quarta-feira, 21 de março de 2018

Páscoa / 2018

Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

                                                
«Ouvindo a grande multidão, que viera à Festa, que Jesus ia chegar a Jerusalém, tomou ramos de palmeira e saiu ao seu encontro, clamando: "Hossana! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, O Rei de Israel!"»
                          Jo 12, 12-13



«(...) Perante todas estas vozes que gritam, o melhor antídoto é olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu último grito. Cristo morreu, gritando o seu amor por cada um de nós: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo.»

Da Homilia do Papa Francisco no Domingo de Ramos (24/3/2018)


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«Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, começou a multidão dos discípulos a louvar alegremente a Deus, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, dizendo: "Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!". 
Alguns fariseus disseram-Lhe, do meio da multidão:"Mestre, repreende os teus discípulos".
Jesus retorquiu:
"Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras"»
Lc 19, 37-40


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A morte de Jesus, rei dos judeus, na cruz 
                
NA CRUZ, PARA SEMPRE?

Jesus pendurado na cruz
há dois mil anos. Vejo-o com a paz
num corpo imóvel.
Morto. E morto, continua ali,
abandonado, de olhar sem luz.
Ninguém o vê descer
da cruz. Porquê, não sei.
Sei apenas que o escárnio,
o cuspo e o insulto de há dois mil anos
continuam, hoje, pregados
no seu rosto. Sem movimento algum
que lembre uma mudança.
A glória permanece nele, contudo.
É imensa. É eterna. É vitória.
Porém, ninguém parece dar por isso. 

Quinta-Feira Santa, 29/3/2018

                                       Teresa Ferrer Passos


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Na tarde desse dia, o primeiro da semana, veio Jesus e disse-lhes:
 "A paz seja convosco". Jo 20, 19


RESSURREIÇÃO

Ressurreição é muito, muito mais
Do que mera reversão da morte,
Do que voltarmos a ser tão vivos como antes,
Mortais mais uma vez,
Sujeitos à mesma condição,
À mesma tirania,
Cujo ferrete nos marcou
Antes até do nosso nascimento;
Ressuscitar não é voltar a ser,
Ressuscitar é ser de outra maneira.

Os fios físico-químicos da teia que nos prende
Podem romper-se
Como os fios do casulo da lagarta
Que teve de morrer
A fim de que um dia renascesse
Sob uma nova forma.

E Cristo escancara as portas do mistério,
Mostra os motivos da nossa servidão,
Aponta ao longe a liberdade,
Muito para além das grades de uma lógica
Que nos descreve o mundo como Lei
Da qual despontam as ordens mecânicas do medo.

Transformemos o nosso ser em confiança
E mergulhemos, de olhos bem abertos,
No oceano infinito do Amor…

Sexta-Feira Santa, 30/3/2018

             Fernando Henrique de Passos


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Crucifixão de Giotto (século XIV)

PARA ALÉM DE MIM


A dor de um pesadelo penetra no meu sangue,
o pesadelo da cruz que carrego nos dias,
dias intermináveis, esgotados, sem fim.

Ó Maria, o olhar do teu coração de Mãe sangra 
devagar no meu tronco enviesado em sombra.

Ó Maria, Mãe atravessada pelo meu pó 
feito do universo inteiro, pega-me na mão!

Ó Maria, Esposa num silêncio vago, de susto, 
as tuas lágrimas flagelam
a verdade do mundo inteiro.

21 de Março de 2018
                                                       Teresa Ferrer Passos


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Flores no deserto de Judá

ACERCA DA PAIXÃO DE CRISTO


Não é possível conceber situações físicas em que a distância de A a B seja diferente da distância de B a A, mas no mundo do Espírito isso pode acontecer, e é de facto o que acontece na relação de Deus com o Homem: Deus vê o Homem infinitamente perto, pois habita no seu interior; o Homem vê Deus infinitamente longe, pois só tem olhos para o exterior. Na Encarnação, para se tornar próximo do Homem, Deus tornou-se exterior a ele. Assim, o Homem conseguiu ver Deus ao pé de si, mas ao mesmo tempo Deus passou a sentir-se infinitamente distante do Homem, porque separado dele como nunca fora. A agonia da cruz é o paroxismo desta separação ─ aquilo que em teologia se chama derrelição. O que nós vemos na Paixão como tortura física deve ser para Deus uma picada de alfinete. (De resto, infelizmente, muitos homens passaram já por torturas semelhantes ou até piores.) Mas essa dor física representa-nos a dor que nós não podemos ver: a dor espiritual, verdadeiramente infinita, do Criador que se vê apartado das Suas criaturas.

