sábado, 23 de novembro de 2024



"Sabemos governar a nossa tendência a sermos continuamente procurados e aprovados, ou fazemos tudo para sermos estimados pelos outros? No que fazemos, particularmente no nosso compromisso cristão, o que conta? Contam os aplausos ou conta o serviço?"
                                                                                   Papa Francisco, Angelus, 21/11/2021

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

 A desistência é a perda de um tempo novo.

 *

Um poema é o verbo inteiro que me oferece um mundo a respirar num dia tão claro como uma sombra de  eternidade.

*

O paradoxo está presente em cada pensamento que ilumina a poesia até ao limiar da dúvida.

21/11/2024

                                   Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A bondade no século XXI é apenas a oscilação de uma simplicidade humana cada vez mais rara e preciosa.

Joaquim Cardoso Dias (in Facebook, 13/11/2024)


A bondade não está em moda. E como hoje é difícil não seguir o que é moda...

Teresa Ferrer Passos (in página de Joaquim Cardoso Dias, Facebook, 13/11/2024)

terça-feira, 12 de novembro de 2024

 Comentário de Teresa Ferrer Passos em 12/11/2024 ao post da editora Leya no Linkedin e na sua página do Facebook em 13/11/2024: 

"Premio Leya de Romance/2024. Autor Nuno Miguel Silva Duarte. Primeiro romance do autor. Título: "Pés de Barro". Este título lembrou-me de imediato outro título, "O Império com Pés de Barro", com precisamente a mesma temática:  O império colonial português. "O Império com Pés de Barro" foi publicado por José Freire Antunes, jornalista e historiador, no ano de 1980, pela editora D. Quixote".



"O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora."

Mia Couto, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

AS ÁRVORES

Árvores tombada sob um vento
de furacão



Cada árvore é um livro sacro capaz
de ensinar sem arrogância
e sabe falar sem ruído.
É um altar de leveza e de recato
mesmo quando mostra o céu coberto
das mais carregadas nuvens.
Cada árvore traz a música do vento  
mesmo nas folhas mais pequeninas.
Cresce para o alto imenso
e desenhasse na suavidade do ar
Cada árvore esconde as suas raízes
rompendo arduamente a terra mais endurecida.
Cada árvore irradia uma sombra no azul
com uma imensa luz que nos alenta.

Porque cada árvore é a imagem
de uma vida encantada
onde está ausente a disruptiva imagem.
A imagem da sua própria morte.

7/11/2024
                                               Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 5 de novembro de 2024

O INCÊNDIO DO HORIZONTE



                                                   NO 31º ANIVERSÁRIO DO NOSSO NOIVADO

Tu foste a primeira mulher que eu beijei
E sempre permanecerás como a única.

Ergues-te agora na luz violeta do último pôr-do-sol
E o teu olhar aponta o firmamento,
Muito acima dos escombros do mundo
E do incêndio do horizonte.

Só tu dás sentido ao absurdo.
Só tu és a guardiã das razões ocultas de Deus.
Só tu és a chave do Grande Enigma.

E quando as últimas luzes exteriores
Por fim se apagarem
A memória do nosso primeiro beijo
Iluminar-nos-á por dentro
E conduzir-nos-á à Eterna Madrugada

Que desde sempre nos aguarda.

5/11/2024

Fernando Henrique de Passos


Teresa Ferrer Passos in Facebook, 5/11/2024:

É rico o lirismo das palavras do Poeta! Mas como as palavras mesmo de arte poderosa, ficam distantes da realidade de um grande amor construído entre dois seres complexos, mas com uma indestrutível vontade de tornar infinito o amor que Deus lhes colocou no coração.

sábado, 2 de novembro de 2024

DIA DE FINADOS

 


Neste Dia dedicado à memória de todos aqueles que já atravessaram o rio do Hades ou a fronteira do esquecimento, rogo a Deus que os receba com a Sua misericórdia infinita. Que a memória dos que partiram deste mundo para o Reino de Deus nunca se perca. E na terra dos homens tudo será bendito. A Graça infinita encherá a terra e Deus terá aqui a voz das Suas criaturas.

