quinta-feira, 31 de agosto de 2023
quarta-feira, 30 de agosto de 2023
PERCURSOS VAGOS
em cada caminho erguem-se trilhos estreitos
que confinam com outros mais pequenos e frágeis.
no caos da vida as escolhas são um impossível.
não nos deixam um traço de liberdade.
até a água que sugamos como se fosse um néctar
acalenta só por instantes. E estes escorrem
as ruas infestadas de vento
com sinfonias vindas de uma força arrasadora.
sigo o caminho carregada com a incerteza
a transformar a abundância ainda visível
a verter o destino numa realidade delirante
transmudam-se em grãos de areia
e zarpam para um caos horribilis desmembrado.
o instável ganha forma e perco-me nos instantes
sem encontrar a estrada a delir-se com lentidão.
caminho ainda. devagar entre ervas ruins
aquele vento que passa ignorando-me. o vento.
penetro a lama. aí o lugar indecifrável
30 de Agosto de 2023
Teresa Ferrer Passos
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
FRAGMENTO 3
sábado, 19 de agosto de 2023
FRAGMENTO 2
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
FRAGMENTO 1
sábado, 12 de agosto de 2023
UM POEMA
NAS SERRANIAS
DE ODEMIRA
«Acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo»
1º RS, 19,12
Teresa Ferrer Passos
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
domingo, 6 de agosto de 2023
Na missa do Envio no Parque Tejo em Lisboa (6/8/2023) disse o Papa Francisco a um milhão e meio de jovens, vindos de todo o mundo:
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| Parque Tejo em Lisboa, última missa do Papa Francisco na JMJ em 6/8/2023 |
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
Na cerimónia de acolhimento à JMJ no Parque Eduardo VII, em Lisboa (3/8/2023), algumas passagens da notável Homilia proferida pelo Papa Francisco:
«Nenhum de nós é cristão por acaso. Todos fomos chamados pelo nosso nome. Ao princípio da teia da vida, ainda antes dos talentos que possuímos, das sombras e feridas que carregamos dentro de nós, recebemos um chamamento. Chamados, porque amados. Fomos chamados porque somos amados. Aos olhos de Deus somos filhos preciosos, que Ele cada dia chama para abraçar e encorajar»
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| JMJ no Parque Eduardo VII em 3/8/2023 |
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
Na Oração de Vésperas celebrada na Igreja dos Jerónimos (2/8/2023), em Lisboa, disse o Papa Francisco:
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| Igreja dos Jerónimos em Lisboa J L |
quarta-feira, 2 de agosto de 2023
BEM VINDO A LISBOA, PAPA FRANCISCO!
sexta-feira, 28 de julho de 2023
JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE/2023, LISBOA
"Mas a Mim, que vos digo a verdade,
por que motivo Me não acreditais?"
(Jo 8, 45)
Não há verdade, não, sou do reino do húmus,
das folhas secas, do lodo e das turfas que não morrem.
Sou do reino do breve tempo. Aqui, as horas fogem
na ardência do sol com que trilho o húmus carcomido.
Eu não vivo no mundo da verdade. Sou todo
fantasia que pousa nas auroras nascentes
como melódico violino carregado de riquezas.
cheias de furacões que pontificam.
Eu faço vicejar a mentira e tantos acreditam.
Seguem-me como bestas domesticadas
pelo medo e pela fortuna brilhante como o sol.
só a mentira ilumina sem ténues brados,
sem falhas ou pudores murchos,
ela é o néctar que me inebria. Sou a mentira finita,
sou a mentira inteira, sem perda alguma
e toda sem memória de promessa. Eu sou o mundo.
sou caruncho a devorar a madeira!
Gosto de sepulcros velhos, de portas fechadas,
de líquenes a lacrimejar nas paredes.
Eu reino aqui entre o húmus. Sou a felicidade a reinar!
Carrega a verdade nos ombros.
Logo pergunto, abismado: "Que vens fazer aqui?!"
"Trago comigo a verdade".
A verdade a chegar?! Que lenta, que dentro de si,
sem uma luz que a ilumine, que diferente
de mim, tenaz e fosforescente,
E não resisto a dizer-lhe.
"Que figura caricata vejo a chegar ao meu reino,
tu nada possuis, não és real, como falas de verdade
se ela, aqui, até nem pode existir?!"
Sem dizer uma palavra, a verdade
passava, continuando o caminho.
E que verdade seria, com suas asas quebradas,
sem palavras de diamantes vestidas
e com passos tão pequeninos?
Lisboa, 27 de Julho de 2023
Teresa Ferrer Passos
quinta-feira, 20 de julho de 2023
MEMÓRIA
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| Escultura "Mar sem fim" (1981) de João Fragoso no jardim da Fundação Gulbenkian |
No 30º aniversário do dia em que nos conhecemos na Fundação Gulbenkian
Trouxeste o Fogo de Deus.
Abri os olhos.
Um clarão alagou a minha alma
como um dilúvio sem Arca de Noé.
Dentro de mim
só Cristo resta em pé.
Trouxeste o Fogo de Deus.
Lancei-me nele.
Cerrei os dentes
e nadei contigo até ao fundo.
Aqui construiremos
um mundo menos mundo.
Trouxeste o Fogo de Deus.
Queimou o mal.
