domingo, 15 de março de 2015

A pedofilia: um problema grave





«Destruir uma criatura é horrível, é horrível»

«A nova comissão criada para estas situações tem como objetivo a proteção do menor, a prevenção, e não o tratamento de cada caso»
«O problema do abuso de menores é um problema grave»
«O padre tem a obrigação de fazer crescer este menino, esta menina, na santidade, no encontro com Jesus. E o que faz é destruir o encontro com Jesus»
«Os abusadores são “antropófagos” que destruíram os menores.»
                                                         Papa Francisco (excertos de uma entrevista no dia do 2º aniversário da sua eleição, a 13 de Março de 2015)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Perguntas & Respostas

ACERCA DA MILENAR PERSISTÊNCIA DE UM RATIO DESFAVORÁVEL ENTRE A VARIÁVEL “NÚMERO DE PERGUNTAS RESPONDIDAS” E A VARIÁVEL “NÚMERO DE PERGUNTAS FORMULADAS”





Why do we never get an answer?
The Moody Blues

Pára…
Não te contraias mais…
Não queiras nada…

…Deixa-te estar em frente das perguntas,
No meio das perguntas.
Faz-te pergunta.
Tu mesmo és a pergunta.
Tu mesmo serias a resposta
Se acaso houvesse alguma forma de resposta
Que fosse mais do que a pergunta a que responde.

Não escrevas nada;
Não tentes deter as perguntas a meio do seu voo;
Deixa que esse ébrio bando de brandas borboletas
Repouse apenas quando a tua mente
Lhes oferecer poiso seguro:

A vastidão de uma planície
Sem tocas nem recantos
Nem inesperados ninhos de lacraus
Debaixo de pedras inocentes.

12/3/2015

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 9 de março de 2015

A humildade de Deus

Papa Francisco na Capela de Santa Marta
(ao lado a imagem da Virgem e do Menino)

«O estilo do bom Deus não é dar show: Deus atua na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas. (...) é possível observar isso em toda a história da salvação, a partir da Criação, em que o Senhor não pegou “a varinha mágica”, mas criou o homem com o barro.

Quando Ele quis libertar o seu povo, libertou-o pela fé e a confiança de um homem, Moisés. Quando Ele quis fazer cair a poderosa cidade de Jericó, o fez através de uma prostituta. Também para a conversão dos samaritanos, pediu o trabalho de outra pecadora. 

Quando Ele enviou David para lutar contra Golias, parecia loucura: o pequeno David diante do gigante, que tinha uma espada, tinha muitas coisas, e David apenas uma funda e pedras. Quando disse aos magos, que tinha nascido o Rei, o Grande Rei, o que eles encontram? Uma criança, uma manjedoura. As coisas simples, a humildade de Deus, este é o estilo divino, jamais um show.» 

                             Papa Francisco (Missa de 9 de Março de 2015 na Capela de Santa Marta)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Padre António Vieira para o Papa Francisco



Uma delegação da Universidade de Lisboa ofereceu ontem a Obra Completa do Padre Jesuíta António Vieira aproveitando a ocasião do aniversário, no próximo dia 13 de Março, da eleição de Mario Bergoglio para Papa com o nome de Francisco. 
«Quatro séculos antes, Vieira criticou a inveja e a corrupção, como grandes males do mundo. No sermão de Santo Santo António aos Peixes - cujo título os portugueses tão bem conhecem - Vieira denunciou a corrupção, "os protocolos feudais que aprisionavam as nossas instituições, contrapondo que a verdadeira fidalguia está na ação; criticava a desvalorização que é feita em Portugal dos seus talentos e dos seus valores, sendo mais fácil quem nasce nesta terra encontrar reconhecimento e valorização no estrangeiro; acusava a mesquinhez e a maledicência sistemática que dificulta e desestimula quem empreende e faz o que deve ser feito". Este sermão foi pregado no Brasil, em São Luís do Maranhão em 1654.»





Projecto

Do espaço fechado
Nas circunvalações dos medos e desejos
Até à superfície horizontal imensa,
Semeada de cor e primaveras,
Vibrante de luz e de presença.
Porque esperas?

