sábado, 23 de setembro de 2023

RECORDANDO O DIA DA MORTE DO POETA


 ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924, 17/10-2013, 23/9) - Tendo recebido o PRÉMIO PESSOA, o PRÉMIO NACIONAL DE LITERATURA, entre outros, fundou e colaborou com ensaios literários nas revistas Cassiopeia, Árvore e Cadernos do Meio-Dia. Além de uma vasta  e polimórfica obra poética, cultivou o ensaio literário e ideológico sobretudo na obra Poesia Liberdade Livre. 

«Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pureza numa festa.

Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.

Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.»

António Ramos Rosa, O Incêndio dos Aspectos, A Regra do Jogo Edições, Lisboa, 1980, p.83.


terça-feira, 19 de setembro de 2023


A oração é uma invocação que pode surgir nos momentos mais imprevistos do dia, esses momentos em que um silêncio chora pela presença íntima de um Pai, o Pai do Céu.

19 de Setembro de 2023

Teresa Ferrer Passos

sábado, 2 de setembro de 2023

AS NOVAS CONSTRUÇÕES CIBER-MENTAIS CONTEMPORÂNEAS


O INFINITO NO HUMANO, O INFINITO NO UNIVERSO

A sociedade humana segue uma via audaz. Esta época em que a tecnologia é infatigável e absorvente das vontades, parece estreitar os caminhos largos e fantásticos do universo, caminhos que os cientistas do cosmo observam com telescópios cada vez mais potentes. Observações recentes - telescópio James Webb - concluem que o universo continua em expansão e a velocidade dessa expansão está a aumentar.
Ora, esta constatação - que leva muitos a esvaziar a essência de Deus - nada altera a continuidade da crença em Deus. Deus, o Ser Infinito, já intuído pela argumentação físico-matemática e metafísica do grande filósofo René Descartes. Perguntam-se os filósofos e os cientistas, o que está por trás desta expansão e o que está por trás da aceleração ou velocidade crescente.
Apenas se pressupõe que estes dois fenómenos podem ser infinitos. No ser humano, há uma ideia inata que pré-existe ao mundo sensível, ao mundo da visibilidade material, sugere Descartes. O inteligível, está nele, por isso o mundo observável pelos sentidos e pelo seu auxiliar tecnológico, sempre podem conduzir ao erro, ao engano, à deturpação da verdade. Contudo, o inteligível é mais fiável, pois assenta no espírito que nos faz ter dentro de si a ideia de infinito, sendo nós seres finitos.  Se um ser finito tem dentro de si a noção de infinito é porque esse infinito existe. A verdade é que nunca o poderia ir buscar a si próprio, sendo apenas finito. 
Assim, a infinitude do universo não pode logicamente levar à ideia de que Deus não existe, mas antes à ideia de que Deus - o Infinito - está a ser a energia que mantem o universo vivo, em movimento, numa mudança construtiva contínua. Não será o universo infinito por ter por trás um Deus que assim nos transmite a sua transcendência na fenomenologia existencial? Não será, hoje, a ciência a mostrar incomparáveis exemplos da infinitude d'Aquele a quem chamamos Deus?

20 de Setembro de 2023
                                                                           Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Sob a negrura dos céus, a nívea espuma das marés a caminho da terra.
T.F.P.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

PERCURSOS VAGOS



CAMINHANDO 


vivo numa precariedade de caminhos.
em cada caminho erguem-se trilhos estreitos
que confinam com outros mais pequenos e frágeis.
no caos da vida as escolhas são um impossível.
não nos deixam um traço de liberdade.
até a água que sugamos como se fosse um néctar
acalenta só por instantes. E estes escorrem
num tempo mínimo  pontos de interrogação
e reticências que esmagam o devir.
as ruas infestadas de vento
cortam cerce o meu olhar vago
a enevoar-se ante a olaia tombada
no chão num extenuamento de folhas.
perplexa olho a indiferença das folhas dos plátanos
com sinfonias vindas de uma força arrasadora.
sigo o caminho carregada com a incerteza
a transformar a abundância ainda visível
em perda anunciada.
a verter o destino numa realidade delirante
vejo nascerem rios de sombra e de canícula.
transmudam-se em grãos de areia 
e zarpam para um caos horribilis desmembrado.
o instável ganha forma e perco-me nos instantes 
sem encontrar a estrada a delir-se com lentidão.
caminho ainda. devagar entre ervas ruins
incapazes de abafar o vento. devagar respiro
aquele vento que passa ignorando-me. o vento.
sobre as minhas interrogações nada augura
senão um vazio largo ou uma aridez parca.
resta um pantanal inscrito além.
penetro a lama. aí o lugar indecifrável 
onde dormem há muito
os meus caminhos apenas enunciados.