15/4/2017 (e Páscoa/2018)
Fernando Henrique de Passos




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«Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai é que O deu a conhecer»
Jo 1, 18


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terça-feira, 13 de março de 2018

A dinâmica evangélica do Papa Francisco



O Papa emérito Bento XVI escreveu uma carta por ocasião da apresentação de A Teologia do Papa Francisco, da Livraria Editora Vaticana, sublinhando: «Aplaudo esta iniciativa que se opõe e reage ao preconceito tolo segundo o qual o Papa Francisco seria apenas um homem prático, desprovido de uma particular formação teológica ou filosófica, enquanto eu seria unicamente um teórico da teologia que teria pouco entendido a vida concreta de um cristão hoje».

Estas palavras do Papa Bento XVI mostram como estes cinco anos do Pontificado de Francisco trouxeram um sucessor de quem se sente orgulhoso. Nestes cinco anos, o Bispo de Roma foi capaz de dinamizar a Igreja Universal, com uma linguagem certeira, sem lhe retirar uma funda reflexão ao fazer notáveis comentários do Evangelho, com duas dimensões maiores: o rumo aos pobres e o rumo às virtudes.

O Papa Francisco ressuscitou, após quase oito séculos, o espírito bom e sábio daquele Francisco de Assis que orando, perguntou a Jesus: «Senhor, que quereis que eu faça?». E ouviu esta resposta: «Reconstrói a minha igreja que está em ruínas». Os dois rumos - o dos pobres e o das virtudes - também têm estado sempre presentes no espírito e na ação do Papa Francisco.

Em Francisco de Assis e no Papa Francisco, os dois rumos foram seguidos até à ousadia, ao risco, à perseguição dos seus contemporâneos. Este o preço, hoje como no passado, de estar disposto a perseverar, com indomável vontade, numa fé inabalável.

13 de Março de 2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 12 de março de 2018

No 5º aniversário da eleição do Papa Francisco


O Papa Francisco completa, amanhã, dia 13 de Março de 2018, cinco anos de Pontificado da Igreja Católica.

De um desassombro imprevisto, o Papa Francisco soube marcá-los pela coragem de ser polémico para romper com erros; de pôr em causa tradições pouco fiéis a Jesus Cristo; de usar uma linguagem capaz de atrair um mundo hostil.

E soube, sobretudo, defrontar a sociedade laica e eclesial, com um olhar frontal, transparente e audaz apesar de toda a contestação daqueles que não se interrogam, não se conseguem interrogar, perante Deus.

T.F.P.

Recordemos palavras do Papa Francisco, proferidas há poucas horas na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano:

«"Onde está a fé? Ver um milagre, um prodígio e dizer: ‘Mas Tu tens a potência, Tu és Deus’, sim, é um ato de fé, mas pequenino assim. Porque é evidente que este homem tem um poder forte; mas ali começa a fé, que depois deve ir avante. Onde está o seu desejo de Deus? Porque a fé é isto: ter o desejo de encontrar Deus, encontrá-Lo, estar com Ele, ser feliz com Ele." (...)

“Porque existem muitos cristãos parados, que não caminham; cristãos atolados nas coisas de todos os dias – bons, bons! – mas não crescem, permanecem pequenos. Cristãos estacionados: estacionam. Cristãos enjaulados que não sabem voar com o sonho a esta bela coisa para a qual o Senhor nos chama”.»

sexta-feira, 9 de março de 2018

O Sacrifício de Cristo é gratuito



«A Missa não se paga. É o sacrifício de Cristo, que é gratuito. A redenção é gratuita.»

