sábado, 27 de setembro de 2025

Quando a poesia se torna fogo de Deus

"Nós somos os que se desassossegam de véspera, às portas da escuridão, do vazio e do informe, temendo o abismo. Os nossos passos são, com efeito, como aqueles do humano 'que avança no nevoeiro'. Não obstante, diga-se, avançar no desconhecido é ensaiar aquela mesma fé ladrilhada de dúvidas, tão fértil que aprofunda ainda mais as raízes da sua confiança. Quem ousará, diante do abismo, arriscar perder-se a si próprio? Não será, porventura, a escuridão o lugar propício para o amadurecimento da salutar virtude da confiança?"

Bruno Ricardo Gonçalves Pinto, «Poesia de Deus nas vésperas do fogo», 24/9/2025 in internet, Pastoral da Cultura.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A ousadia de partir, ante o pântano em que nos atolaram

 PEQUENO EXCERTO DA «ODE MARÍTIMA»

DE FERNANDO PESSOA
«Ah, seja como fôr, seja por onde fôr, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstracta,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!
Todo o meu sangue raiva por asas!
Todo o meu corpo atira-se prá frente!
Galgo pla minha imaginação fora em torrentes!
Atropelo-me, rujo, precipito-me!...
Estoiram em espuma as minhas ânsias
E a minha carne é uma onda dando de encontro a rochedos»
In Obras Completas de Fernando Pessoa, «Poesias de Álvaro de Campos», Ática, Lisboa, 1944, pp.171-172.

sábado, 20 de setembro de 2025

SEM OBRAS, DE NADA SERVE A DOUTRINA

Papa Leão XIV

 
Uma Boa Notícia vinda do Papa Leão XIV e acabada de receber!
Não se enquadra nos Evangelhos cristãos qualquer eventual
reforma relativa às mulheres e fiéis LGBT+ .
Uma tomada de posição inequívoca de Leão XIV e,
sem dúvida necessária, para esclarecer aqueles que ainda 
julgassem que entre ação e doutrina poderia não haver correspondência.

19/9/2025
Teresa Ferrer Passos


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Fernando Pessoa, retrato de Almada Negreiros (1964)


BREVE PÁGINA CRÍTICA DE FERNANDO PESSOA

(...) "Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza.
As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta,
as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia
sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos;
porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda
impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo."

Fernando Pessoa, Texto de Crítica e de Intervenção, Ática, 1980, pág.151.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

DA «ODE MARÍTIMA» DE FERNANDO PESSOA

 Aqui, um excerto deste longo poema inigualável: 


(...) Gostaria de ter outra vez ao pé da minha vista só veleiros e barcos
                                                                                        [de madeira,
De não saber doutra vida marítima que a antiga vida dos mares!
Porque os mares antigos são a Distância Absoluta,
O Puro Longe, liberto do pêso do Actual...
E ah, como aqui tudo me lembra essa vida melhor,
Esses mares, maiores, porque se navegava mais devagar.
Esses mares, misteriosos, porque se sabia menos dêles.

Todo o vapor ao longe é um barco de vela perto.
Todo o navio distante visto agora é um navio no passado visto
                                                                                     [próximo.
Todos os marinheiros invisíveis a bordo dos navios no horizonte
São os marinheiros visíveis do tempo dos velhos navios,
Da época lenta e veleira das navegações perigosas,
Da época de madeira e lona das viagens que duravam meses.

Toma-me pouco a pouco o delírio das coisas marítimas,
Penetram-me fisicamente o cais e a sua atmosfera, 
O marulho do Tejo galga-me por cima dos sentidos,
E começo a sonhar, começo a envolver-me do sonho das águas (...)

In «Obras Completas de Fernando Pessoa», II vol. «Poesias de Álvaro de Campos»,
Edições Ática, Lisboa, 1944, pág.169.


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

PARA ONDE SE ENCAMINHA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DO PENSAMENTO?

Charlie KIRK


 CHARLIE KIRK, que acreditava ter a liberdade de oferecer o seu pensamento aos jovens, cai e morre sob os tiros de uma arma. Fatal. Estava numa gigantesca reunião de estudantes, na universidade de Utah, (EUA). Só porque o ódio foi mais forte, a violência abateu a paz da palavra de Charlie Kirk. Será este o futuro daqueles que têm fé, os cristãos como ele, que ensinam com entusiasmo inexcedível a doutrina ensinada por Cristo? Por quanto tempo a violência nos pré-anuncia serem as nossas palavras rejeitadas, silenciadas, mais, sermos abatidos na praça pública sem piedade?

