domingo, 6 de outubro de 2019

Cântico das criaturas


1 Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
2 A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar e nenhum homem é digno de te nomear.
3 Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia.
4 E ele é belo e radiante, com grande esplendor: de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
5 Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e as estrelas: no céu as acendeste, claras, e preciosas, e belas.
6 Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento e pelo ar, e nuvens, e sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento.
7 Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil, e humilde, e preciosa e casta.
8 Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual alumias a noite, e ele é belo e jucundo e robusto e forte.
9 Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras.
10 Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor e suportam enfermidades e tribulações.
11 Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz, pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
12 Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a morte corporal, à qual nenhum homem vivente pode escapar.
13 Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Bem-aventurados aqueles que cumpriram tua santíssima vontade, porque a segunda morte não lhes fará mal.
14 Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.
Francisco de Assis
   
(in Fontes Franciscanas, I - S. Francisco de Assis Escritos, Biografias, Documentos, Editorial Franciscana, Braga, 2017, pág. 88)

Novos Cardeais, novos caminhos...


«Temos consciência da compaixão de Deus por nós?»
Interrogação do Papa Francisco, na cerimónia solene da imposição das insígnias cardinalícias aos treze novos Cardeais, entre os quais se contava o português arcebispo D. José Tolentino de Mendonça, Director da Biblioteca e Arquivo do Vaticano, o Poeta-Teólogo, a quem o Pontífice se dirigiu nestes carinhosos termos: «Tu és a poesia». 
Na sua eloquente homilia, Sua Santidade indicou aos Cardeais o exemplo a seguir, afirmando: «Esta consciência era o estado permanente do coração imaculado da Virgem Maria, que louva a Deus como seu ‘Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva’ (Lc 1, 48)”». (...) «Concretamente: Tenho compaixão pelo irmão tal, pelo bispo tal, pelo padre tal? Ou sempre destruo com a minha atitude de condenação, de indiferença?». Exemplo maior, o exemplo da Mãe de Deus. 
Teresa Ferrer Passos

(Fonte: Vatican News 5/10/2019)

sábado, 5 de outubro de 2019

Poema azul


Não olho para baixo,
para o que é pó cinzas e nada.
Olho para o alto que não tem pó nem cinzas 
e que é tudo. O tudo está aí, num céu azul
pleno de uma luz fecunda,
luz que fecunda a nossa perda.

5/10/2019 
                                        Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Um poema


AMOR

Que palavra redonda e delicada,
Que fruto doce e colorido,
Tão diferente do fruto proibido
Como das trevas difere a madrugada.

Que amanhecer de cores entre a verdura,
Que estremecer de folhas tão secretas
Que escaparam à monda dos poetas
E te ornamentam agora a formosura.

Que luzes fantásticas de Outono,
Degraus de sol da larga escadaria
Da qual foi dito que um rei a subiria
E que Eros-Rei sobe hoje até ao trono!

                      Fernando Henrique de Passos

(in Teresa Ferrer Passos e Fernando Henrique de Passos, A Montanha ou a Peregrinação do Amor, Hora de Ler, Leiria, 2019, p. 53)

* * *

«Que luzes fantásticas de Outono», lindo!»
   
Teresa Ferrer Passos 

«29 de Outubro de 1993, a data que esta poesia celebra, bem no meio do Outono...»
   
Fernando Henrique de Passos

«O dia da tua revelação do nosso futuro namoro, já à beira do noivado, a soltares-te, de súbito, de todos os outonos, com palavras a transformarem-se na mais límpida poesia.»
   
Teresa Ferrer Passos

«Um Outono que mais parecia uma Primavera...»
Fernando Henrique de Passos


(Comentários no Facebook, 4/Outubro/2019)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Outubro

Um poema: 



a página

A página roxa destes dias
fez crescer flores amarelecidas
e folhas a perderem-se ressequidas
no meu coração desalentado.
Tinha uma porta entreaberta.
Então, vi-te lá dentro
de braços abertos a chamar-me…
A página roxa destes dias tinha
a página branca à minha espera.
E comecei a escrever-te em mim…


                                Teresa Ferrer Passos

(in Teresa Ferrer Passos e Fernando Henrique de Passos, A Montanha ou a Peregrinação do Amor, Hora de Ler, Leiria, 2019, p.19)

* * *


Dias de sol esplendoroso nuns lugares e a fecharem-se em nuvens densas de negro em outros; tudo isto tanto por dentro como por fora de nós, pobres criaturas incapazes de ir mais longe e mais fundo e esmagar o mal.
    3/10/2019 (texto também publicado no Grupo Letras e Aguarelas, in Facebook, 4/10/2019)                                                                                                     
                                                                                       T.F.P.

