quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Memória de um aniversário natalício


A Natércia Ferrer (1909-1990), o nome da minha saudade maternal, no dia do seu aniversário natalício, um poema de meu marido que não a conheceu, a não ser pelo meu testemunho de tantas horas:

A NATÉRCIA

Amanhã nasceu Jesus,
E também a Mãe Natércia.
Amanhã não é Natal,
Amanhã são dois Natais!
Anjos do Céu, que cantais,
Cantai agora a dobrar.
Amanhã não é Natal,
Amanhã são dois Natais!
Santa Mãe da minha Esposa,
Que rezas tanto por nós,
Reza amanhã ainda mais.
Amanhã não é Natal,
Amanhã são dois Natais!
24 de Dezembro

Fernando Henrique de Passos Parte II "Oráculo em torno de mistérios", in «Retábulo», Universitária Editora, Lisboa, 2002, pág.74.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A estrela,o sinal maior da Natividade de Jesus, ou "A cicatriz de Belém"


"A estrela de Belém" e a Natividade de Jesus Cristo
do pintor Banksy, na cidade transjordana de Belém

Um novo pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por um obus. A obra intitulada “A cicatriz de Belém” do pintor Banksy representa a estrela condutora ao presépio de Jesus na cidade palestiniana de Belém (Cisjordânia) e simboliza o muro que o estado israelita começou a construir em 2002, durante a segunda Intifada, e que foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça.

Véspera de Natal
T.F.P.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

DOSSIER NATAL / 2019





COMO NÃO HAVIA DE SER DITOSA?

«As leis da procriação, que Maria julgava imutáveis iam ser transgredidas pelo próprio Criador. A maternidade santa de minha mãe era apenas um acidente na evolução do mundo humano. Uma honra valiosa demais para ela, mas que estava disposta a assumir como um serviço a Deus e à humanidade.
O Criador de tudo o que existe convidara-a para ser a arca da sua encarnação humana. Deus a tornar-se humano, no corpo de Maria.
Como não havia de ser ditosa, entre todas as mulheres?»

Teresa Ferrer Passos, Jesus até ao fundo do coração, Chiado, Lisboa, 2016, pág. 36.

    



Nossa Senhora da Paz, Vila Franca do Campo,
Povoação, ilha de S. Miguel, Açores

O CÉU SORRI

Para além do azul o céu sorri
a uma Virgem escondida, a mãe de Jesus.
De coração sem mácula sem o saber,
é humildade e transparência. É luz.

Como podia ser aquela Anunciação?!
Habitada por um espanto imenso,
imaginou ser a mãe do Salvador,
mãe do Deus-humano a descer do além,
a habitar seu corpo e ser ela a dá-lo ao mundo.
Missão tão alta, como podia ser?!
Simples, menina e sem poder,
crescer de súbito e o céu lhe tocar?
Como podia ser?!

Dia da Imaculada Conceição

                                      Teresa Ferrer Passos







O NATAL DE UM MAGO MENDIGO

Natal da Física, das leis da Natureza:
Eis o Natal da sorte que escolhi.
Junto ao Presépio, com livros sobre a mesa,
Olho Jesus, que, olhando-me, sorri.

Fora do tempo, e além já do cansaço,
Pretendo oferecer ao Salvador
O desvendar de enigmas do espaço,
Como ouro e mirra, ou hino de louvor.

Mas é tão esquiva a meta que procuro,
Preciso tanto de alguma luz de alguém,
Que peço ajuda do fundo do meu escuro
A Quem foi Luz na noite de Belém.

Como orgulhoso palácio que ruísse,
Dos meus escombros dirijo-me à Altura; 
Como Rei Mago que em vez de dar, pedisse,
Mendigo auxílio na minha vã procura:

Senhor da História, no dia dos Teus anos,
Dá-me por prenda a força de insistir
E que a cada um dos meus enganos
Ressuscite o zelo em Te servir.

E que eu Te sirva mesmo sem ciência,
Se ciência alguma surgir do meu labor,
E então Te imite no dom da paciência,
E em qualquer caso Te imite no Amor.

