quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

COMO SE FOSSE O CÉU


numa orquídea pintei a tua face
desenhada por Deus num dia de céu azul.
era o dia catorze de Janeiro. o sol estremecia 
no horizonte e tu tinhas acabado de nascer.
coberta com uma echarpe de tule
branco olhei-te com a suavidade de um flamingo
que ainda não sabe voar. tu viste-me como uma sombra
de ti próprio e pareceu-te que essa sombra
sempre tinha existido na tua memória.
memória de uma luz que não engana
nem destrói nem abandona.
assim tudo começou.
a hora era vaga e dispersa.
era o dia  catorze de Janeiro
em que uma janela se abria
como se fosse o céu.

14 de Janeiro de 2026

                           Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL / 2025

 

Presépio  (ALDEPA, Alcantarilha)


À PAZ

Em grinaldas de flores secas está a paz.
Em troncos de pinheiro a crepitar na lareira
Em flocos de neve a descer entre o nevoeiro
No frio dissipado no aconchego do afeto.
A paz está onde nasce a alegria de oferecer,
A graça de não ter de fugir para viver,
De não ter de defrontar a morte para fugir à morte,
De salvar inocentes em vez de fazer deles a pira de culpados.
O fogo das chamas das torres apagou-se com água suave.
No incêndio dos corpos injustiçados a paz está
A brotar. Só com injustiças em nome da paz, se desvanecerá.

Teresa Ferrer Passos, Retábulo, Universitária Editora, 2002, p.28.


*


DE UM NÃO LUGAR OU DO ESPÍRITO



Post de Fernando Henrique de Passos in Facebook em 11/12/2025 


«O "dentro de vós" pode querer significar que o Reino de Deus se não vier de dentro de nós ninguém o pode viver porque aquilo que não passa pelo nosso 'eu' não pode existir verdadeiramente. Como diz Jesus, "o Reino de Deus não vem com aparência exterior", ou seja, é de ordem espiritual e não algo que é idêntico à matéria que é aparência e, por isso, que é exterior. O Reino de Deus será, assim, de uma outra natureza, uma natureza que é ainda hoje um mistério indecifrável para a ciência.»

Comentário de Teresa Ferrer Passos in Facebook em 14/12/2025

*

AS ORIGENS DO NATAL

 “Que cansaço estar sempre aqui em cima –
Os seres humanos parecem-me formigas,
As formigas parecem-me micróbios,
E não tenho amigos nem amigas.
 
Gostava de poder brincar –
Às escondidas, por exemplo.
Ninguém me ia encontrar
Se me escondesse no meu Templo
 
Gostava de não ser omnipotente –
Ter de pedir que me levassem pela mão
A ver o sol poente
No final de uma tarde de Verão.
 
Gostava sobretudo de ter mãe –
Que me passasse a mão pelos cabelos com meiguice,
Mas que me ralhasse também
Se eu fizesse uma tolice.
 
Gostava de não ser omnisciente –
Não conhecer o meu destino
E só saber que tinha de ir em frente.”
 
… E assim Deus se fez menino.

Fernando Henrique de Passos, Breve viagem nas margens do mistério, Hora de Ler, 2018, p.12.


*

«'Maria é bendita entre todas as mulheres'. Maria é bendita porque nasceu sem pecado. ela foi escolhida por ser a Mãe, por dar carne a Deus, e dar carne a Deus, não é uma bênção?»
(...)
«Mãe de Deus é o título mais importante da Virgem. (...). Maria é Mãe de Deus. Devemos estar gratos porque nestas palavras há uma esplêndida verdade sobre Deus e sobre nós: desde que o Senhor incarnou em Maria, desde então e para sempre, ele trás a nossa humanidade ligada a si. Já não há Deus sem o homem: a carne que Jesus tomou de sua mãe é também sua agora, e sê-lo-á para sempre» 

Papa Francisco, Avé, Maria, Bayard Éditions, 2019, pág.s 41-42 e 85.

