terça-feira, 29 de outubro de 2024

ÚNICA

Como um veio de água no deserto.
Como um diamante encontrado na Lua.
Como uma Rainha em trono republicano.
Como um quadro juntando o óleo e a aguarela.
Como uma poesia surrealista escrita por Camões.
Como uma flor solitária no altíssimo pico do Evereste,
desafiando o gelo e a rarefação do ar.
 
És única.
 
Nenhuma mulher se iguala a ti
E isso faz de mim o homem mais feliz do universo
Porque aceitaste um dia desposar-me.
 
29/10/2024

Fernando Henrique de Passos

O CERCO


O cerco terminou na minha aldeia.
Ela tinha ruas feitas de pântanos que percorri
como um navio sem rumo, sem vela condutora.
Os horizontes
cheios de negra fuligem esvaiam-me
e as palavras tombavam inquietas
onde os gestos hostis deflagravam.
Os fossos de silêncio eram chaminés
exaustas de escombros
que o céu não tocava temendo acordar-me.
 
Acordei na hora em que a enxurrada
procurava sufocar-me mais.
Vi o sol escurecer.
Nesse instante a tua palavra
ecoou como um sol que não quebra
mas inebria, que não rejeita, mas acolhe.
 
E os largos cercos ensopados de secura
que te envolviam também, caíram por terra.
E tu também acordaste.
A vida começava. Na incerteza e na certeza.
A vida imprevisível e fantástica.
Agora, já não era eu ou tu. Agora, éramos nós.
 
29/10/2024
                                   Teresa Ferrer Passos

sábado, 26 de outubro de 2024

E tudo se dilui e tudo se perde da imagem e tudo se desvanece numa triste e gasta tarde de outono. Aqui, numa fragilíssima e encantada pintura de Sousa Chantre.
                                                                                 T.F.P.
ATÉ OS TEMPOS...


até os tempos de uma simples nuvem são negros.
são negros. a cor de um universo
a cobrir os nossos rostos severos
sem devagar como se não nos reconhecesse
como se não soubesse quem somos.
entre as horas do susto soltam-se
os segundos do riso. frágil. inseguro.
aqui ninguém conhece o juízo da justiça
e todos gritam como se a conhecessem.
e todos sabem mais do que a justiça
e todos ignoram quem tem razão.
e o silêncio não se faz ouvir.
o silêncio é proibido julgam os vivos
ululantes e desavindos inconformados
e violentos nas suas entranhas a soltarem-se
em todas as frentes. isto vibra como obsceno.
não importa que o ódio crepite insolente
obstrutivo a romper o fel
dos fígados devorantes de uma palavra 
irradiante e que sopra para o alvo infinito
da liberdade de pensar na diferença 
das  almas perdidas dos corações
encurralados de tanto sentimento.  

26/10/2024
                          Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Marco Paulo (1945-2024)


Marco Paulo, um homem que foi capaz de transmitir sempre o seu coração, sem escondimentos, com uma abertura pouco vulgar, com uma alma capaz de mostrar a fé que o sustentava ao defrontar com toda a coragem a doença fatal que o atingia, até aos seus últimos momentos.

A morte não silencia, apenas apaga por instantes.

24/10/2024

T.F.P.

sábado, 5 de outubro de 2024

 


"DOM QUIXOTE", a personagem de Cervantes em que a liberdade (veja-se o capítulo 58 do volume II) e os valores ideais se tornam manifestação de "loucura" num mundo de injustiças, de hipocrisias e abominações, que parecem tudo dominar, sem sombra de derrota.

4/10/2024

T.F.P.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

interminável ritual?


 vejo ao longe gigantes em chamas

ou páginas de livros por escrever?

não! são apenas árvores doridas de cansaço e vertigem.

mulheres com baldes de água tirada de um poço correm,

e ouço a sua voz quase inaudível a dizer

que estão isoladas do mundo, lá, num além sem vivos.

ninguém, ninguém! pronunciam a custo

entre as nuvens de fagulhas da cinza,

entre borregos e ovelhas a tresmalharem-se, sem guia, 

que fogem das fogueiras rasteiras à terra 

e rentes ao céu, oh que altura! 

vejo o avanço das chamas com a rapidez

misteriosa de um vento agreste

que parece procurar ainda folhas frescas

e carne fresca que não come, mas devora

com sofreguidão.

Vejo ao longe um desespero pálido

a invadir as almas aprisionadas

no ar sufocante daquela visão infernal a entoar

gritos de medo e sem uma lágrima.

as lágrimas secaram depressa demais! o calor intenso sufoca!

vejo os corpos prostrados de luta e mágoa; 

já perderam a força capaz de vencer a morte

 e enrolam-se com as mãos a parecerem

folhas abafadas pelo fogo e pelo fumo. 

vejo as casas das aldeias perdendo os telhados

e as fotografias guardadas para sempre,

tornam-se um papel negro em que não está ninguém. 

