ETÉREO POETA
no V Centenário do seu Nascimento
Com que arte, nós aprendizes de poesia,
nós que nos achamos vates e somos insignificantes,
nós apagados da certa palavra,
nós cheios de vãs eloquências,
nós com os louros a ofuscar-nos a visão?
nós, a olhar o mestre, nós, relendo o genial poeta,
aquele que já cruzava os mares tumultuosos
da poesia maior insubmissa sem rival,
bem dentro das entranhas de sua enternecida mãe.
Nós, aqueles que lhe queremos suceder neste século.
Nós, a crivar as artes do imaginoso humano
inteligência só rica em artifícial moldura?
a vibrar melodiosos hinos e louvores
numa voz sonorosa e ardente como fogo.
A escrever a esplêndida oratória sobre a história
fulgurante destes a quem chamou Os Lusíadas,
herdeiros dos ousados Lusitanos.
Camões, o século de Quinhentos atravessou
com estudo vastíssimo,
sua força de alma seguindo sem cansaço,
tudo assente no apego à terra estreita mas luminosa,
a vislumbrar as águas transparentes
de um rio de tantas brumas,
o Tejo, esse rio maior, a penetrar o além,
Toda a vasta distância se encurtava
a pequenez da terra, a pobreza da mesa,
o destino parco e ignoto de todo um povo.
Camões, com a beleza nos olhos perturbante,
espraiou-se pelo vasto mundo
de construções honrosas ainda incertas,
deixou como alto e único testamento
uma memória de pátria,
pátria só por amor movida,
grande e inteira, poderosa e leve,
Rompendo as ondas maiores,
Com hostilidade e sangue recebiam as caravelas
Que terrível desconfiança dos Lusíadas,
gente jovem e alegre que desconheciam
Na espera de caminhos promissores,
acreditando mais nestes que nos nefastos,
Camões deixou escrita a gesta