     Papa Francisco na «Oração Eucarística», no Vaticano, em 7 de Março de 2018.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Hildegarda de Bingen, talvez a primeira a lutar pela emancipação da mulher


Pintura de Hildegard von Bingen



     Hildegarda de Bingen (1098-1179), nasceu no Sul da Alemanha e ingressou na ordem beneditina na infância. Aos 15 anos professou. Na biblioteca do mosteiro, o estudo aliou-se à sua inteligência e sensibilidade. O seu gosto pelo aprofundamento dos conhecimentos da época, tornou-a uma das mulheres mais sábias da Idade Média. Cultivou a pintura, a medicina, a teologia, a música gregoriana, a biologia e a poesia.

     A sua vida mística conjugou-se com a sua capacidade profética. Contra aqueles que a olhavam com desconfiança por ser mulher, nunca abdicou de defender a pureza do Evangelho de Cristo. As suas cartas a criticar um clero ávido de benefícios e pouco escrupuloso na prática da doutrina de Jesus, mostraram a sua personalidade arrojada, intemerata mesmo. Não tinha medo de denunciar os que desobedeciam a Deus, de combater heréticos assim como de se impor perante o próprio Papa.

     Fiel aos princípios de uma Igreja unida à volta de Jesus, escreveu lindos poemas à Virgem, «Santa Maria», sempre realçando as suas imensas virtudes. Escreve Hildegarda: «O teu Nascituro do céu enviado deste ao mundo». Na invocação do poema XXI de «Santa Maria», chama a atenção para Maria como «autora de vida» e também aquela que «reedifica a salvação»(1). 

     No poema XXV de «Santa Maria», Hildegarda eleva-A ao ponto de dizer: «Tu a morte destruíste / edificando a vida»(2). Assim, poderemos dizer que Maria é a Mulher única. Maria é a Mãe única. Ela é a «bênção suprema / em feminina forma / mais que toda a criatura», acentua Hildegarda. O seu estatuto é único, como Mulher e como Mãe. Então, não sobe Ela à altura de Deus? Pois, insiste ainda, Maria destruiu a morte: «Ilustre Virgem a destruiu»(3). 

     A Devoção solicitada ao mundo por Maria, a Senhora que «vem do Céu», como se identificou à escolhida pastorinha Lúcia, uma menina de dez anos, que iria transmitir a toda a Terra, as suas mensagens, confirma a altura a que subiu. Como Maria revelou a Lúcia, seu Filho, Jesus, enviava-A ao mundo para A «fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu imaculado coração» (4) 

     Na verdade, a Mulher foi o veículo a quem Deus teve de recorrer para a salvação da morte irremediável da humanidade. Assim o salientava Hildegarda, já no século XII. A salvação para o ser humano alcançar a vida eterna exigira a encarnação de Deus. Mas, o Salvador, o Filho de Deus, só podia salvar todo o ser humano com a plena colaboração de uma Mulher, e essa Mulher chamou-se Maria.

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março de 2018

Teresa Ferrer Passos

(1) Hildegard von Bingen, Flor Brilhante (Tradução de Joaquim Félix de Carvalho e José Tolentino de Mendonça), Assírio & Alvim, 2004, p. 71. 
(2) Idem, Ibidem, p.73.
(3) Idem, Ibidem, p.79.
(4) Um Caminho sobre o olha de Maria – Biografia da Irmã Lúcia, Edições Carmelo, 2013, p. 57.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Marcas que nunca passarão. A guerra



 Guerra na Síria

É urgente abrir uma via diplomática entre as partes beligerantes, Governo de Assad e rebeldes, com apoios na Rússia e nos EUA. Uma intervenção com carácter de urgência impunha-se da parte do Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, mesmo que tivesse que arriscar uma viagem a Damasco, a Moscovo e a Washington.
Grandes combates em Goutha, já deixaram mais de 1.000 crianças mortas ou gravemente feridas, desde há dois meses - Janeiro e Fevereiro de 2018 -, afirmou um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef.

