OS INOCENTES
Vejo pela janela indiscreta do escritório,
a tremer ainda na árvore. Estão demasiado
assustadas com o vento que as faz esvoaçar para a distância.
Vejo a sua amargura, vejo a sua incredulidade.
E lembro-me das crianças inquietas,
das crianças a perderem-se do pão e do abrigo certo da casa,
das crianças nascidas para a vida na Faixa de Gaza.
Como as folhas secas não entendem o vento
as crianças não sabem que deixaram
A morte espreitou-as e ali ficou no seu corpo pequenino,
As folhas secas são velhas. Mas as crianças não.
que deixaram de crescer com o dourado do sol,
Enregelando nos escombros empilhados,
caldeiras fumegantes acesas pelo ódio.
Dormem agora, as crianças, como folhas secas.
Como as folhas secas as crianças tombaram
de uma vontade, apenas e só, desumana?


