Vejo que os troncos revestidos de negro,

continuam firmes na sua grandiosidade.

esperam ainda a frescura outonal?

e uma brisa suave ainda chegará a tempo

de os ressuscitar e devolver à vida?

24/9/2024

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 18 de setembro de 2024



Quando terminará este Terror ou Terrorismo de mais de uma centena de incêndios simultâneos, em áreas florestais repetidamente atingidas e sem melhores condições de progressão de incêndios do que outras?! Até quando esta praga continuará a abater-se sobre os bombeiros e civis que perdem as suas casas e até as suas vidas?! Até quando nada se faz para capturar os incendiários e aplicar-lhes pesadas penas?! Até quando se continua a não apoiar a construção de habitações para alargar as comunidades existentes em vez de as desprezar com o abandono ou com o desaparecimento de infra-estruturas sociais tão importantes para manter a vida das aldeias e das vilas e serem um apelativo para aumentar a sua população?
17/9/2024
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 13 de setembro de 2024



A propósito do post "Os portugueses do costume" no Facebook de Luis Castro Mendes, em 13 de Setembro de 2024, escrevi o seguinte comentário:

Uma constatação bem evidente é, sem dúvida, a inexistência de uma literatura rica, em Portugal, apesar das exceções, que confirmam a regra. São normalmente os mesmos escritores a receber chorudos prémios e a serem recenseados sempre pelos mesmos críticos literários. Trata-se de um panorama cultural muito restringido e, por isso, de temáticas e estilos sem mudança, sem inovação. Assim, se vai desvalorizando a cultura literária de língua portuguesa.

13/9/2024
                                            Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

 

O silêncio faz-nos escutar toda a humanidade abandonada, essa humanidade que ninguém quer ouvir para poder, pura e simplesmente, ignorar.
 12/9/2024                                                                                                                        
                                                          T.F.P.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

MAIS UM INSULTO À MULHER

É um erro grave de caráter semântico pelo significado redutor desta definição de mulher: "pessoa que menstrua". Só em relação a uma pequena parte do corpo da mulher é correta. É também um erro de caráter biológico-científico, pois a menstruação dura um período limitado de anos e não dura toda a vida da mulher, logo não tem expressão definidora do ser feminino. E, se fossemos por aí, a expressão homem deveria ser igualmente substituída pelo contrário, ou seja, "pessoa que não menstrua". Pergunta-se: Porque razão só a designação do género feminino foi alterada pela (OMS) Organização Mundial de Saúde?!
23/8/2024
                                                                         Teresa Ferrer Passos

TEMPOS IDOS QUE NÃO PASSAM

Memórias da infância. Memórias espantosas que não se perdem de nós, nunca. Delas partiu tudo o que viemos a ser, como se nada mais nos tivesse sido ensinado, fosse o que fosse. Que experiência rica se mantem viva e pronta a ressurgir, em cada dia que vivemos. E mesmo na velhice, aí estão essas memórias a rejeitar o esquecimento.
                
23/8/2024
                                                                                                                                     T.F.P.

sábado, 17 de agosto de 2024

LEMBRAR Mário de Sá-Carneiro



Postagem do poema "Quase" de Mário de Sá-Carneiro (in «Dispersão», 1915) no Grupo "POESIA em português" in Facebook em 15/8/2024:

Comentário de Teresa Ferrer Passos: «Dos melhores poemas portugueses de sempre! MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO».

Comentário de Anderson Cerqueira: «Sou brasileiro e gosto muito dos poetas portugueses, e gostaria de saber de sua opinião também, por que Antônio Gedeão não é considerado como um dos grandes de Portugal, sendo que é, pelo menos pra mim, um grande poeta?»

Comentário de Teresa Ferrer Passos: «A força da poesia vem da emoção e as emoções têm graus diferentes. Daí uns poetas serem excelentes, outros não chegarem tão alto».
(16/8/2024)
                        

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

UM POEMA



NASCENTE DE VIDA

À Teresa no dia dos seus anos

Nasceste! És nascente
e és trovoada
a soltar as águas
criando a corrente.
És tudo o que é vida
e não é dormente;
tudo o que desperta
e nos abre os olhos
à luz mais silente.
Tu és a promessa
dentro da semente;
o girar dos astros
firme e permanente;
o fulgir fugaz
da estrela cadente;
nas noites de Inverno,
a lareira quente.
Fundamentalmente
és luz e calor
de um dia de Agosto
repleto de amor
desde a manhãzinha
até ao sol posto.
Nasceste! És nascente,
nascente de vida
que me despertou!
A ti te dou graças
e a Quem te criou!