(Nota: Comentário no Facebook em 3/3/18, a propósito do artigo de Henrique Monteiro «Síria: A vergonha do mundo» (in Expresso, 3/3/2018)



Hoje é a Síria, amanhã dizem-nos que é a República Centro-Africana, depois de amanhã é a Venezuela... O mundo está a ser palco de uma onda gigante de violência nunca vista.

E começa logo nas famílias, os maus tratos aos velhos, às crianças, à mulher; os jovens nos EUA solitários e a disparar a morte nas escolas sobre outros jovens. Os crimes e as catástrofes naturais completam o cenário tão trágico que gera a revolta onde ainda não grassava e o inconformismo onde ainda havia esperança no coração. Que fazer? É a pergunta fatal que resta fazer. E Henrique Monteiro responde com o seu espírito acutilante e certeiro: Eis, "a vergonha do mundo".

Estamos cercados, a impotência em nós, num mundo dividido entre os poderosos e os pobres, entre os perseguidores e os perseguidos, um mundo a resvalar todos os dias para novos abismos, a abrirem-se como feridas que fecham depois, mas deixam cicatrizes, marcas que nunca passarão.

4/3/2018
Teresa Ferrer Passos




sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Na morte do Padre Dâmaso (1930-2018)



Padre Dâmaso Lambers

O Padre Dâmaso era Capelão da Prisão do Linhó, Sintra

Colaborador durante muitos anos da Rádio Renascença, escutei sempre com muito apreço as suas crónicas, transmitidas pelas 20, 30 h. Era a palavra do missionário que sobressaia. Uma palavra cheia de entusiasmo que sabia comunicar como poucos. A força que imprimia às suas mensagens radiofónicas, acentuava-se sempre pelo carinho muito especial pelos caídos nas malhas da prisão. E como o padre Dâmaso acreditava sempre poder levantá-los.

Amanhã, sábado, será celebrada missa de corpo presente, presidida pelo Cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo (à Estrada de Benfica), em Lisboa.

23/2/2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Aventura

Na igreja de S. Nicolau em Lisboa, em 19 de Fevereiro de 1994

(no 24º Aniversário do nosso casamento)

Que força nos trouxe até aqui,

Tão juntos, meu amor, e tão unidos,
Nas madrugadas em que rebentam tempestades
Com que o mundo pretende dissuadir-nos
De alcançar a luz do meio-dia?

Que mistério no côncavo das mãos,

– De duas mãos, a minha, a tua mão –
Que mistério nas duas enlaçadas?

Que vento a soprar de muito longe

Arrasta estrelas, e as lança no caminho,
Para que sejam o pó que nós pisamos?

Se só Deus sabe, amor, aonde vamos,

Sabemos todavia, tu e eu,
Que tudo o que fizemos e fazemos
É feito apenas porque nos amamos…

19/2/2018


Fernando Henrique de Passos

O tempo da paixão



Ventura foi a minha aventura de dar, na 
transparência do ser.

O princípio de mim
e o fim de ti entre-cruzados.
A paz a soltar-se e a sorver, sem tréguas,
a angústia acumulada e já caída por terra.

O olhar doce do meu caminho penetra a tua pureza.
As tuas palavras fundas e tão simples,
sem tempo algum, brotam cada hora em mim.

A leveza da paixão paira na memória,
desconhecendo o que é o fim e quase sem princípio.

O tempo da paixão,
igual desde o começo até ao fim do tempo,
num amor sem contar as horas, os dias ou os anos.
Só os relógios nos lembram a data, afinal, inesquecível! 

19 de Fevereiro de 2018

(no 24º aniversário do nosso casamento
na igreja de S. Nicolau, em Lisboa, sete meses
após nos termos conhecido na Fundação Gulbenkian)

                                                Teresa Ferrer Passos



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ORAÇÃO A S. FRANCISCO DE ASSIS

Francisco diz, olhando o Cristo de madeira corroída pelo caruncho. «Senhor, que quereis que eu faça?» Escuta: «Reconstrói a minha igreja que está em ruínas». Os destroços da hipocrisia caem sobre os Papas e os Cardeais. São eles os primeiros. Pregam o Amor e não lhe são fiéis; pregam e sabem que não dizem a verdade.

