quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

NATAL 2014

O TEMPO DO NATAL 



NASCEU-NOS UM SALVADOR,

JESUS






«E Jesus vem, não como um capitão, um general do exército, um governante poderoso, não, não; vem como um rebento», «humilde» e «manso» para «os humildes, para os mansos», trazendo a salvação «aos doentes, aos pobres, aos oprimidos».
«A grandeza do mistério de Deus» conhece-se unicamente na identidade de Jesus, que é a do «abaixamento, da aniquilação, da humilhação».
                    Papa Francisco (excerto da Homilia na Missa de 2/12/2014)








MENINO DO NATAL


Pintura de Rafael (1483-1520)
Menino do Natal ‒
Deus feito bater de coração,
Ternura em busca de um bafo de animal
Na neve da nossa tradição.

Menino do Natal ‒
Vindo de tão longe, vindo do Além,
Deus sem pompa, até sem enxoval,
Amor que se abandona num amor de mãe.

Menino do Natal ‒
Bem indefeso, esplendor da inocência,
Que vem propor aos seguidores do Mal
Que se deixem amar sem resistência.


21 de Dezembro de 2014

                                    Fernando Henrique de Passos




DA IMACULADA CONCEIÇÃO


( convoco, para a Madre, o Arcano e Arcaico da Estética Estrela )

de todo o coração, ao António de Macedo

I

Prà fome e sede da Via,
Prà Lusitânia, de Luz,
Existe um nome: Maria,
E o «Jovis Pater»: Jesus.

Prà sede e fome amorosa,
Que é festa e fogo, na Fé,
Existe a Rota, que é Rosa,
E o Valentin André.

II

Vede a mente e a mensagem,
O pentáculo, flamante,
Pentagrama, na viagem,
E Mercúrio, já diante.

No templar eu vejo o Canto,
Muita Luz, em toda a chuva:
É o Espírito e o Santo,
São os Filhos da Viúva.

Pois na verve e na divina, 
Na Comédia, que é fiel,
Vede a Cruz, e a matina:
São as Rosas d' Isabel.

Queluz, 03/ 12 / 2014

MISERANDO ATQUE ELIGENDO


                                           PAULO JORGE BRITO E ABREU







DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO



«Faz com que em nós, teus filhos, a graça prevaleça sobre o orgulho e possamos tornar-nos misericordiosos, como é misericordioso o nosso Pai celeste. Neste tempo que nos conduz à festa do Natal de Jesus, ensina-nos a andar contracorrente: a despojarmo-nos, a abraçarmo-nos, darmo-nos, a escutar, a fazer silêncio, a descentrarmo-nos de nós mesmos, para deixar espaço à beleza de Deus, fonte da verdadeira alegria. Ó Maria nossa Imaculada, ora por nós!»

           Oração do Papa Francisco (diante da imagem da Imaculada Conceição na Praça de Espanha em Roma, no dia 8 de Dezembro de 2014)






O NATAL E A ÁRVORE DA VIDA




Era adolescente, quando me emprestaram um livro que contava a história da árvore de Natal. Existirão muitas versões, pois trata-se de tema avançado no imaginário popular. A que li referia-se simplesmente à iniciativa de uma família que em busca de algum ornamento para a sala de visitas saiu, neve afora, comovendo-se especialmente de um pinheirinho sobrevivente do rigoroso inverno e ainda mais lindo depois de acomodado no aconchego doméstico e acercado pelas embalagens coloridas dos presentes a serem trocados na noite do nascimento do menino Jesus.

Tão radiante ficou o arvoredo, que os vizinhos imitaram o gesto e, no Natal seguinte, já eram muitas as famílias que iniciaram a tradição, hoje, desgarrada de sua simplicidade original e transformada no luxo e na grandiosidade vistos todo ano nos shoppings do mundo inteiro, ostentação por vezes objeto de concursos promovidos por associações para distinguir as melhores decorações do comércio no contexto das “Boas Festas" e do Ano Novo.

Existiriam, no entanto, razões afetivas profundas para esse gosto que veio a constituir prática quase indispensável: nos lares, nos templos, nas instituições, no comércio e onde quer que se queira marcar uma ambientação natalina, rivalizando apenas com os não menos populares presépios. Ou seja, algo não entra para o imaginário coletivo e para duas de suas fortes marcas – diferença e repetição –, se não reunir elementos enraizadores cuja explicação recorre a fundamentos da Psicologia Social.

