sexta-feira, 29 de março de 2019

Acerca da poesia e de como a interpreta Carlos Lopes Pires

I - A POESIA EM DESCONSTRUÇÃO de Carlos Lopes Pires


vi-te passar no céu
do meu quintal.

tu tens o dom
das coisas leves

das que seguem a luz
e nos trazem
a direcção da noite

tu moves
-o que não alcanço

Carlos Lopes Pires,
aquele que não ouvirás mais, p.69

Um panteísmo interior habita a poesia-síntese de Carlos Lopes Pires: o anátema interiorizado e a matéria arduamente construída, é uma representação-Deus, ou, somente um concretismo-natural a esmagar cada palavra, ou a exaltá-la a cada instante vivido ("naquele tempo / os homens tocavam / as estrelas que há na água", p. 36). 

Entre o gesto e o silêncio há uma oração, entreabrindo-se na busca da sacral realidade dos dias. Entre o nihilismo e a emoção das origens, o poeta extasia-se perante o vento, a chuva, os peixes, as árvores ou o pequeno gato da carícia ("não há números para ti // não há palavras / que possam encher / o livro da tua ausência"(p. 104)).

Sente-se a submergir na terra húmida demais. A deceção é um fim. E o poeta escreve-o. Como no barco de Caronte, ardente de uma novidade feita de "folhas secas" e à espera de um emudecido "calendário", Carlos Lopes Pires oferece-nos Aquele que não ouvirás mais (Hora de Ler,  Leiria, 2019). Estamos ante uma grande metáfora da inquietação transfigurada em poema, a abranger sentidos imprevisíveis e opacos, num mundo que perece por dentro, e se desconstrói no desasossego, "tão longe dos lugares", tão próximo do poeta.

Facebook, 21/3/2019 (alguns dias depois de ter recebi do autor o citado livro)


Teresa Ferrer Passos


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II - ACERCA DA POESIA

Ou de como a interpreta Carlos Lopes Pires

(na Apresentação do seu livro 
  
aquele que não ouvirás mais)

A distinção que CLP faz entre aquela que denomina "poesia da literatura" e a "poesia que não é arte", 0u seja, a poesia "anti-literária" ou "anti-arte", diremos nós - a própria poesia de CLP - possui um equívoco de raiz. Diz CLP: "Os poetas da literatura recorrem a técnicas que lhes permitem, ilusoriamente, representar a realidade, e por isso realizam um fingimento". E, mais adiante, CLP acrescenta: "A poesia de que falo não é arte"(arte é a sua própria poesia). A sua própria poesia "não representa, não finge, nem mimetiza a realidade. Ela é realidade".

Estas considerações de CLP esquecem que há uma única realidade, mas, com outros reais dentro dela. De facto,  quer a primeira, a "poesia da literatura", como a segunda, a "poesia anti-literária" - a poesia que CLP diz fazer -, só podem ter uma finalidade, a finalidade criativa (imaginativa).  O objetivo é comum. E essa finalidade mútua, é a transgressão, o desvio, uma realidade que toca um real de raspão e sem o mimetizar, sem o imitar. Uma e outra realidades ("a poesia da literatura" e a poesia que se lhe opõe, "a poesia que não é arte", ou seja a poesia de CLP), têm o ponto comum de entrar em choque com a realidade concreta - visível, sensorial, matéria viva. Por isso não são antagónicas, mas uma só arte ou, no caso da poesia, literatura.

A poesia, precisamente se mimetizar, se só se revestir de representação da realidade, de uma realidade única, não é literária. Ora, a poesia é literária se acrescentar uma nova realidade à que lhe serve de cenário. Mesmo dentro da realidade material há um mundo vasto de objectividade e de subjectividade ("louvo o teu silêncio/tão longe dos lugares/e ruídos deste mundo.// o que nele se move/estranho a tudo o que é deserto//e o que nele se ausenta/de casas ruas sombras insetos//pois tudo/de ti se alimenta/de uma longa imensa ausência" (Carlos Lopes Pires, aquele que não ouvirás mais, p. 71). Só assim esse mundo pode subdividir-se ou globalizar-se, reduzir-se ou alargar-se. 

Esse mundo poético será um dos mundos reais possíveis, mais ou menos bem urdido ("acredita nas árvores//que mesmo sem frutos/são sinceras/contempla as árvores//pois um dia/seremos todos/como elas" (Carlos Lopes Pires, Ob.cit., p. 25). A representação (ou artificialismo, como parece crer CLP) não é "uma técnica de fingimento". Veja-se que, mesmo o fingimento não é absoluto, como nos sugere Fernando Pessoa no poema «Autopsicografia»: "O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente." (Obras Completas de Fernando Pessoa I Poesias, 2ª edição, Ática, 1943, p. 237).

Se recorrermos a Herder (Ensaio sobre a origem da linguagem), poderíamos dizer que a linguagem é o espírito da matéria porque não a imita, não finge, antes é uma constante transgressão, um contínuo não à realidade imediata das coisas. Lembro-me também de Foucault e a sua obra As palavras e as coisas. Umas e outras não se confundem, são autónomas, com identidades próprias, com princípios de origem e de finalidade que poderíamos opor. 