Francisco, reconstrói a Igreja de Jesus, hoje, lá dos Céus onde subiste, despido de vénias solenes e de louvores aos doutos cardeais.

Francisco, arrasa o cinismo dos primeiros,  que não olham as pessoas de frente e atrofiam no seu desprezo, as almas bem intencionadas.

Francisco, lembra aos primeiros, investidos em subterfúgios, para romperem com seculares tradições não assentes em Jesus, o Deus vivo, mas em outros cardeais de falsas sentenças.
   
Francisco, pede a Jesus que seguiste, e só a Ele seguiste, que derrube os primeiros dos seus tronos de soberba e deixem de viver tão distantes das Suas criaturas, numa Criação belíssima. 

12 de Fevereiro de 2018
(a propósito de uma Nota de 6 de Fevereiro de 2018 do Cardeal Manuel Clemente)

Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A cultura do ecrã

A Livraria Leitura a fechar as suas portas... Aí fiz o lançamento do romance "O Segredo de Ana Plácido", publicado em 1995... Mais uma Livraria de qualidade da cidade do Porto, que se apaga! Em Lisboa, o caminho seguido tem sido o mesmo. Lembramos o caso recente da livraria Aillaud & Lellos, no Chiado. A cultura do ecrã que hoje domina a sociedade, ao ser veiculada por grandes grupos económicos empanturrados até ao delírio com as vantagens de um consumo desenfreado, vai matando, ao ignorar, os valores das minorias. As minorias cada vez mais consideradas inúteis e prejudiciais! E nestas minorias se incluem, talvez, e, em primeiro lugar, as pequenas livrarias dos bairros antigos das nossas cidades...
T.F.P.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Itinerário Novo: uma Escola do Santuário



Uma Escola do Santuário começou, este mês, no Santuário de Fátima, dedicada às questões levantadas pelo Papa na sua visita a Fátima, a 12 e 13 Maio de 2017.





Nos dias 27 e 28 deste mês, o primeiro Itinerário, da responsabilidade do Padre José Nuno, partiu da frase do Papa Francisco: "Nossa Senhora de Fátima - Qual Maria?".

O objetivo do Diretor do Departamento de Pastoral da Mensagem de Fátima, Padre Doutor José Nuno Ferreira da Silva, é aprofundar as interrogações deixadas pelo Papa na Capelinha das Aparições, para corrigir alguns desvios da devoção mariana e descobrir Maria como "uma Mestra da vida espiritual"; a "bendita por ter acreditado" e a "Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja Orante". A 17 e 18 de Março, o tema genérico será a "Trindade e Eucaristia, adoração e solidariedade"; em Abril, nos dias 21 e 22, fala-se sobre "Sofrimento e liberdade, sacrifício e reparação".

Bem vinda, a Escola do Santuário!
T.F.P.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Celebração

Fernando no seu trabalho diário, em 2008

neste dia, o sol veio ter connosco
como se tivesse fome.
não sei porquê, mas a luz do teu olhar
encandeou-o, de súbito.

Pus a mesa com a toalha de renda
e uma vela sobre o bolo a indicar mais um ano.
Ao lado, o presépio ainda. E olhamos
o Deus que nasceu há tão pouco,
como tu, num dia frio,
tão igual, tão diferente...
Hoje é dia dos teus anos.
Vamos ver a tua mãe, para celebrar.
Como no dia em que nasceste, celebremos,
com alegria. Celebremos a vida,
bem dentro de ti e a renascer 
à altura dos teus sonhos!  