Das suas cinzas se erguerá
um novo Paraíso, mas sem Queda.
Depois descansaremos embalados
Pelo crepitar da Grande Labareda…
20/7/2023
Fernando Henrique de Passos
A perder o sentido, a vida
a esvaziar-se. Uma labareda insuspeita
inunda-me. Há um silêncio loquaz. Inscrevem-se
sentidos de nova liturgia, sem
pontos cardeais, sem bússola ou quadrante.
As trevas tão pesadas, sem estrelas a cintilar.
Vejo o espaço vértice para uma luz brilhar.
a erguer-se lentamente num amor inconsútil,
pronto a vencer imagens de revoltos temporais.
20/7/2023
Teresa Ferrer Passos
terça-feira, 11 de julho de 2023
MEMÓRIA
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| Pequeno cato "Echinopsis subdenudata" na nossa varanda |
Move-se. Nasce uma flor.
Tem pouca terra, esfarelada, pobre.
"Sou mãe". Diz no perfume subtil das níveas pétalas.
E uma fragrância toda cobre os estames delicados
mesmo sem saber a origem da arte criada.
O destino nasce assim. Um tempo breve.
A vida é um quase nada.
De nenhum louvor precisa. Tudo à volta lhe é estranho.
Não augura vitórias, não as deseja também.
Existe só por si. Existir é a riqueza.
Apesar da brevidade, que instante sublime!
segunda-feira, 3 de julho de 2023
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| Sicómoro de flor amarela |
UM POEMA DE ABRAAM SUTZKEVER ((1913-2010), nascido em Smorgon na atual Bielorrússia. Foi considerado o maior poeta do Holocausto:
Enquanto escrevia com os olhos fechados
senti um fogo na minha mão;
e quando acordei, brotava como uma flor,
das negras chamas do papel,
o perfume de um nome: DEUS.
Porém, maravilhada e medrosa,
a minha caneta apagou este nome
e escreveu em seu lugar
um mais familiar: HOMEM.
Desde então, como pássaro invisível,
persegue-me uma voz
que dá bicadas nas raízes da minha alma:
Por quem me substituíste?
(1)Tradução para português por Teresa Ferrer Passos a partir da versão espanhola do poeta judeo-argentino Eliahu Toker. Fonte: http://www.raoulwallenberg.net
domingo, 2 de julho de 2023
sexta-feira, 30 de junho de 2023
Um POEMA DE VLADIMIR MAIAKOVSKY (1893-1930):
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
E logo
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.
domingo, 25 de junho de 2023
IN MEMORIAM
ALÉM, MAIS ALÉM
In memoriam de migrantes desafortunados
Sentem-se irmanadas com aquelas gentes pobres
que nelas um caminho veem. O sol brilha.
É fogueira acolhedora. E as estrelas
quando este brilho se esvai de cansaço,
oferecem-lhes o seu vigiar no escasso sono.
A luz esplendorosa da aurora abre-lhes os olhos.
Uma esperança sorri nos seus lábios ressequidos.
Uma glória imensa habita as suas faces húmidas.
A livre fuga cresce com o sal que a boca suga.
As mãos em prece a orar sentem o afago
da promessa mesmo sem sinais no horizonte.
Não se avistam dunas com vegetação a abundar.
E há arcas de esperança em cada um dos seus
cabelos longos que esvoaçam ao vento
como se cavalgassem num ginete ágil que vencerá.
Estão cada vez mais distantes da fome,
do desprezo, da vingança, do desdém, da morte.
Esqueceram a sofrida vida. Tudo enterraram
na terra do nada em que deambulavam
jovens, quais vermes cegos de vontade.
Que viagem afortunada, acreditam.
A chegada coberta de futuro, vislumbram.
Que coroas de bendito destino na terra próxima, avistam!
Perto demais! Em pleno mar, veem os contornos das arribas.
Num olhar subtil, começam a louvar os deuses
ao verem colinas cobertas de vinhedos. Que olivais sem par!
Que pastos férteis! Quantos animais nos penhascos!
Lentamente, a barcaça, apinhada demais, começa a empinar.
Agora sabem que ali tão perto a costa grega os renega
e, indiferente, sepulta as pobres gentes na esmeralda água.
25/6/2023
Teresa Ferrer Passos
quinta-feira, 22 de junho de 2023
UM POEMA
MEDITAÇÃO DOS DIAS
A uma casa perdida na aldeia
Frágil, a ser marcada cada dia pelas horas delidas
no tempo. E são as nuvens esbranquiçadas demais,
insufladas de um outro tempo que, como um árido
deserto me inspiram e me fazem
percorrer corredores escuros,
descobrir portas sem fechadura e janelas
que são nesgas de tão estreitas.
Sopro as cortinas descoloridas e noturnas
quando a minha consciência esbarra numa vaga estrada
onde caminho sem caminho que guie
sem as águas férteis que apagam a melancolia dos minutos.
Sinto o verão que começou intenso em plena primavera
e o vento a esconder-se como um fantasma de outros tempos,
à procura da casa que perdeu sem saber como.
o restolhar das folhas no passeio lhe oferece um simulacro
da voz enrouquecida, a evadir-se devagar.
Aqui nada cresce inteiro e promissor mas os nossos
olhos permanecem extasiados de sol a rodos.
Teresa Ferrer Passos