9/8/2024

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

ACERCA DA POLÉMICA que eclodiu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024

 "A Festa dos Deuses é uma pintura do artista holandês da Idade de Ouro de Utrecht Jan Harmensz van Bijlert", diz Jolli, o representante dos Jogos. Ora esta pintura é uma expressão mitológica com caráter burlesco, pois a figura central tem um resplendor, alusão à santidade da figura, o Cristo; as outras personagens comportam-se como se conversassem, gesticulando, como na "Última Ceia" de Leonardo da Vinci; há ainda uma nítida alusão à última ceia de Cristo e os discípulos ao colocarem-se num só lado da mesa, como acontece com o quadro de Leonardo da Vinci e com tantos outros pintores como a do holandês Jan Erasmus Quellinus (1634-1715). Estes pormenores do pintor Jan Harmensz, mostram à evidência que este quis parodiar a Última Ceia de Cristo, tal como o autor das imagens-quadro da cerimónia de apresentação dos Jogos Olímpicos Paris/2024. Até a perspetiva que é dada às figuras na mesa da "Ceia woke" mostra com marcada evidência o caráter caricatural ou paródico da imagem apresentada na Cerimónia de abertura destes Jogos Olímpicos. E como satiriza o pintor Jan Harmensz? Recorrendo à ultrapassada mitologia politeísta greco-romana que há longos séculos já ninguém venerava. O tempo dos ídolos morrera, mas não morrera para os pintores anti-cristãos que entendiam o burlesco, a troça, como o melhor meio de combater Cristo e os seus seguidores. Ridicularizar é uma forma de combate político e ideológico que continua na sociedade atual como se está a ver nesta cena "woke" na abertura dos Jogos Olímpicos.

Facebook 30/7/2024 (publicado em vários comentários)

Teresa Ferrer Passos

domingo, 4 de agosto de 2024

UM POEMA

HUMANA ILUSÃO  
   


quando o tempo passa sobre as folhas dos altos plátanos
da minha rua, o seu verde intenso perde-se e não volta.
a cor infringe a cor da relva,
mais verde que a esperança.
um avatar cobre-as de um amarelo frouxo,
perdido do sonho de ser eternidade.
incapazes de entender, pois entendimento não têm,
tornam-se um cavalo a romper o bosque denso.
 
cada folha de tom amarelo-baço
solta-se dos ramos e o vento lesto,
eleva-as como brinquedos
nas mãos de uma criança que o mundo
ainda desconhece.
 
ouço pela janela entreaberta o vento a uivar.
a força estonteia-o. de que poder dispõe?
vejo pela janela entreaberta os ramos contorcidos
e as folhas a soltarem-se.
impotentes rolam pela rua como se fossem
apenas um pouco nada, um impossível ainda a ser,
e são apenas um não-ser que espera ser.
 
olho a vida breve das folhas feitas
de avatares nem sonhados.
como se desvaneceu o brilho intenso das folhas?
perdeu-se apesar de assentes em magníficas árvores
de raízes fundíssimas. poderosas. imponentes.
 
agora, toco a certeza de que tudo vive envolto
em incerteza, nada se renova,
nada se perpetua, nada se fortifica.
esta a única verdade que nos dá a vida.
e resvalamos para o gosto da perpetuidade.
 
vivemos à espera da mudança grandiosa e dos louvores.
oh grande ilusão esperar poder subir mais alto,
sempre mais e mais, sem ver quanto tudo é precário.
oh perdição, oh vanitas, oh coisa vã, insana,
oh vão desejo, oh grande engano deste mundo.
deste mundo em que tudo é passageiro.  
 
4/Agosto/2024
                                                     Teresa Ferrer Passos 

 

 

                                                             

domingo, 28 de julho de 2024

PÁGINAS SOLTAS


   «Última Ceia», pintura do holandês Jan Erasmus Quellinus
(1634-1715)


«Num tempo de crenças cegas e de obediência estrita à letra da Lei, num tempo esquecido da magnificência de reis como Salomão, num tempo de belos cânticos sobre as Lamentações de Jeremias ou os Salmos de David, tudo o resto parecia inútil, desnecessário.

Em terras de Canaã, cada novo pensamento que eu transmitia nas sinagogas ou nas colinas eivadas de tamareiras ou de ralas pastagens, os desorientava logo que o comparavam com os rolos da Lei lida e interpretada nos lugares de oração pelos doutores do Templo.
(...)
As raras oportunidades de os doentes e os pobres se encontrarem comigo acabavam muitas vezes frustradas. Se me acabavam por ver e mesmo escutar, como era difícil descobrirem os mil e um sentidos das minhas parábolas, a procurarem chegar à sua linguagem de camponeses e de pescadores? Cheias de pequenos episódios, a serem ouvidas com o bulício das gentes que se amontoavam nas ruas, quem estava em condições para as manter na memória por muito tempo, tal como eu as tinha dito?