* * *

Um homem velho é como uma folha seca que insiste em esvoaçar, satisfazendo-se mesmo com o vento mais arrasador que o cerca.
   
3/10/2019
                                                                                                                                 T.F.P.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A verdadeira fé

A Virgem Maria com o Menino Jesus

Tem uma verdadeira fé aquele que nada o guiando, vê mesmo assim, seguindo sem interrogar. 
  
2/10/2019
  
T.F.P.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

«Sem pretensões de posse única da verdade»?

Considero esta expressão uma contradição à mensagem de Jesus Cristo: «Sem pretensões de posse única da verdade» Trata-se de um artigo de Enzo Bianchi intitulado «Escutar o grito dos povos indígenas», publicado em Mensageiro de Santo António, edição internética). Lembro apenas duas frases de Jesus, o Filho de Deus: “Ide levar a Boa Nova (o Evangelho) até aos confins do mundo”(Mt 29, 18-20, etc); e não deixou de dizer também: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6, etc). Jesus é a Verdade e a Sua Verdade só pode ser única. Por isso, devemos levá-La até todas as periferias do mundo para que todos A possam seguir. Devemos transmiti-La, num espírito de fraternidade com os povos indígenas, para que aqueles que A não conhecem possam segui-La e Salvar-se. Mas terão sempre a liberdade de não A seguir.

 1 de Outubro de 2019

Teresa Ferrer Passos (comentário publicado em Mensageiro de Santo António)

domingo, 29 de setembro de 2019

folhas no outono



o tempo de uma folha não tem memória.

nas raízes a saírem das árvores
tombadas entre os tempos
mortos de tanta espera, vejo o fundo.

tudo se mostra efémero e velho
como se fosse uma folha enrugada e seca.

há uma chuva ácida que alaga os rios
e eu procuro a sede infinita que já os define
na sombra das folhas a soltarem-se.

o que espero do outono do mundo?
o silêncio escrito nas folhas ressequidas.
Sinto que o tempo calou-se de súbito
e não sei se para sempre
  
29/9/2019
                         Teresa Ferrer Passos

* * *

A morte é um destino que devemos defrontar com a naturalidade das árvores que podem durar muitos anos, das folhas que morrem todos os anos. Olhar as folhas tão frágeis e tão inteiras enquanto existem, mesmo depois de se enrugarem e caírem e serem pisadas pelos nossos pés e arrastadas em fragmentos até ao nada... Como a natureza nos ensina a olhar a morte sem a rejeitar, antes a pensando como um bem que surge precisamente, quando a nossa presença aqui terminou.
   
1 de Outubro de 2019

T.F.P.

sábado, 28 de setembro de 2019

Poema de Fernando Henrique de Passos

ENTRE AS COLUNAS DE UM VELHO TEMPLO GREGO
("thinking is the best way to travel")


Falo com as árvores sem abrir a boca.

Aprendi palavras de silêncio
Que lhes entram na alma de mansinho
E que elas retribuem com zumbidos
De insetos que as usam como casa.

Depois penso nelas quando o sol se põe
E sonho que me ensinam a sonhar.

