

Ali, ao crepúsculo, esquecia-me de mim,
Extasiada pelo colorido azul-róseo do céu
A convocar-me a um cântico novo ao criador.

Ali, ao crepúsculo, esvoaçavam os pássaros
Com trinos rápidos, na excitação pelo fim do dia.
E as árvores inclinavam-se às verdes folhas paradas.

Ali, ao crepúsculo, via passar, de súbito, a cegonha,
Pesada de esperança nas asas ávidas de vida.
E, sem olhar para trás, rumava ao alto ninho.

Ali, ao crepúsculo, descia à terra o silêncio.
Então, frente à beleza do cenário,
Parecia-me que, sem saber, rezava.


15 de Julho de 2012

Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Deus à mão de semear

Jesus é o Espírito Santo (Deus) que encarnou sob a forma humana para poder falar aos seres humanos, para lhes poder assim ensinar a viver de acordo com o Bem que integra em si mesmo o Amor, de que esse Espírito Santo (Deus) é o símbolo absoluto. E, em consequência,  a Boa Nova de Jesus será para o ser humano que o quiser seguir. Aproxima-se assim, o ser humano, de tal modo do Espírito Santo (Deus), que dele não se distinguirá e, por isso, alcançará, em espírito-para-além-do-mundo-material-que-conhecemos, a vida eterna. O Espírito Santo (Deus) para se dar a conhecer à humanidade só o podia fazer através de uma encarnação humana.

13/7/2012

Teresa Ferrer Passos

O Kamikaze


Na planície quieta sob o sol
O sonâmbulo carro sobre a estrada.
O ar está quebradiço como palha.
Os corvos regressaram de manhã
Depois dos longos anos de degredo.
O som de um avião no céu brilhante
Irrompe no ofício de existir.
Sobressalto dos lagos ressequidos.
A cratera de fogo no trigal
Mistura o fumo lento com o sono
E a ferida que se abriu no fio do tempo
Palpita cada vez mais devagar
E seca entre raízes e torrões.
Agora a terra engole os poucos traços
Da última ameaça aos negros reis.

10/7/2012

Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Crise e Espiritualidade

"Diz-se que estes duros tempos de crise económica, em que todos os dias vemos tombar o modelo que identificava a felicidade com o poder de compra (ou com a sua ilusão), constituem uma oportunidade para a redescoberta do espiritual. Pode bem ser. Mas no lugar de um ídolo, não podemos colocar outro. A vida espiritual não é um oculta-vazios ou um alívio emocional para sociedades à beira de um ataque de nervos. É uma aventura maior, que nos radica na verdade nua do homem e na verdade de Deus. Partamos daí."

José Tolentino Mendonça, in Agência Ecclesia

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Crise e Solidariedade


"Passado um ano, estamos todos mais pobres. Os muito pobres vivem pior do que os cães dos ricos. (…) Muitos dos que acreditaram que comprar casa própria era a solução mais adequada para casais em início de vida, ficaram desempregados às dezenas de milhares. Hoje não dormem na rua porque a solidariedade familiar é um valor que os mercados ainda não conseguiram deitar para o lixo."

Catalina Pestana, in Sol, 6/7/2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Bosão de Higgs

Físico Peter Higgs (1929-)