30 de Agosto de 2023

                                      Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

FRAGMENTO 3



FRAGMENTO 3


«"O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio,
Madrugador, jovial;
Logo de manhã cedo
Começava a soltar, d'entre o arvoredo,
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
Que dá para o passal,
Repicando uma finas ironias,
O melro, d'entre a horta,
Dizia-lhe:'Bons-dias!'
E o velho padre-cura
Não gostava daquelas cortesias." [...]


Do Poema "O Melro" de Guerra Junqueiro (no 1º Centenário da sua morte) in Henrique Manuel Pereira, «Paisagens Junqueirianas com o Douro ao Fundo», Edições Húmus, Vila Nova de Famalicão, 2023, pág. 215.

sábado, 19 de agosto de 2023

FRAGMENTO 2

Luzula purpúreo, flor nativa dos Açores



«Tal como deixamos de sentir o rosto do outro, em carne e osso, ocultado no anonimato das redes digitais, também os elementos vitais deixaram de merecer a nossa procura sensível, a habitação pausada e a lentidão do pensar.»

João Paulo Costa, "À sombra do Invisível", Documenta, Lisboa, 2020, p. 36.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Quem poderá escapar às cruezas da vida?  Resta a consolação do amor que está dentro de nós.
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

FRAGMENTO 1


Vidália (Vidalii azorina),
flor nativa dos Açores


«Espantar-se com tudo o que volve e nos envolve, é exercitar cuidadosamente a atenção, gozar do inesperado presente nas coisas mais insignificantes e até adversas».

João Paulo Costa, "À sombra do Invisível", Documenta, Lisboa, 2020, p.32.


sábado, 12 de agosto de 2023

UM POEMA

 

NAS SERRANIAS DE ODEMIRA


«Acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo»
                                                1º RS, 19,12 

 

Há um crepitar ao longe, vago o horizonte.
A ardente terra nada procura nem deseja
nas extensas colinas.
Ali nada há além da paz do lugar.
O cheiro a madeira queimada torna o ar ácido.
Ali, um rosto de criança é um rosto de espanto,
não entende um real a esbracejar delirante.
Imóvel, abraça o tronco negro de um carvalho
já sem folhas e de ramos contorcidos pela dor muda.
E abraça-o como se fosse o colo doce de uma mãe.
Vê os ramos dos pinheiros acesos a parecerem
tochas gigantes em louca procissão vazia,
sem Deus, sem santos milagrosos,
sem alguém a passar com um andor, um hissope
ou uma simples custódia redentora.
E a fé feita de sombras fumegantes,
encobre as ovelhas no aprisco com o som
dos chocalhos confiantes na vida.
Elas balem com ternura.
Não veem a sarça ardente
em que caíram quando o fogo as abate
como vento a vir de um simples sopro.

 12/8/2023

                                 Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

 



A MENINA QUE GOSTAVA DE FLORES


                                à Teresa, no dia dos seus anos



A menina gostava de flores
Como quem gosta do que é belo e passageiro.
Gostava das cores,
Das formas e do cheiro.

A menina gostava de capelas
Como quem gosta do que é eterno e puro.
Gostava da paz que havia nelas
E daquela luz entre o claro e o escuro.

Tudo era paz na alma da menina
Mas à sua volta havia guerra,
Que neste mundo quem reina e quem domina
É Satanás, o Imperador da Terra.

Foi má a vida para a menina boa,
Pouco abonada pela sorte.
Tudo são espinhos onde ela se magoa
Mas com a dor se faz sempre mais forte.

Surgiste-me, menina, no caminho
E és desde então a minha amada.
Magoa-te há trinta anos mais um espinho,
O da minha mente atormentada.

Mas eu bebo da tua paz antiga,
Que pouco a pouco vence qualquer mal,
E pouco a pouco, contigo, minha amiga,
O meu tormento está perto do final.

O segredo de tudo está na paz
E a raiz da paz é o amor.
Juntos venceremos Satanás,
Amada minha, menina sempre em flor…

9/8/2023
                            Fernando Henrique de Passos

domingo, 6 de agosto de 2023

Na missa do Envio no Parque Tejo em Lisboa (6/8/2023) disse o Papa Francisco a um milhão e meio de jovens, vindos de todo o mundo:

 

Parque Tejo em Lisboa, última missa do Papa Francisco na JMJ em 6/8/2023

«Hoje nós precisamos de alguma luz, um raio de luz que seja, esperança para enfrentar tantas trevas que nos assaltam na vida, tantas derrotas cotidianas para enfrentá-las com a luz da ressurreição de Jesus, porque Ele é a luz que não se apaga, é a luz que brilha também à noite.»