*

OS TRÊS PASTORES-MENINOS

Nossa Senhora desceu da sua nuvem
E caminha no meio das flores.
O pólen vem dourar-lhe os pés descalços,
As abelhas poisam-lhe nas mãos.
O seu sorriso dissolve-se na música
Que se desprende das pregas do vestido
A ondular na luz que tudo envolve.
Os três pastores-meninos esqueceram as ovelhas.
Os três pastores-meninos abriram muito os olhos.
Os três pastores-meninos respiram devagar,
Avançam de mansinho em direção à Mãe.
Os três vão de mãos dadas,
Os três pé ante pé,
Os três julgam sonhar.
Mas nunca tinham estado
Tão perto de acordar.

Fernando Henrique de Passos, «Ecos abaixo do audível», Leiria, Hora de Ler, 2020, pág. 54.

*

HORIZONTE BAÇO


A voz da chuva não entoa hinos sacros
nas ruas sem luzes de Natal.
Parece um trovejar de vozes
assustadas, temerosas do futuro que desconhecem.
A voz da chuva perde-se no horizonte baço
como se fosse um martelo sem bigorna
ou um pequeno peixe a querer dizer Jesus
e a querer significar apenas divino.
A voz da chuva ouço-a devagar
com um sentido único, semelhante ao meu olhar parado
aos meus caminhos desencontrados
à minha perda de rumo
ao abismo ante uma
montanha perdida de si.

Natal, 24 de Dezembro de 2025

Teresa Ferrer Passos

*
A MAGIA DO NATAL


Ajoelhei-me aos pés do Deus Menino. Implorei que me ajudasse. O Menino fez-me levantar e falou com um sorriso: “Tudo está nas tuas mãos, só tens de querer e crer.” Então a Paz desceu sobre mim quando entendi o que Ele quis dizer. 24/12/2025 Fernando Henrique de Passos

                                  *
STABAT MATER

Mãe, vemos-te inscrita no céu azul e róseo,
a desceres do Paraíso com a luz de todas as estrelas.
A tua imagem transparece como um castiçal de mil braços.
E desces devagar, oferecendo mantos de amor às gerações.
Aqui, solitárias, à beira do desespero, elevam os olhos sedentos,
sedentos do teu amor de Mãe, cheia de compaixão.
E, escorre do teu regaço, uma misericórdia igual à de Deus.
Num instante, descobrimos o teu coração de “mater dolorosa”,
sentimos a doçura do espírito que te habita,
mesmo ainda aqui, ficamos deslumbrados, Mãe divina.
Como estendes as mãos suaves sobre as nossas faces,
com que tamanho alongas o olhar para os nossos olhos.
O teu sorriso sereníssimo, penetra-nos até ao coração.
Mais do que tudo, ó Mãe de Deus, falas conosco como se fosses
a mãe mais humana que conhecemos no mundo.
E pedes a nossa devoção como se te fizessem falta as nossas palavras,
falas-nos de teu filho, Jesus, de tal modo, que chegamos a vê-lo a chorar.
Será porque ainda percorre a via sacra de uma Redenção (sempre)
inacabada?»

Teresa Ferrer Passos, Stabat Mater, Hora de Ler, 2020, p.9.

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Um Natal no AMOR DE JESUS
e um Ano Novo com muitas alegrias

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 FOLHAS A ESVOAÇAR

E as folhas voltaram
a deixar os plátanos
da minha rua.
Como borrifos de chuva
trocaram a árvore forte
pelos tapetes dourados
a cobrir os passeios.
Quanta mudança
na sua vida breve
e, afinal, nela encontrei
todos os sentidos da vida.
9/12/2025
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

NO DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO


Recordando MARIA, na hora em que JESUS, o REDENTOR, na cruz do martírio, disse ao seu discípulo João: «Eis aqui a tua Mãe». Nesse instante, Jesus, o Filho de Deus e de Maria, elevava-a a Mãe da humanidade. Ao fazê-lo, o REDENTOR colocava-A no mesmo plano do PAI. Assim, pudemos dar a MARIA a dignidade de Co-REDENTORA.


À MÃE IMACULADA

Teus pés ensopados em lama tocaram a cruz
onde Jesus pendia pouco antes de expirar.
Teus olhos vermelhos de choro caíram sobre
as suas pálpebras quebradas.
Teus lábios ressequidos de febre beijaram a
sua face lívida.
Tuas mãos acariciaram seu torso ensanguentado
e frio. Então, enlevado por tanto carinho,
Ele elevou a face e disse: É esta a Mãe a
quem eu entrego toda a humanidade.

