CANÇÃO À MINHA MÃE
no dia 11 de Julho, trinta e seis anos depois.
nesta hora de assombro pelo teu perfil
escrevo numa
vertigem de memória
ou na folha da árvore mais portentosa da montanha?
não sei responder, nem sequer sei o porquê da minha dúvida.
tudo é uma incógnita nesta terra árida e envolta em ventania.
nesta hora de assombro pelo teu sorriso santo
penso na tua
voz de melíflua dicção
na tua fé sem princípio nem fim
na tua alma perfumada de brandos sonhos
e parece que ouço o som do teu coração cansado.
nesta hora de assombro pelas flores com que cobrias
a mesa de
jantar do dia dos meus anos,
nesta hora amarga pela tua ausência próxima
recordo o tempo infindo à espera de escutar-te,
nem que fosse por uns breves instantes.
instantes mesmo pesados de bruma.
11 de Julho de 2026
nesta hora de assombro pelo teu perfil
ou na folha da árvore mais portentosa da montanha?
não sei responder, nem sequer sei o porquê da minha dúvida.
tudo é uma incógnita nesta terra árida e envolta em ventania.
na tua fé sem princípio nem fim
na tua alma perfumada de brandos sonhos
e parece que ouço o som do teu coração cansado.
nesta hora amarga pela tua ausência próxima
recordo o tempo infindo à espera de escutar-te,
nem que fosse por uns breves instantes.
instantes mesmo pesados de bruma.
11 de Julho de 2026

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