Se eu sabia que ao longo dos tempos, no estudo e na reflexão silenciosa, seriam decifradas essas pequenas histórias (acrescentadas, rasuradas e omitidas muitas das minhas palavras e até numerosos pensamentos revelados), como me custava ver aquelas simples almas, sem conseguirem compreender o essencial daquilo que procurava que chegasse mesmo ao fundo dos seus corações. Nada se podia alterar. Os homens e os tempos não podiam ser outros. Não podiam ser melhores do que os escolhidos por meu Pai. Se os escritos dos profetas tinham lapsos, deformações, erros, exageros e omissões que enganavam muitos tratados de sabedoria, era preciso elucidar o pouco que ficara de proveitoso das suas narrativas.

Na verdade, eu passava entre aquelas gentes para lhes transmitir a verdade. Sem pompa nem circunstância. Eu viera para esclarecer, para indicar os caminhos da verdade única.»
                                                                                  
     Teresa Ferrer Passos, «Jesus até ao Fundo do Coração», Hora de Ler, Leiria, 2021, pág.s 178-179.


sábado, 20 de julho de 2024

UM POEMA



O CAIS


                         Ao dia 2o de Julho de 1993


A aventura começa num nevoeiro espesso.
O cais de embarque tem tons de arrepio.
Ninguém prevê que com um tal começo
Possamos ir além das sombras e do frio.

Eu tenho razões para acreditar no dia
Pois tudo em ti é luz e é calor.
Mas trago em mim a noite doentia
Onde ameaça naufragar o nosso amor.

Felizmente, o cais de onde partimos,
Foi Deus quem o fez para nós dois.
É por isso que ambos já sorrimos
Às bênçãos que nos sorrirão depois.

O Mundo Novo que vamos alcançar
Chama-se Cura, Paz e Conversão.
Estar neste cais é já como chegar:
Tu estás com Deus, eu vou por tua mão…


20/7/2024

                              Fernando Henrique de Passos

UM POEMA


Ribeira de Alcantarilha em tempos idos


NUM DIA DE SOL


                           Lembrando o dia em que nos conhecemos, há 31 anos 


as sombras uivavam nas vitrines.
as porcelanas pareciam pintadas sobre vidas
em que a luz não vibrava mais que uma ondulação.

sentia-me arrastada por uma tarde desenhada pelo sol,
inclemente. a sede escorria dos meus lábios
ressequidos. uma insustentável fragilidade corrompia
os meus pensamentos a esvaziarem-se de sentido.

e eu silenciava uma grande incerteza que pesava
nos meus ombros habituados demais ao desânimo.
 
inesperado um relâmpago acendeu no ar pesado
uma luz estranha, uma luz quase apagada plantava
flores nos meus cabelos feitos terra e mar e vento.

um mundo renascia como se tivesse existido sempre.

afinal era um mundo que eu nunca vira antes
era um mundo com a novidade imensa
daquilo que nunca existiu, nunca foi alguma coisa,
nunca eu conhecera em tempo algum.
 
e eras tu, com a tua claridade branda e luminosa.
eras tu esse relâmpago e eu ainda não sabia ver-te.

20 de Julho de 2024

                                                    Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 12 de julho de 2024

MEMÓRIA

                              


                          


                                   

AS MINHAS CARTAS


                                      Com a saudade de minha mãe,
                                      desde o dia 11 de Julho de 1990


as minhas cartas escrevem a tua ausência que escorre
nas paredes da casa. Escrevem o teu olhar inscrito
em cada folha verde-musgo dos plátanos da nossa rua
e os dias caiados por asas rompem o ar que respirámos.

as minhas cartas tangem como sinos invisíveis para ti
nestas horas que me dizem que estás a ler-me
e a sorver-me, no teu além vivo como a vida
que te escapou apesar da tua incredulidade em perdê-la.

as minhas cartas longas perdem-se 
ainda embebidas na alegria das tuas horas cor de rosa
e extasiadas no perfume dos goivos e dos gladíolos vermelhos
que acariciavas com os dedos entorpecidos de dor.

as minhas cartas deslizam sem saber nas águas do rio
onde moras e onde passas com uma ondulação mansa
à procura da minha presença eclipsada 
porque as tuas palavras já não escuto.
 
11 de Julho de 2024

                                            Teresa Ferrer Passos