15 de Agosto de 2011

Poema «À MÃE IMACULADA» in Teresa Ferrer Passos, STABAT MATER, Hora de ler, Leiria, 2020, pág.75.


sábado, 29 de novembro de 2025

NÓTULA SOBRE UM ACUSADOR

 Nuno Camarneiro, é um Professor da Universidade Católica que se mostra irredutível na ausência do cristão comportamento, da própria razão da vinda de Jesus o Cristo à Terra. Revela-se implacável ao ponto de acusar um ser humano de "ter um pacto com o demónio", expressão dos tempos da "Santa" Inquisição que condenava, por não aceitar a liberdade de expressão do pensamento adversária, à terrível morte pelo fogo. Este Professor da UNIVERDIDADE CATÓLICA chega mesmo ao ponto de vaticinar-lhe, cito, "Será esse, possivelmente, o título de uma futura biografia de André Ventura." Como pode ser credível este Professor que se apresenta como o Bom e revela nas suas frases condenatórias seguintes, um único motivo do seu discurso, o ódio? Como conseguir a mudança de rumo de um acusado com este sentimento nefasto, chamado ódio?!

Teresa Ferrer Passos,  Facebook, 29/11/2025


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

 RECORDANDO O DIA DO ANIVERSÁRIO NATALÍCIO (8 de Novembro de 1923) DE FERNANDO DE PAÇOS (1923-2003), publicamos uma passagem do livro de Teresa Ferrer Passos intitulado «Fernando de Paços - Do "diário espiritual" inédito à poesia religiosa», Edições Carmelo, 2025, pág. 9-10:

«O “Diário espiritual” de Fernando de Paços é um manuscrito composto à medida que as interrogações sobre si se tornavam pertinentes. Escrevia de modo tosco, descuidado e pueril. Estas linhas foram escritas ao longo de doze anos, desde Abril de 1941 até Julho de 1953, quando deixava o lugar rural de S. João d’Arga, perto da sua cidadezinha, e rumava a Lisboa. Este rumo, tão inesperado, desenhara-se-lhe por influência do amigo e colega do liceu António Manuel Couto Viana.
É sobre essas linhas inéditas de Fernando Zamith de Passos Silva (nome completo), nascido em Viana do Castelo, em 8 de Novembro de 1923, essas linhas inéditas, dizíamos, a manifestar sempre a procura de um rumo que desejava ser indicado por Deus, que nos vamos debruçar. O manuscrito que nos chegou às mãos manteve-se desconhecido de seus familiares apesar de o autor o ter conservado na sua posse durante muitos anos. Em data desconhecida, deu-o a guardar a sua cunhada Esther de Lemos, que, poucos anos após a sua morte, os colocou à minha disposição e de meu marido, o seu único filho. Nas páginas do primeiro caderno do “Diário espiritual”, Fernando Zamith de Passos Silva assume vários pseudónimos, mas aquele com que identifica o seu diário é o de Fernando de Paços (este será o pseudónimo com que assinará a sua poesia e as mais de duas dezenas de peças de teatro infantil que publicou em vida).»

***

Um Papa - o Papa Leão XIV - não é suficiente para entrar em colisão com os muitos séculos em que a Igreja Cristã classificou Maria, a Mãe de Jesus Cristo, como co-redentora. A expressão nada tem de errado, pois a Anunciação do Nascimento do Salvador, referida nos Evangelhos, é-lhe apresentada como um acontecimento em que ela era chamada pelo Espírito Santo a assumir a maternidade do Messias e Salvador da humanidade. Se aquela jovem o tivesse recusado, o Salvador não teria nascido. O Espírito Santo esperou pelo seu "Faça-se em mim a Sua Vontade". Maria mostrou-se disposta a colaborar no Nascimento de Cristo. Assim, há uma real colaboração humana com o Redentor, Jesus Cristo, e isso em nada lhe retira o lugar de primazia como o Redentor que encarnou o próprio Espírito Santo, a quem chamamos Deus.
11/11/2025
Teresa Ferrer Passos