10/9/2019
                         Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A violência doméstica

"Está na altura de dizer basta. São muitos casos. (…) Por isso vamos realizar várias iniciativas e uma delas será o lançamento de uma petição para este assunto da violência doméstica subir à Assembleia da República".
D. Jorge Ortiga (Twitter, 25/9/2019 )

Sem dúvida, há que dizer «basta»! Há que ver o que está errado na educação dos jovens, o que é preciso reformular nas relações entre mulher e homem, o que é necessário refazer nos meios de comunicação social, incluindo a internet, que projectam filmes, videos, etc, que conduzem ao aumento da violência.
Teresa Ferrer Passos (Twitter, 26/9/2019)

O segredo e a alegoria

«Sou cristão mas para mim a parte mais importante da Bíblia é a lenda de Adão e Eva. Jesus Cristo veio ensinar aos degredados o Caminho de regresso a Casa. Mas o degredado excessivamente curioso, o que quer saber em primeiro lugar é a razão do degredo. Que segredo se oculta por detrás da alegoria do Jardim do Éden?»
Fernando Henrique de Passos (Facebook, 27/9/2019)

«O segredo que ainda ninguém desocultou porque é mesmo um segredo que o Homem transporta em si até, pelo menos, àquilo a que chamas "o Caminho de regresso a Casa". A lenda de Adão e Eva possui inscrita uma página de amor entre um homem e uma mulher, a divisão, a entrega, a comunhão ou a procura da liberdade de serem um só.»
Teresa Ferrer Passos (Facebook, 27/9/2019)

«Porque é que nunca pensamos na história de Adão e Eva como uma história de amor? Parece que só vemos ali maldade e perfídia, quando no fundo talvez só tenha havido inocência e ignorância.»
Fernando Henrique de Passos (Facebook, 28/9/2019)

terça-feira, 24 de setembro de 2019

(para Maria), poema de Carlos Lopes Pires

Um poema acabado de receber (e-mail de  23/9/2019):

(para Maria)

se te desse o meu coração
dar-te-ia também uma estrela
e uma fotografia muito pequena
onde estivéssemos
só tu e eu
tu e eu muito parados
sem mexermos os olhos
ou as mãos
iguais às cadeiras
e à luz quieta na sombra
dos móveis
para que assim
pudesses recordar-me
quando eu já não esteja

Carlos Lopes Pires

As crianças e os adolescentes rumo à revolução das alterações climáticas?

A ativista sueca Greta Thumberg,
discursando na Cimeira do Clima,
 ontem, em Nova York

«Há mesmo uma revolução a empreender pelos mais jovens? Ou a revolução pretendida é dos mais velhos a usar os mais novos para os seus fins? De um modo imediato, quem vê nas televisões globalizadas Greta Thumberg, parece ver uma "marioneta" de determinadas forças politicas que estão interessadas em atacar um determinado sector mundial do capitalismo, em benefício de outro que pode não ser menos explorador e nefasto. Seria bom estudar que interesses escondidos estão por detrás de Greta e dos seus seguidores, milhares de jovens. «Roubaram-lhe os sonhos», disse. Mas quem lhos roubou e que sonhos? De que está a falar, neste desabafo, Greta, de olhar triste, aos dezasseis anos de idade?»
Facebook, 24/9/2019

«Como é que aparece esta adolescente a representar a revolta dos mais jovens, quando nunca lhe interessou a dor, o sofrimento e a morte de milhões de crianças e jovens, vítimas do grande capital dos Trusts e cartels que dominam o mundo e que permitem uma sociedade da abundância e uma sociedade pobre, sem presente nem futuro?...
Facebook, 26/9/2019

«Mas porque razão, num mundo a carregar o peso de tanta injustiça social, em sectores da mais extrema pobreza material e cultural, só surge a revolta da juventude a levantar-se a propósito das alterações climáticas de que são responsáveis as revoluções industriais, iniciadas no séc. XVIII? Esses jovens adolescentes não têm conhecimento das injustiças gritantes de um capitalismo desenfreado a querer, sempre e ainda, aumentar os seus lucros com novos negócios a partir de outras fontes de energia? Terá alguma exequibilidade suspender esta civilização assente no "motor de explosão", só agora? Como suspendê-la ainda a tempo de evitar o inevitável? Como escrevia Carl Sagan em «Biliões de Biliões» (Gradiva, 1998), publicado há mais de 20 anos, já não vamos a tempo de parar o tempo. O mal que está feito é irreversível, a não ser que voltemos à Pré-Historia. Essa talvez fosse mesmo a melhor solução para as crianças, os adolescentes e os jovens, como a Greta Thunberg».
Facebook 25/9/2019

«A toda essa falsa ideologia do Império Global foi-se acrescentando lentamente, de um modo quase imperceptível, a perda da capacidade de imaginar e de inventar e de descobrir novos caminhos, ou sequer de encontrar outros meios para alcançar a felicidade, sem máscaras feitas de muitas simulações» (Excerto de Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8 (narrativa ficcional), Harmonia do Mundo, 2007)
Facebook, 28/9/2019

Teresa Ferrer Passos

***




terça-feira, 17 de setembro de 2019

A cabeça da serpente representando a cabeça de Cristo?!