"A poesia que não é literária é a realidade", sublinha CLP. Nós diríamos que a poesia é uma realidade, quando considerada literária. Porque, a literatura é toda ela uma transgressão (e não o contrário, como diz CLP); ou, se não o é, então, é uma ausência de nova realidade, ou seja, de uma nova verdade própria, nas suas vertentes poética, do conto ou do romance. Ou se cria uma nova verdade ou caímos numa terrível falácia existencial que se traduz num poema, num conto ou numa peça de teatro.

De realçar, será a fenomenologia de Husserl, na qual podemos aperceber-nos de que sem a dimensão da consciência, a realidade objectiva esvaziava-se de sentido(s). Ora, a poesia literária ou arte é uma realidade subjectiva, precisamente porque cria uma realidade que não existia, uma realidade em si mesma, uma realidade fictícia (ou "artificial", na expressão de CLP).

Porém, mesmo essa poesia literária, ainda que CLP não o admita, é-nos oferecida pela poesia literária e pela poesia do CLP à qual ele prefere chamar "não literária", porque não inclui "a arte", mas "o desvio", "um mundo de transgressões", "uma marginalidade". Mas não será tudo isso mesmo que define a poesia literária ou arte? 

28/3/2019 (o texto de Apresentação do livro citado, que nos foi enviado pelo autor, foi lido em Moinho de Papel, Leiria, em 23/3/2019).

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 27 de março de 2019

Violência interior e santidade

É pela violência da santidade que se entra no céu, lembrou Jesus Cristo. (confrontar com Mt 11, 12)
26/3/2019 (Facebook)
T.F.P.

A radicalidade dos Evangelhos... o Reino de Deus alcança-se pela violência contra nós mesmos, negando-nos a nós mesmos (Lc 9, 23). Mas o negar-nos a nós mesmos é aparente: é na realidade encontrarmos o nosso Eu verdadeiro, a partícula divina que há em cada um de nós.
28/3/2019 (Facebook)
Fernando Henrique de Passos

***

«Não é possível trilhar o caminho da santidade sem tomar de assalto a vida espiritual. Hoje, porém, as pessoas não sabem mais como crescer espiritualmente. Tornam-se, então, como que "anões espirituais", na expressão do Padre Reginald Garrigou-Lagrange [1].

"O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam" (Mt 11, 12). Essa "violência" de que fala o Evangelho é um ato de esperança. A Regra de São Bento, ao falar sobre os monges obedientes, ensina: "Apodera-se deles o desejo de caminhar para a vida eterna; por isso, lançam-se como que de assalto ao caminho estreito do qual diz o Senhor: 'Estreito é o caminho que conduz à vida'" [2].

O amor que o homem devolve a Deus, por sua vez, não é um amor qualquer, mas a caridade, que é, na definição de S. Tomás de Aquino, "uma amizade do homem para com Deus" [3]. Não se trata simplesmente de amá-Lo – ainda que seja com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças (cf. Dt 6, 5) – mas de retribuir o Seu amor, que "dá a vida pelos seus amigos" (Jo 15, 13). 

[1] Las Tres Edades de la Vida Interior, I, 1, 15
[2] Regra de S. Bento, V, 10-12
[3] Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 1

                        Padre Paulo Ricardo (Internet, excerto de artigo datado de 2015)



segunda-feira, 25 de março de 2019

Dois pesos, uma medida


O capitalismo destruiu os sentimentos humanos. Em nome da igualdade, ou seja, de uma economia global, está a acabar com a fraternidade humana.
24/3/2019
T.F.P.

sábado, 23 de março de 2019

Cristo, um outro olhar

«Cristo olha sempre para o último, para pôr a periferia no centro. Este é o sentido cristão que deve estar presente nas nossas instituições.»
Dom Manuel Clemente (Twitter 22/3/2019)

«"Cristo olha sempre para o último". Eis a Nova Aliança. A anterior - Antigo Testamento - , é substituída. Dela, nada deveria restar, para o cristão. Para Cristo, os primeiros, nela, passam a ser os últimos.»
Teresa Ferrer Passos (Twitter 23/3/2019)

sexta-feira, 22 de março de 2019

A chegada da Primavera

Centáureas em frenesim explodem nos campos
PRIMAVERA

A realidade espreguiça-se na erva
E não quer mais ser imperatriz
E nem se importa de ser serva,
Se preciso, e também diz

Que nunca se sentiu tão verdadeira,
Que nunca se sentiu tão cortejada,
Que nunca se sentiu assim à beira
De permitir ser desvendada.

As abelhas passeiam-lhe no peito
Testemunhando o seu transporte
E o sussurrar do nome do eleito.
Já chegou Maio ao hemisfério norte!
(escrito em 2/5/2014)

Fernando Henrique de Passos (Post Facebook 20/3/2019)

*

Este 1º verso - "A realidade espreguiça-se na erva" - como me lembra o Alberto Caeiro, de um tal Fernando Pessoa... E todo o poema se movimenta nesse ritmo irónico e eufórico. As próprias "abelhas passeiam-lhe no peito". E perpassam essa primavera a riscar as sombras que a desdizem.
  
Teresa Ferrer Passos (Coment Facebook 22/3/2019)

quarta-feira, 20 de março de 2019

O Clima: entre inundações, ciclone e secas extremas...