14 de Janeiro de 2018
                                                             Teresa Ferrer Passos

domingo, 7 de janeiro de 2018

A assistência aos doentes nos hospitais, no Portugal contemporâneo

Hospital de Faro, Serviço de urgências

Ontem, na RTP, as imagens (seria a prisão de Guantanamo?!) dos doentes "empilhados" no hospital de Faro, capital do Algarve, foi atroz! Como é possível, em Portugal e, precisamente na região de turismo mais rica deste país, os doentes sejam tratados desta maneira cruel?! Ouvi estupefacta a voz que dava testemunho do que se passa nesse hospital do SNS. Como é que os hospitais do SNS recebem e tratam os doentes?! Será que tratam ou deixam morrer?! É assim que os doentes são tratados?! Sem assistência, ou seja, sem a higiene primária, sem a alimentação necessária a qualquer ser humano?! Sem o tratamento humano mínimo?! Onde estamos?! Na Síria flagelada pela sangrenta guerra civil de anos?! Ou num dos países mais atrasados de África?! Estaremos na Europa com os seus valores humanos e humanizadores?! Ou continuamos com leis e mais leis inúteis e até sem uma legislação humanizada para o Sistema Nacional de Saúde?!!! Sucessivos ministros da Saúde nada fizeram! E em quantos outros hospitais de Portugal, a situação aberrante não é idêntica?!
E, agora lembro a atuação do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a ajudar os doentes com palavras e gestos no hospital do Rego, em Lisboa. Precisamente quando já podia andar, após uma cirurgia, não se fez rogado em dar auxílio aos mais fracos do que ele. Porque espera o pessoal de enfermagem e médico para o fazer, mesmo para além do seu horário pago? Será que só à custa de dinheiro é que se pode dar alguma coisa de nós aos doentes?! E deixam-nos, sem consciência, ali, nos corredores ou na urgência (?!), simplesmente abandonados....*

Lisboa, 7 de Janeiro de 2018
Teresa Ferrer Passos

* Este comentário foi endereçado (via e-mail da Presidência da República) ao Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Também foi publicado na página do Facebook da autora.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Dia de Reis, o encontro do Rei dos judeus pelos Magos do Oriente



«A estrela conduz os magos, primeiro, somente até à Judeia. É inteiramente normal que eles, à procura do recém-nascido rei dos judeus vão à cidade régia de Israel (Jerusalém) e entrem no palácio do rei; deveria lá nascer o futuro rei.» 
«O rei Herodes perturbou-se (Mt 2,3).»
«Herodes convoca todos os Supremos Sacerdotes». E a resposta é uma citação do profeta: " E tu, Belém, terra de Judá (...), de ti vai nascer o Príncipe que há de apascentar o meu povo de Israel".»
«Depois, os magos vêem de novo a estrela brilhante e seguem para Belém: "E entrando viram o Menino com Maria, sua mãe" (Mt 2, 10).»
     Do livro Jesus de Nazaré - A Infância de Jesus da autoria do Papa Emérito Bento XVI

O Menino, que se deveria chamar Jesus, o Rei divino esperado pelos profetas e anunciado pelo Anjo a Maria, não estava num palácio, como seria natural, mas deitado entre as palhas de uma manjedoura, na humildade maior e nunca suspeitada.
T.F.P.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

DOSSIER/NATAL 2017



CELEBRAREI O TEU NOME POR TODAS AS GERAÇÕES 


Virgem Maria Rainha

«(…) Mirra, aloés e cássia,
perfumam os teus vestidos.
Nos palácios de marfim, as
harpas te alegram.
As filhas dos reis, ornadas de jóias,
se apresentam,
e à tua direita, de pé, Senhor, está a rainha,
em ouro de Ofir.
Ouve, filha, vê e presta atenção:
esquece o teu povo e a casa do
teu pai.
Porque o rei se deixou prender
Da tua beleza,
ele é agora o teu senhor: ren-
de-lhe homenagem!
As filhas de Tiro vêm com os seus
presentes;
os grandes do povo rendem-te
homenagem.
A filha do rei é toda esplendor no
interior,
tecido de ouro puro é o seu
vestido (…)
Celebrarei o teu nome por todas
as gerações,
de modo que os povos te hão-de
louvar por todo o sempre»

Salmo 45, 10-12, 13-14 e 18*


*É neste Salmo que Andrea de Creta (santo para as Igrejas do Próximo Oriente) encontra o fundamento da sua devoção a Maria, Rainha.








