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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Na minha língua, viajo no mar


"Uma tempestade", pintura de Antonio Francesco Peruzzini


NA MINHA LÍNGUA, VIAJO NO MAR**


Perdido e sem sentido.
Mas nosso, o mar.
À sua beira, nos areais, Tejo adentro,
crepita nos ares um cheiro a perda,
a desconcerto, a rompimento.
O povo pobre, disperso ou em uníssono,
grita dentro de si um arraial cheio de mares
descobertos e em ruínas.
Ninguém troca palavras de esperança,
um desespero que toca as raias do inferno
avança.
E os pobres não podem ser dispensados
de contribuir para pagar a dívida do estado,
que não teve norte e foi injusto na governação.
Metam-se na barca e rompam novos mares,
disse o primeiro-Ministro. Os cofres estão vazios.
Os pobres, ao ouvirem isto, responderam:
O mar é a nossa língua cheia de naufrágios,
de caravelas e de Adamastores medonhos.
Não teremos medo, largaremos pelo salgado,
deixaremos este estado corrompido,
com tanta insensatez e loucura.
Depois, ainda o primeiro-ministro repetiu: Não, não temam
as saudades da natal terra. Rumem ao mar.
Aí está a salvação. Depois do temporal, regressem.
Portugal vai renascer.
Os pobres responderam: Iremos!
Levaremos o mar imenso da nossa língua.
E no mar da nossa língua em que viveremos
não se perderá do nome de Portugal,
mesmo sendo nós pobres,
sacrificados de impostos
por governos que nos defraudaram.
No mar, enfim, teremos paz.
O mar é do povo que o atravessou
no Século grande de Quatrocentos.
O mar que nos levou a outros mundos.
Esse mesmo mar será ainda nosso,
como o foi de Vieira, de Pombal ou de Pessoa.
O mar nos abraçará com as suas infinitas ondas
e nos abrirá as portas do mundo,
que nós escrevemos em língua lusa.
Nessa língua lusa a escrever-se,
a exaltar-se e a dobrar os novos
e não menos difíceis Cabos das Tormentas.
Ainda e sempre voltaremos, disse o povo.


27 de Novembro de 2012/18 de Março de 2015

                              Teresa Ferrer Passos

** Foi publicada a 1ª versão deste texto no Blogue Harmonia do Mundo em 27/11/2012). Esta 2ª versão substituiu-a e é datada de 18/3/2015.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Língua comum fortalece países da comunidade

A secretária de Estado das Relações Exteriores para a Cooperação, Exalgina Gambôa, defendeu ontem em Luanda que, apesar da dispersão geográfica, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve aproveitar as vantagens da língua comum para se afirmar como organização internacional.

Exalgina Gambôa, que falava na cerimónia de abertura da sétima Reunião dos Ministros da Educação da CPLP, afirmou que a ideia da integração dos Estados-membros em diferentes espaços regionais é um inquestionável factor de expansão.

Fonte: Jornal de Angola Online (31 de Março de 2012)