11/Setembro/2025

Teresa Ferrer Passos

***

Charlie KIRK desde os 18 anos que se notabilizou como um orador de excelência, que procurava expandir os princípios morais cristãos. Gostava de defrontar os seus inimigos pela palavra, dialogar com aqueles que se lhe opunham mesmo com agressividade e ameaças à sua integridade física. Nunca desistiu de envolver especialmente as muitas universidades dos EUA. Afinal acabaria, quando começava a dialogar com estudantes na universidade de Utah, por ser atingido por um dispara fatal no pescoço. Um crime hediondo. Com este fim fatal, nunca posto em causa por Charlie Kirk, morreu na sua muito difícil missão moralista cristã. Afinal, ainda há mártires entre uma juventude que não abdica da divulgação da sua fé.

12/Setembro/2025

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

UM PROFESSOR, HOJE

 O depoimento da professora Ruth Toledo (Belo Horizonte, Brasil) publicado por Paulo Marques no Facebook, é sintomático da sociedade que estamos a construir. O que se passa no Brasil é decepcionante, como denuncia esta professora primária à beira da reforma. Mas o que se passa em Portugal não é diferente. assim como em muitos outros países desta civilização ocidental, que tem crescido sem um objetivo alto, uma alma de fraternidade, um coração de humildade, um sentido para uma vida com valores. Cada um só olha para si próprio, como se os outros nada significassem, nenhum valor possuíssem. O desrespeito pelos mais velhos tornou-se o emblema do vencedor. A internet idolatra-se como se fosse humana e tudo o que era humano se esquece ou ignora-se ou despreza-se.

10/9/2025
Teresa Ferrer Passos

 AINDA A TRAGÉDIA DO ELEVADOR DA GLÓRIA

Os ataques dirigidos ao engenheiro Carlos Moedas primam por falta de senso ou, dito de outro modo, falta de sensatez. No tempo a seguir ao acontecimento, o presidente da Câmara de Lisboa devia assumir, dizem, a responsabilidade pelos que morreram e pelos feridos, mesmo antes dos apuramentos técnicos conducentes á descoberta das causas do que aconteceu. Rapidamente se deviam, assim, identificar os culpados de que o Presidente da Câmara era o primeiro. Os outros culpados viriam a seguir. Estas tomadas de posição, em catadupa (televisões, rádios e redes sociais), mostram que o que interessa, nesta sociedade, é a denúncia dos eventuais culpados, não é, como devia, a procura de soluções para obstar a que acidentes como este se voltassem a verificar. O importante é mesmo solucionar, se for possível, erros de conceção na máquina ou suspender a sua circulação. Contudo, parece que, nesta sociedade, só interessa ter ganhos políticos com cada acidente que acontece. Esta conduta imoral repete-se em acontecimentos semelhantes. Por isso, a culpa, a culpa precisa-se!
8/9/2025
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

A TRAGÉDIA DO ELEVADOR DA GLÓRIA

O icónico elevador da Glória inaugurado em Lisboa, em 1885, caiu ingloriamente e com ele tombaram dezassete pessoas a quem só resta o regresso aos seus países ou à sua Lisboa, atravessados pelos ferros brutais de uma viagem breve, tão breve como a sua morte irremediável e sem resgate.

No dia 24 de Outubro de 1885, seria inaugurado em Lisboa, o primeiro Elevador da Glória. 

Nada permanece, a decomposição é uma iminência, a mudança fragmenta a cada instante. Ninguém se fie na sua imagem de hoje, a duração é imprevisível. Se o tempo não existe, como separar os seus instantes? A realidade atroz de um elevador a despenhar-se na calçada da Glória em brevíssimos segundos, oferece-nos a chave que tantas vezes não encontramos.

Lisboa, 4 de Setembro de 2025

Teresa Ferrer Passos

 

Todas as máquinas se podem avariar, mesmo depois de vistoriadas pelos especialistas mais competentes. A Máquina é falível. A máquina é concebida pelo ser humano. O ser humano é falível. Neste caso, não se pode aplicar a ideia de culpa porque, neste caso, muitos seriam os "culpados". 

7/9/2025                                                                             Teresa Ferrer Passos


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O MEU APELIDO FERRER

NÓTULA sobre o apelido Ferrer, recebido de minha saudosa mãe

Minha mãe nasceu em 25 de Dezembro de 1909. Seu pai, e meu avô, membro da Carbonária, era grande admirador de Francisco Ferrer (1). Querendo prestar-lhe homenagem pela sua condenação à morte por razões de ordem política, meu avô quis que a sua filha Natércia, que nasceria dois meses depois, tivesse no seu nome, ou seja, tivesse o apelido deste destacado pedagogo e anarquista espanhol. Foi este apelido que adotei, em 1995, como nome literário, substituindo o apelido Bernardino, apelido de meu pai, de quem não tenho uma boa memória.