1/3/2015

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 4 de março de 2015

Trilogia de Helgoland

Ilha de Helgoland (Alemanha)

O sms SECRETO DE BOHR A HEISENBERG
QUANDO ESTE SE ENCONTRAVA EM HELGOLAND

As raízes da razão mergulham na loucura
Como tentáculos descendo um precipício:
A primeira esteve no início
E a segunda estará no fim desta procura.

Não esperes clarões nem fogo-de-artifício:
A gruta da serpente é infinitamente escura
E deverás proceder ao sacrifício
Do resto de luz que em ti perdura.

9/1/2015
 
ÀS PORTAS DO MISTÉRIO

Estou na superfície do sol e chove intensamente.

Termina aqui o mapa que encontrei
Quando passeava no sótão de um chalé
Onde memórias de laços e de rendas
Jogavam uma partida de canasta
Entre teias de aranha e maços de jornais
Com numerações mais baixas do que o zero.

A mensagem cifrada fala em caves
Onde se guardam bibliotecas
De livros interditos a adultos.

Presumo então que devo mergulhar
E procurar debaixo das lagoas
Onde borbulha o ouro liquefeito
A sombria raiz do arco-íris.

12/1/2015
 
À TRANSPARÊNCIA

A madrugada despe-se dos medos.
Vejo-a pela praia entreaberta,
Quase ao alcance dos meus dedos,
Já só coberta
Por translúcidos sussurros e segredos.

A brisa está alerta
E a água que corre entre os rochedos
Aguarda a hora ‒ imprevisível e contudo certa ‒
Em que os meus sonhos serão como brinquedos
Nas mãos da luz então por fim desperta.

14/1/2015

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 3 de março de 2015

Sonata à lua

A lua é a razão desta presença
Na estepe que alguém me estipulou
Sem me avisar dos perigos da jornada
Nem me informar do que antes se passou

É a lua que inventa os passatempos
Com que o tempo nos enche de preguiça
E de ferrugem nos gestos e na força
Que a terra húmida cobiça

A lua é a razão da tempestade
E das areias perdidas nos desertos
Onde se passam anos de procura
E onde os passos se tornam tão incertos

Porque a lua se junta ao que é real
E seduz as vontades e convence-as
A trocarem as almas cristalinas
Pela ilusão de falsas transparências

5/1/2015

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 2 de março de 2015

O Centro do Mundo

O Centro do Mundo é azul
Como azul é o mar
Como azul é o céu
Como azuis são as safiras
E como verdes são as esmeraldas
E a luz da esperança nos teus olhos
Sempre que os dois nos encontramos
A sós no Centro do Mundo

24/2/2015

Fernando Henrique de Passos

domingo, 1 de março de 2015

Recomeçar 17 anos depois...



RECOMEÇO

Encontrei a minha cabeça
E a de São João Baptista
E agora que a vida recomeça
Vou avisar todos os da lista.

(Sempre estivera em cima dos meus ombros
Mas foi preciso o prédio desabar
Para que, no meio dos escombros,
Surgisse um espelho capaz de a revelar.)

Estamos sempre às portas do Segredo,
Muitos pensamos estar numa masmorra ‒
Das ilusões criadas pelo Medo
Não há quem nos socorra?

A resposta está nos labirintos
Que o tempo vai gravando em cada vida ‒
‒ Sinais mágicos, nítidos, retintos
De uma mensagem à espera de ser lida.

… E São João perdoa a Salomé
Os filtros que ela o fez beber
E mergulha sem medo na maré
Do que há-de acontecer.

1/3/2015

                     Fernando Henrique de Passos
(Resposta ao poema "A lista negra" transcrito a seguir)


 A LISTA NEGRA

Devolvam-me a minha cabeça!
Gritou São João Baptista,
E eu com ele,
E comigo todos os outros da lista.

Os condenados não podem gritar!
Gritou Salomé,
E com ela Herodes, que estava sentado,
E com ele o povo, que estava de pé.