E foi justamente nas lides com a literatura acadêmica que vim a estabelecer uma correlação entre a força primordial da “árvore da vida”, uma das mais antigas manifestações arquetípicas da produção humana de símbolos, e este patrimônio imagético e fantástico que é a ‘nossa’ tão estimada árvore de Natal. Da tradição ainda mais antiga, originária, ao que tudo indica, da cultura indo-europeia, a principal característica – que deslizou para a heráldica e seus brasonários –, é a concorrência de elementos laterais para a homenagem de um terceiro, este, ao centro e ao alto. Exemplo típico, dois pombinhos, face a face, cujos bicos se tocam e cujos contornos formam um coração. A própria estrutura do caduceu comporta toda uma variedade de enlaces que adornam um cetro. Vejamos, no entanto, se o mesmo não acontece com a ‘nossa’ arvorezinha.

Ainda que se assemelhe a um triângulo, com a base para baixo, os dois lados da árvore de Natal convergem para o alto e, comumente, para uma estrela ao centro, homóloga à estrela dos Reis Magos. Triângulo, estrela, esferas e luzes combinam-se em tesouro ornamental, que tanto marca em diferença (em contraste com todas as outras árvores, ela é uma árvore sagrada) e em repetição: a eterna novidade, ao mesmo tempo antiga e renovada, simbolizando a vida, que também se renova, em gerações, significado e esperanças.


Luiz Martins da Silva*


* Luiz Martins da Silva, 64 anos, é poeta, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, Brasil (UnB).







O CHORO DO MENINO JESUS



Apenas com oito dias,
lá estava Jesus, nos braços de sua Mãe.
Ao entrar no Templo, olhou, curioso, em redor.
Que pedras altas, altas...
Que pareciam elas, assim? Apenas, que estavam ali? 
Ou escondiam alguma coisa?
E o Menino Jesus intrigado, pareceu-lhe ouvir dizer:
Há pouco tempo aqui esteve, como tu, outro menino.
Outro menino?! Outro menino igual a mim?
Não bem igual, é verdade, responderam...
O seu nome, digam-me, que pode ser que eu conheça!
João, João foi o que ouvimos...
Ah, gritou Jesus, já sei quem é.
Nasceu para preparar os meus caminhos,
esses caminhos com que quero romper os difíceis desertos...
E o que são esses desertos, que desconhecemos,
perguntaram as pedras. 
São espaços cheios de gente que não o seguiu...
Ah, disseram as pedras, em uníssono,
mas a vós, Menino, a vós seguiram!
O  Menino começou a chorar.
Porque choras, Menino, perguntaram, aflitas.
É que a mim também não...


16 de Dezembro de 2014

Teresa Ferrer Passos









MATERNIDADE-NATAL



(convoco, para a Musa minha, o Arcano, o Arcaico do Sol)

de todo o coração, ao meu Irmão Luís André

I

Era chave, e Shambhala,
Era a flama, e o flogisto,
Ave e Eva, saravá,
E o coração de Cristo.

Pois do Homem filho e Frei,
Tu imanas Madalena,
Paulo Apóstolo e a Lei,
E a Torah, Sophia amena.

Velo d'Ouro, em parabém,
És o Canto e a Saudade,
Dás-me o Belo e dás Belém,
Dás-me a santa Liberdade.

II

Que és o carme e a Camena,
És o Tau e és actriz,
Nazarita, Nazarena,
Integral Imperatriz.

Pois ao longe, a Lisa lia
Salva, salsa e a camélia,
E olhei: era Maria,
Minha Mãe Maria Amélia...........

EPÍLOGO

São belos sobre as colinas os pés do Deus Menino; em Natal, acordo-acorde, Ele anuncia a Boa Nova. Não já espada, sim a foice. Não já lança, mas arado: Paz na terra, pão na boca, são meladas e ternas as armas da Paz...........


Queluz, 19/ 12/ 2014

MISERANDO ATQUE ELIGENDO


Paulo Jorge Brito e Abreu






A TERNURA DE DEUS



«O "sinal" é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.»


Papa Francisco
(excerto da Homilia da Missa da Noite de Natal)

Após a belíssima Homilia do Papa Francisco, ouviu-se um excerto da Missa Solene em Dó Menor de Mozart (composta entre 1781 e 1782, em Viena, resultou de uma promessa pela cura da futura esposa Constanze. O trecho "Et incarnatus est" remete para o Prólogo do Evangelho segundo S. João: «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós».


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ex nihilo


Núcleos de vento testando a solidez
Da estrutura pálida do nada
(Borbulhar nocturno de perguntas
Em torno de casa abandonada).

Sombras de luz, aceno do Amor
Ao desígnio imóvel do vazio;
Eco da primeira madrugada;
Primeiro movimento, fugaz como arrepio.