(1) Francisco Ferrer y Guardia (1859-1909) foi um pedagogo anarquista e revolucionário espanhol, conhecido por fundar a Escola Moderna em Barcelona. A escola tinha como objetivo promover uma educação laica e racionalista, buscando formar cidadãos críticos e conscientes. Ferrer foi acusado de envolvimento em atentados e revoltas, sendo preso e executado em 13 de Outubro de 1909, o que o transformou num símbolo da luta pela educação e liberdade de pensamento. 

14/agosto/2025

Teresa Ferrer Passos

sábado, 9 de agosto de 2025

No Aniversário da Teresa

TU E A TUA RUA

Há uma rua em Lisboa
Tão pacata e sossegada
Que quem lá passa supõe
Que ali não se passa nada.
Tudo nela é sopesar
Da morte e do seu mistério
Porque a rua desemboca
No jardim de um cemitério.
Mas a doçura da vida
Tem caminhos e segredos
Que fazem esquecer a morte
E o seu cortejo de medos.
E uma espada de luz
Rompeu as sombras da rua
No dia em que teve início
A vida que agora é tua.
E, muitos anos passados,
Eu que era qual moribundo,
Desposando a tua vida
Vi de um outro modo o mundo.

9/8/2025

                                   Fernando Henrique Passos


Comentário de Teresa Ferrer Passos in Facebook, 9/8/2025:
"Mesmo que fosse somente para conhecer a minha saudosa e santa mãe e para te conhecer, valeria sempre a pena ter nascido!"

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

 É uma felicidade ter amigos grandes, na alma e na palavra.

   4/8/2025                                                                                      T.F.P.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Um jardim, entre o matagal e o lixo

Aqui, na zona do Calhariz de Benfica, em Lisboa, o jardim "Calhariz novo" mandado fazer pelo presidente da câmara Fernando Medina, está votado ao abandono e as árvores, como uma grande figueira, e outras, cobrem-se de frutos que apodrecem ao lado do matagal e da lixeira em que o transformaram... Daqui desapareceram os jardineiros? Haverá jardins mais e jardins menos? Quantos casos como o do pessegueiro, da figueira, até de recém-cultivadas palmeiras e outros arbustos floridos, por esta Lisboa em que as varandas das janelas se floriam com profusão de vasos de cravos e malmequeres, há décadas atrás?! Em frente, no passeio, os caixotes do lixo raramente são despejados e mais lixo se atafulha ainda entre eles. Um espetáculo de degradação citadina, sem dúvida.
Há apenas dois dias, vi que o restante matagal tinha sido cortado. Até que enfim! 

Teresa Ferrer Passos, Facebook, 15 e 30 de Julho e 7 de Agosto de 2025

Ainda o bulling

 Na escola o bulling devia ser abolido. A escola devia sempre substituir os pais que também o praticam com os próprios filhos... A escola devia ser o lugar do exemplo, se, como acontece, a família se demitiu de defender os valores mais altos a que tem direito o ser humano. E as crianças, os velhos e as mulheres têm sido, e, continuam a ser, os mais desprezados, os mais atingidos. Também os humoristas de televisão e de rádio como a Joana Marques e o Ricardo Araújo Pereira, têm com frequência usado técnicas de bulling nos seus programas para ridicularizar as pessoas visadas pelos seus intentos, até à exaustão.

Teresa Ferrer Passos in Facebook, 4 de Julho de 2025

sábado, 26 de julho de 2025

 A VELHICE, SUSTENTÁCULO DA ESPERANÇA

NO DIA DOS AVÓS invocamos a justa homenagem do Papa Francisco aos avós e aos idosos, transcrevendo uma passagem do meu romance inédito «S. Joaquim e Santa Ana ou a Oratória do amor» 

«O abastado pastor contraíra matrimónio com Ana, filha de Mathan, um sacerdote do templo cuja ascendência recuava ao rei David. O casamento fora marcado pelo amor, não pelas conveniências sociais, como era mais vulgar. Naquele dia, Rúben fitou Joaquim de um modo estranho e que lhe pareceu mesmo severo; falou-lhe com uma voz perpassada de secura, ainda antes de Joaquim ter tempo de lhe anunciar a oferta que trazia. Quando o informou da oferta que transportava, respondeu-lhe com palavras irritadas, rejeitando-a com o pretexto de não a poder receber porque Deus a recusaria. A estupefação de Joaquim, um venerável frequentador do santuário, transpareceu nas suas faces ruborizadas de espanto. Teve a sensação de estar a ser menosprezado, insultado mesmo, pela primeira vez na sua vida, e, precisamente, no lugar mais sagrado de Israel.»