Do fundo de um escritório escuro e poeirento,
Bogart empunhou o revolver e disparou.
A Lua suspendeu o seu movimento
E Kennedy tombou.

A enfermeira assinou o papel,
E sussurrou, suave como mel:
Antes que me esqueça -
Por favor, devolva-me a minha cabeça.

6/7/1998
                 Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dois poemas de Fernando Echevarría



Fernando Echevarría (1929-...) acaba de receber o Prémio Literário de Correntes d'Escrita, realizadas no Casino de Póvoa de Varzim. O júri seleccionou o seu livro Categorias e outras Paisagens (512 páginas), editado por Edições Afrontamento, em 2013.


O Poeta Fernando Echevarría nasceu em Santander (Espanha), mas é filho de pai português e mãe espanhola. O seu amor a Portugal reflectiu-se na preferência que sempre deu à língua portuguesa na sua obra publicada. Tendo desenvolvido uma poética de largo fôlego reflexivo, Fernando Echevarría deve o timbre erudito dos seus poemas, em parte à sua formação académica em Filosofia e Teologia.

Por uma coincidência feliz, Echeverría completa hoje 86 anos. Lembremos, num tom de homenagem, palavras proferidas após ser-lhe atribuído o galardão:
«A poesia é um género que exige muita atenção, que exige muita leitura e por isso é que se lê tão pouco. Custa, mas tudo o que custa dá prazer».


Dois Poemas de Fernando Echeverría:


«A solidão é sempre fundamento 
da liberdade. Mas também do espaço 
por onde se desenvolve o alargar do tempo 
à volta da atenção estrita do acto. 
Húmus, e alma, é a solidão. E vento, 
quando da imóvel solenidade clama 
o mudo susto do grito, ainda suspenso 
do nome que vai ser sua prisão pensada. 
A menos que esse nome seja estremecimento 
— fruto de solidão compenetrada 
que, por dentro da sombra, nomeia o movimento 
de cada corpo entrando por sua luz sagrada.»

                             In Sobre os Mortos, 1991.

                                                ***

Da nossa própria noite se levanta 
aquela imóvel espécie de negrura 
onde tudo é possível – as galáxias, 
ou pulsar nulo de galáxia alguma. 
E até a expansão, a criar alta 
invisibilidade. Mas que suga, 
quanto o assunto for mais denso, a graça 
de um maior brio de altura. 
E a outra noite pela nossa canta, 
não luzes de prestígio, a só penúria 
que, quase instrumental, se exerce. Instaura 
um dentro fora de dimensão alguma. 
E é de aí que a noite se levanta 
e o mundo da insistência continua. 

                         in Geórgicas, 1998

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Meditações Cristãs


Editor e Poeta José Manuel Capêlo (1946-2010)
Pintura de Emília Matos e Silva 

«Ai de mim», diria o Apóstolo, «se eu não evangelizar». Nesta altura em que Portugal faz, de novo, uma descida aos infernos, Cristo, mais que nunca, é medicamento e alimento - e, em crítica acribia, Ele é o maior Poeta de todos os tempos. E por isso, num escorço breve e leve, esquadrinhemos: falante e aflante, o que é a Eucaristia???

Ela é, sobremodo, a caroal fracção do pão. Ou melhor: sempre que alguém reparte o pão, a título graciano, ele é da minha Via, ele faz, «ipso facto», Eucaristia - e a mesa no altar, esse Ágape cordial, é isso que nós vemos na palavra «companheiro»; e «companhia», portanto, é da Paz e «cum panis». Que o seminário, aqui o vemos, é o alfobre das sementes.

E semear é palavrar, lavrar em Pã, a fim de que a sementeira em Cristo floresça. E se a Palavra é pois o Verbo, e o «Logos» em acção, sejamos nós os novos Companheiros de Emaús. Sejamos, dessarte, o «Homo Viator» - que a viagem pois a Fátima, a Roma ou Compostela, ela começa, simplesmente, com um passo pequenino. Na sociedade dos Amigos, ou amáveis, a comunidade não será, propriamente, comunista; ela é, sim, pacifista, pessoal e comunitarista. 