Grau de destruição. Moçambique, sob um manto de vento ciclónico, perde o controle das vias de comunicação. Sem electricidade, sem água potável. Cortadas as comunicações. Quase cem mortos. Previstos, ronda os mil mortos. Milhares de habitações destruídas. Falta alimentação e medicamentos. Os lamaçais submergem os campos e as estradas. Espreita o perigo de cólera para milhares de crianças. É urgente a Europa e, Portugal, designadamente, oferecer o apoio urgente àquele país africano.
(Facebook 19/3/2019)

As mudanças climáticas fazem-se sentir um pouco por todo o mundo. O caso de Moçambique, a defrontar a maior catástrofe do país de que há memória, é um alerta para os governos. Não é propaganda, não é notícia artificiosa. É a realidade de milhares de pessoas que perderam as casas, os haveres e, muitas, a própria vida. Os descontroles climáticos - entre as inundações catastróficas e as secas extremas - mostram o planeta Terra à beira de muitas outras catástrofes. E precisamente idênticas àquela que o povo de Moçambique está a defrontar. Ao longo destes dias de insegurança, fome e morte, ganhámos a imagem que a todos nós poderá tocar, mais tarde ou mais cedo.

(Facebook,20/3/2019)

Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 19 de março de 2019

Cristo - o Acontecimento da Transcendência



"O enigma da existência e o acontecimento cristão", do Cardeal Giacomo Biffi:

Este livro foi-me oferecido pela Teresa há um mês, no 25º aniversário do nosso casamento, como resposta às minhas "lancinantes" dúvidas: como é que Deus se fez homem para vir falar diretamente connosco, e não aproveitou para nos explicar, em primeiríssimo lugar, o porquê da nossa existência neste mundo, quando existe outro, perfeito, o Reino de Deus?
Fernando Henrique de Passos (Facebook 17/3/2019)


O acontecimento-Cristo, Deus incarnado ou Deus feito Homem, um escândalo para a humanidade. Este grande escândalo foi a revelação do "Pensamento" do Criador por um ser humano nascido por obra do Espírito Santo, de uma mulher - Maria.
Teresa Ferrer Passos (Facebook 17/3/2019)

Perante as perguntas, surge um Homem como resposta. Temos de aprender a lê-lo, e é o que os teólogos andam a tentar fazer há 2000 anos.
Fernando Henrique de Passos (Facebook 19/3/2019)

E como é difícil! O que parece até fácil, às vezes é um labirinto de dúvidas!
Teresa Ferrer Passos (Facebook 19/3/2019)

Jesus, a Pessoa, diz Deus.
Teresa Ferrer Passos (Facebook 19/3/2019)


É muito fácil obedecer a ordens das quais percebemos a razão. Mas ter Fé é ser capaz de agir no meio das dúvidas. Ter Fé é seguir Cristo sem o perceber. Ter Fé é acreditar que Ele é o Caminho, mesmo ignorando onde desemboca.
Fernando Henrique de Passos (Facebook 20/3/2019)

domingo, 17 de março de 2019

Camilo Castelo Branco - Nasceu em Lisboa há 194 anos



Uma MEMÓRIA de Maria do Carmo Sequeira  no aniversário natalício de CAMILO CASTELO BRANCO (16 de Março de 1825):

«(...) – Longe, longe de Lisboa, a cidade da minha infância, a cidade da casa onde nasci, mas de que mal me lembro. Recordo apenas o local onde ficava: a Rua da Rosa. De resto nunca me considerei verdadeiramente de Lisboa, ao contrário do meu amigo Eça de Queirós que, tendo nascido na Póvoa, só queria ser lisboeta, ou de preferência, creio (se lhe fosse dado escolher) parisiense. Eu nunca teria (nem tive) tal apetite, devo dizê-lo. Sou muito mais do Porto, apesar de nunca me terem aceite muito bem (...)»

Maria do Carmo Sequeira (excerto de post no Facebook, 16/3/2019)

*  *

Apesar das adversidades dos tempos e dos lugares, não é difícil Camilo ter-se visto como um homem mais do Porto (ou de Seide) do que de Lisboa. Esta é uma cidade que sempre sofreu de descaracterizações (tão almejada pelos que nela não tinham nascido, como Queirós...) e desprezou com frequência aqueles que nela nasceram, como se fossem estranhos. A sua falta de fronteiras humanas torna-a, ainda hoje (ou mais do que nunca, hoje) uma cidade para conquistar por estranhos ou para ser motivo de fuga dos seus naturais. O Porto é bem diferente: é mais coeso, mais íntimo, mais íntegro, para quem aí nasceu ou não. E como o escritor Camilo a isso foi sensível.

Teresa Ferrer Passos (Coment no Facebook, 17/3/2019)

quinta-feira, 14 de março de 2019

O novo trânsito de Lisboa


A confusão e a insegurança no trânsito em Lisboa está a aumentar, os peões atropelam-se nas trotinetas e as bicicletas esbarram nos peões, os automóveis definham cabisbaixos, sem bem saber onde circular, se fugir das ruas, seguir pelas ciclovias ou trotinetovias... Um labirinto de fugir depressa, olhar as serranias do interior e deixar os turistas nos longos autocarros usufruir o ar e a luz deste deserto chamado cidade.
14/3/2019
Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 13 de março de 2019

Os caminhos de Deus

"A Coroação da Virgem" (pormenor), do pintor Vasco Pereira Lusitano (1605)
na Igreja de Todos os Santos (actual Museu Carlos Machado),
em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores) 

Somente quem deixa os próprios apegos mundanos para colocar-se em caminho, encontra o mistério de Deus.
Papa Francisco (Twitter, 9/3/2019)

Não ter apego ao mundano! Eis o segredo que leva a seguir pelos caminhos de Deus.
Teresa Ferrer Passos (Twitter, 11/3/2019 coment ao Papa Francisco)

terça-feira, 12 de março de 2019

Limitações da inteligência artificial

A inteligência artificial é decalcada da inteligência natural do ser humano. Assim, por mais tentativas para superar a inteligência natural dada pelo Criador, nunca esta será ultrapassada pela artificial, ao estar condicionada pela primeira. Antes será sempre um arremedo, pois os cientistas não saem dos esquemas que eles próprios possuem. Por defeito do "criador-humano", nunca haverá a superação pretendida.

