terça-feira, 4 de dezembro de 2018

TRIBUNA DA MADEIRA - Fátima Pitta Dionísio:O Arquétipo e Arca, o Arcano do Sol

"O Carro de Apolo" de Frederick Arthur Bridgman
(1847-1928)

                                                 «Ser génio quer dizer reproduzir-se igual a si próprio.»
                                                                                           José de Almada-Negreiros

Na terra que viu nascer, além de Cristiano Ronaldo e Octávio de Marialva, José Tolentino Mendonça, Edmundo de Bettencourt e o Poeta Herberto Helder, ex-siste ou insiste, para o bem da letradura, uma Poetisa com o nome de Fátima Pitta Dionísio: sobre ela trataremos e dessarte batalharemos. Ora aqui a nossa tese nos indica, sobremaneira, que essa Pitta é qual a Pítia, que ela viaja, viridente, no Carro de Apolo.
A ciência Pitagórica, ela firma, portanto, e confirma: a Fátima pertence ao número das pessoas que laboram, liberais, para toda a Humanidade – e ela sidera ou considera, ela vive em templação, contemplação, da platónica Ideia. Considerar quer dizer: teorizar, especular, esquadrinhar o sidéreo com a ajuda de um espelho. Se alia o Vero, com todas as veras, à Bondade e à Beleza, e todo o canto, segundo Kant, é lautamente desinteressado. Sendo essa Ideia, aqui, o sinónimo de Arquétipo, o inconsciente pessoal abarca, ele abraça, o inconsciente colectivo. E daí a presença, na Poesia Fatimita, dos arcanos siderais, e dos símbolos e Mitos – e não alembras, ó ledor, e não remembras o seu livro, do ano 2011, «No Amor das Coisas Gregas»??? Mas o «Homo», terreno, vem do humo, e é por isso «Homo Viator». Dando filhos e poemas ao mundo e não ao mando, a Maternidade e a Poesia, elas são, para a Poetisa, duas formas de sortilégio, ou melhor, duas formas de sacerdócio.
Pertence a voz e a vez à «Vocação Solar», ao Arquétipo e barca da Portugalidade. Na prosa e na Poesia de Fátima Pitta Dionísio, é tudo uma questão de metáforas, metonímias, de lautas litotes. Porquanto é explícito, é lícito dizer: «Três vezes conheci / O fecundo húmus da terra / Pela frutescência do corpo / Num silêncio sacramental.» E sublinhemos o vocábulo: «sacramental». Que o dar à luz é sagrado e sacrifício, quero eu dizer, é sacro fazer. E mergulha, a matriz, na «Mater Matuta» e nas águas da vida – e por isso a Matronália, e por isso a Maria é qual Estrela do Mar; e Maria «gratia plena», e «Ave Maris Stella» digamos nós ora. Pois só avoca, ou invoca, quem dá a voz ao vocábulo, quem é qual advogada, e convocada para a Poesia – e falamos aqui da Musa, e falamos da Autora da «Vocação Solar».
E sendo, desta sorte, a feitora ou fazedora, a Autora é promotora, ela é, por isso mesmo, a força motriz. Pois movendo, emocionando e comovendo, a Fátima frutesce, ela é actriz, fundamental, no palco do Universo. A generosa, nas gentes, sendo a genuína. O génio, genital, aquele que gera – e apelamos, aqui, à sinérgica energia. Ao lume, à luminária, da ilha da Madeira – e eis aqui matéria-prima, o litoral, alfim, da
literariedade. Que neste livro capital, nos surde e surge, Fátima Pitta Dionísio, a modular, a moldar, a modelar sua Palavra – e o modelo, pra ela, é a «Alquimia do Verbo» de que fala Rimbaud. Então o nome, para Fátima, é qual acume, ele é, luminar, o lume e o Nume. Ouçamos o que ela asserta, em lauda liminar: «Nomeio-te / príncipe da minha alma / pelo dom / de um silêncio volátil / e andorinhas acesas / em corpos desnudados / pelos sopros férteis do ar». Ou melhor: o Espírito é «Ruah», o Espírito é o Sopro e o Sopro é o Pneuma – e eis a voz, a vocação, do Espírito Paracleto.