Retomemos a colação, e a lição, de Kant Emanuel: «Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio.» Ou melhor: se a Filosofia Portuguesa é ligada, ou aliada, da franca Teologia, procuremos pois a Arte, como busca da Beleza, a Religião, como práxis de Bondade, e finalmente e alfim a Filosofia, como apaixonada e cultual indagação da Verdade. 

Na atitude poética, e nanja tecnocrata, comunicar deriva de um impulso eucarístico de comungar, congregar ou pôr em comum: e por isso, meus Amigos, o comunitarismo. Nós queremos dizer, e dessarte aduzir: o dinheiro, em si, não é um mal - e, se a plutocracia provém de Plutão, o dinheiro, deveras, é força esterquilínia: concentrado, ele fede e cheira, mas, disseminado, ele faz crescer as frutas, a planta e a vegetação - e estamos de novo a falar da partilha do pão. 

A Rosa, por exemplo: de que se nutre, ela, a Flor, senão do estercorário??? Um reparo, porém, aos usurários, aos videntes de profissão: como se lobriga em «Actos dos Apóstolos», 8, 20, o Espírito Santo não se compra com dinheiro. 

Um pouco mais longe e eu promulgaria: a espiritual Medicina, ela é prática gratuita, o Amigo do ABC, ele se porta, e comporta, qual Amigo do «abaissé» - e essa a escola, e o escopo, de nossos progredimentos. E esse o escol, a escolástica, o sinal, o Império, mavioso, da Paz universal................... 


Queluz, 20/ 02 / 2015

                                            Paulo Jorge Brito e Abreu    

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sentimento vivo



Nas palavras de cada um dos teus poemas,
há um sentido nosso e que ninguém entende.
É o sentido do sentimento vivo que nasceu
em dois corações que se não distinguem,
senão por um bater à parte mas indistinto.
Ninguém vê, na verdade, o que nós mesmos somos.
E iludem-se, julgando ver claramente,
o que nunca poderão ver.
Só colhem dos nossos versos 
o avesso da nossa verdade.

19 de Fevereiro de 2015

                                Teresa Ferrer Passos

A ciência do amor





Teresa e Fernando, em 2005, junto a uma casa em ruínas,
em S. Brás de Alportel 
Anda comigo ‒
Vamos de mãos dadas.
Deixaremos o tédio das estradas
E só desejaremos para abrigo
A inocente luz das madrugadas.

Pisaremos a terra e não asfalto,
E a meninice eterna desses dias,
Além de gerar prosas e poesias,
Fará de nós dois sábios ao assalto
Do castelo das velhas teorias.

O mundo será vasto como um sonho
Mas caberá contudo num só verso:
Um verso firme, oposto ao seu reverso,
Um verso que será ‒ assim proponho ‒
A chave da expansão do universo.


19/2/2015 (no 21º aniversário do nosso casamento)

                Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Do poema "Exorcismo"

Mesa de trabalho de Fernando Henrique de Passos

(...) E transformo numa prece esta poesia,
Pedindo aos Céus a paz e a harmonia
De me contentar com o pouco que aprendo em cada dia.
E que me dêem os Céus serenidade
Para nunca abandonar a busca da Verdade.

"Exorcismo" (3/2/2001) de Fernando Henrique de Passos

in Retábulo, 1ª edição, Universitária Editora, 2002, p. 41.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A escrita transparente de Jón Kalman Stefánsson


Romancista Jón Kalman Stéfánsson (Islândia)

«Assim subiu e desceu a história pelo mundo fora, os anos juntam-se em séculos e, durante todo o tempo, as mulheres aqui no fim do mundo acordaram diante de Deus e dos homens para se ajoelharem à lareira e soprarem para os pedaços de feno a que tinham confiado o fogo na noite anterior. Pode demorar até uma hora a despertar o fogo de manhã; sopram até começarem a suar, sopram mas não desistem; o que é a vida sem fogo e rodeada de gelo? Sopram e cansam-se; os seus olhos brilham quando o fumo finalmente surge, ou ficam molhados quando este lhes cai sobre os rostos ao mesmo tempo.» 
              Jón Kalman Stefánsson, A Tristeza dos Anjos (excerto do romance), Cavalo de Ferro Editores, 2014.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um olhar de Jorge, o filho louco