***

Athanasius, Bispo Auxiliar de Astana, Capital do Cazaquistão, responde ao Documento assinado pelo Papa Leão XIV (aqui, um pequeno excerto da publicação de Andrea de Jesus, no Facebook, hoje):
«(...) Pio XI afirma que, em virtude da Sua íntima associação à obra da Redenção, Maria merece com justiça o título de Corredentora. Ele escreve: “Por necessidade, o Redentor não podia deixar de associar a Sua Mãe à Sua obra. Por esta razão, invocamo-La sob o título de Co-redentora. Ela deu-nos o Salvador, acompanhou-O na obra da Redenção até à própria Cruz, partilhando com Ele as dores da agonia e da morte, nas quais Jesus consumou a Redenção do género humano. (...)
S. Efrém, o Sírio, Doutor do século IV, venerado pela Igreja como a “Harpa do Espírito Santo”, orou deste modo: “Minha Senhora, Mãe de Deus Santíssima e cheia de graça. Tu és a Esposa de Deus, por Quem fomos reconciliados. Depois da Trindade, Tu és a Senhora de todas as coisas; depois do Paráclito, Tu és outro consolador; e depois do Mediador, Tu és a Medianeira do Mundo inteiro, a salvação do universo. Depois de Deus, Tu és toda a nossa esperança. Eu Te saúdo, ó grande Medianeira da paz entre os homens e Deus, Mãe de Jesus nosso Senhor, que é o amor de todos os homens e de Deus, ao Qual sejam honra e bênção com o Pai e o Espírito Santo. Ámen.»
12/11/2025

 O Presidente de Angola João Lourenço desrespeitou o Presidente da República Portuguesa num discurso proferido a propósito dos "50 anos da independência de Angola", oferecida pelo Governo de Portugal, após o 25 de Abril de 1974. Nesse discurso, criticou a herança do colonialismo português, lembrando que Angola foi “oprimida e escravizada durante séculos” pelos Portugueses. Esqueceu-se, infelizmente, de concretizar os factos históricos que comprovariam essa "escravidão" exercida ao longo desses quatro "séculos de escravatura", como acusou!

17/11/2025 Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

PERTO DO CORAÇÃO DE SUA MÃE


                     a uma mulher da Guiné e à sua menina quase a nascer


quase a nascer a menina toda depende de sua mãe.
cobre-a um frio de neve e as lágrimas flagelam
seus olhos a entreabrirem-se de susto.
encobrindo-se na pele de sua mãe
escorrega-lhe das mãozinhas
uma suave caricia inesperada.
o seu coração pequenino procura o de sua mãe,
uma mulher já fraca demais, a ansiar não a perder de si.
viera para uma terra alheia, viera à espera de socorro.
da sua terra saíra em busca de salvação.
mas a terra, que parecia a prometida, agora
mandava-a para casa.
está tudo bem está tudo bem, ouvira.
com o coração sem compasso
estremece aquela mãe. porém a sua menina
não sente já o coração da mãe
perdera-o dos seus lábios trémulos.
um vento forte demais afastara-as
para sempre...
num cemitério entraram ambas à mesma hora.
breve fora o tempo do seu encontro.
que vida tão curta tivera a menina!
mas ela agora seguia de novo
o coração, o coração de sua mãe.

4 de Novembro de 2025
                                        Teresa Ferrer Passos



quarta-feira, 5 de novembro de 2025

GUIADOS PELA LUZ


Lanterna chinesa Ming

És luz na minha noite.

És luz de brilho mágico,
Capaz de iluminar
Os poços mais escuros,
Capaz de desvendar
Segredos ancestrais,
Capaz de revelar
Mil formas não sonhadas,
Trazendo à superfície
Do mundo da matéria
Indícios cintilantes
Das santas leis do Espírito.

És luz na minha noite,
Por ti tornada dia.
És anjo mensageiro
Com novas do Altíssimo.
És doce companheira
Do meu peregrinar.

Aquele anel singelo
Que um dia te ofereci
Desfaz-se agora em bênçãos
Que não sei se mereço,
Oh luz na minha noite!


5/11/2025
                 Fernando Henrique de Passos

ACÁCIA DE JARDIM A FLORIR


naquele dia cresceram jardins dentro de mim.
dia cheio de uma magia que eu desconhecia.
senti uma aragem a soltar-me os pensamentos
a ganharem novo rumos.

naquele dia ofuscada
por névoas e lágrimas e abandono
via as rosas crescerem mais depressa
e vi também na tua mão a rosa mais
vermelha da terra onde nasci.
irradiava uma luz trémula, baça, estranha
e nela descobri um mistério denso
envolto num real imaginário que não era vulgar.

naquele dia não me inundou mais a pobreza
de simples olhares a desviarem-se
nem silêncios perdidos de palavras.
um vulcão de lava com uma cor nunca vista
parecia ter-me tocado como se fosse uma asa
a pousar ao de leve no ramo
de uma acácia de jardim a florir pela primeira vez.

