COMO SE DENIGREM E COMO SE ENALTECEM OS MINISTROS...
Com que consciência, com que verdade, se fazem os comentários aos políticos nos jornais relevantes de Portugal, através de rubricas como A FIGURA DO DIA? O que salta aos olhos do leitor é que o confundem mais do que o esclarecem. Procuram os comentadores mais conduzir com as suas engenhosas falácias do que esclarecer, procuram mais substituir-se ao poder judicial que ainda está a observar as acusações e a estudar a sua veracidade ou falsidade. De facto, estes comentadores não esperam pelos resultados dos inquéritos. Sem parar para pensar sequer, constroem montanhas de argumentos para os seus posicionamentos serem considerados fidedignos e com razões de sobra para serem considerados justos, oportunos e prontos para receberem as loas dos espectadores, do Primeiro Ministro e até do Presidente da República, ou dos ouvintes que, apesar de já cansados, senão exaustos, de um matraqueamento diário ao baterem sempre na mesma tecla, estão cada dia mais confusos com a falta da discussão de assuntos como a saúde, a cultura, a educação, a segurança social ou a inflação dos bens alimentares, entre outros.
A ausência de um critério isento de intolerância e concebido com honestidade perante os factos, é bem exemplificado pelo procedimento do jornalista Luís Osório. Recordo dois casos: o primeiro, dizia respeito à ministra da Cultura, Juventude e Desporto e tinha o título de "A selvajaria". Neste artigo, Osório (na Rubrica "A Figura do Dia no DN) censurava-a por "passar pelos pingos da chuva que, na cultura, são sempre potenciais trovoadas". Quanto à sua política cultural via-a "entediante, pois mais parecia o Ministério da Pescas ou da Coesão Territorial". E perguntava mesmo se "não haverá gente desempoeirada e com alguma ideia na cabeça?". A terminar o seu texto, coloca-a na situação de "ter avançado para a selvajaria, o facto de diminuir o número de beneficiários [do Subsídio de Mérito Cultural] de 85 para 65 - gente com mais de oitenta anos e com um subsídio que se situa entre os 180 e os 600 euros". Então, em que ficamos quando, dois meses depois, enaltece a mesma ministra pela "coragem de assumir o feminismo dentro da matriz social e democrática no PSD", escolhendo-a, por isso, para FIGURA do DIA no DN.
O mesmo comentador Luís Osório escolheu, mais recentemente, o Dr. Luís Neves para FIGURA DO DIA no DN com o título de "Um bandido bom". Com que critério coloca ao lado da expressão "bandido", o adjetivo "bom"? Afinal, é "bandido" ou é "bom"?! É evidente que se o acha "bandido" não o considera "bom". Mas é precisamente essa a expressão com que classifica o Dr. Luís Neves. A incongruência destes comentadores é uma fatalidade no cenário da democracia portuguesa. As contradições em que se atolam estes comentadores, tornam os seus textos escritos ou orais sem um mínimo de credibilidade, sem um mínimo de honestidade. E terminou assim o seu depoimento:"Pela minha parte pode ficar no MAI. Prefiro ter este bandido bom (como polícia ex-Diretor da PJ) com provas constantes de serviço ao país e coragem, do que um choninhas... sobretudo se parecer perfeito". E é com estes argumentos descabidos que despenaliza a condenação do Dr. Luís Neves. Só o fez chamando-lhe "bandido", o que é uma atitude mesquinha e sem razão de ser.
5/Setembro/2026
Teresa Ferrer Passos
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