um desespero incontrolável imobilizava os meus
pensamentos cheios de suspeição.
não imaginava ver-te sem força
para andar. que visão flagelante
a pisar o meu coração
esmagado pela dúvida.
e tu, cada vez mais lento, caminhavas.
até os botões da camisa por abotoar numa imprevista
linguagem omissa para os meus olhos
afogados em pranto, me tocava de novo cada hora.
o movimento lento corroía-me e o impossível era visível. como
o silêncio era áspero. com um vazio na alma
via o teu corpo a minguar e,
ao mesmo tempo, a irradiar
a luz mais intensa que alguma vez caíra nos meus olhos.
20 de Outubro de 2026
Teresa Ferrer Passos

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