Natal, 2019
                      Fernando Henrique de Passos





Presépio de Penela
«O Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.»

«Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento»

Papa Francisco, Carta Apostólica Admirabile Signum sobre o Significado e Valor do Presépio, Ponto 1 e 3.







AO ESTÁBULO

Oh acolhedor estábulo da mais pequena gruta!
Oh aconchego no bafo das pacatas ovelhas
Cercado por um deserto de silêncios sem fim
Amontoas ufanos troncos de videira e de bravia oliveira.

Finas folhinhas verdes de incenso e de aromático
Terebinto e as de aloés trazidas dos altos penhascos
E tudo entranças em pedaços de lã solta dos carneiros.
Ergues um berço à paz que vai nascer para o mundo
   
E és a delícia de achar na hora da ansiosa procura!
Oh estábulo de frágeis troncos de lã pura e de folhas
Tornaste-te a fortaleza do amor na noite agreste e escura...
   
      Teresa Ferrer Passos, "Odes para um novo presépio" (Parte I) in Teresa Ferrer Passos e Fernando Henrique de Passos, Retábulo, Universitária Editora, Lisboa, 2002, pág.18.







NATAL DE CRISTO

                                                                           (de todo o coração, à Maria da Conceição Valdez)

I
É Dezembro, eu por Ti chamo,
Rompe a Luz, e toca o sino,
É Natal, Amor, eu amo
Ver nascer o Deus Menino.

Ver nascer o Deus do mundo
Que é o Príncipe da Paz,
E brilhar, dizer no fundo:
«Em Abril, tu és capaz».

E se é célica a Selene,
Vejo em crístico o Além,
Em Luar, o lausperene
- E Maria, na Belém.

II

E na leiva, alor e Luz,
Eis em Flora uma oração:
Ela é Fátima e Jesus,
É Maria Conceição.

Assim vês que no conchego,
No quimérico e fulgor,
Já não há judeu nem grego,
E nem servo, nem senhor.

Assim vês a porta aberta
E vens ter a minha casa:
Quando um homem se liberta
Ganha o mundo um golpe d’asa.

Que Luz, 10/ 12/ 2019

MISERANDO ATQUE ELIGENDO

POETA, JORNALISTA, BIBLISTA E ALFARRABISTA

Paulo Jorge Brito e Abreu     






ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉU
   No coração todo puro de uma mulher,
o Espírito Santo viu a Sua Casa.
 
A Casa era bela e ofereceu-A ao mundo.
O mundo que A desconhecia, entrou n'Ela.
E logo viu a Salvação
num pequenino, de nome Jesus,
todo divino e a nascer num tosco casebre.
Mas, ó maravilha inesperada!
O nascimento era numa mulher
de coração todo puro.
O seu nome, Maria.

15/Agosto/2015


                              Teresa Ferrer Passos






       O CHORO DO MENINO JESUS

Apenas com oito dias,
lá estava Jesus, nos braços de sua Mãe.
Ao entrar no Templo, olhou, curioso, em redor.
Que pedras altas, altas...
Que pareciam elas, assim? Apenas, que estavam ali?
Ou escondiam alguma coisa?
E o Menino Jesus intrigado, pareceu-lhe ouvir dizer:
Há pouco tempo aqui esteve, como tu, outro menino.
Outro menino?! Outro menino igual a mim?
Não bem igual, é verdade, responderam...
O seu nome, digam-me, que pode ser que eu conheça!
João, João foi o que ouvimos...
Ah, gritou Jesus, já sei quem é.
Nasceu para preparar os meus caminhos,
esses caminhos com que quero romper os difíceis desertos...
E o que são esses desertos, que desconhecemos,
perguntaram as pedras.
São espaços cheios de gente que não o seguiu...
Ah, disseram as pedras, em uníssono,
mas a vós, Menino, a vós seguiram!
O Menino começou a chorar.
Porque choras, Menino, perguntaram, aflitas.
É que a mim também não...

