O ANÁTEMA DO SUPREMO-SACERDOTE DO TEMPLO
Um caminho novo impunha-se. A procura de Deus. Nascia no seu coração, uma impetuosa vontade de o convocar. Mas, onde e como procurar Deus? A cada momento que passava, a sua visão parecia mais obscurecida; ao mesmo tempo, uma certa luz débil, mas suave e mansa, erguia-se; essa pequena luz levava-o a intuir a ideia de que era, de facto, imprevidente transmitir a Ana o medonho anátema apontado por Rúben. Então, antes que alguém o expulsasse daquele habitáculo da classe eclesial ao serviço de um Deus escondido, envolto em enigmas impenetráveis e que julga, repudia ou aceita com um critério impenetrável para os humanos, era preciso agir, sem perder tempo. Um Deus tão distante da transparência da chuva, tão longínquo do azul do céu, do calor do sol, da brandura das árvores, da proximidade dos montes, dos caminhos múltiplos dos vales, era difícil de entender. Sentia-o agora com uma grande premência. Com estes pensamentos a fustigarem as raízes níveas da sua alma, uma nostalgia imensa crescia em Joaquim.
Teresa Ferrer Passos, S. Joaquim e a Oratória do Nascimento de Maria (romance), pág. 7 (obra inédita, concluída, a publicar em 2027)
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