PÁTRIA, ONDE ESTÁS?
«Tive castelos, fortalezas pelo mundo...
Não tenho casa, não tenho pão!
Tive navios... milhões de frotas... Mar profundo,
Onde é que estão?... onde é que estão?! (...)
E tive um nome... um nome grande... e clamo e clamo,
Que expiação!»
In Guerra Junqueiro, «Pátria».
no regaço de um povo
as raízes mais fundas se desfazem.
lenta convulsão. século amargo.
eis a pátria amada.
ainda assim no coração do poeta sobrevive.
de alma compulsiva, o vate inquieto tem sede
de concórdia e de cálidas sementes nos torrões.
em acesas discórdias o poeta participa
e com ânimo efervescente polemiza.
mas o poeta não desencanta um sentido de pátria,
sequer um cabo das tormentas ultrapassado,
com rumo certo e firme como outrora.
oh arrogância oh raiva oh desatino
como o povo se esvai em questiúnculas!
e o poeta vê as discordâncias fruto não darem. nem guiadas
pela prudência nem pelo juízo sensato de um rei.
a ordem justa ausente. o povo perde-se da tradição passada.
lenta morte a da pátria. que gélido cenário.
a palavra pátria morre. ninguém a pronunciava.
oh tempos, sem o sopro de um vento aberto
às praias de honorosos desembarques!
a pátria soçobra em denso nevoeiro.
não se ouve a voz de um rei...
a hora é extrema e desditosa para o poeta!
resta-lhe erguer com som estridente o argumento
maior para uma pátria ser inteira. o argumento da liberdade.
a Pátria renasce. a Pátria vive.
a Pátria ganha uma voz nova até à eterna idade.
Teresa Ferrer Passos
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