Condensação da névoa matutina:
Barro depois, primeiro lodo;
Depois a vida, a dor e a alegria,
As novas formas que assumiu o Todo.

1/12/2014

Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Do Génesis ao Apocalipse

Passeiam serpentes aos pares pelas arcadas,
Longas e lentas ondas reluzentes
Ofuscando a noite das estradas
Com bátegas de cor e estrondo de acidentes.

Relâmpagos no mar, neve na areia,
Cristais em brasa sobre a rocha fria,
Reacção ácida que desencadeia
A congeminação de um novo dia.

Quando chega enfim a madrugada
Há restos de cobras entre a espuma
Que se dissolvem na nova luz criada
Pelos amores do Verbo com a Bruma.

26/11/2014

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Matrimónio em crise


«No nosso tempo, o matrimónio e a família estão em crise. Vivemos numa cultura do provisório, em que cada vez mais pessoas renunciam ao matrimónio como compromisso público.

Esta revolução nos costumes e na moral tem muitas vezes desfraldado a “bandeira da liberdade”, mas na realidade levou devastação espiritual e material a inúmeros seres humanos, especialmente aos mais vulneráveis.

É cada vez mais evidente que o declínio da cultura do matrimónio está associado a um aumento de pobreza e a uma série de numerosos outros problemas sociais que atingem em medida desproporcional as mulheres, as crianças e os idosos. E são sempre eles a sofrer mais, nesta crise.»

                        Discurso do Papa Francisco (excerto) na Audiência aos participantes no Seminário Internacional sobre “A complementaridade entre homens e mulheres” (17-19 de Novembro de 2014)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Raízes da Cidade


A ânsia do âmago da selva
Nos pálidos reflexos azulados
Do zumbido dos berbequins eléctricos:
Sobem através das lianas que se enrolam
Nos grossos alicerces de betão
Os sonhos diurnos de animais noctívagos
Vorazes por pétalas macias
Das delicadas flores do Paraíso

24/11/2014

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Se Deus interviesse...

                      Etty Hillesum (1914-1943 em Auschwitz)


«Deus não é o artesão do mundo. Ele não o fabricou como um relojoeiro o seu relógio. Ele não constrói coisas que ficam logo prontas.

Pelo contrário, Ele retira-Se para que surjam de si mesmos e por si mesmos os seres que Ele suscita…

Se Deus interviesse para que fossem evitadas as desordens, as resistências da inércia, os maremotos, as epidemias, o mundo seria para Ele como um objeto que se pode manipular.

A nossa imaginação, deslizando para o infantilismo, veria nisso um maior amor, sem dúvida. Mas Deus não ama como nós quereríamos que Ele amasse quando projetamos n’Ele os nossos sonhos.»

     Etty Hillesum, Diário 1941-1943 (excerto)

domingo, 23 de novembro de 2014

O mar e a poça


A casa velha, parada,
Desolada, milenar,
Tem aranhas na entrada
Onde ninguém quer entrar.

Tem uma poça cá fora
Onde se pode brincar.
Ninguém sabe quem lá mora
Nem ninguém lá quer morar.

Todos brincamos na poça,
Mesmo suja e lamacenta,
E fazemos até troça
De quem disso se lamenta.

Houve em tempos quem dissesse
Que a casa levava ao mar
A quem quer que se atrevesse
A abrir a porta e entrar.

Mas é tão triste a fachada
Da casa que leva ao mar,
Que a poça mais desgraçada
Lhe usurpa o justo lugar…

22/11/2014

Fernando Henrique de Passos

(também em Outras Direcções, neste blogue)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Abrir a porta a Deus


«Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino
que vos está preparado desde a criação do mundo»
Mt 25, 34

«Deus está lá fora. À minha porta. Eu estou cá dentro. E digo que Deus não tenta falar comigo. Que Deus não me dá o mais ínfimo sinal. Que Deus provavelmente nem existe. Mas, se olhar bem para o fundo de mim mesmo, vejo. Vejo que sei que Deus está lá fora. À minha porta. E vejo ainda mais. Vejo que não lhe abro a porta por temer ter de renunciar a muitas coisas. (…) Mas olhando ainda mais fundo dentro de mim mesmo (…) vejo que todas essas coisas, a que tanto apego tenho, [nada são] ao pé dos tesouros não sonhados que Deus tem para me oferecer.»