16 de Dezembro de 2014
                                   Teresa Ferrer Passos

   



   



Presépio da Caldeira das Furnas, Povoação,
ilha de S. Miguel, Açores

Memória de um NATAL
  Entre nuvens de fumo denso que embrulham a pobre manjedoura dos animais, eis o Deus incarnado que nasce, de novo, do ventre de uma Virgem chamada Maria. E perpetua-se o milagre supremo: o Altíssimo a habitar entre nós. Seja entre aqueles que O seguem e conhecem, seja entre os que O rejeitam e obscurecem.
   
Natal, 2019

T.F.P.





Presépio palestino de Ivan Dimitrov Kazandzhiev (Pintor)

UM SALVADOR NASCEU

Natal! A alegria do Nascimento
de um Salvador reina.
Um Salvador uniu a terra e o céu,
num instante.
Um Salvador louvou os pobres
e os ignorados do mundo.
Em cada Natal, regressa ao nosso coração 
e à nossa espera, renasce a alegria.
Qual deserto num espaço único,
um Salvador faz anos que nasceu, carregando
as sombras do mal.
Um Salvador pronto a vencê-lo aqui,
junto de nós, aqui, onde
a lei do sofrimento é a mais forte.
O poder do mal resvala para a perda,
mas, sem aceitar a derrota,
o mal, satânico poder, interpõe-se entre
Jesus e nós. Como vencer,
pelo Seu Natal, todo o mal?
Teremos que O seguir,
a conversão impõe-se,
Jesus, depois Maria, o disseram.
Então, Ele vencerá o mal dentro do
mundo material, onde domina. 
Pegando na nossa cruz e seguindo-O,
Jesus o vencerá e, precisamente
Jesus, que não é daqui, 
no satânico mundo o vencerá:
"Eu venci o mundo".
   
22/12/ 2019
                                  Teresa Ferrer Passos



BOM NATAL NA PAZ DO AMOR
são os nossos votos

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Do declínio dos grandes Estados ou do Império do Sol Poente



«Cometa kk Down - Acabo de entrar, sem me terem dado qualquer explicação, na rede ZN4 do Império do Sol Poente, Império glorioso neste planeta a que chamam Terra, conforme o som que comecei, inesperadamente, a escutar. Ah, uma voz humana identificou-se como o biólogo N7 dos estados... insubmissos! N7 disse-me que as palavras que acabo de escutar da Estrela 4000 b são uma maravilha da tecnologia da união dos países pobres a que ele próprio pertence e que é adversária de uma outra união, a dos grandes Estados que formam o Império do Sol Poente, Império este muito mais avançado segundo me disse, mas num declínio que, dia a dia, se acentua, e que parece estar a submergir todo o seu poder, até agora invencível»

           Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8 (Drama-romance fantástico), Harmonia do Mundo, Lisboa, 2007, pág. 26.

sábado, 30 de novembro de 2019

Um poema de Fernando Pessoa, no 84º aniversário da sua morte (30 de Novembro de 1935):


«Magnificat»

«Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E, eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrêlas pestanejam frio,
impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará êste drama sem teatro,
Ou êste teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, quem tens lá no fundo?
É êsse! É êsse!
Êsse mandará como Josué* parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!»

*Josué, sucessor de Moisés na conquista da terra de Canaã, no dia da vitória dos israelitas sobre os amorreus e os seus reis disse: "Sol, para sobre Gabaom! / E tu, ó lua, sobre o vale de Aiaom! /O sol parou, / e a lua deteve-se, / até o povo se vingar / dos seus inimigos, / como está escrito no Livro de Jasar (do Justo)."

«Obras Completas de Fernando Pessoa - Poesias de Álvaro de Campos», Edições Ática, Lisboa, 1944, pág. 296 (este poema foi escrito em 7 de Novembro de 1933).