11/3/2019

Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 11 de março de 2019

Assunção de Maria ao Céu (Poema inédito)

A Virgem e o Menino (escultor Euclides Vaz) na igreja
do Colégio de S. João de Brito, em Lisboa)

No coração todo puro de uma Mulher,
de nome Maria,
o Espírito Santo, viu a Sua Casa.

A Casa era bela e ofereceu-A ao mundo.
O mundo que A desconhecia, entrou n'Ela.

E logo viu a Salvação
num pequenino, de nome Jesus,
 todo divino e a nascer num tosco casebre.

Mas, ó maravilha inesperada!
O nascimento era numa Mulher
de coração todo puro,
O Seu nome, Maria.

15 Agosto de 2015
                         Teresa Ferrer Passos


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O Evangelho de hoje (Lc 4, 1-13) ensina-nos que, em Jesus Cristo, nós podemos vencer tudo quanto nos separa de Deus, o único que verdadeiramente sacia a nossa fome de existir e de ser, porque só Ele é capaz disso...

                      Dom Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa (Twitter, 10/3/2019)

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Como muito bem diz Dom Manuel, ao encarnar, Deus é Jesus Cristo, através de Maria, seu meio humano de nos divinizar pela vitória sobre o mal que nos habita. Enquanto Deus não nos ofereceu a sua mão que é a mão de Jesus, Deus estava longe de nós. Ele foi capaz de se aproximar.

                              Teresa Ferrer Passos (Comentário no Twitter, 11/3/2019)

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domingo, 10 de março de 2019

O Dia Internacional da Mulher


O ano de 1975 foi designado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de Março tornou-se o Dia Internacional da Mulher.

O objetivo foi comemorar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, sem ter em conta diferenças nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.

Apesar da conquista pelas mulheres de direitos fundamentais até então só atribuídos à cidadania masculina, ainda há, hoje, em numerosos países, fortes restrições à plena igualdade de direitos da mulher. Este facto a justificar a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Continua a ser um alerta para uma descriminação ainda bem visível nas sociedades, mesmo as auto-denominadas democráticas. 
8/3/2019
Teresa Ferrer Passos

        Benazir Bhutto (1ª mulher a dirigir um estado islâmico)
        Primeira-Ministra do Paquistão assassinada em 2007

quinta-feira, 7 de março de 2019

LUTO: Em memória das mulheres mortas pela violência doméstica ( doze mulheres assassinadas, nos primeiros dois meses e seis dias de 2019)


Na véspera 
do
Ciúme Efémero
(Conto)

«A gordura acumulara-se na travessa de barro. As sardinhas e as batatas não tinham tempo para arrefecer. O tilintar dos talheres denunciava que Rouxi comia com prazer, se não com volúpia, naquela casa de porta para a rua, sempre entreaberta (o fresco só entrava até ao meio-dia). Naquele verão, a calma parecia o prenúncio de alguma má sorte; má sorte a pairar pelos lugares onde as criaturas humanas se juntavam, mesmo que fosse por pouco tempo.

Silgo olhava Rouxi de vez em quando. Sorria, sem que ela visse; é que estava feliz por a ter ali, saboreando o que ela saboreava. Frente a frente, como mirando-se no espelho que lhe dava a sua imagem, os dois jovens, pela primeira vez, tinham sido capazes de abandonar o quarto exíguo onde na pacatez da noite se escondiam, como cadastrados perseguidos pelos grilhões da lei.

O pai de Silgo ficara sozinho com o filho desde o dia em que a companheira partira, em busca de melhor vida em terras de França. Silgo tinha apenas onze anos. Onze anos de solidão. Só a irritabilidade da mãe e o mau humor do pai, lhe davam tréguas. Após a partida daquela mulher exausta, Silgo notou uma mudança no pai que não sabia definir. Conhecia-o pelos insultos com que agredia a mulher de olhos cinzentos como a lua, pelas ausências mais ou menos prolongadas de casa, pelo desdém com que o observava depois do regresso da escola. Com a sua fuga, surgiram as noites passadas com Silgo, em silêncios que Silgo não entendia; às refeições, lançava olhares furtivos e insistentes; e as mãos, tacteando, enrolavam-se-lhe no pescoço.

Recentemente, Silgo conhecera Rouxi. Ambos contavam dezasseis anos. Juntos, foram descobrindo o prazer de passear nos campos cobertos de lírios e estevas ou simples urzes ressequidas pela canícula; e passavam juntos horas a fio, como se fossem uns instantes. Tudo à sucapa do pai, ameaçador, como sempre. Silgo percebia o inconformismo do pai, derrotado por aquele amor indesejado, mas tinha o cuidado de não o dar a entender.