E o astro é o estro, e o Toth é o Tau. E a Cruz vigora e aprimora, e o crisol é o símbolo da purificação. Na Obra de Fátima, mais do que ser, o Homem, animal racional, ele é, acima de tudo, um simbólico indivíduo. Que o viático é vianda, e o Pão, dessarte, é para ser partilhado. Citemos Manuel Bernardes: partilhado e portanto «partido em pequeninos». Que em arcaica reminiscência, ou representação colectiva, o símbolo une, a Poetisa, à Igreja de egregório – e o Espírito assopra, e ela se volve numa egéria do carme. Se o símbolo está próximo duma alegoria, se o símbolo é um mito, propalamos, alegremente, a Alegoria da Caverna. Da cafurna, da cafua ou do Antro de Trofónio???
As Musas, afinal, são filhas de Mnemósine, o Vate é Vaticano. E é Museu ligado a Orfeu e qual o templo das Musas. Saberá então, a Autora, caroal, do «Amor em Memória», que a Poesia é Pão da Vida, que é Poeta, afinal, o Cristo Jesus, e que, segundo Emerson, o estadunidense, nada de grande foi feito, neste mundo, sem o entusiasmo. Se o entusiasmo é próprio do espírito pitónico, se a Pítia vela Apolo, «entusiasta» vem do Grego e quer dizer: «aquele que porta, consigo, um deus interior.»
Ou melhor: privou a Fátima, em moça, com Octávio de Marialva, ela foi, muito cedo, iniciada nos Mistérios. Na mística ou Mistérios, na «Mystery Play». E seu pendor universalista, e portanto sem partidos, ela o bebeu, em a benesse, no boníssimo Padre Alfredo – e já falámos, figadal, do Padre Alfredo Vieira de Freitas. Ou melhor: da Poesia como oblata e duma oblata como Obra. Concernente e atinente às manhãs do seu silêncio, as Musas «Amam a luz primeira, / Ancestral mito / Que os poetas anunciam / Desde antanho. / A prumo sobre o mar / A prata da noite as envolve / Com os anéis de secreta carne. / O sol é, hoje, / Uma metáfora de luz no dia» - e não lobrigas, arcangelical, o arquivo, o arcaico, o arcano do Sol??? 
Eis no Sol, enfim, o típico e tópico desta Poesia, eis no Sol, afinal, os tópicos e tropos da Sabedoria. À luz, então, do que nós já firmámos, em Atenas demandaram, um poucochinho antes do divino Platão, ao filósofo Anaxágoras: «Para que estás tu nesta terra???» Sua resposta, preste e pronta: «Para a consideração contemplativa, ou teoria, do Céu e da ordem do Universo.» E nesse universal, aqui se acoita, e acolhe, a Poesia de Fátima. Quando se busca a Verdade, e nada mais que a Verdade, quando se quer, ou se inquire, o Ser enquanto Ser, nós somos segundo a escola, nós somos apologetas da nossa Teoria – e coteje, com «Êxodo» 3: 14, o exímio do exílio, o «ek-stático ex-sistere». Tinha razão, recta e escorreita, o Álvaro Ribeiro: Literatura é teofania, Literatura é qual expressão do preternatural – e daí o seu liame com o transe e com o êxtase, com o «rêve éveillé», ou o sonhar acordado. Se aqui temos a escritura como forma de oração, aventamos, na verve, a proposição: Fátima Pitta Dionísio, na ilha da Madeira, ela não usa, a Poesia, para os seus fins particulares, mas ela a goza graciana, ela glosa, a Poesia, no estado de graça – e daí nossa «Poesis», e daí o desinteresse da tese enquanto estese.
Sobre ela o Céu estrelado, sobre a sua cabeça – a lei moral, Kantiana, no seu coração. E segundo Wilhelm Dilthey, e segundo o Carl Rogers, uma enfática, empática, compreensão, a preensão que permite pôr o penso e pensar. Muito longe de nós o pensar materialeiro, muito longe de nós a prisão positivista. Nós não explicamos, cientista, a Poesia de Fátima, nós fazemos como a criança – e apertamos, essa Poesia, de encontro ao peito nosso. Em nós, por isso mesmo, a simpatia, ela cura e ela sara a patologia. E nossa práxis, portanto, em Psicoterapia: a aceitação positiva e incondicional. Aquela que é feraz, aquela que se tem perante o Génio, generoso, e o Ser enquanto Ser.

