segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Passagens de...



STABAT MATER (1)

A Anunciação a Maria: O instante único.

«(...) Naqueles momentos de espanto perante o inesperado anúncio que a fazia saber que ia ser mãe do Salvador, isto antes da coabitação com o noivo, o seu espírito peregrinava por todo aquele saber livresco que tanto gostava de pôr em prática. E pensou, apreensiva, na profecia de Miqueias: "Mas tu, Belém, tão pequena entre as famílias de Judá, é de ti que me há-de sair aquele que governará Israel" (1). Como podia ser em Belém de Judá, se ela era de Nazaré?! Como iria nascer o seu filho e Filho do Espírito Santo em Belém?

O mistério adensava-se e estremecia de susto. Os mistérios envolviam tudo o que respeitava ao Deus de Israel, sabia-o, como o sabia. Entre esses mistérios, adensava-se o mistério da escolha recair sobre ela que estava já noiva, ou seja, tinha celebrado os esponsais com José ainda sem coabitação. Teria um pouco mais de doze ou treze anos, idade normal para o matrimónio da mulher, em Israel.

Tão juvenil, Maria ficava confusa, sem saber o que pensar daquela anunciação sublime, vinda do Deus único. Esse Deus que se lhe dirigira, como sendo ela mais do que Maria, chamando-lhe «Cheia de Graça».

(1) Miq 5, 1

In Teresa Ferrer Passos, «Stabat Mater ─ Contribuição para o Estudo de Maria», Leiria, Hora de Ler, 2020, pp. 16-17.

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