As discussões eram de manhã ou à noite, logo que uma oportunidade surgia; a causa era sempre Rouxi, a Rouxi profanadora do espaço que tentara criar somente com o filho... No momento em que os dois jovens concluiam a refeição, com a serenidade de um céu que invadisse a terra, o pai de Silgo penetrou bruscamente, empurrando a porta de modo violento. Com os olhos saídos das órbitas, como balas sem direcção, deu um berro enorme: “O orgasmo à mesa! Rua! Nojenta!” Rápido, dirigiu-se ao armário onde a espingarda, usada na caça às codornizes, estava sempre pronta para uma caçada imprevista. Silgo empalideceu. Desvairado, subiu ao primeiro andar. O pai queria matá-lo! Entrou no seu quarto. Olhou o azul enigmático da celeste brandura através da pequena fresta quadrada. Nesse instante, escutou uma detonação. O que fizera o pai?! Só podia ter usado a arma contra si próprio ou... contra Rouxi! O desespero invadia-o. Desceu as escadas sem ver os degraus...

Vislumbrou a mesa... e Rouxi. Jazia inerte sobre a toalha que a afagava como sudário preparado para uma morte. O pai, de pé. Ria. Era um riso longo, como jamais ouvira a alguém. A Rouxi restava a condição de ser apenas um corpo sem vida! Silgo puxou-a pelos braços com ternura e o seu coração brando, não conteve as lágrimas da revolta. A ferida fôra aberta, drástica e irremediável.

Arrastando-a, Silgo subiu de novo as escadas sem cansaço. Empurrou a porta do quarto mais quente do que era costume. Levou-a até à cama. Deitou-a como a uma criança adormecida antes da noite chegar. Um fio de sangue nascido entre os cabelos negros e lisos de Rouxi, empastava a cobertura florida, essa cobertura que era uma das poucas coisas que recordava o tempo da sua mãe...

Rouxi tinha os olhos esmeralda ainda abertos, como se o terror a habitasse de modo visível. Silgo não os fechou. Queria mirá-los no tempo da ignorância da morte, que era um tempo curto mas que ele procurava tornar total. Total, enquanto existisse esse intervalo entre a morte e a sua consciência.

Silgo conhecia, pela primeira vez, a imagem da morte que dói, como se fosse queimadura em lava de um secular Vesúvio. Mas a morte só atinge quem não é amado. Rouxi continuava na memória perturbada de Silgo, como um vento norte que não deixa de soprar para anunciar a intempérie. “A culpa é a pior das perseguições”, pensava Silgo, inconformado com a sua deserção; ao notar a fúria que invadia o pai incontrolado, fugira! E... Rouxi acabara por tomar o seu lugar. Mas era nele que o pai desejava exercer a sua vingança. “Não em Rouxi!”. Tinha a certeza. Porque fugira? “Cobarde, sou um cobarde!”, repetia em tom inaudível.

O ódio do pai desabara sobre a pobre Rouxi. E a verdade é que a chamara ali por o pai lhe ter dito que só regressava à noite! “Meu pai enganou-me para me fazer cair na cilada da morte premeditada”, sussurrou, com nostalgia. Com o olhar fixo como um animal obcecado pela presa, cobriu com os seus braços o corpo de Rouxi; tocou com as suas mãos as mãos dela; depois, o pescoço e a boca levemente aberta; afagou-lhe os cabelos húmidos e pousou os lábios no sangue, como se fosse um néctar divinal; a língua ficou amarga, mas reteve a saliva por alguns minutos. Era o sabor da perda; guardava-o sofregamente no seu corpo febril e extenuado de lascívia amortecida pela dor.

De súbito, escutou uma voz ecoante, como se viesse de enorme gruta até aos seus ouvidos cheios de sons indistintos e vagos: “Perdi a vida, mas não te perdi a ti. Estás mais próximo do que nunca. Somos, enfim, um só, porque os nossos corpos se uniram na vida, antes da morte. Quem os distingue? Como é possível alguém querer separá-los, como se ambos não fossem um só? E vou dizer-te uma coisa: não há inferno! Isso é uma ideia efabulada por aqueles que temem o fim do medo. Quem tem coragem de condenar, além dos homens? Qual seria o juiz divino capaz de aniquilar a sua própria obra? Sei agora coisas que desconhecia e que agora partilho contigo, neste momento único, porque o teu amor o tornou possível”.

Atónito, mas feliz, Silgo não pronunciava uma palavra. A eternidade desses momentos jamais o pai a poderia matar. “Quem pode matar o sentimento de dois corpos que são uma só alma?”, interrogou-se Silgo, com uma alegria semelhante à das flores, quando vêem nascer o sol no horizonte distante. Maravilhado ainda com aquela voz do além-próximo, foi irresistível perguntar-lhe: “Que pensas do meu pai que o ciúme enlouqueceu e te fez vítima inocente?”

O ciúme é um egoísmo cimentado no medo. Só assim posso definir esse egoísta, esse homem cobarde... a arma que usou é a prova da fraqueza do seu corpo velho, amesquinhado pela raiva de não alcançar o seu mórbido desejo de te possuir... Silgo tentou escutar mais uma palavra, mais algum som, mas nada mais ouviu. Ficou imóvel, ainda durante algum tempo. Talvez voltasse, talvez... Com o suor borbulhando pelo corpo todo, elevou-se ligeiramente e fechou com lentidão os olhos de Rouxi. De pé, contemplou ainda a jovem de cabelos finos como folhas de pinheiro.