Ana Augusta Plácido (1831-1895)

«Olho os lírios brancos (há pouco eram vermelhos) e tropeço com o pensamento no vestido negro ou púrpura de Ana. Entre os seus dedos o charuto de formato cilíndrico e aroma inebrian­te de que não se cansa de tirar fumaças no ar pesado e lento desta terra a esvair-se em cinzas. Esse fumo vibra no meu e­spírito, como se fosse uma condenação maior do que a vida, em que me desdobro sem conseguir esvoaçar um pouco, nem sequer abrir o coração en­sanguentado de gritos.

   espero a libertação. Entre os grilhões de uma biblioteca infinita. Sinto a via para a liberdade pura. Doi-me o pensamento de ver Ana a ficar, de súbito, atónita, lânguida, perversa. Parece-me, cada dia que passa, uma desconhecida, uma figura vagabunda a agredir a solidão dos meus dias sem amanhecer e das minhas noites infindáveis»

Teresa Ferrer Passos, O Segredo de Ana Plácido, Ed. Gazeta de Poesia, 1ª edição, 1995; Ed. Nova Vega, 2ª edição, 2000 (assinou com o ortónimo Teresa Bernardino).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Palavra de estrelas...


«Estrela 4000 b - Ah! Sabes que vislumbro algo como um ecrã… há palavras a vaguearem lentamente e a inscreverem-se em imagens velozes e, ao mesmo tempo, sem movimento.
Carta C2 - Eu sou tão pequenina e a conseguir ouvir a uma tal distância…falas em imagens sem qualquer movimento?
Estrela 4000 b - Não sei… pressinto um som inaudível.
Carta C2 - A mim atravessam-me vários sons. Parece que há ainda um conhecimento em busca de si próprio e sinais minúsculos encadeiam-se, de modo labiríntico, para o descobrir.
Estrela 4000 b- Há uma linguagem significante à procura de respostas.
Carta C2 - E uma incerteza audaz dilata-se a todos os que procuram a diferença, o inesperado ou o idêntico...
Estrela 4000 b - Antes de tudo o idêntico, mas também a diversidade daquilo que possui uma integridade de ser.
Tempo 01 - Dentro de mim só há palavras… palavras que existem, sem tocar nem mesmo ao de leve, o sentido ou os sentidos de tantas ideias encobertas de simbolismo… cada palavra sem se aperceber que existe, como uma identidade única para ser oferecida a quem a recebe.
Estrela 4000 b - O que fazem as palavras, afinal?
Carta C2 – As palavras, ah, as palavras… como são fugazes nos sons encobertos em imagem…as palavras anunciam…
Estrela 4000 b – Anunciar… que palavra!
Carta C2 – E não imaginas quantas palavras estão inscritas em cada palavra…»

Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8,  2007, 1ª edição, p. 19.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma memória que não se corrompe


«Nos campos de concentração, num mesmo dia, primeiro escutava-se Schubert e depois torturavam-se e matavam-se pessoas»
                                                     George Steiner


Uma memória não se corrompe se assenta na injustiça e na crueldade. A memória dos mortos e dos torturados nos campos de concentração nazis, na Europa e outros lugares do mundo, é uma homenagem às vítimas e uma expressão de repúdio pelos vitimadores. No mundo contemporâneo, vemos emergir, um pouco por todo o mundo, novas formas de escravidão do ser humano. E são as ideologias assentes em ordens de Deus, inclusive para matar, que as podem sustentar com mais eficácia. Porque alguns homens acham-se com o direito de as executar!
27/Janeiro/2015
                                                    Teresa Ferrer Passos


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Palavras do filósofo Fabrice Hadjadj

Filósofo Fabrice Hadjadj
«A evangelização é o anúncio do Deus feito homem e não de Deus, porque em nome de Deus é possível desprezar o homem e cair num anti-humanismo teocêntrico».

