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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre trabalho e sociedade



D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa,  admitiu, em Fátima, a necessidade de «outra organização do trabalho face às exigências irrecusáveis de populações inteiras que, na Europa ou batendo à sua porta, pretendem basicamente trabalhar e viver, senão mesmo sobreviver».

Como sublinhou o também actual Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, «o cristianismo vê na complementaridade homem-mulher a base imprescindível do que a humanidade há de ser».

O patriarca de Lisboa contrapôs este fundamento de cada nova família a «vivências mais individualistas» e desvinculadas dos «padrões básicos da humanidade herdada»

Fátima, 11 de Novembro de 2013

Discurso de D. Manuel Clemente, proferido na Conferência Episcopal Portuguesa

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Consagração do mundo a Nossa Senhora de Fátima



«(...) Cuida da nossa vida entre os teus braços; abençoa-nos e reforça todo o desejo de bem; reaviva e alimenta a fé; sustém-nos e ilumina a esperança; suscita e anima a caridade; guia-nos a todos no caminho da santidade. 

Ensina-nos o teu próprio amor de predilecção pelos pequenos e pobres, pelos excluídos e pelos que sofrem, pelos pecadores e os que têm o coração dilacerado: reúne-os a todos sob a tua protecção, e entrega-os ao teu dilecto filho, o Senhor Nosso Jesus. (...)»

13 de Outubro de 2013
                                                         Papa Francisco



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sangue-Relíquia

UMA MEDITAÇÃO POSSÍVEL
SOBRE A SANTIDADE DO BEATO JOÃO PAULO II*


Padre José Nuno Ferreira da Silva

«(…) Ele foi o Papa que o mundo pôde ver ensanguentado por amor do mundo, num momento crucial, quase no início do seu longuíssimo pontificado, a 13 de Maio de 1981, quando, em plena Praça de São Pedro, sofreu o atentado que veio a definir o sentido do seu percurso, vinculando-o a Fátima e à sua Mensagem, nomeadamente à terceira parte do Segredo que, por sua iniciativa, foi divulgado no ano 2000, oferecendo a imagem de um bispo de branco, caindo sob o fogo de armas.
Um Papa em sangue. João Paulo II ofereceu, aos olhos dos homens deste tempo, algo já esquecido nas lonjuras da Igreja nascente: o sangue de um sucessor de Pedro. Escolher o seu sangue como relíquia é trazer para o século XXI a lembrança do sinal de contradição que o acontecimento do atentado constituiu nos fins do século XX. A sua vida como Papa, sabemo-lo, obedeceu a esse desígnio: introduzir a Igreja no terceiro milénio.

O seu sangue, de ora em diante exposto à compreensão ou à incompreensão dos homens, crentes ou não, reveste-se de grande significado, convoca, para o milénio que começa, a trama global em que viveu o seu múnus pontifício. Discípulo de Cristo e seu Vigário, da chamada a concretizar nestes tempos a missão do primeiro dos apóstolos, nada de mais significativo poderia ser oferecido aos tempos, como sinal e interpelação, que o seu próprio sangue. Este permanecerá perenemente como lugar de enraizamento de um milénio que se escreve diferente desde o princípio, porque João Paulo II, Papa entre dois tempos, não temeu derramá-lo. (…)

A sua santidade é próxima, real, nada tem de etéreo ou angelismo. É de carne e de osso, de olhares e sorrisos, palavras serenas e palavras duras, palavras de compreensão e palavras de censura, palavras de compaixão e palavras de beleza... e gestos, muito gestos, muitos gestos e actos de sentido profético inesgotável. Místico, não fugiu ao mundo nem se voltou sobre si em misticismo desencarnado. Actuante, não caiu em activismo. Viajante, imobilizava-se em longos silêncios orantes.

Atlético e saudável, soube envelhecer sem se esconder nem permitir que o escondessem, como hoje tanto acontece. Confiado aos cuidados médicos e neles confiante, recusou o encarniçamento terapêutico e acolheu a morte na sua hora. A sua santidade foi uma santidade corpórea, tangível, situada no tempo e no espaço, tecida das múltiplas relações que estabeleceu, mas profundamente enraizada na experiência quotidiana da Páscoa de Cristo, acontecimento culminante da divina Misericórdia. O sangue diz a santidade totalmente humana que corria nas artérias e veias do corpo que foi e que nós vimos e ouvimos, tocámos e sentimos.

Só o sangue poderia expressar esta totalidade, porque só o sangue não é dizível como uma parte do corpo que a pessoa é. O sangue chega a todo o corpo. Chegou a todo o corpo que João Paulo II foi, naturalmente bombeado por um coração incansável, levando e trazendo, cumprindo a troca que possibilita a vida; só o sangue, elemento corpóreo culturalmente símbolo de martírio e doação, poderia expressar a radicalidade que em cada um dos seus compromissos foi visível. Nada como o sangue seria relíquia adequada do Beato João Paulo II. Sangue-relíquia.