5/Novembro/2025
                                              Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

NO PRINCÍPIO...


UMA ONDA A SOLTAR-SE 


naquele dia escorria um nevoeiro intenso.
era a hora das matinas na minha alma
encerrada em paredes sem um murmúrio
num desses silêncios obscuros e densos.
naquele dia  cresceram flores nos caules inclinados pelo vento
desordenado e sem romper as minhas feridas impossíveis
de cicatrizar. e tudo deslizava devagar, sem se apagar da minha
memória cansada até à raiz da minha compaixão inútil.
naquele dia vi uma luz brilhar. 
naquele dia um som suave vibrou em mim
como se fosse uma onda a soltar-se toda do mar.

29/Outubro/2025
                                                Teresa Ferrer Passos



PUSEMO-NOS A CAMINHO HÁ 32 ANOS


Deus está connosco.
Bênçãos pela estrada.
Presença do divino
Nesta caminhada. 

A dureza da vida,
A presença da dor,
São amaciadas
Pelo nosso amor.

O Tempo nos ensina
A viver com Paz
Os anos difíceis
Que o Tempo nos traz.

Deus está connosco
Nesta caminhada
Que desde o princípio
Foi abençoada.

29 de Outubro de 2025
Fernando Henrique de Passos


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Que sociedade, hoje

«A pressa, o afã, a inquietação, e uma angústia difusa caracterizam a vida atual. Em vez de passear tranquilamente, as pessoas correm de um acontecimento para outro, de uma informação para outra, de uma imagem para outra.»

«Ser livre não significa somente ser independente ou não ter compromissos. Não são a ausência de laços e a falta de enraizamento que nos fazem livres, mas antes as ligações e a integração.»

Byung-Chul Han, «O Aroma do Tempo», Relógio D'Agua, 2016, pp. 46-47 (1ª edição, 2007).

domingo, 26 de outubro de 2025

Memória de Justiça a Álvaro Laborinho Lúcio

Álvaro Laborinho Lúcio, ministro da Justiça no Governo de Cavaco Silva, foi um Juiz sempre pronto a fazer Justiça sem reservas! Muitas decisões difíceis, tomou-as como ministro da Justiça! Porque Laborinho Lúcio só obedecia a valores humanos em que a Ética era soberana! Um homem de grande integridade em qualquer circunstância! Um Governante exemplar, modelo para as gerações futuras.

Paz à sua alma!
26/10/2025
                                                                                  Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O Presidente Donald Trump, o construtor da paz na Faixa de Gaza

A esperança renasceu nos corações após o Presidente Trump ter usado, hoje, da palavra no Parlamento em Jerusalém! Palavra cheias de intenções, de boa vontade, de fé em Deus e nos Homens, mesmo aqueles que se incluem entre os mais pecadores!

13/10/2025
                                                                                                      T.F.P.




domingo, 12 de outubro de 2025

 RECORDANDO A APARIÇÃO DE MARIA,

no dia 13 de Outubro de 1917

 Excerto do livro «STABAT MATER» de Teresa Ferrer Passos (Ensaio sobre Maria), Leiria, 2020, p.13:


«A Anunciação a Maria: o instante único

─ «Salvé, ó cheia de graça, o Senhor está contigo». O anjo não dissera o seu nome, mas dirigira-se-lhe como se ela se chamasse «cheia de graça». Como podia ser «cheia de graça»?! Que fizera para o ser? Que recebera de Deus e porquê? Quem era ela, afinal? Ali, à espera do tempo da coabitação com José, recebia uma mensagem divina espantosa. Deus dirigia-lhe a palavra, precisamente a ela, através de um intermediário angelical. Como escreveu Gianfranco Ravasi: «Na gruta de Nazaré encontram-se Deus e o homem, anulando qualquer distância». Como será na hora do nascimento de Jesus, a distância entre Deus e o que era humano parecia ter-se anulado: aqueles instantes divinos de saudação a Maria. De súbito, Maria escuta. E podia ter recordado o livro da Sabedoria: «Ela é um sopro do poder de Deus, (…) não se pode encontrar nela a menor mancha… Ela é o resplendor da luz eterna, espelho sem mancha da atividade de Deus, e imagem da Sua bondade». Neste livro, a sabedoria é definida como se fosse uma mulher; ora, essa mulher não poderia ser a mãe do profetizado Messias, o Salvador do povo de Israel? Não teriam estas palavras alguma coisa a ver com ela própria? Seria o seu nó às coisas do Senhor que O faria estar com ela? Pensava, sem perder uma só analogia com as Sagradas Escrituras: «Veio a mim o espírito da sabedoria», veio a mim o Senhor que é a Sabedoria? Desconhecida dos grandes, ainda tão menina, sem posição social elevada, poderia ela ser «a cheia de graça», por vontade de Deus, como lhe era anunciado, naqueles instantes a quebrar a normalidade dos dias?»

sábado, 11 de outubro de 2025

A PAZ a renascer das pedras sobre as pedras do terror

 Com os Acordos de paz para GAZA alcançados por magnífica iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump, parece estar a chegar Jesus CRISTO, o "Príncipe da paz", como escreveu o profeta Isaías, ao profetizar que Ele "dilatará o seu domínio, com uma paz sem limites". Que a paz chegue definitiva a estas regiões tão barbaramente sacudidas pela morte, a fome e a inclemente destruição de bens, desde o tremendo dia 7 de Outubro de 2023 até aos recentes e tão tenebrosos dias de Outubro de 2025.

11/outubro/2025 Teresa Ferrer Passos


sábado, 4 de outubro de 2025

Um Ministro de Portugal, perante os portugueses na flotilha humanitária para GAZA

A atitude crítica de Nuno Melo do CDS (partido que se afirma democrata e cristão) em relação ao reconhecimento do Estado palestiniano pelo Governo português, é pouco coerente com o princípio cristão de solidariedade com todos os povos do mundo, sobretudo com os mais fracos, os mais pobres e desprezados. O povo da Faixa de Gaza está a sofrer uma tragédia desde há dois anos, após o ataque terrível desencadeado pelo grupo terrorista Hamas contra cidadãos de Israel. O povo palestiniano não devia estar a ser penalizado com uma fome brutal, com a ruína inclemente das suas casas e com os infames ataques mortais a hospitais cheios de feridos, médicos e enfermeiros... As crianças, as mulheres, os idosos, os jovens, tornaram-se os "bodes expiatórios" dos atos do Hamas! O judaísmo dos israelitas está a ser aplicado em Gaza, dentro da sua linha histórica mais cruel, desde os tempos de Abraão e Moisés. A medida do Governo de Portugal de apoio ao lançamento dos primeiros alicerces para a constituição de um Estado democrático palestiniano na Faixa de Gaza, não podia deixar de ser posta em execução, ao lado de outros países, como o Reino Unido e a França.

21 de Setembro de 2025
                                                                                                 

Foram presos os portugueses que se encontravam na flotilha humanitária a caminho de Gaza. Como é que Israel, que quer ser tido por um estado de direito, prende pessoas cujo "crime" era levar produtos alimentícios e medicamentos, perante a miserável e aberrante situação do extermínio de quase setenta mil palestinianos civis da Faixa de Gaza, desde o 7 de Outubro de 2023?!!!!

4 de Outubro de 2025     
                                                                             Teresa Ferrer Passos                                                            

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

POESIA

 O poeta ascende até ao impossível e toma a palavra. No palco, os desprezados sobem com ele e saboreiam a palavra esperança. O poeta proclama-a até ao mundo que segue sem olhar para trás e enregelado em surdez.