«Não super-homem, mas simplesmente homem. Não chefe religioso organizando razias, mas pobre trabalhando com as suas mãos, pedindo de beber a uma Samaritana».

«Para começar a sair da crise económica e antropológica atual, seria necessário reencontrar não só o sentido de Deus e do espírito, mas também e sobretudo o sentido da família e da filiação, da paternidade e da maternidade».

Fabrice Hadjadj
(excertos da conferência
no II Encontro Nacional de Leigos
sob o tema«Recolocar o homem no centro»
em 24 /1/1015, no Porto)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A causa da criança



Ganhou o bom senso, ganhou a causa da criança. A maioria dos deputados da Assembleia da República derrotou as propostas de Lei para a adopção de crianças por homossexuais. Um passo foi dado contra a invasão de uma ideologia materialista que, dizendo-se defensora da natureza humana, apenas se compraz com a sua transgressão, mesmo a sua violação.

O avanço de todas as expressões de minimização do ser humano está bem à vista. Todos os dias a comunicação social nos transmite essa cruzada. Uma parte da nossa sociedade quer reduzir a escombros os pilares mais estruturantes da humanidade. O anti-especismo é apenas uma das coordenadas dessa campanha.

Mas, o facto de ser apenas uma das coordenadas, não deixa de ser uma das mais fracturantes e diabólicas realidades do mundo contemporâneo. E que está também na raiz da pretensão de aprovar leis como a que acabou de ser discutida, mais uma vez, no Parlamento português. 

23 de Janeiro de 2015
                                                      Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A adopção de crianças por homossexuais...





Uma lei que permite a adopção de crianças por casais homossexuais é uma aberração moral. Mais uma entre todas aquelas que se vão aprovando através das votações parlamentares, neste caso, na Assembleia da República Portuguesa.

Há uma parte da nossa sociedade que é ávida de leis que querem fazer crer que são, não só inofensivas como um acto de justiça. Procura essa parte da nossa sociedade, contemplar interesses que reconhecem como próprios, esquecendo que as crianças não são ouvidas, as crianças que seriam as únicas pessoas que deviam ser ouvidas, pois é delas que se trata, são elas o objecto da lei.

Mas, essa parte da nossa sociedade, esquece-as porque a sua opinião se lhes sobrepõe. Ou pensará que tudo pode decidir sem ter em conta a condição infantil, a condição de a criança não se poder pronunciar sobre uma mudança radical no ambiente familiar de base? Essa parte da nossa sociedade sabe que as crianças, porque são crianças, têm de se sujeitar e subordinar às leis que os adultos lhes impõem.

Por isso, quer fazer leis novas só com a sua parcial opinião e  não tendo sequer em conta os princípios de uma natureza humana que, cada vez mais, é desrespeitada. É nesta nova moral, o que não quer dizer nunca que seja melhor, que vão obrigar a viver muitas crianças que não se podem defender dos seus gostos aberrantes porque contra-natura.  
    

21 de Janeiro de 2015.
                                                         Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Diálogos novos...


«Físico R4 - A nossa estação orbital pode estar a ser vítima de um ataque conjunto de países com uma ideologia diferente da nossa! podem querer acabar com a nossa civilização globalizante e, assim, utilizarem astros e vegetais ou máquinas e até o próprio conceito abstracto do tempo…

Matemático H30 - Ah, ah! como se o tempo fosse convertível em alguma coisa material… e conseguem, com os seus estratagemas, aparentar uma realidade concreta onde se encontra apenas uma de natureza espiritual, como é o caso do pensamento.

Informático E11 - Pela primeira vez, surgem no ecrã, e precisamente na maior auto-estrada de informação planetária, objectos, máquinas e astros conversando entre si e, desse modo, transgredindo pela primeira vez, todas as leis da física, da biologia, da engenharia tecnológica e do próprio mecanismo cerebral humano!»