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Na cerimónia de acolhimento à JMJ no Parque Eduardo VII, em Lisboa (3/8/2023), algumas passagens da notável Homilia proferida pelo Papa Francisco:

 «Nenhum de nós é cristão por acaso. Todos fomos chamados pelo nosso nome. Ao princípio da teia da vida, ainda antes dos talentos que possuímos, das sombras e feridas que carregamos dentro de nós, recebemos um chamamento. Chamados, porque amados. Fomos chamados porque somos amados. Aos olhos de Deus somos filhos preciosos, que Ele cada dia chama para abraçar e encorajar»

JMJ no Parque Eduardo VII em 3/8/2023


«Há espaço para todos. Assim como somos. Todos. Isto di-lo Jesus claramente quando manda os apóstolos a chamar para o banquete do senhor que o tinha preparado — vão e tragam todos.»

«Deus ama-nos como somos, não como a sociedade gostaria que fôssemos. Como somos. Ama-nos com os nossos defeitos, com as limitações que temos e com a vontade que temos de seguir em frente na vida. Deus chama-nos assim. Confiem, porque Deus é pai, que nos ama.»

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Na Oração de Vésperas celebrada na Igreja dos Jerónimos (2/8/2023), em Lisboa, disse o Papa Francisco:

 

Igreja dos Jerónimos em Lisboa J L

«(...) Somos chamados a lançar de novo as redes e a abraçar o mundo com a esperança do Evangelho. Não é momento de parar e desistir, de atracar o barco à margem nem de olhar para trás; não devemos escapar deste tempo, só porque nos mete medo, para nos refugiarmos em formas e estilos do passado. Não! Este é o tempo da graça que o Senhor nos concede para nos aventurarmos no mar da evangelização e da missão (...)»

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

BEM VINDO A LISBOA, PAPA FRANCISCO!



Papa Francisco no Palácio de Belém
após a sua chegada a Lisboa


A sua presença, nesta hora, lembra-nos as palavras escritas por P. Teilhard de Chardin no seu livro «HINO DO UNIVERSO»:

«O meu cálice e a minha paterna são as funduras de uma alma largamente aberta a todas as forças que, dentro de um instante, se elevarão de todos os pontos do Globo e convergirão a caminho do Espírito. - Venham a mim a recordação e a presença mística daqueles que a luz desperta para uma nova jornada!»

sexta-feira, 28 de julho de 2023

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE/2023, LISBOA


A VERDADE

                                               "Mas a Mim, que vos digo a  verdade,
                                                por que motivo Me não acreditais?"
                                                                                                    (Jo 8, 45)
                                                                        
                                                                            
Não há verdade, não, sou do reino do húmus,
das folhas secas, do lodo e das turfas que não morrem.
Sou do reino do breve tempo. Aqui, as horas fogem
na ardência do sol com que trilho o húmus carcomido.
Eu não vivo no mundo da verdade. Sou todo
fantasia que pousa nas auroras nascentes 
como melódico violino carregado de riquezas.

Eu grito por louvores solenes e vãos, tenho palavras
cheias de furacões que pontificam.
Eu faço vicejar a mentira e tantos acreditam.
Seguem-me como bestas domesticadas
pelo medo e pela fortuna brilhante como o sol. 

E penso. A verdade não respira, toda a verdade vacila,
só a mentira ilumina sem ténues brados,
sem falhas ou pudores murchos,
ela é o néctar que me inebria. Sou a mentira finita,
sou a mentira inteira, sem perda alguma
e toda sem memória de promessa. Eu sou o mundo.

Sou a mentira, isso sou! Sou simulacro, sou gigante,
sou caruncho a devorar a madeira!
Gosto de sepulcros velhos, de portas fechadas,
de líquenes a lacrimejar nas paredes.
Eu reino aqui entre o húmus. Sou a felicidade a reinar!

Súbito, vejo alguém que desconheço.
Carrega a verdade nos ombros.
Logo pergunto, abismado: "Que vens fazer aqui?!"
"Trago comigo a verdade".
A verdade a chegar?! Que lenta, que dentro de si,
sem uma luz que a ilumine, que diferente
de mim, tenaz e fosforescente, 
de mim, o famoso Lúcifer!
E não resisto a dizer-lhe.
"Que figura caricata vejo a chegar ao meu reino,
tu nada possuis, não és real, como falas de verdade
se ela, aqui, até nem pode existir?!" 
Sem dizer uma palavra, a verdade
passava, continuando o caminho.