A insistência dos Génios e a excelência das Mães: eis as duas maiores provas da existência de Deus. E que mais, Amigo leitor??? De mais falámos nós, e estamos quase a findar. Fraternos são, como a Fátima, os que fazem a Paz. Felizes são, por isso mesmo, os precitos e malditos: é que eles serão abençoados, e consolados no Sol. Na Paz de Cristo. E Paz, por isso, em vida avonde. E Paz, na nossa terra, para os filhos da Luz.

Queluz, 12/ 09/ 2018 – 29/ 11/ 2018

AD MAJOREM DEI GLORIAM
Paulo Jorge Brito e Abreu

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Memória: A restauração da independência em 1 de Dezembro de 1640


«Pelas nove horas da manhã do dia 1 de Dezembro o assalto ao Paço da Ribeira era consumado pelo inesperado ataque dos nobres (detentores do poder militar) conjurados. Os aposentos da duquesa de Mântua, representante do rei espanhol em Lisboa foram invadidos por António de Saldanha e D. Antão de Almada, enquanto D. Miguel de Almeida e outros revoltosos assomavam à janela do Paço para aclamar o duque de Bragança como rei de Portugal e proclamar:

"Liberdade! Liberdade! Viva el-rei D.João IV! O duque de Bragança é o nosso legítimo rei!"»

       Teresa Ferrer Passos, A Restauração de 1640 e D. Antão de Almada, Universitária Editora, 1999, p.26.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Onde colocaram o Menino Jesus?!


É uma tristeza um Natal em que se esqueceu o nome do Menino Jesus! A escola, num país maioritariamente cristão, repudiou o ensino da mensagem da fé e tudo está cada vez mais oculto, desvanecendo-se, apagando-se, como uma inutilidade social. Como se, não se admita a fé, numa sociedade em que a tecnologia robótica está a sobrepor-se a passos largos à essência do ser humano.

29/11/2018
Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Liturgia cristã




Entre os muitos documentos redigidos por S. João Paulo II há uma Carta pouco conhecida: "Orientale Lumen" ("A luz do Oriente"):

«O Cristianismo não rejeita a matéria; pelo contrário, a corporeidade é valorizada plenamente no ato litúrgico, onde o corpo humano mostra a sua íntima natureza de templo do Espírito Santo e chega a unir-se ao Senhor Jesus, feito também Ele corpo para a salvação do mundo»

          (De um texto publicado pelo pe. João Paulo Pimentel, Paróquia de Nossa Senhora da Porta do Céu, Lisboa)

domingo, 25 de novembro de 2018


"O Filho do Homem enviará os Seus anjos que hão-de tirar do Seu reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt 13, 41-42). 

Estas são as palavras do Filho do Homem, ou seja, as palavras do Jesus humano: se praticam a iniquidade deverão ser castigados. Inserem-se naquele mesmo Jesus que diz: «Porque me chamas bom, só o meu Pai é que é bom»(Mc 10, 18) ou que grita na cruz: «Pai, Pai, porque me abandonaste?» (Mt 27, 46). Há também as palavras do Jesus divino, aquele que dá testemunho da vontade do Pai: é o Jesus que transmite a doutrina do Pai, em que o amor é o Princípio de que tudo deriva.

Há, assim, o Jesus humano e o Jesus divino e sendo dois, é, ao mesmo tempo, um só. Por isso, Jesus tanto fala como homem, é filho de uma mulher, como fala na qualidade de divino. Daqui as diferenças de actuação.

Em consequência, o Jesus na qualidade de divino oferece a vontade de Deus que não é fazer justiça pura e simplesmente, mas usar outro critério, a misericórdia, que transcende a justiça. A misericórdia é a verdadeira justiça, é a justiça de Deus.

24/11/2018
Teresa Ferrer Passos

S. Jerónimo (347-420), autor da Vulgata

"S. Jerónimo, o Penitente" (1513)
pintura de Lorenzo Lotto
(Museu da Arte, Bucareste, Roménia)

A Vulgata constituiu a obra-prima de S. Jerónimo. Trata-se da tradução da Bíblia, a partir da versão hebraica original Usou também a Septuaginta (ou versão dos Setenta, versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega) que considerou com erros de tradução e elementos heréticos helenísticos. Destacou a diferença entre os Apócrifos da Bíblia Hebraica e os Livros Proto-Canónicos da Hebraica veritas. A tradução de Jerónimo foi concluída em 405.
25/11/2018
                     Teresa Ferrer Passos



sábado, 24 de novembro de 2018

Jesus humano e divino

"O Filho do Homem enviará os Seus anjos que hão-de tirar do Seu reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt 13, 41-42). 