Escrevi isto há mais de cinco anos. Entretanto, acabei por deixar entrar Deus. (Ele foi muito persistente. Mesmo correndo o risco de parecer blasfemo, tenho de confessar que já não O podia ouvir a bater à porta!) Desde então, a minha vida começou a mudar muito, e para melhor. Por isso, gostava de conseguir ajudar outras pessoas a dar o mesmo passo que eu dei.

Para começar, a melhor ajuda que posso dar é pedir que desliguem a ideia de Deus de todas as palavras, símbolos e conceitos a que ela está geralmente associada na cultura ocidental. Qualquer descrente ocidental que me esteja a ler neste momento, se rejeita Deus, rejeita certamente todo o “folclore” que entre nós o costuma acompanhar, e não é caminhando por um átrio repleto de imagens que abomina que se poderá aproximar dele.

Encorajo então o ateu ou agnóstico que passa os olhos por estas linhas a pensar em Deus de uma forma muito mais abstracta, esquecendo até, se necessário, a própria palavra “Deus”, e imaginando apenas, no seu lugar, uma sabedoria muito antiga, escondida no interior de todas as coisas, mas escondida sobretudo nas profundezas de cada ser humano, talvez nas regiões recônditas do inconsciente, onde a Psicologia já chegou, ou em territórios ainda mais ocultos, que a Ciência terá de cartografar um dia.

Uma sabedoria muito antiga, sim, mas sobretudo uma sabedoria boa, que só nos deseja tudo aquilo que todos nós sempre quisemos alcançar, tudo o que resumimos na palavra “Felicidade”, embora tantas vezes confundamos felicidade com coisas que só nos tornam infelizes, a nós próprios e aos outros.

Quando conseguimos começar a ouvir o murmúrio permanente dessa sabedoria universal, à qual, vá-se lá saber porquê, os ouvidos das pessoas se vêm tornando cada vez mais surdos, as primeiras lições que deciframos ensinam-nos, por exemplo, que somos tanto mais felizes quanto menos desejamos sê-lo, porque esta sabedoria parece não fazer muito caso do senso comum, e chega a desafiar os dois pilares fundamentais da lógica tradicional, o Princípio do Terceiro Excluído (entre SIM e NÃO não há outra alternativa) e o Princípio da Não Contradição (não pode ter-se ao mesmo tempo SIM e NÃO).

Mas isso são assuntos de que poderão falar outras pessoas, pessoas que conheçam Deus muito melhor do que eu, como por exemplo os teólogos. Ah, voltei a falar de Deus, em vez de falar de Sabedoria! Mas não faz mal: no fim perceber-se-á que mesmo as coisas mais ridículas que vinham sempre agarradas à ideia de Deus, mesmo essas coisas, passam a ter todo o sentido quando iluminadas pela luz da “sabedoria ancestral do universo”.

O que não quer dizer que tudo sobreviva da ideia tradicional de Deus no ocidente. Não sobreviverá certamente um Deus que fica ofendido por não reconhecermos a sua ajuda, ao preferirmos atribuí-la a uma vaga “sabedoria”. Deus não é esse ser mesquinho que quer ser louvado, adorado e glorificado, esse Deus que nós, homens, construímos à imagem e semelhança dos nossos egos. Ele quer desesperadamente ajudar-nos porque nos ama, não porque queira receber louvores.

“Desesperadamente”? Pode aplicar-se esta palavra a Deus? Sim, em certo sentido, porque Deus também não é um ser omnipotente, como nós o idealizámos, necessitando, pelo contrário, que colaboremos com ele na nossa própria salvação.

Mas, acima de tudo, Deus não é um ser ─ Deus é o Ser, e o único verdadeiro mistério que devia preocupar os teólogos devia ser o mistério de o Ser único aparecer pulverizado em tantos biliões de pequenos seres: nós, seres humanos, e toda a restante “Criação”. (Efeito perverso do Tempo, avento eu, que funciona como o prisma de Newton, decompondo a unidade da luz branca em infinitos e diversos cambiantes. A unidade do Ser só será então reencontrada da perspectiva da Eternidade.)

Por isso, quando Deus nos ajuda, o que estaria realmente a acontecer seria “Deus a ajudar-se a si próprio”, ou “nós a ajudarmo-nos a nós próprios”, se o pudéssemos exprimir. Mas o que está realmente a acontecer é qualquer coisa completamente inexprimível pelas nossas palavras, pelos nossos conceitos, pela nossa lógica. Apenas isto é certo: não há ninguém à espera de ouvir “muito obrigado”…

20/11/2014

Fernando Henrique de Passos

(também em Terra de Ninguém. neste blogue)

sábado, 15 de novembro de 2014

O silêncio


«Jesus perante Herodes: "Fez-Lhe muitas
perguntas, mas Ele nada respondeu.
Os príncipes dos sacerdotes e os escribas
que lá estavam acusavam-n'O insistentemente"» 
Lc 23, 9-10

As palavras são tão carregadas de ambiguidade que ninguém consegue responder com palavras à violência das palavras, sem cair em outra violência. Por isso, o silêncio é a resposta para os que nos perseguem, como ensinou Jesus Cristo. 


Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sonar


AH!...

O cheiro a água fresca que vem do fundo do abismo
Envolto em reflexos de cores desconhecidas
E sons silenciosos como agulhas
(Prata caindo no veludo negro)
E o sabor do sal, da terra e das sementes
E sentir o óleo sobre a pele
Como memória nova de um baptismo

AH!...
(o eco no fundo do abismo…)

13/11/2014


Fernando Henrique de Passos

NOTA: O sonar é uma espécie de radar, mas no qual se usam ondas sonoras em vez de ondas electromagnéticas. Um sonar instalado num navio, por exemplo, permite determinar o relevo do fundo do mar através da análise do "eco" que este devolve, quando atingido por ondas sonoras enviadas desde o navio.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A lógica de Deus

(1515-1582)

a ser verdadeiro
o Princípio do Terceiro Excluído
excluiria do mundo a Santidade
que se situa na Terra de Ninguém
entre o Possível e o Impossível


11/11/2014

                      Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Esposa

 

Violeta guardando do orvalho
Como pérola a gota preciosa,
Presente matinal de que me valho
Se a tarde é seca e tenebrosa;

Princesa de épocas passadas,
Lenda que beijo, que abraço e que possuo,
Lagoa de fetos e esmeraldas
Onde eu, regato, desaguo;

Mel de abelhas criadas num vulcão,
Força da lava, sabor da alfazema,
Tinta dourada da paixão
Com que registo a cores este poema.

10/11/2014

Fernando Henrique de Passos

sábado, 8 de novembro de 2014

Do Deus de Einstein ao Deus dos cristãos




ao meu Pai, que hoje faria 91 anos, e que me falava muito de Deus,
mas também me falava de Einstein, de Newton e de Arquimedes

Durante dezenas de anos, incluindo um longo período de agnosticismo, sempre achei absurda a forma como Einstein falava de Deus, parecendo identificá-lo com a harmonia das leis do universo, ou com qualquer coisa de ainda mais vago e abstracto. Foi o livro Einstein and Religion, de Max Jammer, que me fez perceber melhor a sua atitude face à religião. (Obrigado ao Paulo Martel pelo oportuno presente!)

Se tentarmos isolar a essência do sentimento religioso, talvez encontremos isto: a consciência de que são os nossos medozinhos ridículos e os nossos desejozinhos ridículos que nos tornam infelizes, e de que eles não são nada ao pé de uma certa realidade gigantesca, esmagadora, abrasadora, cuja existência pressentimos, mesmo que às vezes não a consigamos definir, identificar, localizar. Era neste sentido que Einstein era religioso. 

Einstein não era religioso no sentido de acreditar em certos factos espácio-temporais como, por exemplo, “Deus entregou as tábuas da lei a Moisés no Monte Sinai” ou “Jesus ressuscitou ao terceiro dia”. Ser religioso, no sentido lato da palavra, é muito mais e muito menos do que isso. Há pessoas que acreditam nesses factos e que levam vidas tão miseráveis como qualquer materialista. Essas pessoas serão mais ou menos cristãs do que Einstein o foi? A que distância se encontrava Einstein de ser cristão?

Deixemos que seja Deus a julgar e abstenhamo-nos de tentar responder. Mas não nos abstenhamos de perguntar: “em que é que a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo muda a minha vida?” Ser religioso é ver a realidade de uma forma diferente, mas não é só isso ─ é deixar também que essa forma de ver a realidade transforme a nossa forma de a viver. O que também pode ser dito de outro modo: se a nossa forma de ver a realidade não traz automaticamente novidade à nossa vida, então é porque não estamos a ver a realidade de uma maneira realmente diferente, apenas julgamos que o fazemos.

Deus entregou as tábuas da lei a Moisés no Monte Sinai! Jesus ressuscitou ao terceiro dia! Estes factos não são só importantes; estes factos são decisivos. Mas não serão decisivos, nem sequer importantes, se eu ficar pela sua casca espácio-temporal e me esquecer do que eles procuram revelar acerca daquela realidade assombrosa da qual por vezes se tornam uma manifestação quase insignificante (dependendo do modo como são olhados e vividos), sobretudo se já passaram 2000 ou 3000 anos sobre a sua ocorrência e, pior, se as escassas dezenas de anos da minha própria vida, em vez de dedicadas a desenterrá-los das profundidades da História, ainda os vieram cobrir com as teias de aranha da rotina, com a qual o meu egoísmo tão sensatamente (do seu ponto de vista) me protege de desafios e sobressaltos.