Saiu do quarto. Rápido, desceu as escadas. Olhou a mesa, como se há muito tempo a não visse. O pai, sentado, mastigava os figos que tirara da cesta de verga. A fome seria o seu anátema ou a sua libertação? Sem desviar o olhar, pressentiu os passos de Silgo a descer os estreitos degraus de madeira descorada e carunchosa. Ao aproximar-se do pai, Silgo olhou-o persistentemente. Este não lhe correspondeu. Impaciente, com uma expressão de falso riso e com os olhos fitando a cesta vazia, o pai disse-lhe: “Então?! Já enterraste o cadáver na cama onde o teu corpo enlaçava o dela na minha ausência?”

A expressão pálida de Silgo flamejou de ódio. A espingarda ainda permanecia em cima da arca de madeira envernizada. Silgo contemplou-a com a sensação de que ela não tinha realizado todas as suas missões. Com passos lentos, encaminhou-se na sua direcção. O pai olhou-o pela primeira vez de frente e, soltando uma gargalhada ruidosa, continuou a provocação. “O seu corpo nu, entre os lençóis, não estará à tua espera? Vai, vai fazer-lhe companhia! Não vês que está sozinha? Porque te demoras? Olha que o corpo pode arrefecer... Ah, ah, ah...”

Silgo não respondeu ao desafio. O silêncio pesava na casa lúgubre. Num gesto breve, o jovem quebrou a pausa do riso que banhara o pai na culpa. Ouviu-se uma detonação. Duas. A cabeça do pai sangrava sobre a toalha de quadrados brancos e negros. Silgo, enrolando-se sobre as pernas débeis, deixou cair a arma. Encaminhou-se para a escada. Os braços pesavam-lhe horrivelmente. Num gesto irreflectido, olhou a arma tombada no pavimento. Seria agora um objecto inútil ou mais vantajoso do que nunca? No seu espírito pairava a dúvida. Queria uma resposta, mas ela tardava. Então, como um autómato, subiu o primeiro degrau. Queria ver Rouxi, ainda uma vez, a última? Mas, não seria lícito, parecia-lhe, profanar a pureza da morte, suspensa no corpo do ser amado. Sem lei ou razão, só com a paixão do impossível. Restava-lhe contemplar a vida vencida, aos dezasseis anos, pela crueldade.

Na força da idade, sonhara um idílio imortal. Afinal tão breve! Subiu o segundo degrau. Sem convicção, sem firmeza. Numa insegurança estranha, pois nunca tivera tal sentimento, recuou, lançando um olhar ensanguentado pelo espírito, para a arma inerte. “Será que desejo ver Rouxi?”, interrogou-se, numa inquietação inesperada.

Com os dedos trémulos e suados, pegou na arma como se ela fosse a última esperança. A esperança de reencontrar a imagem ou a saudade de Rouxi. Uma detonação seca, ecoou na casa mergulhada em perdição e inocência... O corpo de Silgo rolou nos degraus. Num silêncio cúmplice, apenas estes sentiram as lágrimas e o espanto.»
      in Teresa Ferrer Passos, O Grão de Areia (Contos), Universitária Editora, Lisboa, 1996, pp. 119-125.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Justiça ou decisões de juízes?


O Governo vai decretar um dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica
(Dos jornais)

Um dia de luto é uma expressão de tristeza, mas o governo, através da assembleia da república, deve fazer novas leis que castiguem os maridos ou companheiros que usam de todas as formas de violência, incluindo o assassinato sobre as mulheres ou até sobre os filhos! Os juízes terão de cumprir a lei!
  28/2/2019
Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

O abuso de menores e a linguagem de Deus

«Tribunal ordena a detenção do cardeal George Pell, condenado pelo abuso sexual de dois rapazes»
Notícia dos jornais

«Rezemos juntos pelo encontro sobre a proteção de menores na Igreja, que decorre entre hoje e Domingo, no Vaticano.»
D. Manuel Clemente
Twitter (26/2/2019

  
O abuso de menores, por muitos membros da Igreja fundada por Jesus Cristo - o Deus encarnado -, é uma verdade repulsiva. Há que afastá-los das funções eclesiais, antes que seja tarde demais.
Teresa Ferrer Passos (Coment. Twitter, 27/2/2019)
      
*
  
«Nós não encontramos Deus, não encontramos Jesus Cristo, como se quer encontrar connosco, se não pela caridade.»
  
D.Manuel Clemente (Twitter, 26/2/2019)

Ou falamos com a linguagem do amor, a linguagem de Deus, ou não podemos ser escutados por Ele.
  
Teresa Ferrer Passos (Coment. Twitter, 27/2/2019)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Mais uma cedência aos LGBT?!


Como isto roça o absurdo! Que sociedade é essa que alguns pretendem construir?! Abdicar das palavras mais importantes em qualquer sociedade humana (e nem os animais escapam a ela), a palavra mãe e a palavra pai? Como é que os casais têm de suprimir essa realidade fundadora da humanidade, só porque os LGBT não gostam?! Como substituí-las por progenitor 1 e progenitor 2?! Não nos iremos, qualquer dia, até ser designados não pelos nossos nomes, mas por números?!!! Para onde estamos a enveredar?
  
