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domingo, 1 de junho de 2014

Até aos confins do mundo em redes internéticas



«A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: quem comunica só pode constituir um ponto de referência colocando-se a si mesmo em jogo. (…) graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (At 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos.»


Excerto da Mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais (1 de Junho de 2014)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dalila

à memória de Dalila Pereira da Costa

Os pés nus de sal no mar que se dissolvem
Cabelos soltos longos de bruma vento e sonho
Dedos que tocam com força e com carinho
Fragmentos de papel à tona d’água
As folhas dos livros as lombadas
A biblioteca que se mistura com as algas

A vestal de búzios entre as mãos
Aguarda a distância o chamamento o horizonte
O aproximar das linhas infinitas
O poeta que um dia surgirá por entre as ondas
E trará já não mensagens mas respostas
Respostas que virão de outros passados

Fitando um só futuro
Ela mergulha (é quase a Hora)
E faz já parte dessas lendas
Que húmidas darão à costa um dia
E nos despertarão

1/6/2012

Fernando Henrique de Passos

in Nova Águia, Nº 10 - 2º Semestre 2012, p. 64

domingo, 6 de maio de 2012

A Última Nau


Fragata Bartolomeu Dias (2012)



Levando a bordo El Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.

Não voltou mais.
A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ‘spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa, Mensagem (1934)