Uma imagem diabólica! A diabolização de Cristo?!É, no mínimo, muito estranho que a cabeça do crucificado, O Cristo, seja representada pela cabeça da serpente, símbolo do mal. O próprio “resplendor” é uma parte da serpente. E esta envolve o corpo de Cristo, Jesus, em vez do contrário: Cristo a vencer o mundo do pecado (“Eu venci o mundo”). E poderia dizer-se muito mais, mas estes pormenores desconsiderados pelo Papa Bento XVI (monumento visitado numa viagem à Jordânia), são graves para o pensamento de um Cristão, neste caso, a servir de introdução a um texto da autoria de um Franciscano e publicado em Mensageiro de Santo António (edição internética).
   
Comentário que publiquei em 17/9/2019, em resposta a esta postagem escultórica e artigo alusivo em Mensageiro de Santo António (edição internética)
Teresa Ferrer Passos

sábado, 14 de setembro de 2019

Animais travestidos de pessoas?!



Acerca do PAN: Uns quantos imbecis estão a conquistar terreno eleitoralista (Eleições para a A.R., a 6 de Outubro), porque mesmo sendo um disparate o seu programa, possui a "virtude" de ser novidade; e logo a novidade penetra na Comunicação Social que lhe dá um espaço de audiências tão largo, que, mesmo aqueles que lhe eram indiferentes, perdidos pelo espanto, cedem à chamada, pelo medo de poderem ser acusados de não aceitar o desafio da novidade.
14/9/2019
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Paraíso

«O Paraíso é homogéneo. É a Paz da Realidade liberta dos nossos medos e desejos, que a enchem de arcos e volutas, de torcidos e tremidos».
Fernando Henrique de Passos, Facebook,12/9/2019

«E pode logo começar, porque não, no mundo. Basta a nossa liberdade construir a paz».
Teresa Ferrer Passos, Facebook, 12/9/2019

A cruz da generosidade

«A cruz significa abnegação, esvaziamento de si próprio para que Deus e os outros tenham todo o espaço, e para que nós possamos depois recuperar-nos exatamente nesse espaço que é de Deus e dos outros».
Cardeal Manuel Clemente, Twitter, 11/9/2019


«Se o nosso espaço está aberto, Deus e os outros podem entrar em nós e a nossa inicial cruz de sofrimento passa a ser um sinal de alegria. Como diz D Manuel, "para que possamos depois recuperar-nos"».
Teresa Ferrer Passos, Twitter, 12/9/2019

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

"Não há factos, há interpretações"?!


«"Não há factos, há interpretações".
O filósofo Maurizio Ferraris comentava:
"Frase poderosa e prometedora, porque oferece como prémio a mais bela das ilusões: a de ter sempre razão, independentemente de qualquer desmentido" [...].
Mas no fim de tudo vale uma interrogação que o mesmo Ferraris lança ao leitor: "Que coisa poderia ser um mundo, ou até simplesmente uma democracia, em que se aceitasse a regra de que não há factos, apenas interpretações?"».

in Cardeal Gianfranco Ravasi «"Fake news": Do Génesis à Internet» Il Sole 24 Ore (Fonte: Internet, Pastoral da Cultura) 

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Um poema inédito enviado pelo autor



Biblioteca Apostólica Vaticana
ALEXANDRE VARGAS

( convoco, para a Musa minha, o Ás de Ouros )

Alexandre, meu divo, ó Tu que imperas,
Que és o primo, és primeiro sem segundo,
Ó Tu que mitigaste, bem facundo,
As catervas, as furnas e as feras;

Ó Tu que em vida Páfia, nas Citeras,
Foste azul, foste o canto e Clarimundo,
Sobre a terra Tu verte, forte e fundo,
A Cruz, e a quimia das quimeras.

