terça-feira, 12 de novembro de 2024
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
AS ÁRVORES
terça-feira, 5 de novembro de 2024
O INCÊNDIO DO HORIZONTE
E sempre permanecerás como a única.
Ergues-te agora na luz violeta do último pôr-do-sol
E o teu olhar aponta o firmamento,
Muito acima dos escombros do mundo
E do incêndio do horizonte.
Só tu dás sentido ao absurdo.
Só tu és a guardiã das razões ocultas de Deus.
Só tu és a chave do Grande Enigma.
E quando as últimas luzes exteriores
Por fim se apagarem
A memória do nosso primeiro beijo
Iluminar-nos-á por dentro
E conduzir-nos-á à Eterna Madrugada
Que desde sempre nos aguarda.
5/11/2024
sábado, 2 de novembro de 2024
DIA DE FINADOS
Neste Dia dedicado à memória de todos aqueles que já atravessaram o rio do Hades ou a fronteira do esquecimento, rogo a Deus que os receba com a Sua misericórdia infinita. Que a memória dos que partiram deste mundo para o Reino de Deus nunca se perca. E na terra dos homens tudo será bendito. A Graça infinita encherá a terra e Deus terá aqui a voz das Suas criaturas.
2/11/2024
Teresa Ferrer Passos
terça-feira, 29 de outubro de 2024
ÚNICA
Como um diamante encontrado na Lua.
Como uma Rainha em trono republicano.
Como um quadro juntando o óleo e a aguarela.
Como uma poesia surrealista escrita por Camões.
Como uma flor solitária no altíssimo pico do Evereste,
desafiando o gelo e a rarefação do ar.
E isso faz de mim o homem mais feliz do universo
Porque aceitaste um dia desposar-me.
O CERCO
Ela tinha ruas feitas de pântanos que percorri
como um navio sem rumo, sem vela condutora.
Os horizontes
cheios de negra fuligem esvaiam-me
e as palavras tombavam inquietas
onde os gestos hostis deflagravam.
Os fossos de silêncio eram chaminés
exaustas de escombros
que o céu não tocava temendo acordar-me.
procurava sufocar-me mais.
Vi o sol escurecer.
Nesse instante a tua palavra
ecoou como um sol que não quebra
mas inebria, que não rejeita, mas acolhe.
que te envolviam também, caíram por terra.
E tu também acordaste.
A vida começava. Na incerteza e na certeza.
A vida imprevisível e fantástica.
Agora, já não era eu ou tu. Agora, éramos nós.
sábado, 26 de outubro de 2024
quinta-feira, 24 de outubro de 2024
Marco Paulo (1945-2024)
sábado, 5 de outubro de 2024
terça-feira, 24 de setembro de 2024
interminável ritual?
vejo ao longe gigantes em chamas
ou páginas de livros por escrever?
não! são apenas árvores doridas de cansaço e vertigem.
mulheres com baldes de água tirada de um poço correm,
e ouço a sua voz quase inaudível a dizer
que estão isoladas do mundo, lá, num além sem vivos.
ninguém, ninguém! pronunciam a custo
entre as nuvens de fagulhas da cinza,
entre borregos e ovelhas a tresmalharem-se, sem guia,
que fogem das fogueiras rasteiras à terra
e rentes ao céu, oh que altura!
vejo o avanço das chamas com a rapidez
misteriosa de um vento agreste
que parece procurar ainda folhas frescas
e carne fresca que não come, mas devora
com sofreguidão.
Vejo ao longe um desespero pálido
a invadir as almas aprisionadas
no ar sufocante daquela visão infernal a entoar
gritos de medo e sem uma lágrima.
as lágrimas secaram depressa demais! o calor intenso sufoca!
vejo os corpos prostrados de luta e mágoa;
já perderam a força capaz de vencer a morte
e enrolam-se com as mãos a parecerem
folhas abafadas pelo fogo e pelo fumo.
vejo as casas das aldeias perdendo os telhados
e as fotografias guardadas para sempre,
tornam-se um papel negro em que não está ninguém.