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Excerto da peça de teatro de Camilo Castelo Branco, «O Morgado de Fafe em Lisboa»

«(...)
Leite - Pois em nome da civilização de Fafe, é que eu peço a vª sª, que modere a sua língua.
O Morgado - Pelo que vejo, quem vem a Lisboa há-de moderar a língua! Acho que o diz bem, e que o faz melhor, sr. Leite. É por isso que o senhor, desde que entrou nas cortes, não disse palavra. Há-de ser por isso. O meu amigo sr. Leite quando falava aos "convívios" populares, lá na nossa terra, falava pelos cotovelos. Mas isto cá, pelos modos, muda muito de figura. Pois dou-lhe a minha palavra de honra, que, se eu fosse deputado, havia de falar quando fosse preciso, e mais não estudei gramática nem matemática. Um bom deputado tem sempre que dizer. Eu tanto pedi ao senhor que arranjasse cá com o governo a passar-me a estrada à porta, mas o senhor não fez caso (...)».

Camilo Castelo Branco, «O Morgado de Fafe em Lisboa», s/d (representada em 1961 pelo Teatro Popular de Lisboa), T.P.L., Contraponto, Col. Teatro no Bolso - 14, pág. 26 (peça datada de 1861)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Um poema de António Cândido Franco


Rawibi, cidade da Palestina

EXÍLIO

Longe dos seus palácios mais encantadores
e felizes

Longe das suas ameias e das suas janelas
cheias de luzes
o sol bate em lugares submersos e sombrios
à porta de cidades desconhecidas

Longe das suas rendas e dos seus altos e
reais diademas
o sol ouve cânticos ignorados e cristalinos
em países que estão eternamente escondidos

           António Cândido Franco, Matéria Prima, 1986, p. 19


terça-feira, 26 de novembro de 2019

"Cruz" de Robert Schad, 2007, Santuário de Fátima
 - Foto de Marco Daniel Duarte, Novembro de 2019


Vejo um Altíssimo Jesus, solitário e desprezado, como tantos seres humanos ignorados que o olham até a alma escorrer lágrimas a entoarem um cântico novíssimo, só ouvido no céu envolto pela grande nuvem.

26/11/2019
Teresa Ferrer Passos

domingo, 24 de novembro de 2019

Contínua procura

A capa de «Um Cientista e uma Folha de Papel
em Branco» (excerto de pintura de Van Gogh)
«Na imaginação de Taoj giram sinais incógnitos de um código de probabilidade que poderia ser o da evolução milenar do seu cérebro encerrado (e tão bem protegido!) na sua cabeça, afinal perdida algures. 
Essa parte de si, quem sabe se desavinda com as suas outras partes corpóreas, sobreviverá em algum lugar da terra? Porque não há-de pensar na sua sobrevivência escondida e guardada por um deus hermético? Taoj sente-se revoltado. Recusa o conformismo. Apesar de não a conseguir capturar no seu espaço de corpo nem fora dele, espera o instante da resposta à dúvida implacável, que não quer aceitar como uma fatal condenação. Interroga-se ainda. Só lhe resta interrogar-se, na procura, na contínua procura...»

Teresa Ferrer Passos, Um Cientista e uma Folha de Papel em Branco (romance), Chiado, 2015, p. 102.


***

Comentários no Facebook de Fernando e de Teresa, em 27/11/2019:

Fernando Henrique de Passos:
«A LISTA NEGRA»
  
Devolvam-me a minha cabeça!
Gritou São João Baptista,
E eu com ele,
E comigo todos os outros da lista.

Os condenados não podem gritar!
Gritou Salomé,
E com ela Herodes, que estava sentado,
E com ele o povo, que estava de pé.

Do fundo de um escritório escuro e poeirento,
Bogart empunhou o revolver e disparou.
A Lua suspendeu o seu movimento
E Kennedy tombou.

A enfermeira assinou o papel,
E sussurrou, suave como mel:
Antes que me esqueça -
Por favor, devolva-me a minha cabeça.

Teresa Ferrer Passos:
Eis o teu poema «A lista negra», na íntegra! A obra "Um Cientista e uma folha de papel em branco" teve como princípio inspirador os quatro primeiros versos (citados na 1ª página), após o teu pedido para eu escrever um romance a partir dele.

Fernando Henrique de Passos:
O meu poema nas entrelinhas do teu romance, ou o teu romance nas entrelinhas do meu poema?

Teresa Ferrer Passos:
As duas hipóteses são válidas.

Fernando Henrique de Passos:
Dois textos entrelaçados.