Sobressaltos? Sim: a vida, a morte e a Ressurreição de Jesus Cristo devem ter sido para os seus contemporâneos como a explosão de uma supernova. E se, ao fim de vinte séculos, só restam dessa explosão as brasas quase extintas do rescaldo de um incêndio, há mesmo assim a possibilidade, soprando as brasas, de atear chamas que ameacem devorar todo o conforto em que a minha autocomplacência deixou que eu me instalasse.

8/11/2014
                                                        Fernando Henrique de Passos


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Deus vai até ao fundo...



«Deus não se detém, Deus não vai até a um certo ponto, Deus vai até ao fundo, ao limite»

«O verdadeiro pastor, o verdadeiro cristão (…) não tem medo. Vai para onde deve ir. Arrisca a sua vida, arrisca a sua fama, arrisca perder a sua comodidade, o seu estatuto» 

«É muito fácil condenar os outros, como faziam os escribas e fariseus, é muito fácil, mas não é cristão. Não é de filhos de Deus.»
Papa Francisco
(Excertos da Homilia de 6/11/2014)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ouvi a tua voz



No teu cabelo revolto como o vento,
vi temporais inclementes.
Fiquei como uma gaivota acossada
pela espuma e sem alimento.
Sustive a respiração. Apurei o ouvido.
Depois, ouvi a tua voz.
Nela soava uma divina ternura.
Ali, não estavam temporais inclementes.
O amor apagara-os, e com que poder…

5/11/2014

                          Teresa Ferrer Passos

"Teometria"

"Teometria", um poema inédito (11/2/2014)
de Fernando Henrique de Passos
Foto: Azenhas do Mar, Ericeira

O amor


O anel em torno do teu dedo
  

Como cintura em torno do destino
 
Como segredo do trono da ventura
 
Como cinzel esculpindo a traço fino
 
O abraço e o longo beijo infindo
 
Entre o calor dormente do desejo
 
E a ofegante calma da ternura
 
Entre o saber da alma que procura
 
E o fervor do ser que se alimenta
 
Das lentas madrugadas em que a luz do sol
 
Leva pela mão a noite escura
 
E a faz descansar da imensidão do medo
 
Num vasto mar de amor e aconchego

4/5/2014

                      Fernando Henrique de Passos 

sábado, 1 de novembro de 2014

Dia de Todos-os-Santos


EM MEMÓRIA DE TODOS OS SANTOS E MÁRTIRES


S. João Batista - pintura de El Greco


«Eu batizo em água, mas no meio de vós, encontra-se Alguém que não conheceis, Aquele que vem depois de mim e eu não sou digno de desatar a correia da sua sandália»
                                                        S. João Batista  (Jo 1, 26)


       «Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade»
                           S. Paulo, Carta aos Telassonicenses (Tel 4, 7) 


«Oh! que mau caminho levava, Senhor! Bem me parece que ia sem caminho, se Vós não me voltásseis a pôr nele; pois vendo-Vos junto de mim, logo vi todos os bens»
Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Nascer de novo


No apagado segredo dos instantes,
frente ao mar, o amor elevou-se.
E foi um rochedo desde esse encontro.
Na espera e na vontade
nascemos de novo.
E o mundo não pôde ser mais o mesmo.

29 de Outubro de 2014 (21 anos depois)

                                           Teresa Ferrer Passos

O namoro




Palavra terna, eterna, meiga, doce
Que o mês de Outubro uma vez nos trouxe.
Fio de mel escorrendo de colmeia
Onde duas bocas se encontraram
E dois corpos, duas almas, dois destinos
Que desde então jamais se despegaram.

29/10/2014


Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A decomposição do arco-íris



(carta aberta a Richard Dawkins)

Impossível prender o movimento:
As borboletas mortas na vitrina
Não são já borboletas.
As asas secas e esticadas
Não se misturam já na luz, modificando-a,
Fazendo nascer mais novidade
De cada instante novo.
Muito ao contrário:
A rede quadricular das posições
Daqueles cadáveres sem sentido
Captura os núcleos de mudança
Como milhões de peixes sufocando
Brutalmente arrancados ao seio do fluir
Das doces águas,
E o contemplar da colecção
Arrasta a nossa alma por um longo corredor néon gelado
Num ziguezague em linha recta
Entre museus e hospitais.