Estas são as palavras do Filho do Homem, ou seja, as palavras do Jesus humano: se praticam a iniquidade deverão ser castigados. Inserem-se naquele mesmo Jesus que diz: «Porque me chamas bom, só o meu Pai é que é bom»(Mc 10, 18) ou que grita na cruz: «Pai, Pai, porque me abandonaste?» (Mt 27, 46). Há também as palavras do Jesus divino, aquele que dá testemunho da vontade do Pai: é o Jesus que transmite a doutrina do Pai, em que o amor é o Princípio de que tudo deriva.

Há, assim, o Jesus humano e o Jesus divino e sendo dois, é, ao mesmo tempo, um só. Por isso, Jesus tanto fala como homem, é filho de uma mulher, como fala na qualidade de divino. Daqui as diferenças de actuação.

Em consequência, o Jesus na qualidade de divino oferece a vontade de Deus que não é fazer justiça pura e simplesmente, mas usar outro critério, a misericórdia, que transcende a justiça. A misericórdia é a verdadeira justiça, é a justiça de Deus.
24/Novembro/2018
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Lá dentro tudo depende de nós...

Como disse Mathieu Ricard (monge budista tibetano), «egoísmo, arrogância, agressividade são tudo sentimentos que nos fazem sentir mal, que controlam as nossas mentes e impedem a nossa felicidade.

Nós somos os responsáveis por eles e toda a gente sabe o mal que nos fazem. A verdade é que nós podemos treinar a nossa mente.

Não interessa o que se passa cá fora, o nosso controlo aí é muito limitado. Já lá dentro só depende de nós».

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Para uma nova psicologia



«Há um antigo dizer religioso que refere que a misericórdia e a justiça são a mão esquerda e a direita de Deus. Se for só misericórdia, toda a gente abusa; se for só justiça, então ninguém sobreviverá, porque todos cometemos erros. Portanto, tem de haver um equilíbrio entre a misericórdia e a justiça»

Jordan B. Peterson, Professor de Psicologia na Universidade de Toronto e autor de 12 Regras para a vida - Um antídoto para o caos.

17/11/2018 (De uma entrevista no Campus de Carcavelos da Universidade Nova de Lisboa, publicada no jornal «Público»)

sábado, 17 de novembro de 2018

Lares de idosos...

Os Lares de idosos são cheios de solidão para aqueles que lá entram; e quando os velhos adoecem gravemente, alimentam-nos artificialmente com entubamentos que não os deixam sequer dizer uma só palavra. E isto tudo só para continuarem a receber as pesadas mensalidades de que se sustentam - negócio fácil -, sem dar importância ao sofrimento que provocam naqueles que já não podem dizer qual a sua vontade...
 
14/11/2018
 
Teresa Ferrer Passos

A voga das condenações na praça pública

Os comentadores juntam-se aos senhores que fazem os telejornais e as notícias: todos investigam, investigam, fazem pensamentos espantosamente "inteligentes" e falam, falam sem parar, para exibirem a sua competência de "investigadores". Então, os jornais, as revistas, as rádios e as grandes televisões da cidade enchem-se de condenações! E acham eles que, depois, é só o juiz mandar meter na prisão os "condenados", já humilhados na praça pública...

15/11/2018

Teresa Ferrer Passos

Vida nova

«Os idólatras tropeçavam nas minhas parábolas e queriam que eu esclarecesse as suas dúvidas, não me deixando ir embora sem ficarem saciados com esse pão espiritual que lhes oferecia. Às vezes, pareciam iluminados por uma certeza que os tornava demasiado abertos; a verdade é que, perante mim, se sentiam mais à vontade do que perante os ricos mercadores fariseus ou os majestosos sacerdotes e sábios do Monte Sião.

As gentes estrangeiras não me viam como um inimigo, mas como alguém que estava pronto para os introduzir numa vida nova.»

Teresa Ferrer Passos, «Jesus até ao fundo do coração» (narrativa ficcional autobiográfica), p.20.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Filosofia, ainda está viva?