2/11/2024

                                                                Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 29 de outubro de 2024

ÚNICA

Como um veio de água no deserto.
Como um diamante encontrado na Lua.
Como uma Rainha em trono republicano.
Como um quadro juntando o óleo e a aguarela.
Como uma poesia surrealista escrita por Camões.
Como uma flor solitária no altíssimo pico do Evereste,
desafiando o gelo e a rarefação do ar.
 
És única.
 
Nenhuma mulher se iguala a ti
E isso faz de mim o homem mais feliz do universo
Porque aceitaste um dia desposar-me.
 
29/10/2024

Fernando Henrique de Passos

O CERCO


O cerco terminou na minha aldeia.
Ela tinha ruas feitas de pântanos que percorri
como um navio sem rumo, sem vela condutora.
Os horizontes
cheios de negra fuligem esvaiam-me
e as palavras tombavam inquietas
onde os gestos hostis deflagravam.
Os fossos de silêncio eram chaminés
exaustas de escombros
que o céu não tocava temendo acordar-me.
 
Acordei na hora em que a enxurrada
procurava sufocar-me mais.
Vi o sol escurecer.
Nesse instante a tua palavra
ecoou como um sol que não quebra
mas inebria, que não rejeita, mas acolhe.
 
E os largos cercos ensopados de secura
que te envolviam também, caíram por terra.
E tu também acordaste.
A vida começava. Na incerteza e na certeza.
A vida imprevisível e fantástica.
Agora, já não era eu ou tu. Agora, éramos nós.
 
29/10/2024
                                   Teresa Ferrer Passos

sábado, 26 de outubro de 2024

E tudo se dilui e tudo se perde da imagem e tudo se desvanece numa triste e gasta tarde de outono. Aqui, numa fragilíssima e encantada pintura de Sousa Chantre.
                                                                                 T.F.P.
ATÉ OS TEMPOS...


até os tempos de uma simples nuvem são negros.
são negros. a cor de um universo
a cobrir os nossos rostos severos
sem devagar como se não nos reconhecesse
como se não soubesse quem somos.
entre as horas do susto soltam-se
os segundos do riso. frágil. inseguro.
aqui ninguém conhece o juízo da justiça
e todos gritam como se a conhecessem.
e todos sabem mais do que a justiça
e todos ignoram quem tem razão.
e o silêncio não se faz ouvir.
o silêncio é proibido julgam os vivos
ululantes e desavindos inconformados
e violentos nas suas entranhas a soltarem-se
em todas as frentes. isto vibra como obsceno.
não importa que o ódio crepite insolente
obstrutivo a romper o fel
dos fígados devorantes de uma palavra 
irradiante e que sopra para o alvo infinito
da liberdade de pensar na diferença 
das  almas perdidas dos corações
encurralados de tanto sentimento.  

26/10/2024
                          Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Marco Paulo (1945-2024)


Marco Paulo, um homem que foi capaz de transmitir sempre o seu coração, sem escondimentos, com uma abertura pouco vulgar, com uma alma capaz de mostrar a fé que o sustentava ao defrontar com toda a coragem a doença fatal que o atingia, até aos seus últimos momentos.

A morte não silencia, apenas apaga por instantes.

24/10/2024

T.F.P.

sábado, 5 de outubro de 2024

 


"DOM QUIXOTE", a personagem de Cervantes em que a liberdade (veja-se o capítulo 58 do volume II) e os valores ideais se tornam manifestação de "loucura" num mundo de injustiças, de hipocrisias e abominações, que parecem tudo dominar, sem sombra de derrota.