Israel no tempo em que Jesus nasceu, em Belém



A ENCARNAÇÃO DE DEUS ou o Nascimento de JESUS


O "cantor do Verbo encarnado e da Imaculada Conceição de Maria", J. Duns Scott (1265-1308), filósofo e teólogo franciscano, viria a ser beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1993. Autor de Tratado do Primeiro Princípio, defendeu uma tese inovadora para o seu tempo: a Encarnação não se deveu ao pecado, mas a um plano salvífico do Bom Deus.

O plano salvador de Deus implicou logo a encarnação divina. Desde o Princípio. O nascimento de Jesus Cristo, Verbo divino era o epílogo. Perante um ser humano em que conviviam o bem e o mal e em que o bem era muitas vezes vencido, Deus sabia que era necessário intervir. Era preciso que o Seu Espírito Santo fosse conhecido, fosse revelado como um Pai que ama os seus filhos adotivos.

Era preciso que a humanidade se salvasse da morte irremediável que a condição humana implicava: “Não vim por causa dos justos, mas para chamar os pecadores ao arrependimento” (Mt 9, 13). 

Deus quis indicar, com a Palavra de Jesus, o Caminho do Bem. Com o nascimento de Jesus, o Deus que se torna humano, a salvação da morte é possível: com a pregação, o exemplo e a ressurreição após a morte na cruz, Deus oferecia o Seu reino espiritual a todos os seres humanos que O seguissem.

E foi através da aceitação da missão de ser a mãe do Salvador do mundo, que Maria Santíssima abriu as portas à salvação do Homem, aproximando do ser humano a eternidade. Tudo conforme a vontade do Altíssimo que «n’ Ela fez grandes coisas», com vista a concretizar uma nova e eterna Aliança entre Deus e a humanidade. Uma Aliança definitiva nascia com o nascimento Jesus, Filho de Deus e de Maria, a cheia de graça.

Porém, era necessário que o Homem quisesse aceitar a proposta divina. Por isso, Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mt 16, 24). 

Seguir a humildade do Presépio é seguir Jesus. Ao segui-Lo, realiza-se o plano supremo do Pai celeste que procura salvar todas as gerações da condenação do mundo material à morte. Pelo espírito bom se poderão salvar desta contingência.

Lembremos as palavras do Prólogo do Evangelho segundo S. João: «Ninguém jamais viu a Deus: O Filho único, que está no seio do Pai é que O deu a conhecer» (Jo 1, 18). E S. João oferece-nos um evangelho em que a santidade do espírito é prevalecente. A santidade, esse Caminho para a vida eterna.    


20/12/2017


Teresa Ferrer Passos









O MISTÉRIO DO NATAL

1. A Dúvida

Primeiro não sei nada,
só sei que o mundo inteiro
é interrogação
mistura sem sentido
de dor e de prazer.

Depois nasce um bebé
por baixo de uma estrela
num estábulo perdido
e dizem-me que é Deus.

O Todo-Poderoso?
O Criador de Tudo?
O Quase Inominável?
Que veio aqui fazer,
com formas tão humanas
e tão desprotegido,
tão ávido de leite
e do amor da Mãe?

E sofre como nós
(garantem-me que sim)
e morre como nós
mas vai morrer na cruz
em máxima agonia…

2. A Descoberta

… Mistério de uma noite
aberta em pleno dia
chupando todo o negro
como um mata-borrão…

… Mistério da bondade
de um Deus que abre o caminho
rasgando com seu corpo
as frestas que conduzem
do Mundo à Salvação…

Só temos de o seguir,
então porquê esperar?
Podemos começar
talvez neste Natal
olhando o tal bebé
tão semelhante a nós,
tão ávido de leite
e do amor da Mãe
mas contudo tão firme
tão forte na bondade
sereno na certeza
de que se ganha dando
e que as portas do Céu
estão desde sempre abertas
a quem se abre ao Amor.

