UM OLHAR SOBRE A REVISTA «A IDEIA» (Outono de 2024)
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
terça-feira, 14 de janeiro de 2025

ANIVERSÁRIO
No teu Natal
no tempo se inscrevem as brincadeiras da infância
essas torrentes de amáveis paraísos
que não reconhecemos mais senão
nos intervalos das ondas que nos cobrem
de interrogação e surpresa.
Na nossa via de tropeções imprevistos
crescem o trigo e o joio. Os caminhos da cólera
avançam como meteoritos e os socalcos da paz
desvanecem-se como se preferissem ser esquecidos
para sempre.
Só a nossa força interior domina o indominável,
o estranho, o irreconhecível muro da realidade
forrado de enigmas que não conseguimos
resolver. Apenas somos capazes de superar
como se o infinito nos habitasse desde o
nascimento.
14/1/2025
Teresa Ferrer Passos
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
EÇA DE QUEIRÓS
8/1/2025
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
quinta-feira, 12 de dezembro de 2024
DOSSIER NATAL / 2024
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| Cabana do presépio de Jesus |
"Há de erguer-se povo contra povo e reino contra reino;haverá terramotos em vários lugares, haverá fome. Istoapenas será o princípio das dores"
Mc 13, 8
Bendito sejais.
Tudo à nossa volta nos fala tão alto
Do Vosso aguardado regresso
Que quase sentimos já a Vossa presença.
Do clamor das guerras, das doenças, das catástrofes
Nasce o anúncio do Vosso novo nascimento.
Que abençoada gruta Vos acolherá desta vez?
Que ditosos pastores Vos louvarão?
A Natureza, quase enlouquecida pelos nossos desvarios,
Anseia as Vossas doces palavras de conforto.
Os seres humanos parecem ter-Vos já esquecido
Ou ter-Vos reduzido ao ínfimo estatuto
De lenda bonita mas oca de sentido,
E já só têm por lei os caprichosos ditames dos seus egos.
Vem.
Não nos faças mais esperar.
Todos precisamos de Te ver, de Te ouvir, de Te tocar.
Que regresse o vendaval de Amor que tudo sara.
Que regresse a tempestade de Fogo que tudo limpa.
Que se cumpra enfim a promessa da Tua Paixão de há 2000 anos,
Mas desta vez sem cruz, nem espinhos, nem chicotes,
E só com o jorrar do mel dessa nascente
Que outrora abriste com a Tua dor.
Bem-vindo sejais.
19-12-2024
Fernando Henrique de Passos
A LUZ ROMPEU A NOITE
cresciam filamentos a desprezar a vida,
a ignorá-la como se ela nada significasse.
Esquecia as mães a rejeitar a morte dos filhos perdidos
para sempre na batalha que não esperaram nunca.
Uma secura imensa atravessava a boca das mães,
ávidas de beijos nessa espera cheia de futuro.
Os filhos partiam em barcos atulhados de bagagens.
Viam-nos partir. E ficavam com os seus corações partidos,
incrédulos. Quanto desaforo, quanta impiedade. Sobre
o regresso, a incerteza. Quantos imprevistos,
quantas feridas por sarar. Ou a própria morte a ser resposta.
Ansiosas, as mães esperavam. O regresso. Esperavam
numa submissão de revolta atordoada.
Esperavam impotentes.
Esperavam no desespero de nada poder mudar. No silêncio. (...)
Excerto de um poema de Teresa Ferrer Passos - escrito a propósito da comemoração do 50º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974 - para a revista de cultura libertária A Ideia, II série, vol XXVII, número triplo (104/105/106), Outono 2024.
Por vezes, falta-nos a sabedoria. E para isso, urge ter coragem de enfrentar o espelho da alma, a fim de reconhecer os erros e fracassos e utilizá-los em próprio benefício, ou seja, munir-se de inteligência.
É necessário que sejamos livres de culpas, sobretudo do passado, aquelas em que nada podemos fazer. Também é preciso não nos preocuparmos em demasia com o amanhã, pois há poucas certezas.
Digo sempre que é preciso sonhar, mas sonhar em grande, pois se os sonhos são pequenos, a nossa visão será pequena, incapaz de suportar as tormentas da vida. Só os grandes sonhos regam a existência com sentido. A vida dá muitas voltas. Não podemos pensar que enganamos a vida ou fugimos das voltas que o mundo dá. Tudo muda numa questão de segundos, seja uma vida, uma história ou um pensamento. Basta uma palavra, um sinal ou uma acção para modificar por completo o que até então era considerado certo. (...)»
O GRANDE MAGO INFINITO
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| Presépio miniatura da exposição de Luís Figueiredo no Núcleo Museológico de Santa Comba Dão (divulgado por Elsa Amaral no Facebook) |
viram os magos do Oriente,
na noite escura procuram; na noite, não no dia,
de dia nada desvendavam. nada entreviam.
ora, naquela noite escura demais, uma estrela pequenina
levou-os a uma casa pobre em Belém, no deserto.
a verdade, que magia, que saber imenso, iam conhecer
o Natal do Menino tinha no seu corpinho franzino
de um mago como eles, mas um Mago Maior,
um Mago todo ele Infinito.