4/10/2024

T.F.P.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

interminável ritual?


 vejo ao longe gigantes em chamas

ou páginas de livros por escrever?

não! são apenas árvores doridas de cansaço e vertigem.

mulheres com baldes de água tirada de um poço correm,

e ouço a sua voz quase inaudível a dizer

que estão isoladas do mundo, lá, num além sem vivos.

ninguém, ninguém! pronunciam a custo

entre as nuvens de fagulhas da cinza,

entre borregos e ovelhas a tresmalharem-se, sem guia, 

que fogem das fogueiras rasteiras à terra 

e rentes ao céu, oh que altura! 

vejo o avanço das chamas com a rapidez

misteriosa de um vento agreste

que parece procurar ainda folhas frescas

e carne fresca que não come, mas devora

com sofreguidão.

Vejo ao longe um desespero pálido

a invadir as almas aprisionadas

no ar sufocante daquela visão infernal a entoar

gritos de medo e sem uma lágrima.

as lágrimas secaram depressa demais! o calor intenso sufoca!

vejo os corpos prostrados de luta e mágoa; 

já perderam a força capaz de vencer a morte

 e enrolam-se com as mãos a parecerem

folhas abafadas pelo fogo e pelo fumo. 

vejo as casas das aldeias perdendo os telhados

e as fotografias guardadas para sempre,

tornam-se um papel negro em que não está ninguém. 

Vejo que os troncos revestidos de negro,

continuam firmes na sua grandiosidade.

esperam ainda a frescura outonal?

e uma brisa suave ainda chegará a tempo

de os ressuscitar e devolver à vida?

24/9/2024

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 18 de setembro de 2024



Quando terminará este Terror ou Terrorismo de mais de uma centena de incêndios simultâneos, em áreas florestais repetidamente atingidas e sem melhores condições de progressão de incêndios do que outras?! Até quando esta praga continuará a abater-se sobre os bombeiros e civis que perdem as suas casas e até as suas vidas?! Até quando nada se faz para capturar os incendiários e aplicar-lhes pesadas penas?! Até quando se continua a não apoiar a construção de habitações para alargar as comunidades existentes em vez de as desprezar com o abandono ou com o desaparecimento de infra-estruturas sociais tão importantes para manter a vida das aldeias e das vilas e serem um apelativo para aumentar a sua população?
17/9/2024
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 13 de setembro de 2024



A propósito do post "Os portugueses do costume" no Facebook de Luis Castro Mendes, em 13 de Setembro de 2024, escrevi o seguinte comentário:

Uma constatação bem evidente é, sem dúvida, a inexistência de uma literatura rica, em Portugal, apesar das exceções, que confirmam a regra. São normalmente os mesmos escritores a receber chorudos prémios e a serem recenseados sempre pelos mesmos críticos literários. Trata-se de um panorama cultural muito restringido e, por isso, de temáticas e estilos sem mudança, sem inovação. Assim, se vai desvalorizando a cultura literária de língua portuguesa.

13/9/2024
                                            Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

 

O silêncio faz-nos escutar toda a humanidade abandonada, essa humanidade que ninguém quer ouvir para poder, pura e simplesmente, ignorar.
 12/9/2024                                                                                                                        
                                                          T.F.P.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

MAIS UM INSULTO À MULHER

É um erro grave de caráter semântico pelo significado redutor desta definição de mulher: "pessoa que menstrua". Só em relação a uma pequena parte do corpo da mulher é correta. É também um erro de caráter biológico-científico, pois a menstruação dura um período limitado de anos e não dura toda a vida da mulher, logo não tem expressão definidora do ser feminino. E, se fossemos por aí, a expressão homem deveria ser igualmente substituída pelo contrário, ou seja, "pessoa que não menstrua". Pergunta-se: Porque razão só a designação do género feminino foi alterada pela (OMS) Organização Mundial de Saúde?!
23/8/2024
                                                                         Teresa Ferrer Passos

TEMPOS IDOS QUE NÃO PASSAM

Memórias da infância. Memórias espantosas que não se perdem de nós, nunca. Delas partiu tudo o que viemos a ser, como se nada mais nos tivesse sido ensinado, fosse o que fosse. Que experiência rica se mantem viva e pronta a ressurgir, em cada dia que vivemos. E mesmo na velhice, aí estão essas memórias a rejeitar o esquecimento.
                
23/8/2024
                                                                                                                                     T.F.P.