Se em rosas transmudaste o «Karma» e cardo,
Em «Luna» Tu volveste o pólo e Pã.
Perene, alquimizaste o Leonardo,

Coimbra, na canção duma Sertã,
E grande e luminar, Tu foste bardo:
O «Xande», e eis na música o Xamã.

Que Luz, 08/ 01/ 2019

ALEXANDRE, QUI ES IN CAELIS

                            Paulo Jorge Brito e Abreu

domingo, 1 de setembro de 2019

Futuro Cardeal português


«Mas não, não é luar; é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo»
Fernando Pessoa, Mensagem


D. José Tolentino de Mendonça foi nomeado Cardeal pelo Papa Francisco, hoje, um ano depois de ter recebido o cargo de Arquivista e Bibliotecário do Vaticano, na qualidade de arcebispo. A nomeação terá efeitos a partir de 5 de Outubro, dia da cerimónia oficial de investidura. Os méritos teológicos, o seu sentido da inovação, o seu alto saber e o culto espontâneo e exímio da oratória que cultiva de modo invulgar, não terão sido indiferentes ao Pontífice. Ao acto estará presente o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa em representação de Portugal.

1 de Setembro de 2019
Teresa Ferrer Passos

Folhas de luz


As folhas caem agora
Rebolam nos passeios
Douradas de alegria partem com o vento
Para onde?
Cumpriram as horas verdejantes
Imbuídas de vigor estão
Tombadas e íntegras
Outras irão nascer mais tarde
O tempo é de espera
A vida aqui está
À espera

É Setembro

1/9/2019
                             Teresa Ferrer Passos

sábado, 31 de agosto de 2019

Na morte de Carlos Carranca


Carlos Carranca já doente

Carlos Carranca, o grito imenso da ternura

O Carlos Carranca era a generosidade pura, nada era premeditado, tudo saía dele com uma naturalidade impressionante! O bem vivia nele, sem querer apenas parecer. Ele era aquilo a que podemos chamar a própria fraternidade. Ele era uma alma aberta de par em par, sempre pronto para nós e sem esperar nada de nós! A sua abertura ao próximo era toda feita de autenticidade!
E como é difícil, no nosso tempo, tão apressado, tão indiferente, tão mesquinho, conhecermos uma personalidade como a de Carlos Carranca, com um tesouro no coração todo feito de bem. Quanta dádiva não lhe agradecemos, quanta lembrança esquecemos, quanta ausência não lhe oferecemos? Como é difícil retribuir tudo quanto nos deu, tudo quanto pôs no nosso regaço, nas nossas mãos desabituadas a que nos dêem seja o que for, desabituadas da força da solidariedade, já mesmo sem esperar o impulso da fraternidade.
O silêncio é a morte. Silencioso agora. Estranhamos. Como pode ser isso? As suas palavras escondem-se de nós, com certeza. O seu sorriso terno deixa de ser visto. Mas a sua transparência, cheia de irreverência, vive em nós, e, o seu eu cresce estilhaçando os nossos ouvidos. Deixámos de o ouvir, mas o som dos seus gestos bons ecoa em nós, como se nos dissesse ainda: Onde estão? Eu, estou aqui!

Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 30 de agosto de 2019


UM HOMEM BOM

                   À memória de Carlos Carranca 

sempre que morre um homem bom 
a terra fica mais pobre

a água dos rios abranda os seus ímpetos
os oceanos perdem um pouco da sua frescura 
o sol tem um brilho menos intenso 
e a terra estremece de susto

mas o céu, esse, eclode de alegria

um anjo assoma à sua porta
um novo ser cheio de vida
novíssimo como uma criança

a oferecer-lhe o seu maior tesouro
a sua centelha de bem.

30/Agosto/2019 

                                               Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

À memória de Carlos Carranca


«ORAÇÃO»
dedicado a Miguel Torga,
um poema de Carlos Carranca publicado
na «Gazeta de Poesia do Mundo de Língua Portuguesa»
Especial Torga/Número 5, 1995, pág.67:

«- Liberdade... reza o Poeta
E na oração
os deuses que são homens
e mulheres,
de pé, braços no céu,
velam pela terra.»
*
Aqui re-publico, numa pequena homenagem a Carlos Carranca, este poema «Oração» da sua autoria, que hoje mesmo tinha publicado na sua página do Facebook, seis horas antes de saber do seu falecimento.