(Do romance de Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8,
1ª edição, Harmonia do Mundo, 2007, pp.61-62)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Aniversário do Fernando

Viana do Castelo


NASCER

Nos laços intrincados em nós largos,
nasceste para desenrolar a vida.
Estava frio. Os teus dedinhos esticados
queriam desvanecer o desconforto.
O teu olhar, atento aos vidros da redoma,
pensava rompê-la. Nada te satisfazia ali.
Rumaste assim ao mar do Norte.
E o Norte começou a guiar-te, ouvindo
o grito infinito da tua voz chegando ao areal.
Foi no areal que o mar te desenhou um barquinho.
Logo zarpaste em busca de oceanos.
Uma manhã, viste a sombra de uma árvore.
Havia um denso nevoeiro.
Primeiro, tiveste medo,
mas com uma inesperada confiança,
olhaste de novo. Só estava ali a árvore.
Onde estariam os fabulosos mares?
Afinal, na tua frente, havia apenas o sinal
de uma impenetrável, imensa floresta.

           14 de Janeiro de 2015

                                                    Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

No 75º aniversário da Casa do Gaiato



Casa do Gaiato em Torre de Moncorvo
Numa democracia, a liberdade de expressão de pensamento, não se pode limitar a órgãos de comunicação social, como os jornais ou revistas. A liberdade de expressão de pensamento não se pode restringir apenas a campos restritos de aplicação, como as ideias e as imagens veiculadas por esse meio. A liberdade de expressão de pensamento implica também a liberdade de ensinar e de educar de instituições que obedecem a princípios éticos cristãos. Este é, por exemplo, o caso das Casas do Gaiato, autênticos colégios com internato para rapazes sem família, com famílias problemáticas ou inadaptados.

Fundadas segundo a orientação do excelente pedagogo da infância, o conhecido Santo Padre Américo, como o povo lhe chamava. Não se pode admitir que as Casas do Gaiato criadas para oferecer uma formação moral e social a rapazes pobres, se tenham de submeter a exigências de modelos usados noutras instituições geridas pelos funcionários da Segurança Social estatal. Pretender impor técnicas e pressupostos administrativos generalizadores de uma pedagogia de princípios secularizados, sem que as Casas do Gaiato recebam qualquer apoio do Estado, não faz qualquer sentido.

Como disse o padre Júlio Pereira, em entrevista à Agência «Ecclesia», “por vezes a sociedade organiza-se de tal maneira que impede a livre ação dos cidadãos, acaba por controlar em demasia essa ação e coartar a espontaneidade que é necessária para realizar esse trabalho, essa experiência de vida”. Neste contexto, o padre Júlio Pereira, admite o fim das Casas do Gaiato em Portugal se a instituição continuar a ser alvo de imposições de natureza técnica e burocrática inadequada à essência da mensagem da altíssima figura que foi o Santo Padre Américo.

No dia 10 de Janeiro, por ocasião da comemoração do aniversário da 1ª Casa do Gaiato fundada em Portugal, o Professor Henrique Manuel Pereira da Universidade Católica do Porto fez uma conferência sobre o Padre Américo (1887-1956). Foi ainda inaugurada a exposição “Pai Américo e a Obra da Rua”.

12 de Janeiro de 2015
                                                                    Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A força do Espírito Santo


«Podes fazer mil cursos de catequese, mil cursos de espiritualidade, mil cursos de ioga, zen e todas essas coisas. Mas tudo isso nunca será capaz de te dar a liberdade de filho (...)».
«Só o Espírito Santo é que move o teu coração para dizer “Pai”. Só o Espírito Santo é capaz de saciar, de romper esta dureza de coração», tornando um coração doente num coração «dócil» a Deus e «à liberdade do amor»
       Vaticano, 9 de Janeiro de 2015
Papa Francisco

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Primeiro dia


A luz ubíqua
O mar feito de luz
E as rochas, as pedras, as pessoas
E a poesia que nasce debaixo dos meus pés,
Matéria e Espírito:
Flocos de luz
Arrancados ao seio luminoso desta tarde
Beleza em fúria
A ânsia nos olhos e nas asas
Os pedaços de pão podre esfacelados
Pelos ávidos bicos das gaivotas

1/1/2015

Fernando Henrique de Passos