Ainda o Dia Mundial da Filosofia

Quando o mundo da técnica, hoje o mundo tecnológico, invade os lugares, a alma humana submerge e a filosofia começa a soçobrar: o ser desorienta-se, desvia-se da sua via predilecta e começa a perder a qualidade de pensar para além de si e interrogar-se como um outro.

16/11/2018

A Filosofia e os portugueses
O pensamento é disperso, nada é inteiro, na pátria portuguesa, como disse Fernando Pessoa. E, nem ele próprio, o conseguiu tornar consistente, apesar das suas tendências filosóficas não faltarem na poesia dos anos da juventude. E foi mais um grande que desistiu da ousadia de construir uma sistematização de natureza filosófica. A abstracção, dela fogem os portugueses. O mesmo não se passa com o concreto, a engrenagem, a máquina, em suma a tecnologia, e precisamente nos nossos dias.
15/11/2018
Teresa Ferrer Passos



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O valor da dádiva

O que podemos dar de valor é mesmo aquilo que somos capazes de ser para os outros.
 
12/11/2018

                                                             Teresa Ferrer Passos

sábado, 10 de novembro de 2018

«Ouvimos a Senhora vinda do Céu , a falar connosco»


« – A mãe só diz que não é verdade porque é num campo de pastagens, no meio do silêncio do campo e do balido das ovelhas, só porque não é na igreja, só porque ouvimos a Senhora vinda do Céu, a falar connosco, em vez de lhe rezarmos sem ela nos responder; a Senhora que me fala não é uma imagem sem vida. A mãe duvida porque só nós a ouvimos falar e só nós lhe fazemos perguntas e só a nós Ela responde, eu sei… »

Teresa Ferrer Passos, Vimos mesmo a Senhora do Céu, Textiverso, Leiria, 2018, p. 39.

No mundo de Deus

A fraternidade é um dos outros lados de Deus. A indiferença pelo outro é o único lado do Demónio.
9/11/2016
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A SEGUNDA VIRTUDE TEOLOGAL


(Em memória do meu Pai, que hoje faria 95 anos)

«Quis encontrar a Esperança.
Não a consegui ler nos salmos de David.
Nem no Cântico dos Cânticos.
Nem nas palavras dos profetas.
Nem nos mais sábios pensamentos
Dos mais sábios pensadores
Dos últimos milénios.
Sim, eu sei, ceguei há muitos anos,
Quando decidi que sondaria
Os abismos insondáveis
Sem deixar que ninguém me conduzisse.
Quis encontrar a Esperança.
Não a consegui ver sequer nos olhos de Jesus,
E até o Sermão da Montanha era um bloco negro,
Opaco, impenetrável.
Foi quando o meu Anjo da Guarda me lembrou
“O Estrangeiro” de Camus.
“O Estrangeiro”?, perguntei, estupefacto.
“Desce até ao fundo desse livro.
Depois, junta toda a tua força,
E vira-o do avesso.”
Incrédulo, assim fiz, contudo.
E descobri-a, a Esperança,
No reverso, nas costas, no lado-de-lá
- Do Absurdo».

Fernando Henrique de Passos, Breve viagem nas margens do mistério, Textiverso, Leiria, 2018

P.S. Esta é a única poesia de "Breve viagem nas margens do mistério" que o meu pai conheceu. Todas as outras foram já escritas depois da sua morte.
F.H.P.

***

NOTA: Como escreveste nesse espantoso poema de Breve viagem nas margens do mistério (Textiverso, Leiria, 2018) e, ele próprio, acentuadamente em torno do mistério, que atrai e agarra como um íman, a Esperança descobre-se «No reverso, nas costas, no lado-de-lá - Do absurdo». (Comentário de Teresa Ferrer Passos na postagem do Facebook em 8/11/2018).

O sentido da vida

Não será que tudo tem um sentido? Seja ele qual for. A coragem é o guia. Nunca ninguém desista de lutar, pois a coragem vem do próprio sentido único da vida.
8 de Novembro de 2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O feitiço do tempo


Caminhamos para ocidente.
Temos atrás de nós
O sol nascente
Que nos guia com a sua voz.

Vamos de mãos dadas
Por estreitos caminhos e desertos.
Evitamos as estradas
E assim os nossos passos são mais certos.

Dirigimo-nos para o sol poente,
Para o fim do dia,
Onde a luz reina eternamente
E tudo principia.