Borboletas da minha adolescência:
Pudesse eu devolver-vos à luz das florestas,
Ao ar perpetuamente renovado
Que crescia entre as agulhas de pinheiro
As flores do cardo agreste
E os muitos milhares de ervas-sem-ter-nome,
Para que o pó das vossas asas fecundasse,
Mesmo que tarde,
Mesmo passados quarenta anos,
As águas do rio que já secou,
Cansado de esperar a vida eterna,
O rio onde meu pai me levava pela mão,
Era eu criança,
E em cujas margens me ensinava a procurar
Por entre o doce marulhar da vida
Aquelas gotas de total silêncio
Que encerram todas as razões do universo.

Borboletas da minha adolescência:
Conjuro-vos!
Rebentai os vidros das vitrinas!
Batei de novo as asas!
Libertai-vos das pinças e do éter!
Voai até ao sol!

Trazei de lá,
Se quiserdes assim manifestar-me
Que me concedeis vosso perdão,
A prova de que Newton estava errado
E de que a luz branca é muito mais
Que um espectro envergonhado
De se ver nu no pó na cinza e frigidez
Do laboratório onde aguarda
A sentença à pena capital.

28/10/2014

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A lógica das coisas (carta aberta ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa)

“A dívida subiu pela lógica das coisas”
(Professor Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, em 26/10/2014)


Caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa

Eu e o Professor sabemos que a “lógica das coisas” a que se refere é simplesmente o facto VARIAÇÃO DA DÍVIDA = DÉFICE, mas mais de metade dos portugueses que ontem o ouviram não sabem isso.

Dada a iliteracia matemática do nosso povo, propunha-lhe que explicássemos este facto aos cidadãos de uma forma mais corriqueira, que até um atrasado mental perceberá: QUEM GASTA MAIS DO QUE RECEBE TEM DE PEDIR EMPRESTADA A DIFERENÇA.

Há três anos que os políticos da oposição e alguns comentadores dizem (os primeiros) ou dão a entender (os segundos) que o Governo é o responsável pelo aumento permanente da dívida. Não me surpreende que a oposição o faça, porque há muitos políticos, em todos os partidos, que parecem julgar que mentir faz parte das suas atribuições profissionais. Surpreende-me, sim, que alguém como o Professor Marcelo Rebelo de Sousa colabore nesta farsa. (Sei muito bem que formalmente o Professor Marcelo Rebelo de Sousa não mentiu. Mas isso não muda nada.)

Com os melhores cumprimentos,

Fernando Passos


P.S. Não tenho qualquer simpatia especial por qualquer partido, do governo ou da oposição. Esta mensagem, como outras que lhe tenho enviado, é motivada apenas pela irritação que me provocam certos atropelos à lógica.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A moral da história



1 – Como caçar um macaco

Ponha um amendoim dentro de uma jaula que tenha as grades suficientemente apertadas para que a mão do macaco passe à justa entre elas. Quando o macaco vir o amendoim, irá meter a mão pelas grades para o agarrar, mas quando quiser tirar a mão outra vez de dentro da jaula, o punho fechado não conseguirá passar e o macaco ficará preso. Por estranho que pareça, o macaco não perceberá que se largar o amendoim ficará de novo livre.

2 – O Tempo e a Eternidade

Penso que quase todos nós imaginamos a vida eterna como qualquer coisa que vem depois da vida terrena, tal como o emprego vem depois dos estudos, ou como a reforma vem depois dos anos de trabalho. No entanto, esta forma de ver a eternidade coloca-a na categoria das coisas temporais, o que não faz muito sentido.

É verdade que a nossa mente está feita de tal modo que não conseguimos deixar de projectar a ideia de tempo em tudo aquilo que imaginamos ou consideramos mas, mesmo assim, auxiliados pela nossa capacidade de abstracção, devemos fazer um esforço para contrariar esta tendência, e podemos até contornar a dificuldade combatendo o tempo com as suas próprias armas.

Recorramos assim ao conceito temporal de simultaneidade, para dizer que a eternidade não é anterior nem posterior à existência terrena, antes lhe sendo simultânea. (Do mesmo modo, a jaula e a selva onde se pode ser livre e feliz são duas possibilidades que se oferecem ao macaco em simultâneo, a cada instante.)

Digamos então que tempo e eternidade são apenas duas maneiras diferentes de ver a mesma realidade, ou, talvez melhor, duas maneiras diferentes de a viver. Jesus Cristo veio explicar-nos isto e dar-nos o segredo que permite optar pela maneira certa de viver a realidade, embora a acção permanente do Espírito Santo, desde o princípio dos tempos, já tivesse levado gente sábia de diversas culturas a intuições parciais desta verdade.

