IMPENITENTE DESTINO
País devastado nas suas hortas verdejantes
nos seus jardins das casas herdadas de pais e avós
nos seus animais de criação para um tempo longo.
País devastado nas suas vastas redes elétricas
a cobrirem os lugarejos mais afastados.
Torres de conduta elétrica em destroços misturam-se
com árvores centenárias arrancadas da terra.
Tudo isto se deixa tombar por ventos mais fortes
que os fortes Adamastores dos mares.
País devastado nas casas solitárias construídas
em penedos incautos
com estruturas frágeis em desenhos tão simples
como as nuvens mais breves.
Fomos um país devastado em poucas horas.
Horas demoníacas percorreram a pátria.
Abismados, mas intrépidos, ficámos.
Entre Velhos do Restelo de outros tempos, resistimos.
Prontos para o que der e vier, alheios às intempéries,
às perdas. E até ao próprio nada que nos arrasará
no dia em que o sol já não nos iluminar mais.
6/2/2026 Teresa Ferrer Passos
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