19/12/2017

           Fernando Henrique de Passos









não podes vê-lo

mas sempre que estás com ele
vives um pouco mais de ti

e então respiras

o que ele é
veio através da chuva

e sobre ti
caiu

Carlos Lopes Pires


                    (a noite que nenhuma mão alcança, 2018)








Nascimento de Jesus num estábulo em Belém, perto de Jerusalém.

O PRIMEIRO NATAL DO MENINO JESUS

Que noite tão escura,
Menino Jesus!
E tu à procura…
Que procuras tu?

Teu berço vazio,
Maria a chorar…
Volta para a gruta,
Não ouves chamar?

É o teu Natal,
Tens de estar ali…
Como pode haver
Um Natal sem ti?

Pára de correr,
Menino Jesus,
Que ainda vais ferir
Teus pezitos nus…

Volta para a gruta
E terás imenso.
Tens à tua espera
Ouro, mirra, incenso…

Tens à tua espera
Pastores e pastoras,
Eles reverentes,
Elas protectoras…

Tens o S. José,
Que lá está também,
Mas, mais do que tudo,
Tens a tua Mãe!

É noite cerrada,
Já te vejo a custo.
Que buscas agora
Atrás desse arbusto?

“É uma ovelhinha,
Tinha-se perdido.
É o meu Natal?
Tinha-me esquecido…”

Já dormes de novo
No teu berço alvo.
Vela-te, a teus pés,
O bichinho salvo…

20/12/2010

         Fernando Henrique de Passos







AS PALMEIRAS

Também o deserto vem
do mar. Não sei em que navio,
mas foi desses lugares
que chegaram ao meu jardim
as palmeiras.
Com o sol das areias
em cada folha,
na coroa o sopro
ainda húmido das estrelas.
             
                     Eugénio de Andrade, Ofício de Paciência, p. 34.




Nossa Senhora do Ó ou da Expectação
 (séc. XIV)

«Está próxima a hora… e logo no meu corpo nascerá a criança divina para a salvação dos que praticam o mal. Dizia para si Maria, sem ninguém conseguir escutar a sua voz. E via, com um desmedido contentamento, o seu corpo a encher-se de uma forma ovalóide, sob os panejamentos de linho que a cobriam. Crescerá no meu ventre aquele que vem para perdoar, não para condenar, dizia a José, sorrindo. Então, a felicidade crescia nela e era tão funda que os seus olhos transbordavam de lágrimas brilhantes como o sol.»

               Teresa Ferrer Passos, Jesus até ao Fundo do Coração (romance), Lisboa, Chiado, 2016, p.39.






MEDITAÇÃO SOBRE O NATAL

( invoco, para a Musa, o 10 de Copas Arcano )
In memoriam de D. Manuel Martins
ao Padre José Tolentino Mendonça
de todo o coração, ao meu Irmão Luís André

«Felizes os que têm fome e sede de
justiça, porque serão saciados.»
                                                Mateus, 5, 6  


Uma Estrela me alumia
Nesta leira e neste vale.
Terça-feira, agora é dia,
Dizem todos: é Natal.

Que esta vida santa seja,
Pois há fome, no entanto,
Sete velas na igreja
Mas, ao lado, ali há pranto.

Passam damas e burguesas
Passeando o seu perfume:
Para o pobre, não há rezas,
Numa ceia, não há lume.

Mas se a Luz abençoada
É qual lavra e rouxinol,
Meus irmãos, é madrugada,
Miseráveis, vede o Sol.

E ó piratas da finança,
Capitalistas, ufanos:
Vai nascer uma criança
Para nós, samaritanos.

Ó riquezas do porvir,
Oligarquias, colectas:
O Menino vai florir
Té na lama das sarjetas.

Pois se, ó rico, ó farisaico,
O deus-cifrão te alicia,
- Ó primatas do prosaico,
O Natal é Poesia!!!!!!!!!!!

 MISERANDO ATQUE ELIGENDO

                                        Paulo Jorge Brito e Abreu


 


BOM NATAL NA PAZ DE JESUS CRISTO!