29 de Agosto de 2019
Teresa Ferrer Passos*

* Foi Carlos Carranca que me propôs a ideia de um número especial da revista ser dedicado a Miguel Torga, recém-falecido, e a própria capa da autoria do pintor Isolino Vaz, foi uma escolha sua.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

28 de Agosto de 430 - No dia da morte do filósofo e teólogo Agostinho de Hipona


Santo Agostinho e a Mãe de Deus:

Santo Agostinho considera que Maria é um «molde de Deus». Assim, encontrado um molde perfeito, pela carne de Maria e pelo Espírito Santo de Deus, Jesus ganhava a sua humanidade e não perdia a sua divindade. E Deus nasceu para Salvar a humanidade, conhecendo-O e seguindo-O.

        Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Plantemos árvores




A atmosfera é largíssima e mesmo que alguns dos grandes pulmões florestais do mundo desaparecessem, haveria sempre as árvores de fruto, os vegetais, as flores, a tundras, as plantas rasteiras, a erva... e o mar que possui oxigénio para alimentar a fauna e a flora marinha, uma reserva para a humanidade. Plantar árvores, muitas, mas pequenos bosques, serrados, espaços para produção de madeiras, ao lado de zonas de cultivo alimentar, legumes, pomares e silvados para o gado... Quanto há a fazer para evitar grandes incêndios florestais de dimensões imensas e em lugares inacessíveis, por isso, incontroláveis!
26/8/2019
T.F.P.

domingo, 25 de agosto de 2019

O fogo e o mundo a cruzarem os seus caminhos sem saída

O fogo que tem salpicado Portugal, um pequeno pinhal à "beira-mar plantado", nos últimos anos, é um entre todos os fogos que salpicam o mundo com cinzas, com dor, com morte! Aqui, ou na Amazónia ou em Angola ou no Congo ou na Indonésia, é um lento apagar-se do planeta chamado terra, controlado pelas brilhantes, quanto maléficas, mentes humanas. O pecado do mundo não está só na Amazónia.
25/Agosto/2019
Teresa Ferrer Passos

sábado, 24 de agosto de 2019

A educação da criança


É preciso respeitar a identidade de cada criança que nasce mulher ou nasce homem, de acordo com as leis biológicas da natureza que a formou.
T.F.P.

Acerca da ideologia de género e dos seus defensores:
1. «O processo de identificação é dificultado pela construção fictícia de um ‘género neutro’ ou ‘terceiro género’. Desta forma, é toldada a noção de sexualidade como uma qualificação estruturante da identidade masculina e feminina. A tentativa de superar a diferença constitutiva do masculino e do feminino, como acontece na intersexualidade ou no transgénero, leva a uma ambiguidade masculino e feminino que, contraditoriamente, pressupõe a diferença sexual que se pretende negar ou superar. Essa oscilação entre masculino e feminino, torna-se, no final, apenas uma exposição ‘provocadora’ contra os chamados ‘esquemas tradicionais’, que não leva em conta o sofrimento daqueles que vivem em condição indeterminada’.»

Excerto de Homem e mulher os criou, documento datado de 11/6/2019, publicado pelo Vaticano sobre a "ideologia de género", contestando quem pretende eliminar a diferença homem-mulher.

2. «Afirmam que o ser masculino ou feminino não passa de uma construção mental, mais ou menos interessada e artificial, que, agora, importaria desconstruir. Por conseguinte, rejeitam tudo o que tenha a ver com os dados biológicos para se fixarem na dimensão cultural, entendida como mentalidade pessoal e social. E, por associação de ideias, passou-se a rejeitar a validade de tudo o que tenha a ver com os tradicionais dados normativos da natureza a respeito da sexualidade (heterossexualidade, união monogâmica, limite ético aos conhecimentos técnicos ligados às fontes da vida, etc.). É todo este âmbito mental que se costuma designar por ideologia do género».
Excerto da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa (Fátima, 14/11/2013)

domingo, 18 de agosto de 2019

Perdição


"Melancholy" de Albert György (2012)
(Lago Léman, Suiça)

