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quarta-feira, 5 de março de 2014

Desesperadamente, à beira das coisas...

«As relações do indivíduo com o meio social passam pelos objectos e pelos produtos transformados nas expressões mais tangíveis da presença da sociedade no seu ambiente, desde o momento em que tomam o lugar das "coisas naturais". A psicologia da vida social orientar-se-á para o estudo das relações do indivíduo com as coisas, uma vez que estas coisas são produtos sociais bem mais caracterizados e mais actuais do que os seres humanos que os realizaram.»
(...)
«Consumir é a nova alegria das massas, consome-se Mozart, museus, Sol, consome-se as Ilhas Canárias, (...). Consumir é muito mais que a simples aquisição pela qual o homem pretende inscrever-se no eterno (...); consumir significa antes exercer uma função que faz desfilar pela vida quotidiana um fluxo acelerado de objectos entre a fábrica e a lata de lixo, o berço e o túmulo, numa condenação necessária ao transitório.»
                
                  Abraham Moles, O Kitsch, A Arte da Felicidade
                   

sábado, 27 de julho de 2013

Um Caminho no Meio dos Caminhos



Deve haver um caminho entre as palavras,
Entre as palavras, as coisas, as pessoas:
A maneira certa de existir.
Um caminho em que se deixe de pensar
Na maneira certa de existir
E se caminhe entre os caminhos
Sem pisar nenhum:
Deve haver um caminho no meio dos caminhos.
Um caminho que não conduza a mais lugares
Pois não será preciso
E todos os lugares serão presentes.
Um caminho onde só estar
Seja o mesmo que percorrer todo o caminho.
E todas as metas virem ter connosco.
Um caminho em que olhar seja chegar
E em que todo o esforço para alcançar esse caminho
Seja tão só o esforço de deixar de fazer esforço.
Porque já estamos lá – resta sabê-lo.


27/7/2013

(Poema inédito)
                                Fernando Henrique de Passos