5/11/2018

Fernando Henrique de Passos

E a espera começou


No 25º aniversário do nosso noivado

Naquele dia, as folhas das árvores batiam no vento
que sentia na janela, tempestuoso.
Naquele dia também, a visita inesperada foste tu.
Chegaste pela manhã a querer inventar
uma nova manhã, feita só de depois.
Trazias, numa caixinha, o compromisso invisível
e ali já presente num anel a brilhar no ouro
do sentimento maior e mais puro: o amor.
E a espera começou.
E a enxada da esperança acendeu-se.
Foi ela o guia  nos dias da espera
de celebrar o sacro matrimónio.

Foi no mês de Fevereiro e o dia, o 19.

5 de Novembro de 2018
Teresa Ferrer Passos

domingo, 4 de novembro de 2018

Um perigo à vista para a Democracia?



O "The movement" é revelador de uma ultra-direita a crescer na Europa, e mesmo no mundo, com subtileza, quase sem se dar por isso, mas a constituir-se como uma força política capaz de derrubar a "porta" sempre aberta das Democracias. O perigo espreita-as, pois a extrema-direita usa sempre as suas falsidades diabólicas. Não será "O Movimento", um "clube" em vias de se constituir para um confronto com a União Europeia?

Teresa Ferrer Passos

sábado, 3 de novembro de 2018

O fascínio do romance


O fascínio de escrever um romance é, para mim, a sua discursiva largueza, tanto parecendo um pesado corpo, como um veículo que conduz ao domínio de um inesgotável deserto.

3/Novembro/2018

Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Celebrar o Dia de Todos os Santos

Pirâmide Maia de homenagem aos antepassados
na cidade de Tikal na Guatemala

A beleza suprema do amor habita o coração do santo, de todos os santos; esse "pequeno rebanho" que conhecemos, ainda que apenas o nome, ou que, até o nome ignoramos.

Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O teu sim


O céu era amarelo
O sol era vermelho
Azuis eram as árvores
E verde a terra arada

O mundo constelou-se
Em forma de equação
O xis era uma porta
Aberta à madrugada

O mundo interrogou-te
Chamou-te solução
E tu deste a resposta
Há eras aguardada

29/10/2018
Fernando Henrique de Passos

Maresia de amor



O sim é um abraço fundo como as ondas,
 a mover-se no mar encapelado e manso.
 Transforma as nuvens de aço
 em chuva transparente. 
   
O sim cria o olhar doce, leve como o vento.
 As árvores velhas rejuvenescem,
 tornam-se flores, essas palavras que florescem. 
   
O sim é um regato a trautear música,
 a elevar a paz escondida na alma, 
 a acordar-nos e a dar-nos fôlego
 e o amor a nascer pleno de maresias insuspeitas.

29 de Outubro de 2018
Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Astrofísica portuguesa participa em missão europeia ao planeta Mercúrio



A astrofísica portuguesa Joana S. Oliveira, investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, faz parte da equipa científica da missão espacial europeia ao planeta Mercúrio, o mais próximo do Sol:
"Mercúrio é uma peça do 'puzzle' muito importante para perceber a evolução do Sistema Solar, uma vez que é o único planeta rochoso, além da Terra, que possui um campo magnético global com origem num mecanismo de dínamo no núcleo líquido».
Joana S. Oliveira esclareceu também que «para se compreender como vai evoluir o campo magnético da Terra, que protege o planeta da radiação solar intensa, é necessário «perceber como funciona o mecanismo que produz o campo magnético nos diferentes planetas».
De uma entrevista de Joana S. Oliveira ao «Expresso»

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Dia de S. João Paulo II



UMA LEMBRANÇA

«A ocupar o lugar de Jesus Cristo a partir da cidade de Roma, João Paulo II quer, acima de tudo, seguir uma ética do testemunho, presente em S. Pedro, e uma ética da divulgação da mensagem até aos confins do mundo, presente no caso de S. Paulo.»
...
«Entre os atentados e a doença degenerativa que o atinge, prossegue o rumo traçado. Continua a peregrinar pelo mundo. Já sem força nas pernas para andar, já com a voz a falhar pela falta dos debilitados músculos, não abandona a ética da perseverança.
E dá testemunho da força do espírito que o guia, mesmo acossado pelas doenças que o debilitam. O exemplo do sacrifício fala mais que mil palavras. O sofrimento não o derruba.»