A verdade é que é o nosso egoísmo que nos amarra ao tempo, o nosso egoísmo traduzido na obsessão em nos sentirmos bem, traduzido na multidão de medos e desejos mesquinhos pelos quais nos deixamos governar a cada instante. E as leis da moral, na sua origem, propunham-se apenas serenar este revolto mar interior que nos precipita no Tempo, que é o Tempo, mas que, uma vez serenado, se transforma no infinito mar da própria Eternidade.

3 – Moral da história

As leis morais não são o capricho de um Deus sádico, que se compraz em proibir-nos as coisas que nos dão prazer. Pelo contrário, as leis morais são simplesmente um “mapa do tesouro”, um caminho secreto para o Bem Supremo, uma pista que conduz do Tempo à Eternidade. Por isso, se alguém nos vier dizer para não nos preocuparmos mais com as velhas leis da moral, temos tanta razão para agradecer como o macaco a quem foram dizer que não largasse o amendoim.

22/10/2014


Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Edificar sobre rocha


Jesus edifica sobre a rocha
   «Fraternidade não é nem mediocridade, nem confraternização. Precisamos do eterno, ou então o que é a religião, o Santo? Não nos resta nada, nada de estável, está tudo em movimento. E, no entanto, temos necessidade de uma rocha»
                     E. Ionesco (in Antidotes), cit. por Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal (1ª ed. em língua italiana no ano 2000), 1ª ed. (em língua portuguesa), 2006, p.163.

domingo, 19 de outubro de 2014

A caminho do perdão


Jesus em recolhimento
O mais importante nesta homilia (Missa da Beatificação de Paulo VI) do Papa Francisco é a ética que está subentendida no seu pensamento: a missão de evangelizar oferece a possibilidade do arrependimento e com ele a do perdão para o pecador se salvar e obter a grande recompensa. "Arrependei-vos", avisava S. João Batista. E Jesus: "Ide, fazei discípulos entre todos os povos". A salvação dos pecadores é a meta. A propósito, escreveu Joseph Ratzinger: "A dinâmica da missão não se pode traduzir na fórmula: Ide pelo mundo e tornai-vos também mundo e confirmai-o na sua profanidade! O contrário é que é verdadeiro. O «grão de mostarda» do Evangelho não se identifica com o mundo, mas destina-se a fazer fermentar todo o mundo" (in "O Caminho Pascal", 2000, pp. 162-163).

Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Rescaldo

Do grande incêndio de há quase dois mil anos
Que calcinou vontades egoístas
Libertando dos seus interiores sujos
Milhares de diamantes de pureza;
Do terramoto que fez ruir palácios
Mais cedo que o previsto
Salvando assim da morte os ocupantes;
Do vendaval escaldante
Que arrancou dos corpos suas vestes
E nus os lançou no longo caminho de regresso a casa;
Da cheia cujas águas cintilantes
Lavaram tanta chaga e podridão;
Do grande incêndio de há quase dois mil anos,
Do grande tumulto na ordem lógica das coisas,
Já só restam carvões quase apagados,
E por todo o lado despontam mais palácios,
E as roupagens cada vez mais ricas
Ocultam feridas tanto mais temíveis.

Senhor, porque não voltas?


16/10/2014

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pelos caminhos de S. João Batista




São João Batista
Maior entre os nascidos de mulher...... Intercedei por nós.
Voz que clama no deserto...... Rogai por nós.
Profeta do Altíssimo......Rogai por nós.
Profeta das Nações...... Rogai por nós.
Era mais que um Profeta...... Intercedei por nós.
Defensor da família e do matrimónio ...... Rogai por nós.
Santo Mártir da justiça e da verdade ...... Intercedei por nós.

(Excertos da Ladaínha de S. João Batista in "Olhar Deus com S. João", Paróquia de Santa Maria dos Anjos, Esposende, 2012)

sábado, 11 de outubro de 2014

Vim chamar ao arrependimento...


Das Alturas, nos nossos dias, Jesus olha para o Seu planeta.
E parece-Lhe um deserto.
A voz dos seus Discípulos estará a apagar-se?




«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos, mas os pecadores, que eu vim chamar ao arrependimento»
Lc 5, 31-32


«Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, perdendo-se ou condenando-se a si mesmo? Porque se alguém se envergonhar de Mim e das Minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na Sua glória e na do Pai»

Lc 9, 25-26