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| PRESÉPIO no Presbitério da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima. Autoria da escultura Clara Menéres. |
A TODOS UM BOM NATAL,
UMA SERENA NOITE DE NATAL!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
Passagem de «Planeta Joyce 8»
«como Comando do Centro Superior de Vigilância do Império Global, lembrem-se, não posso ceder a estratagemas, a ardilosas maquinações ou a falsos argumentos que parecem ter em vista, antes de qualquer outra coisa, destruir os países que integram o Império da Globalidade e, assim, impor a ordem dos nacionalismos radicais dos estados da revolta unitária! (...) Já quase não tenho dúvidas sobre a vossa incúria e baixo nível tecnológico-científico ... e também vejo que a vossa incompetência só traz prejuízos aos interesses do Império do Sol Poente, a maior potência, alguma vez a dominar, o planeta Terra»
Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8 (Romance fantástico), Harmonia do Mundo, 2007, p. 79.
sábado, 7 de dezembro de 2024
A CATEDRAL incendiada em 2019, vive de novo em 2024
"Os grandes edifícios, como as grandes montanhas, são a obra dos séculos (...) Com certeza há aí matéria para bem grossos volumes e muitas vezes história universal da humanidade, nestas soldaduras sucessivas de várias artes, em várias alturas, sobre o mesmo monumento. O homem, o artista, o indivíduo desaparecem sobre essas grandes massas sem nome de autor; a inteligência humana resume-se e totaliza-se aí. O tempo é o arquitecto, o povo é o operário".
Victor Hugo, Nossa Senhora de Paris (1ª edição francesa, 1831), 1º volume, Livraria Chardron, Lelo & Irmão, Porto, s/d, p.137.
domingo, 1 de dezembro de 2024
Um poema inédito
REFLEXOS NO INTERIOR DE UMA CLEPSIDRA
sábado, 30 de novembro de 2024
No dia da morte de Fernando Pessoa
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
IMPROVÁVEL
sábado, 23 de novembro de 2024
O PESO DO MUNDO OU A VERGONHA
ao abismo de uma lei injusta em que caíram
os prisioneiros de um país chamado Salvador
.23/11/2024
Teresa Ferrer Passos
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
terça-feira, 12 de novembro de 2024
Comentário de Teresa Ferrer Passos em 12/11/2024 ao post da editora Leya no Linkedin e na sua página do Facebook em 13/11/2024:
"Premio Leya de Romance/2024. Autor Nuno Miguel Silva Duarte. Primeiro romance do autor. Título: "Pés de Barro". Este título lembrou-me de imediato outro título, "O Império com Pés de Barro", com precisamente a mesma temática: O império colonial português. "O Império com Pés de Barro" foi publicado por José Freire Antunes, jornalista e historiador, no ano de 1980, pela editora D. Quixote".
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
AS ÁRVORES
terça-feira, 5 de novembro de 2024
O INCÊNDIO DO HORIZONTE
E sempre permanecerás como a única.
Ergues-te agora na luz violeta do último pôr-do-sol
E o teu olhar aponta o firmamento,
Muito acima dos escombros do mundo
E do incêndio do horizonte.
Só tu dás sentido ao absurdo.
Só tu és a guardiã das razões ocultas de Deus.
Só tu és a chave do Grande Enigma.
E quando as últimas luzes exteriores
Por fim se apagarem
A memória do nosso primeiro beijo
Iluminar-nos-á por dentro
E conduzir-nos-á à Eterna Madrugada
Que desde sempre nos aguarda.
5/11/2024
sábado, 2 de novembro de 2024
DIA DE FINADOS
Neste Dia dedicado à memória de todos aqueles que já atravessaram o rio do Hades ou a fronteira do esquecimento, rogo a Deus que os receba com a Sua misericórdia infinita. Que a memória dos que partiram deste mundo para o Reino de Deus nunca se perca. E na terra dos homens tudo será bendito. A Graça infinita encherá a terra e Deus terá aqui a voz das Suas criaturas.
2/11/2024
Teresa Ferrer Passos
terça-feira, 29 de outubro de 2024
ÚNICA
Como um diamante encontrado na Lua.
Como uma Rainha em trono republicano.
Como um quadro juntando o óleo e a aguarela.
Como uma poesia surrealista escrita por Camões.
Como uma flor solitária no altíssimo pico do Evereste,
desafiando o gelo e a rarefação do ar.
E isso faz de mim o homem mais feliz do universo
Porque aceitaste um dia desposar-me.
O CERCO
Ela tinha ruas feitas de pântanos que percorri
como um navio sem rumo, sem vela condutora.
Os horizontes
cheios de negra fuligem esvaiam-me
e as palavras tombavam inquietas
onde os gestos hostis deflagravam.
Os fossos de silêncio eram chaminés
exaustas de escombros
que o céu não tocava temendo acordar-me.
procurava sufocar-me mais.
Vi o sol escurecer.
Nesse instante a tua palavra
ecoou como um sol que não quebra
mas inebria, que não rejeita, mas acolhe.
que te envolviam também, caíram por terra.
E tu também acordaste.
A vida começava. Na incerteza e na certeza.
A vida imprevisível e fantástica.
Agora, já não era eu ou tu. Agora, éramos nós.
