Vejo que os troncos revestidos de negro,
continuam firmes na sua grandiosidade.
esperam ainda a frescura outonal?
e uma brisa suave ainda chegará a tempo
de os ressuscitar e devolver à vida?
24/9/2024
Teresa Ferrer Passos
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
sexta-feira, 13 de setembro de 2024
quinta-feira, 12 de setembro de 2024
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
MAIS UM INSULTO À MULHER
TEMPOS IDOS QUE NÃO PASSAM
sábado, 17 de agosto de 2024
LEMBRAR Mário de Sá-Carneiro
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
UM POEMA
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
ACERCA DA POLÉMICA que eclodiu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024
"A Festa dos Deuses é uma pintura do artista holandês da Idade de Ouro de Utrecht Jan Harmensz van Bijlert", diz Jolli, o representante dos Jogos. Ora esta pintura é uma expressão mitológica com caráter burlesco, pois a figura central tem um resplendor, alusão à santidade da figura, o Cristo; as outras personagens comportam-se como se conversassem, gesticulando, como na "Última Ceia" de Leonardo da Vinci; há ainda uma nítida alusão à última ceia de Cristo e os discípulos ao colocarem-se num só lado da mesa, como acontece com o quadro de Leonardo da Vinci e com tantos outros pintores como a do holandês Jan Erasmus Quellinus (1634-1715). Estes pormenores do pintor Jan Harmensz, mostram à evidência que este quis parodiar a Última Ceia de Cristo, tal como o autor das imagens-quadro da cerimónia de apresentação dos Jogos Olímpicos Paris/2024. Até a perspetiva que é dada às figuras na mesa da "Ceia woke" mostra com marcada evidência o caráter caricatural ou paródico da imagem apresentada na Cerimónia de abertura destes Jogos Olímpicos. E como satiriza o pintor Jan Harmensz? Recorrendo à ultrapassada mitologia politeísta greco-romana que há longos séculos já ninguém venerava. O tempo dos ídolos morrera, mas não morrera para os pintores anti-cristãos que entendiam o burlesco, a troça, como o melhor meio de combater Cristo e os seus seguidores. Ridicularizar é uma forma de combate político e ideológico que continua na sociedade atual como se está a ver nesta cena "woke" na abertura dos Jogos Olímpicos.
Facebook 30/7/2024 (publicado em vários comentários)
domingo, 4 de agosto de 2024
UM POEMA
quando o tempo passa sobre as folhas dos altos plátanos
da minha rua, o seu verde intenso perde-se e não volta.
a cor infringe a cor da relva,
mais verde que a esperança.
um avatar cobre-as de um amarelo frouxo,
perdido do sonho de ser eternidade.
incapazes de entender, pois entendimento não têm,
tornam-se um cavalo a romper o bosque denso.
cada folha de tom amarelo-baço
solta-se dos ramos e o vento lesto,
eleva-as como brinquedos
nas mãos de uma criança que o mundo
ainda desconhece.
ouço pela janela entreaberta o vento a uivar.
a força estonteia-o. de que poder dispõe?
vejo pela janela entreaberta os ramos contorcidos
e as folhas a soltarem-se.
impotentes rolam pela rua como se fossem
apenas um pouco nada, um impossível ainda a ser,
e são apenas um não-ser que espera ser.
olho a vida breve das folhas feitas
de avatares nem sonhados.
como se desvaneceu o brilho intenso das folhas?
perdeu-se apesar de assentes em magníficas árvores
de raízes fundíssimas. poderosas. imponentes.
agora, toco a certeza de que tudo vive envolto
em incerteza, nada se renova,
nada se perpetua, nada se fortifica.
esta a única verdade que nos dá a vida.
e resvalamos para o gosto da perpetuidade.
vivemos à espera da mudança grandiosa e dos louvores.
oh grande ilusão esperar poder subir mais alto,
sempre mais e mais, sem ver quanto tudo é precário.
oh perdição, oh vanitas, oh coisa vã, insana,
oh vão desejo, oh grande engano deste mundo.
deste mundo em que tudo é passageiro.
4/Agosto/2024
Teresa Ferrer Passos