***

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

É possível deixar de haver pobres sobre a Terra?


Jesus disse que haverá sempre pobres, quando a mulher lhe ofereceu perfumes caros e o discípulo Pedro a censurou por ter gasto o dinheiro a comprar perfumes em vez de ter dado o dinheiro aos pobres. Se Jesus é o Filho de Deus e o disse, como podemos pensar que pobres não existirão sempre? O que não significa que não a devamos combater.

Teresa Ferrer Passos (comentário ao artigo do Pe Manuel Monteiro Mendes ao filme "Parasitas" do realizador coreano Bong Joon-ho, Mensageiro de Santo António, 22/11/2019)

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

De lagarta a borboleta

Temos muito pouco tempo para viver, mas quanto tempo, em contrapartida, para mostrar que valeu a pena.
21/11/2019
Teresa Ferrer Passos

"Planeta Joyce 8" - uma breve passagem


«Cometa kk Down - Acabo de entrar, sem me terem dado qualquer explicação, na rede ZN4 do Império do Sol Poente, Império glorioso neste planeta, a que chamam Terra, conforme o som que comecei, inesperadamente, a escutar. Ah, uma voz humana! identificou-se como o biólogo N7 dos Estados… Insubmissos! De súbito, ouvi outros sons que entendi, de um entendimento que nunca me foi dado até este instante! sinto espanto (disse sinto… mas que é sentir?)… N7 disse-me que as palavras que acabo de escutar da Estrela 4000 b são uma maravilha da tecnologia da união dos países pobres a que ele próprio pertence e que é adversário de uma outra união, a dos Grandes Estados que formam o Império do Sol Poente, Império este muito mais avançado».

Teresa Ferrer Passos, Planeta Joyce 8 (romance), Harmonia do Mundo, Lisboa, 2007, pág. 26.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A vida, um enigma maravilhoso e pleno de imprevisíveis sentidos.
18/11/2019
T.F.P.

domingo, 17 de novembro de 2019

Um Dia da Pobreza?

S. Francisco de Assis

Um Dia Mundial da Pobreza

um dia dizem.
só um dia
é pouco.
um dia para pensar nos pobres
sem os olhar de frente, sem procurar saber
o que é ser pobre?
o que é o pobre sem uma mão amiga?
o que é o pobre com casa num vão de escada?
o que é o pobre sem dinheiro para a tigela de sopa?
a pobreza é vasta como um deserto interminável
a espraiar-se em grandes cidades.
imensa e tão silenciosa
não alardeia o que lhe falta
e sucumbida morre a abarrotar de palavras.
impera no mundo sem acusar
os seus gritos não se escutam
não abalam o mundo
antes o deixam caído no pântano da sua mesquinhez

17/11/2019

Teresa Ferrer Passos

domingo, 10 de novembro de 2019

Novo Santo Português


Frei Bartolomeu do Mártires (1514-1590)

Arcebispo primaz de Braga, ativo representante da igreja portuguesa no Concílio de Trento, destacou-se pela sua generosidade com os pobres, pelo afecto que oferecia aos doentes e pelo combate à ignorância do clero. A sabedoria na pregação era para ele fundamental. Por isso, o Papa Francisco acaba de o elevar à santidade, tendo-o dispensado do milagre exigido, até agora, para alcançar a canonização. Frei Bartolomeu dos Mártires, novo santo português, foi, assim, louvado pelas suas virtudes excelsas, sendo elas consideradas mais importantes do que actos milagrosos que contemplam sem ser necessário o mérito.
   
8/Novembro/2019
   
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Dois poetas fizeram anos do seu nascimento em 8 de Novembro:Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) e Fernando de Paços (1923-2003)

Sophia de Mello Breyner Andresen - Breve apontamento

«Quem está realmente empenhado num país melhor e numa sociedade melhor, luta pela verdade da cultura. Aquele que é conivente da mediocridade é inimigo de uma sociedade melhor, mesmo que apregoe grandes princípios revolucionários. A revolução da qualidade é radicalmente necessária a uma revolução real.»
   
          Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas,
Círculo de Poesia, Moraes Editores, Lisboa, 1977, pág.79.


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Fernando de Paços na casa de seus pais em Viana do Castelo
 com 25 anos

Poeta e dramaturgo infantil, Fernando de Paços - aniversário do seu nascimento, em 8 de Novembro de 1923

Nascido em Viana do Castelo em 1923, faleceu em 2003, em Queluz numa casa que respirava modéstia. Deixou-nos um "Diário Espiritual" inédito, manuscrito, começado a escrever aos 17 anos, com poesia alternada. Debrucei-me sobre a sua originalidade diarística, há alguns anos e escrevi um ensaio que ainda gostaria de ver publicado. Uma memória da sua personalidade generosa e humilde.
   
8/11/2019
Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 7 de novembro de 2019


As raízes das árvores são uma parábola da nossa força escondida.
5/11/2019
T.F.P.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Esperança


A esperança, se acaba num buraco negro é vã e, por isso, nos esvazia no mais fundo de nós, enquanto o desespero pode provocar a nossa inversão de sentido e experimentarmos novos caminhos... Desespero é o que se desencadeia quando esperamos, com boa fé, a honradez da palavra de outra pessoa que sustentou as suas promessas, e se lhe perguntamos quando as cumpre, essa pessoa entra em contradição com elas, e rejeita cumpri-las!
4/11/2019

Quando ainda esperamos alguma coisa, essa coisa pode sempre vir a acontecer. Assim, há combate à ansiedade que provoca sofrimento, quando ainda há esperança. Se nada esperamos, caímos no desespero e este conduz ao esvaziamento do ser.
6/11/2019

Temos, dentro do mais fundo de nós, a espera (que é um sustentáculo) de uma outra perfeição, aquela que ainda não atingimos.
6/11/2019
Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 5 de novembro de 2019

"Poema Branco" e "Novíssimo sol" (no 26º aniversário do nosso noivado)


POEMA BRANCO 

Dou-te um poema branco 
Como um vasto deserto antártico de neve 
Intacto como uma noiva virgem 
Angustiado como a folha de um escritor em dia-não 
Como o deserto de um Rei que não tem súbditos nem terras 
Como o nada que vai das ameias do castelo até ao horizonte 
   
Há muitos anos começou a nevar nos jardins do Paço 
A neve cobriu a terra estéril 
O gelo entrou pelas fendas que faziam de janelas 
A água correu pelas paredes interiores 
E o primeiro Inverno desse Rei foi duro 
E o Rei foi velho aos vinte anos 
E subiu ao cimo da torre mais cimeira 
E pediu a Deus que o levasse 
Mas Deus mandou-lhe o sono 
E o Rei sonhou com neve 
Sonhou um vasto deserto antártico de neve 
Que se estendia pelo espaço todo 
Até não haver estrelas 
E o branco era frio e duro e era nada 
Mas as lágrimas do Rei caíram sobre a neve 
E o seu calor fez derreter o gelo 
Aonde caíam por acaso 
E o deserto foi vendo despontar 
Pequenos tufos verdes 
Que se reproduziam sem parar 
Dando lugar a novos tufos verdes 
Até formar uma larguíssima passadeira verde 
Até ao Infinito 
Até ao Céu 
Por onde chegaste tu, Princesa, 
A decompor o branco 
Do vasto deserto antártico de neve 
Fazendo nascer dele as tantas cores 
Que agora enchem a vida tua e minha.

5 de Novembro de 2019

                            Fernando Henrique de Passos

***



NOVÍSSIMO SOL

nas cores do outono construí um mundo
cercada de flores
e a primeira foi a tua rosa.
ergui-a em altares de perfumes ímpares
e nas tuas mãos acesas de fogo
crepitou o amor a romper o céu
a romper os dias a quebrar os espinhos
a arder sem parar.
e os dias enormes pareciam-se anos
e os anos pequenos abriam-se eternos.
aqui já na terra
aqui já no céu
novíssimo sol abraçou-nos enfim
e uma tenda impossível ergueu-se para nós.
  
5/11/2019 

                                     Teresa Ferrer Passos