2 de Outubro de 2025 T.F.P.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

E se de nós nada puder ficar?  Insólita visão. 
Por isso, mesmo se for pouco o que de nós ficar,
será como uma imensa luz a afagar-nos.
  29/9/2025                                                                                                                                                                 T.F.P.
                                                     

sábado, 27 de setembro de 2025

Quando a poesia se torna fogo de Deus

"Nós somos os que se desassossegam de véspera, às portas da escuridão, do vazio e do informe, temendo o abismo. Os nossos passos são, com efeito, como aqueles do humano 'que avança no nevoeiro'. Não obstante, diga-se, avançar no desconhecido é ensaiar aquela mesma fé ladrilhada de dúvidas, tão fértil que aprofunda ainda mais as raízes da sua confiança. Quem ousará, diante do abismo, arriscar perder-se a si próprio? Não será, porventura, a escuridão o lugar propício para o amadurecimento da salutar virtude da confiança?"

Bruno Ricardo Gonçalves Pinto, «Poesia de Deus nas vésperas do fogo», 24/9/2025 in internet, Pastoral da Cultura.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A ousadia de partir, ante o pântano em que nos atolaram

 PEQUENO EXCERTO DA «ODE MARÍTIMA»

DE FERNANDO PESSOA
«Ah, seja como fôr, seja por onde fôr, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstracta,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!
Todo o meu sangue raiva por asas!
Todo o meu corpo atira-se prá frente!
Galgo pla minha imaginação fora em torrentes!
Atropelo-me, rujo, precipito-me!...
Estoiram em espuma as minhas ânsias
E a minha carne é uma onda dando de encontro a rochedos»
In Obras Completas de Fernando Pessoa, «Poesias de Álvaro de Campos», Ática, Lisboa, 1944, pp.171-172.

sábado, 20 de setembro de 2025

SEM OBRAS, DE NADA SERVE A DOUTRINA

Papa Leão XIV

 
Uma Boa Notícia vinda do Papa Leão XIV e acabada de receber!
Não se enquadra nos Evangelhos cristãos qualquer eventual
reforma relativa às mulheres e fiéis LGBT+ .
Uma tomada de posição inequívoca de Leão XIV e,
sem dúvida necessária, para esclarecer aqueles que ainda 
julgassem que entre ação e doutrina poderia não haver correspondência.

19/9/2025
Teresa Ferrer Passos


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Fernando Pessoa, retrato de Almada Negreiros (1964)


BREVE PÁGINA CRÍTICA DE FERNANDO PESSOA

(...) "Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza.
As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta,
as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia
sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos;
porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda
impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo."

Fernando Pessoa, Texto de Crítica e de Intervenção, Ática, 1980, pág.151.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

DA «ODE MARÍTIMA» DE FERNANDO PESSOA

 Aqui, um excerto deste longo poema inigualável: 


(...) Gostaria de ter outra vez ao pé da minha vista só veleiros e barcos
                                                                                        [de madeira,
De não saber doutra vida marítima que a antiga vida dos mares!
Porque os mares antigos são a Distância Absoluta,
O Puro Longe, liberto do pêso do Actual...
E ah, como aqui tudo me lembra essa vida melhor,
Esses mares, maiores, porque se navegava mais devagar.
Esses mares, misteriosos, porque se sabia menos dêles.

Todo o vapor ao longe é um barco de vela perto.
Todo o navio distante visto agora é um navio no passado visto
                                                                                     [próximo.
Todos os marinheiros invisíveis a bordo dos navios no horizonte
São os marinheiros visíveis do tempo dos velhos navios,
Da época lenta e veleira das navegações perigosas,
Da época de madeira e lona das viagens que duravam meses.

Toma-me pouco a pouco o delírio das coisas marítimas,
Penetram-me fisicamente o cais e a sua atmosfera, 
O marulho do Tejo galga-me por cima dos sentidos,
E começo a sonhar, começo a envolver-me do sonho das águas (...)

In «Obras Completas de Fernando Pessoa», II vol. «Poesias de Álvaro de Campos»,
Edições Ática, Lisboa, 1944, pág.169.


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

PARA ONDE SE ENCAMINHA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DO PENSAMENTO?

Charlie KIRK


 CHARLIE KIRK, que acreditava ter a liberdade de oferecer o seu pensamento aos jovens, cai e morre sob os tiros de uma arma. Fatal. Estava numa gigantesca reunião de estudantes, na universidade de Utah, (EUA). Só porque o ódio foi mais forte, a violência abateu a paz da palavra de Charlie Kirk. Será este o futuro daqueles que têm fé, os cristãos como ele, que ensinam com entusiasmo inexcedível a doutrina ensinada por Cristo? Por quanto tempo a violência nos pré-anuncia serem as nossas palavras rejeitadas, silenciadas, mais, sermos abatidos na praça pública sem piedade?