Teresa Ferrer Passos, São Joaquim e Santa Ana ou a Oratória do amor (romance de fundo histórico, inédito).

domingo, 20 de julho de 2025

NAS MÃOS DE DEUS

     No 32º Aniversário do nosso conhecimento
 
Seria previsível
que a vida despontasse por acaso
num universo como o nosso?
Probabilidade quase nula,
a de uma ocorrência tão insólita,
segundo as leis da sorte e do azar.
 
Contudo
assim surgiu também,
na noite da alma que era a minha,
a tua luz, Teresa,
a abrir caminhos
que não deixei ainda de seguir.
 
Por trás dos dois clarões tão improváveis
pressente-se a mesma fonte de doçura,
a mesma irresistível força dócil,
o mesmo rasgar suave do destino,
a mesma tempestade de amor
do Cristo Rei!
 
20/7/2025

              Fernando Henrique de Passos

PRECISAMENTE NAQUELA TARDE

                                 
                                    Pequena memória do dia 20 de Julho de 1993


era uma tarde apagada. o sonho desfazia-se
num instante coberto da espuma nívea
das avenidas ao lado do grande jardim
em que as árvores se debruçavam sobre a canícula.
não me contive na derrota nem tão pouco me continha
agora nas suas sombras cheias de interrogações.
os ruídos do trânsito não desfaziam o meu silêncio esgotado
por um cansaço pintado pela imensidão  do sol. 
nada me afastava daquela realidade nefasta
a mostrar-se desavinda e imprevista.
sem quebra da espera nova avancei para o grande jardim.
aqui abriam-se portas que eu não via?
abriam-se janelas de par em par que eu tão pouco vislumbrava? 
as faces pálidas ocultava-as eu entre as mãos trémulas e suadas.
desci a escadaria para a biblioteca apressada.
queria eu saborear o tempo de a descer
antes de perder mais uma batalha?
a constância da dúvida acompanhava-me mesmo assim.
e foi precisamente naquela tarde infortunada que se juntou 
a tua afortunada chegada.

20/7/2025
                                             Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 18 de julho de 2025

 

A IMPOTÊNCIA DE UM OLHAR

 

GAZA, uma terra mártir.

crianças jovens e mulheres fogem para os não lugares.

a vingança estéril dos soldados israelitas é imparável

e alaga com sangue corpos a expirar.

as lágrimas de saudade esbarram no ser amado. imóvel.

e todo um povo espera com a loucura nas mãos espelhada.

a indiferença do mundo cresce.

o sofrimento incontido alastra.

o amor esmorece. os corações abatem-se.

e em todas aquelas gentes nasce um ruído atroador

como se todos já cantassem a hora da vitória.

18/7/2025

                                     Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 11 de julho de 2025

MANHÃ DE VERÃO

Enfermeira Natércia em 1948,
ano em que eu nasci.

 

                          Memória do dia em que a minha mãe morreu


no meu olhar o teu olhar embaciado.
a visão assombrosa da partida apagava o sol intenso.
a viagem mais longa e a mais certa inscreve-te
num tempo último. não sinto a mais branda aragem.
no meu olhar ficam crateras
de um vulcão incandescente.
no teu olhar há um fogo fátuo inapagável. 
o dia não nos oferece senão
uma precária nuvem incerta
a respirar o ar escasso daquela manhã de verão.
era uma manhã dourada pela luz
a flamejar como se um nascimento
exaltado no choro
fosse um hino de glória
à magnífica ventura de nascer.
e o teu nascer - mistério imenso –
contracenava agora com o teu morrer –
delírio exorbitante
dos meus dias indistinguíveis do teus.
tudo parecia sem princípio nem fim.
tudo se eclipsava na tua memória
e toda a minha memória se cobria de sombras.
o teu olhar descia perturbado
até ao desconhecido e esvaziado sepulcro
onde a porta se me fechou. e te perdi de súbito.

11 de Julho de 2025
                                         Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 9 de julho de 2025

TEMPESTUOSO DESTINO


o destino corre no meu encalce.  
conheço-o desde a infância interrogativa
onde só vivia ingénuas imagens.
agora recordo-as a medo de as deixar escapar
da minha memória envelhecida por um tempo inclemente e audaz.
o destino corre ainda a apagar as minhas asas de pássaro
em busca de um caminho pleno de significados.
a sua presença foi invisível a cada momento da minha vida
essa vida incapaz de apagar as arenosas
escarpas dos seus desígnios torpes.
por isso me comparo à guardiã de uma terra
acossada pela bravura do mar.
fui perdendo as batalhas sucessivas e as suas feridas não sarei.
sinto que o destino tem mais força que as tempestades do mar.
os seus avatares são imprevisíveis
e ninguém alguma vez os conhecerá.

9/7/2025

                               Teresa Ferrer Passos