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domingo, 19 de junho de 2016

No ventre do vulcão


Teu era o sangue
E lágrimas corriam do teu rosto.

A dor era também tua
E então fizeste dela a tua escrava
E deste-lhe a ordem de escavar a lava.

(Por isso ela agora sua
Abrindo a larga galeria
Por onde jorrará a luz do dia.)

14/6/2014

Fernando Henrique de Passos

domingo, 3 de maio de 2015

Dia da mãe


Minha querida mãe, deixa-me sair,
Não me sinto bem de aqui estar fechado;
Gosto francamente disto de existir
Mas tudo aqui dentro é muito parado.

Gosto do teu sangue e do ar que traz,
Poupa-me trabalho, não me faz cansar;
Mas gostava um dia, se fosses capaz,
De vir a saber como é respirar.

Gosto do teu sangue, do qual me alimento,
Sem eu fazer nada, sequer mastigar;
Mas anda esta ideia no meu pensamento:
Ir comer a fruta ao próprio pomar!

Quero ouvir o vento e o sino da igreja,
Ver o pôr-do-sol e ver-te sorrir;
Hei-de ser teu filho onde quer que esteja
‒ Minha querida mãe, deixa-me sair.


3/5/2015

                        Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sinais



Os olhos sem luz do nado-morto
(No espelho do quarto do hotel do Porto)
O não descolar do aeroporto
(No espelho do quarto do hotel do Porto)
Os efeitos secundários do conforto
(No espelho do quarto do hotel do Porto)

Três riscos na cinza que cobria os dias
Três rasgões na terra, fecundando-a
Com sangue e profecias

26/2/2014

Fernando Henrique de Passos