Teresa Ferrer Passos, "Memória de sofrimento", Revista «Cadernos VIanenses», nº 37, Viana do Castelo, 2006, pp.186 e 187.
 
***
  O amparo seguro até à morte, a cruz!
  22/Outubro/2018
                                                                                       T.F.P.

sábado, 20 de outubro de 2018

LOAS E LAIS A FERNANDO PESSOA



Uma pintura de Júlio Pomar (Fernando Pessoa, 1985)  

( invoco, para a Musa minha, o Ás de Paus )

                            I

Eu leio, até ao lai, tua Poesia
Que legaste a nós outros, e ao Graal,
Modernista do Verbo e da estesia,
Maravilha da «Ode Triunfal».

Guardador de rebanhos e palavras
Que foram qual abraço e qual o Hermes,
Da Rosa, verde lenho e verdes águas,
De ingénitas, irónicas e lemes,

Tu lias, ao crepúsculo, o experto
Cesário sentimento nosso Mestre,
E eu leio, ao lusco-fusco, o «A» de Alberto,
Que é símil ao Pastor e ao silvestre.

Se a sêmea foi «Orpheu» numa Lisboa,
O sémen é Infante que apaixona;
Se lúdica é a barca, ó tu, Pessoa,
Ajuda-me a trovar uma «Persona».

                       II

Marítimo é o viático ou viagem
Nas Índias duma nave mais etérea,
Que a Musa tem a gema, e, na «Mensagem»,
A mente vai agir sobre a matéria.

Em Gólgota glosavas a semente,
Em Crânio cavalgavas esse potro;
A mântica era a meta, e tua mente,
O discurso d’amável e do Outro.

Que eu sinto, meu Amigo, o teu exemplo,
Coas tábulas falando o magistério:
Se a forma de Ulisseia é tal e templo,
Descubro, na Palavra, o Quinto Império.

                           III

E, se a gema do Mestre é sal e pão,
Se «Opiário», foi alucinogénio,
Não façam, só da «pólis», a prisão,
Não matem, outra vez, o verde Génio.

Lisboa, Janeiro de 2004

MENS AGITAT MOLEM

                           Paulo Jorge Brito e Abreu

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (criado pelas Nações Unidas, em 1992).


Este dia não deveria deixar de se revestir de grande importância para por fim a este flagelo social, resultante do egoísmo da sociedade - as classes altas e médias. Estas consideram que os pobres são pobres porque não querem trabalhar e querem viver à custa de subsídios do Estado. Esquecem-se que muitos desses pobres perderam o emprego numa idade difícil de conseguir outro, contraíram uma doença que os impossibilitou de continuar a trabalhar, tiveram um filho doente ou pais idosos que os fizeram gastar tudo o que tinham, têm pensões de reforma irrisórias,etc.

Ao esquecê-lo, estes grupos sociais penalizam o pobre com o estigma do mandrião, do que usa estratagemas para ser protegido pelo estado. A injustiça do julgamento fácil dos bem-instalados na vida, cai sobre eles e tudo se mistura e todos se desprezam e todos acabam por serem vistos como a escória da sociedade "perfeita".

Afinal, antes de erradicar a pobreza, há que erradicar o egoísmo, essa doença atroz, a pior de todas as doenças, mas que não passa pela carência de dinheiro daqueles que se julgam os melhores, daqueles que se olham a si próprios como os que têm qualidade, porque o egoísmo os sustenta abundantemente. 

17/Outubro/2018

Teresa Ferrar Passos


PS: Segundo dados revelados pela Rede Europeia Anti-Pobreza, 18% dos portugueses são pobres. De acordo com esta organização, o número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A missão espera por nós com as "mãos elevadas ao céu"


Cardeal Mauro Piacenza

«Em cada diocese, e melhor ainda se também em cada cidade e povoado, houvesse mãos elevadas ao céu para implorar uma chuva de misericórdia sobre todos, próximos e longínquos, então tudo mudaria. Recordam o que acontecia quando Moisés tinha as mãos elevadas e o que acontecia quando as deixava cair? Jesus veio para trazer o fogo e o seu desejo é que arda em todo o lugar para que exista a civilização do amor.»