11/Setembro/2025

Teresa Ferrer Passos

***

Charlie KIRK desde os 18 anos que se notabilizou como um orador de excelência, que procurava expandir os princípios morais cristãos. Gostava de defrontar os seus inimigos pela palavra, dialogar com aqueles que se lhe opunham mesmo com agressividade e ameaças à sua integridade física. Nunca desistiu de envolver especialmente as muitas universidades dos EUA. Afinal acabaria, quando começava a dialogar com estudantes na universidade de Utah, por ser atingido por um dispara fatal no pescoço. Um crime hediondo. Com este fim fatal, nunca posto em causa por Charlie Kirk, morreu na sua muito difícil missão moralista cristã. Afinal, ainda há mártires entre uma juventude que não abdica da divulgação da sua fé.

12/Setembro/2025

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

UM PROFESSOR, HOJE

 O depoimento da professora Ruth Toledo (Belo Horizonte, Brasil) publicado por Paulo Marques no Facebook, é sintomático da sociedade que estamos a construir. O que se passa no Brasil é decepcionante, como denuncia esta professora primária à beira da reforma. Mas o que se passa em Portugal não é diferente. assim como em muitos outros países desta civilização ocidental, que tem crescido sem um objetivo alto, uma alma de fraternidade, um coração de humildade, um sentido para uma vida com valores. Cada um só olha para si próprio, como se os outros nada significassem, nenhum valor possuíssem. O desrespeito pelos mais velhos tornou-se o emblema do vencedor. A internet idolatra-se como se fosse humana e tudo o que era humano se esquece ou ignora-se ou despreza-se.

10/9/2025
Teresa Ferrer Passos

 AINDA A TRAGÉDIA DO ELEVADOR DA GLÓRIA

Os ataques dirigidos ao engenheiro Carlos Moedas primam por falta de senso ou, dito de outro modo, falta de sensatez. No tempo a seguir ao acontecimento, o presidente da Câmara de Lisboa devia assumir, dizem, a responsabilidade pelos que morreram e pelos feridos, mesmo antes dos apuramentos técnicos conducentes á descoberta das causas do que aconteceu. Rapidamente se deviam, assim, identificar os culpados de que o Presidente da Câmara era o primeiro. Os outros culpados viriam a seguir. Estas tomadas de posição, em catadupa (televisões, rádios e redes sociais), mostram que o que interessa, nesta sociedade, é a denúncia dos eventuais culpados, não é, como devia, a procura de soluções para obstar a que acidentes como este se voltassem a verificar. O importante é mesmo solucionar, se for possível, erros de conceção na máquina ou suspender a sua circulação. Contudo, parece que, nesta sociedade, só interessa ter ganhos políticos com cada acidente que acontece. Esta conduta imoral repete-se em acontecimentos semelhantes. Por isso, a culpa, a culpa precisa-se!
8/9/2025
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

A TRAGÉDIA DO ELEVADOR DA GLÓRIA

O icónico elevador da Glória inaugurado em Lisboa, em 1885, caiu ingloriamente e com ele tombaram dezassete pessoas a quem só resta o regresso aos seus países ou à sua Lisboa, atravessados pelos ferros brutais de uma viagem breve, tão breve como a sua morte irremediável e sem resgate.

No dia 24 de Outubro de 1885, seria inaugurado em Lisboa, o primeiro Elevador da Glória. 

Nada permanece, a decomposição é uma iminência, a mudança fragmenta a cada instante. Ninguém se fie na sua imagem de hoje, a duração é imprevisível. Se o tempo não existe, como separar os seus instantes? A realidade atroz de um elevador a despenhar-se na calçada da Glória em brevíssimos segundos, oferece-nos a chave que tantas vezes não encontramos.

Lisboa, 4 de Setembro de 2025

Teresa Ferrer Passos

 

Todas as máquinas se podem avariar, mesmo depois de vistoriadas pelos especialistas mais competentes. A Máquina é falível. A máquina é concebida pelo ser humano. O ser humano é falível. Neste caso, não se pode aplicar a ideia de culpa porque, neste caso, muitos seriam os "culpados". 

7/9/2025                                                                             Teresa Ferrer Passos