É belo, também, lembrar que o sangue deste Papa, sendo sangue derramado, é sangue recebido. Sangue recebido de anónimos homens e mulheres que, na dádiva do seu próprio sangue, dão vida, como deram vida a João Paulo II, nas muitas circunstâncias da sua existência em que precisou do sangue de outros para continuar vivo, nomeadamente na sequência do atentado. Quem seriam? Quem terá, sem o saber, dado do seu sangue ao Papa?

Toda a tradição bíblica do sangue como princípio de vida e, em Jesus, princípio de vida nova, oferece um horizonte de compreensão para visitarmos a relíquia do sangue do Papa de todas as gentes, que todo o mundo visitou. O sangue do Papa das gentes resulta da mistura dos sangues de pessoas várias, em momentos críticos vários da sua existência. Sangue derramado que é sangue recebido, que é sangue dado.

A relíquia surge, assim, liberta de toda e qualquer enviesamento de interpretação pietista ou marcada pela superstição, como uma narrativa de amor, expressão do elevado patamar de comunhão, tão global quanto interpessoal, que este Pastor universal atingiu. (…)»

José Nuno Ferreira da Silva**

* Internet, Paróquia de S. Cosme, Gondomar (excertos).
** O Pe. José Nuno nasceu em 1964 em Gondomar, é Licenciado em Teologia e Doutorado em Bioética pela Universidade Católica. Actualmente, é Capelão do Hospital de São João no Porto e Coordenador das capelanias hospitalares.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Repensar a missão do clero


À MARGEM DO 7º SIMPÓSIO NACIONAL DO CLERO,
EM FÁTIMA

No entender do padre Emanuel Silva a “grande dificuldade” para o clero é o facto de a cultura atual “procurar mais a sensação do que a caminhada, mais as soluções imediatas do que os projetos”.
“A valorização do transitório leva a que muitas vezes se reduza a vida ao sabor dos momentos, em vez de os situar num horizonte mais alargado”,
Padre Emanuel Silva (organizador do Simpósio)

“Uma sociedade sem fé é uma sociedade vazia e foi para isso que procurei chamar a atenção: para a necessidade de trazer à praça pública, que a Igreja não fique num gueto, fechada sobre si própria apenas a falar de Fé aos que já a têm. Deve vir ao átrio, discuta com quem não tem Fé e suscite a discussão destas questões que são verdadeiramente as questões importantes”,
Zita Seabra (Ex-Deputada do PCP)

4/9/2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Três Pastores Projectados nos Espaços Abstractos

no dia 13 de Maio de 1917

Vós acedestes aos espaços que transgridem
As leis ordinárias da matéria;
Onde as ideias não referem substâncias,
Onde o fluir não tem fluente,
Onde as imagens não se casam com palavras,
Onde os sons não podem verberar,
Onde a luz se cristaliza nas pupilas.
Presenciastes a forma inominável,
A forma onde cabe o mundo inteiro.
Respirastes um ar não feito de moléculas,
Sentistes calor sem vibração dos átomos.
Tudo era ternura, tudo era presença.
Lágrimas sem água corriam por vós e sobre vós.
A mão meiga e sem carne era etérea seda em vossas faces.
O olhar transparente deixava ver as estrelas incontáveis.
Doçura em estado puro correu em vossas veias como um mel,
Sem a mediação que deve percorrer distâncias.
Um sentido, um caminho, uma vontade,
Eram enxertados em vós como videira.
E quando esse vento imóvel vos deixou,
Permanecendo em vós ao mesmo tempo
Por um sortilégio dos espaços abstractos,
Vós dissestes:
Mãe!


11/5/2012

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Sorriso de Maria

Escuto e envolvo-me na ausência de qualquer som.
É noite no santuário. A capelinha parece abandonada.
As portas de vidro fustigadas pela chuva não estremecem.
A imagem de Maria sorri, sorri apenas para as estrelas vigilantes.
O seu olhar sereno descai lentamente no mar do silêncio.
É noite em Fátima. O sino da Basílica silenciou-se.
Ao longe, caminha uma velha mulher. Procura um abrigo.
Está ali, só como Maria. Só com um cesto na mão.
De súbito, sente que está perto da Mãe procurada.
Olha a capelinha apagada. Descobre, no véu de água
O sorriso de Maria. Ali está a Mãe reencontrada!
E, a tropeçar no aguaceiro, arrastando os pés doridos,
Sorri também. Suspira fundo de alívio. Como se sente
Perto daquele sorriso de Mãe tão Amorável!

30 de Março de 2012

                                                   Teresa Ferrer Passos