E que verdade seria, com suas asas quebradas,
sem palavras de diamantes vestidas
e com passos tão pequeninos?

 

Lisboa, 27 de Julho de 2023

                                    Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 20 de julho de 2023

MEMÓRIA

 

Escultura "Mar sem fim" (1981) de João Fragoso
no jardim da Fundação Gulbenkian

              No  30º aniversário do dia em que nos conhecemos na Fundação Gulbenkian


PURIFICAÇÃO
 
Trouxeste o Fogo de Deus.
Abri os olhos.
Um clarão alagou a minha alma
como um dilúvio sem Arca de Noé.
Dentro de mim
só Cristo resta em pé.
 
Trouxeste o Fogo de Deus.
Lancei-me nele.
Cerrei os dentes
e nadei contigo até ao fundo.
Aqui construiremos
um mundo menos mundo.
 
Trouxeste o Fogo de Deus.
Queimou o mal.
Das suas cinzas se erguerá
um novo Paraíso, mas sem Queda.
Depois descansaremos embalados
Pelo crepitar da Grande Labareda…
 
20/7/2023
                              Fernando Henrique de Passos



CÁLICE FLORESCENTE


A perder o sentido, a vida
a esvaziar-se. Uma labareda insuspeita
inunda-me. Há um silêncio loquaz. Inscrevem-se
sentidos de nova liturgia, sem
pontos cardeais, sem bússola ou quadrante.

As trevas tão pesadas, sem estrelas a cintilar.
Vejo o espaço vértice para uma luz brilhar.

E eis o sacro cálice do casto tempo
a erguer-se lentamente num amor inconsútil,
pronto a vencer imagens de revoltos temporais.

20/7/2023

                                       Teresa Ferrer Passos

 

terça-feira, 11 de julho de 2023

MEMÓRIA

 

Pequeno cato
"Echinopsis subdenudata"
na nossa varanda


SER MÃE
                              

                           No 33º aniversário da morte de minha mãe 


Escondida, a raiz nas trevas densas procria.
Move-se. Nasce uma flor.
Tem pouca terra, esfarelada, pobre.
"Sou mãe". Diz no perfume subtil das níveas pétalas.
E uma fragrância toda cobre os estames delicados
mesmo sem saber a origem da arte criada. 
"Sou mãe". Sente dentro de um pó opaco que é nada.
Cheia de sombra fica.
Não precisa de uma só palavra.
O destino nasce assim. Um tempo breve.
A vida é um quase nada.
De nenhum louvor precisa. Tudo à volta lhe é estranho.
Não augura vitórias, não as deseja também.
Não tem planos nem projetos no tempo.
Oh, o que é isso, o tempo?!
Existe só por si. Existir é a riqueza.
Apesar da brevidade, que instante sublime!
Um simples instante chegou para dizer,
"Sou mãe".

11 de Julho de 2023

                                           Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 3 de julho de 2023


Sicómoro de flor amarela


UM POEMA DE ABRAAM SUTZKEVER ((1913-2010), nascido em Smorgon na atual Bielorrússia. Foi considerado o maior poeta do Holocausto:


ENQUANTO ESCREVIA COM OS OLHOS FECHADOS (1)

Enquanto escrevia com os olhos fechados
senti um fogo na minha mão;
e quando acordei, brotava como uma flor,
das negras chamas do papel,
o perfume de um nome: DEUS.
Porém, maravilhada e medrosa,
a minha caneta apagou este nome
e escreveu em seu lugar
um mais familiar: HOMEM.

Desde então, como pássaro invisível,
persegue-me uma voz
que dá bicadas nas raízes da minha alma:
Por quem me substituíste?


(1)Tradução para português por Teresa Ferrer Passos a partir da versão espanhola do poeta judeo-argentino Eliahu Toker. Fonte: http://www.raoulwallenberg.net


domingo, 2 de julho de 2023

 ORAÇÃO

Senhor, nada tenho para Te dar que não seja Teu, exceto o meu silêncio. Recebe-o pois se assim Te aprouver.

Facebook, 29/6/2023
Fernando Henrique de Passos


O nosso silêncio é a única palavra que nos pertence, na verdade.

Facebook, 1/7/2023
                                                 Teresa Ferrer Passos