20/2/2019
  
Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Encontro com a vida


Um anjo em forma de mulher
veio ter comigo há muito anos
dizendo pretender a minha ajuda.

Nesse dia o céu entrou pelas janelas
que a minha dor quisera ter fechadas
e a pouco e pouco voltei a respirar
(coisa que já desaprendera).
E a vida que eu tinha rejeitado
voltou a correr-me nas artérias
e corre sempre, e sempre com mais força
de cada vez que beijo os lábios doces
do anjo que queria a minha ajuda.
19/2/2019, no 25º Aniversário do Nosso Casamento
  
                              Fernando Henrique de Passos

Horas simples


   Olho as horas, simples como a alma
e a soarem como grandes sinfonias.
Não sabem nada da vida
e crescem nos planaltos sem palavras.
 Ouço as horas a gritar por ternura,
os seus traços recusam o silêncio.
Porém, as horas não passam pelos anos,
são diversas, ondulantes, imprevistas.
 Sinto as horas piedosas exultantes de alegria,
se apenas as olhamos e sorvemos.
Sinto-as envoltas num grande amor,
quando não são um simulacro,
nem habitam existências frustres
ou ultrapassam as falsas aparências dos sentidos.
Porque deles, as horas, não precisam!
  
19/2/2019 (no 25º aniversário do nosso casamento)

                                                 Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

As Bem-aventuranças

«As bem aventuranças (Lc 6, 17. 20-26) não são teorias. São possíveis! Estamos a falar de muitas vidas vividas e convividas a partir do Espírito de Jesus Cristo.»
 
Dom Manuel Clemente (in Twitter, 18/2/2019)

«Se dos Evangelhos, só tivessem chegado até nós as bem-aventuranças (Lc 6, 17. 20-26), isto era o suficiente para sabermos o que era ser seguidor de Jesus Cristo.»
 
Teresa Ferrer Passos (coment. in Twitter, 18/2/2019)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O ESCÂNDALO: Jesus Cristo, Deus e homem

Pintura representando a ternura de Maria para com Jesus
e de Jesus para com Sua Mãe Santíssima.

«Joseph Malégue ousou dizer que "o escândalo e a dificuldade não são compreender se Deus existe, mas compreender que Deus se fez Cristo". Eis o escândalo. E a Virgem está no centro deste escândalo. A santidade está no centro deste escândalo. Não podemos compreender a santidade sem compreender o escândalo de Deus se fazer Jesus Cristo, isto é, verdadeiro homem - como nós - e verdadeiro Deus»

Papa Francisco, «Ave Maria», Libreria Editrice Vaticana, 2018 
(tradução a partir da edição francesa, «Je Vous Salue Marie», Bayard, 2019, pp. 66-67).


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A Virgem Maria e o diálogo para a re-criação



«A re-criação é mais importante que a criação. A re-criação começa com Maria, uma mulher sozinha. A re-criação é o diálogo trocado entre Deus e uma mulher sozinha. Para compreender Maria é preciso voltar a ser criança, experimentar o espanto maravilhado das crianças, dizer "Avé Maria" como uma criança, com um coração de criança, com os olhos do coração, aquele que a nossa cultura perdeu»

Papa Francisco, «Ave Maria», Libreria Editrice Vaticana, 2018 (traduzido por Teresa Ferrer Passos a partir da edição francesa, «Je Vous Salue Marie», Bayard, 2019, pp.21-22).



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Que é escrever...

Escrever ou é um divertimento, ou é um suplício envolto em divertimento.
14/2/2019
Teresa Ferrer Passos (comentário in post de Maria do Carmo Sequeira no Facebook) 

Galileu, um cientista que não perdeu a fé

«Galileu Galilei, que é um dos pais da física, no século XVII. De facto, foi julgado pela inquisição, mas apesar de ter sido julgado, é muito curioso que não perdeu a fé, manteve-se católico, porque na cabeça dele, “se Deus deu inteligência ao homem, a inteligência permite-lhe compreender as coisas da natureza e, portanto, não lhe teria dado inteligência se ela não pudesse ser exercitada”.

Ele tem uma frase famosa e até muito curiosa, “O Espírito Santo diz-nos como se vai para o céu, mas não diz como é o céu”. O céu está usado em dois sentidos diferentes. Não diz como é o céu no sentido astronómico, cosmológico, isso tem de ser a ciência a descobrir. Como se vai para o céu, a palavra céu está num outro sentido, teológico, que é a existência para além da vida.»

"Conversas com Carlos Fiolhais - 1", public. in jornal «Mensageiro de Santo António», 12/2/2019

Post por Teresa Ferrer Passos in Facebook, 12/2/2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

No 30º aniversário da Uni Verso - Parabéns ao João Raposo Nunes



No espaço deste acolhedor livreiro alfarrabista e poeta, João Raposo, apresentei alguns dos livros que publiquei, o primeiro, no ano de 1991, com o título «Universo». Um conjunto de poemas (odes) inspirados nos planetas, nas galáxias ou em químicos que formam o universo. Com um Posfácio do Professor António Cândido Franco que dissertou sobre a analogia criadora. Dedico, nesta data de memória do nascimento da sua livraria em 1989, ao amigo João Raposo, estes versos de «Universo»: «Sonho quimera real maravilha / o átomo nasceu! / Veio em busca de outra vida - nas origens mais distantes / cresceu! / E tudo de novo arrefeceu... / Friamente quis ser mais / e uniu-se ao semelhante / e não morreu! / Como molécula sobreviveu...» (in poema "Átomo").
13/2/2019
Teresa Ferrer Passos (in Facebook)