Antes de mais, um aviso: sou crente; ninguém mais do que eu gostaria que a ciência provasse a existência de Deus. (Se isso fosse possível, o que, de resto, não é.) 
Ora, se a descoberta do bosão de Higgs provasse alguma coisa (o que não prova, nem, de resto, poderia provar) seria a não existência de Deus. O equívoco gerado em torno desta partícula deriva em grande parte, quanto a mim, de um erro de tradução: traduziu-se em português “God particle” (o que, já de si, é apenas uma brincadeira) por “partícula de Deus”, quando o correcto seria “partícula Deus”, porque é uma partícula que, em certo sentido, se substitui a Deus no seu papel de criador da matéria. Mas também aqui convém ser mais preciso: não se trata de uma partícula que existe antes das outras e depois lhes dá origem; também não se trata de uma partícula que surge após a existência prévia de partículas sem massa (e, portanto, “imateriais”) e que lhes vem conferir essa massa. Nada disso: o bosão de Higgs e as restantes partículas existem “ao mesmo tempo”. O que se passa é que, de acordo com a teoria, se não existisse o bosão de Higgs as restantes partículas não teriam massa, permitindo no entanto a mesma teoria deduzir que as restantes partículas têm massa se, juntamente com elas, existir também o bosão de Higgs. 
Mas, mais importante, se o bosão de Higgs explica a “materialidade” das restantes partículas, fica ainda por explicar por que razão existem de todo partículas, sejam elas quais forem. O crente poderá sempre argumentar que alguém teve de as criar. (Também é verdade que o não crente perguntará sempre: “se Deus pode existir sem ter sido criado, porque não se pode dar o mesmo com as partículas, e com tudo o resto, dispensando assim a ideia de Deus?”) 
Já agora, um aparte sobre as relações entre ciência e religião. Foi posta a circular pela Igreja (a mesma Igreja de que eu faço parte, saliente-se de novo) a ideia de que a ciência e a religião não se contradizem porque dizem respeito a esferas diferentes. Não é verdade. Só existe uma realidade, e a religião e a ciência falam ambas acerca dessa mesma e única realidade, logo alguma relação tem de haver entre as afirmações de uma e outra. O que acontece é que as afirmações da religião não podem ser postas à prova pela experiência, ao contrário das afirmações da ciência, e é apenas devido a este facto que nunca poderá haver contradição entre umas e outras. Mas acrescente-se que uma afirmação que pode ser posta à prova pela experiência pode também ser relativamente desinteressante (ou mesmo completamente desinteressante) do ponto de vista do ser humano e das suas aspirações, enquanto, pelo contrário, uma afirmação não submetível à prova da experiência pode mesmo assim ser verdadeira e, além disso, altamente significativa para o ser humano e para as suas aspirações. 

4/7/2012

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 3 de julho de 2012

Réstea de Paz



As estevas brancas e o joio
cresciam lado a lado.
Entre amores-perfeitos e estrelas-do-egipto
nada se distinguia com nitidez.
De mãos entrelaçadas, esperávamos
as horas silenciosas do crepúsculo.
Inflamados pelas cores azuladas das alcachofras,
esperávamos a hora nova ou do nunca.
Depois, pela janela larga e debruçada da casinha
Enquadrada na serra enevoada,
víamos crescer o sol,
de cansaço prostrado aos nossos pés.
Abismados, os nossos olhos sucumbiam naquela visão
procurando ainda uma réstea de paz.
Firme como no primeiro dia,
vimos o sol brincar às escondidas
com os contorcidos troncos
e as folhinhas da velha oliveira.
Como a sorver uma grande paz,
desvendámos aqui o segredo da vida:
verdes rebentos brotavam, com audácia,
da sua escavada carcaça,
inquebrantáveis de força! 

S. Brás de Alportel, 1 de Julho de 2012 

Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pedofilia - Crime sem Castigo?


«Saber ler sinais de mal-estar nas crianças que nos rodeiam; saber informá-las (sem as traumatizar) sobre o que devem recusar, seja a quem for; saber ouvi-las quando confiam em nós para falar; saber o que fazer depois de termos ouvido a denúncia de alguém que diz ter sido vítima.
A Rede de Cuidadores, organização não governamental que trabalha nesta área, está disponível para ajudar aqueles que aceitam ter problemas.»

Catalina Pestana, in Sol, 29/6/2012

domingo, 1 de julho de 2012

Prece ao Paracleto




de todo o coração, a Sua Santidade, o Papa Bento XVI
à Academia Carioca de Letras

Magíster, aqui estou, estou preste para o convite e pronto para o Amor. Que anelo eu ser o elo, o celeste Cavaleiro, o escriba do Alto e a Língua das Aves - e que eu cifre, «sephirótico», a Kabbalah cabalina, os Astros, as letras, os Numes e os nomes. E os números, outrossim, na essência, na senda do Éter. Doutrina-me, me informa e enforma, ensina-me, doravante, as palavras correctas, bem rectas e escorreitas. Que esta é pois a jorna, que, no fim da jornada, o jornaleiro seja pago, e no Adam, e no Adon, que eu prepare alfim a messe para a vinda do Messias...........

Terras de Santa Maria, 28/ 09/ 2006

PAULO JORGE BRITO E ABREU