     Cardeal Mauro Piacenza (entrevista exclusiva a ACI digital, em 25/9/2012).

sábado, 13 de outubro de 2018

No 101º Aniversário da Aparição da Virgem Maria e do milagre do Sol, em Fátima, no dia 13 de Outubro de 1917



« – Sou do Céu. E trago uma mensagem de Jesus para o mundo – murmura a mulher, com as mãos juntas, como se rezasse.
– É do Céu… e não da terra, como nós… O Céu é branco, com tanta luz, assim, como a senhora? – diz, não tirando os olhos do olhar da mulher.»

« – Falais connosco, senhora?! Nós, como servir a Deus?! Nossos pais é que podem saber servir-vos, Senhora, não nós que nada mandamos nem sabemos… – diz Lúcia, com uma expressão estranha, escutada sob o ar abismado de Francisco e Jacinta.»

« – Haverá paz se o Céu estiver presente nos vossos pensamentos, no vosso dia-a-dia, a cada instante das manhãs, das tardes e das noites, tudo mudará se não se esquecerem do vosso Pai e da vossa Mãe do Céu que aqui está para que todos se lembrem de que Deus existe sem recorrer às palavras, mas com um olhar que abraça todas as criaturas.»

            Teresa Ferrer Passos, Vimos mesmo a Senhora do Céu, Textiverso, Leiria, 2018, pp. 16,17 e 46.


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A oração e o Nobel da paz


O diálogo com Deus é o mais frutuoso dos diálogos.

10/10/2018
                                                                                                        Teresa Ferrer Passos

***

Prémio NOBEL DA PAZ/2018



O Prémio Nobel da Paz é o mais difícil de alcançar pelos particularismos de que se reveste. A escolha do Comité Nobel caíu em dois nomes incontornáveis, Denis Mukwege e Nadia Murat, símbolo da luta pela justiça, o primeiro, e da capacidade do sacrifício humano, capaz de ir até às últimas consequências, a segunda.

8/Outubro/2018

Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Em viagem...


VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

Eternidade é perceber que já chegámos,
Mesmo parecendo que estamos em viagem.

É ocupar o ponto geométrico
A partir de onde a perspetiva
Mostra o lugar natural de cada coisa
E o fluir sem esforço de nós e tudo o mais.

(Mas que impiedosa luta corpo a corpo,
A longa jornada de cada um rumo ao seu centro...)

Fernando Henrique de Passos, Breve viagem nas margens do mistério, Textiverso, 2018, p.50.


Comentário no post do Facebook de 25/9/2018:
«Eternidade é perceber que já chegámos/Mesmo parecendo que estamos em viagem» - são para mim particularmente belos estes dois versos, tão perpassados de uma poética de Deus.
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DIA DE S. FRANCISCO DE ASSIS (1182-1226)


Saudação à Bem-Aventurada Virgem Maria

Salve, Senhora santa Rainha, santa Mãe de Deus, Maria, virgem convertida em templo, e eleita pelo santíssimo Pai do céu, consagrada por Ele com o seu santíssimo amado Filho e o Espírito Santo Paráclito; que teve e tem toda a plenitude da graça e todo o bem!

Salve, palácio de Deus!
Salve, tabernáculo de Deus!
Salve, casa de Deus!
Salve, vestidura de Deus!
Salve, mãe de Deus!

E vós, todas as santas virtudes, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas no coração dos fiéis, para, de infiéis que somos, nos tornardes fiéis a Deus.

(Oração de S. Francisco de Assis)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018



Aguarela

«Uma árvore qualquer
e um jardim - que eu não sei
se o era ou se havia em mim
um são desejo de sê-lo -

e venha um dia diferente
para a nossa ansiedade!
Um pouco de sol ou vento
e muita sinceridade!»

Daniel Filipe (1925-1964), «Marinheiro em terra», Coleção Búzio, Lisboa, 1949, p. 47.

Maria e a Sua protecção contra a maldade do demónio


O Papa Francisco pede aos católicos que orem à Santa Mãe de Deus e coloquem a Igreja sob o seu manto protetor: preservá-la dos ataques do maligno, o grande acusador.

Francisco pediu ainda que a oração do terço fosse concluída com uma oração escrita pelo Papa Leão XIII:

«São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demónio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai ao inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas».

Excertos do Comunicado do Papa Francisco na Sala de Imprensa da Santa Sé, em 29/9/2018