No 14º Aniversário da morte de Lúcia (1907-2005)

Postal antigo das Aparições de Fátima

«– Sou do Céu. E trago uma mensagem de Jesus
para o mundo – murmura a mulher, com as mãos
juntas, como se rezasse.
– É do Céu… e não da terra, como nós… O Céu é
branco, com tanta luz, assim, como a senhora? – diz,
não tirando os olhos do olhar da mulher.
– Tudo é luminoso no Céu, Lúcia. Vim aproximá-lo
da terra e… para isso, eu vou voltar aqui, a este
lugar, durante seis meses, neste mesmo dia, como é
vontade de Jesus. Rezai o terço todos os dias para ser
alcançada a paz para o mundo. – convida a mulher
embebida de luz e sob o olhar atónito das três
crianças.»
                   Teresa Ferrer Passos, Vimos mesmo a Senhora do Céu, Textiverso, Leiria, 2018, pp.16 -17.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Diálogo inter-religioso e o exemplo de S. Francisco de Assis

Papa aos líderes religiosos:
«Vamos construir juntos o futuro ou não haverá futuro»
A viagem do Papa Francisco, aos Emirados Árabes Unidos, tem lugar no oitavo centenário (1219-2019) do encontro histórico de Francisco de Assis com o sultão Malik al-Kamil.
As orientações do Santo de Assis, ditadas em 1219, tornam-se, hoje, as atitudes que animam o diálogo, a fraternidade e a paz entre os povos».
in «Mensageiro de Santo António» (4 / 2 / 2019)

Na senda de São Francisco de Assis, Francisco, o Papa do diálogo. Apesar de ter vencido os cruzados, o sultão do Egito, Malik al-Kamil, ofereceu-lhes Jerusalém. Em seguida, Francisco de Assis tentou a sua conversão, na sua viagem ao Egito.

A viagem de Francisco de Assis ao Egito, verificou-se na Quinta Cruzada (1219-1220). A principal fonte é São Boaventura. «Em 1221, no primeiro rascunho da Regra da Ordem, Francisco recomendou aos frades para que fossem entre os muçulmanos "em busca do martírio", escolhendo entre "dar um testemunho submisso de sua fé" ou "fazer uma pregação pública"». À brandura de Kamil para com os vencidos, não foi estranho o modo pacífico como foi recebido o santo que procurou a conversão, não alcançada, do sultão vencedor.

4/2/2019

São Francisco de Assis, esse homem verdadeiramente novo, a viver, na realidade, o que muitos dos seus continuadores rejeitaram ou esqueceram.
Teresa Ferrer Passos

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Missão e Vocação

A Vida religiosa e a Vida secular consagrada são uma Vocação na Igreja. É toda a comunidade que beneficia se descobrir o tesouro escondido que está em todo aquele que se deu de coração a Deus e aos irmãos. 
in Twitter, 2/2/2019
Dom Manuel Clemente


«A Missão que Jesus nos entregou será a nossa missão!»
in Twitter, 3/2/2019
Teresa Ferrer Passos
«TRUMP, O AQUECIMENTO GLOBAL E A LÓGICA»

«Dados dois conjuntos de números, pode haver, do primeiro para o segundo, um aumento do valor médio e, ao mesmo tempo, uma diminuição do valor mínimo. Este facto é tão trivial que quase não merece comentários.
Fiquemos por um exemplo: o conjunto de números {0,+10} tem valor médio 5 e valor mínimo 0, enquanto o conjunto de números {-2,20} já tem valor médio 9 (maior, portanto), embora o valor mínimo tenha descido para -2.»

Post in Facebook, 1/2/2019

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Maria, Mãe de Deus, Maria, Mãe da humanidade


Os pecadores, aqueles que "caem no inferno", têm a liberdade de se salvarem, se seguirem Jesus, avisou Maria, em Fátima:

«─ É como dizes, Jacinta, a Virgem Maria transmitiu-nos uma mensagem que lhe dá um lugar muito importante no mundo, assim o deseja Jesus, Jesus quer vê-la honrada como Rainha do Céu, Ela que sofre tanto como Jesus com os pecados a que assiste, pecados contra seu Filho… Ela, uma Mãe que sofre como se a dor do Filho fosse a sua própria dor.»
«As Aparições de Maria, na Cova de Iria, mostram-nos como Deus a continua a colocar na suprema altura de Mãe da humanidade. Uma Mãe, como Deus é um Pai. A propósito, lembremos as últimas palavras de Jesus antes de expirar na cruz, olhando o discípulo João: «Eis aqui a tua Mãe»
Teresa Ferrer Passos, «Vimos mesmo a Senhora do Céu», Textiverso, 2018, pp.76 e 83.

Nótula:
Neste momento, em Lisboa, na minha zona, já perto do Monsanto, o vento uiva desatinadamente, os altos plátanos da minha rua parecem tropeçar dentro deles próprios. Os aguaceiros são muito fortes, seguidos de um Sol quase indiferente... Não saí de casa.
1/2/2019
T.F.P.