O homem que não vê a sua alma, descobre o nada que o habita. Lá dentro só restam imagens fugazes sem memória.
18/8/2019
Teresa Ferrer Passos


terça-feira, 13 de agosto de 2019

A reconciliação com todos os irmãos


"Coroação da Virgem", pintura
 de Gentile da Fabriano (1370-1427)
[parte da sua obra foi destruída]


«Quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta»

«Procura reconciliar-te com teu adversário»

Mt 5, 23-24

A reconciliação com o adversário precede o ato de culto a Deus, disse Jesus. Eis um dos princípios da Nova Justiça. A Lei inscrita no coração seria eficaz. Não o era aquela que se inscrevera na pedra de Moisés.  
13/8/2019
T.F.P.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

«O Poeta é um fingidor»?

Maria do Carmo Sequeira: – O Poeta é um fingidor?Disse-o Fernando Pessoa, repete-o RUI KNOPFLI

Teresa Ferrer Passos: "O poeta é um fingidor", disse um dia Pessoa, a frase é contestada por alguns, devido à ambiguidade da palavra fingidor.

Maria do Carmo Sequeira: Finge a dor... mas uma dor que deveras sente.

Teresa Ferrer Passos:Pois é, mas há quem não leia com o sentido que muitos lhe atribuem (veja-se o artigo do poeta Carlos Lopes Pires, «Poesia: O Sortilégio de Dizer o Indizível» in revista «Gazeta de Poesia do Mundo de Língua Portuguesa», número duplo 3-4, Outono/Inverno, 1994, pp. 40-41). Talvez se possa fazer uma leitura de "a dor que deveras sente" como sendo também um fingimento, ao dizê-lo. Há uma certa ambiguidade nesses versos. Mas, a ambiguidade é uma das especialidades de Pessoa. Cara Maria Do Carmo Sequeira: aqui acrescentei algumas passagens de Carlos Lopes Pires (in «Poesia: O Sortilégio de Dizer o Indizível» in revista «Gazeta de Poesia do Mundo de Língua Portuguesa», número duplo 3-4, Outono/Inverno, 1994, pp. 40-41): «A poesia revela o rosto do que é importante, do que vive para além ou sob as aparências»; «Como pode a poesia tratar do fingimento? Não. O que a poesia faz, também, é recuperar os fragmentos, os pedaços vividos, gastos e consumidos na sua perenidade temporal»; «Como pode a poesia tratar do fingimento? É que é ainda por esta rua de luminosas e fraternas janelas que os poetas se indignam com as misérias do mundo humano»

Maria do Carmo Sequeira: Há sempre traços de ironia e de ficção na sua poesia...Não podemos pedir.lhe "verdade".

Facebook, 12/8/2019

Apontamento de Fernando Henrique de Passos:  
   
                       Acerca de "Pessoa e a verdade"
      
A Realidade tem dois lados - “Este Lado” e o “Outro Lado” - e, como nos ensinou Platão, o segundo é mais real do que o primeiro, se bem que o primeiro seja (muito) mais visível do que o segundo. 

Mesmo assim, ao longo da História sempre houve pessoas com o dom de terem acesso ao Outro Lado da Realidade. Conforme o grau e a modalidade desse seu acesso ao Outro Lado, e, sobretudo, conforme a forma que usam para transmitir o que “veem”, essas pessoas podem ficar conhecidas (por ordem alfabética) como cientistas, filósofos, loucos, místicos ou poetas, embora nem de perto nem de longe todas as pessoas conhecidas segundo alguma destas designações (exceto os místicos) pertença à categoria dos “visionários”.

Fernando Pessoa era um destes visionários, e por isso havia mais verdade naquilo que escrevia do que há nas coisas e nos factos de que todos os dias os nossos sentidos são testemunhas.
   
13/8/2019

Fernando Henrique de Passos


Sardinheiras

Uma flor é uma bênção para olhar.
   
12/8/2019
     
                                                   T.F.P.

Na casa, está o nosso dentro


Se colocamos nas pessoas amadas o nosso ser, às casas enchemo-las do nosso ser também, com o nosso estar aí, com as nossas ações, os nossos gestos, as nossas coisas predilectas.
12/8/2019
T.F.P.