domingo, 24 de setembro de 2017

O Cardeal Gerhard Müller e o Papa Francisco

Papa Bento XVI e o Cardeal Gerhard Muller (2013)

«O Papa Francisco tem uma espiritualidade que lhe vem dos Jesuítas, enquanto a do Papa Bento XVI lhe chega mais de Santo Agostinho, São Boaventura e da tradição da teologia existencial. Seguramente que a realidade do Papa Francisco, vindo de um contexto latino-americano, é muito diferente da história e da cultura europeias. No entanto, somos a mesma Igreja e a Fé não divide as pessoas. É a base da unidade».

      Estas palavras foram proferidas pelo Cardeal Gerhard Müller, em entrevista ao Observador (antes da vinda do Papa Francisco a Fátima, em Maio de 2017). Em Julho de 2017, seria afastado do cargo de Perfeito para a Doutrina da Fé (cargo que ocupava, desde 2o12, por nomeação de Bento XVI). Apesar de o Papa Francisco lhe poder renovar  o mandato, fê-lo substituir pelo Jesuíta espanhol Luis Ladaria.

A questão dos católicos divorciados que querem casar novamente era um dos pontos em que não havia concordância entre Gerhard Müller e o Papa Francisco. Na mesma entrevista, o Cardeal Gerhard Müller, acentuava que «o sacramento do matrimónio é indissolúvel por vontade de Deus. Ninguém pode mudar isso». Esta divergência levou o atual Pontífice a substituí-lo.
24/9/2017
T.F.P.

sábado, 16 de setembro de 2017


MENSAGEM OU MENAGEM A DONA ISABEL DE HERÉDIA




 
( onde se alteia ou se exalça o seu Amor por a causa Real e, em Dona Isabel, o
brilho e a Luz do Eterno Feminino )
 

Amor que é lis, que arde e que não cansa,
Amor que é forte, é fértil e feraz,
É de Inês, é de Pedro e é da Paz,
É de vós, ó Duquesa de Bragança.
 
Em Angola e Brasil a vejo mansa,
Lísia Bela, que é Sorte e é sagaz,
Sim à Lira, e ao dom de Monsaraz,
Sim ao plectro e, assaz, assim liança.
 
Do Amor que é São Paulo e, no colégio,
A ternura, o vivaz, o vento régio,
Do Amor que é Curvello e, numa Herédia,
 
O ensaio, o ensino, Enciclopédia,
Pois a 13 de Maio, que agiganta,
Isabel, Isabel Rainha Santa……………….
 
Que Luz, 10/ 08/ 2017
 
AD MAJOREM DEI GLORIAM
 
PAULO JORGE BRITO E ABREU

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Palavras pertinentes de alerta aos Cristãos

Procissão de Nossa Senhora em Fátima,
a 13 de Setembro de 2017.


A propósito do episódio evangélico das "Bodas de Caná" (Jo 2, 1-12), hoje, 13 de Setembro, reproduzimos algumas passagens da homilia do Cardeal Mauro Piacenza (representante da Santa Sé), na missa no Santuário de Fátima:


«Tremendo ataque ao matrimónio que, em todo o mundo, foi desencadeado.»

«Um ataque "sem precedentes” à família e à vida na sociedade contemporânea».

«Resistir, resistir, resistir com a força da fé e da caridade».

«Este violento ataque à família é sem precedentes na história.»

«Ser cristão na “velha e cansada Europa” é hoje “uma atitude contracorrente; sob certo ponto de vista, até mesmo uma atitude escarnecida».

«Vigiemos, para que não acabe o "bom vinho" da nossa fé; para que o "bom vinho" da nossa fé não se veja aguado pela nossa constante mundanização, pelo ceder às tentações do mundo e à ditadura do ‘pensamento único’ que é difundido com todos os meios».

Publicado por Agência Ecclesia em 13/9/2017.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Um padre pouco atento à dignidade das «Bodas de Caná»


A propósito do artigo «Caná: O milagre que nunca devia ter acontecido» de P. Gonçalo Portocarrero de Almada publicado em Observador e Facebook:

A primeira afirmação do Padre Gonçalo no artigo citado, é, desde logo, inaceitável, num membro do clero da Igreja Católica, pois contesta a vontade de Jesus e de Sua Mãe, Maria. Em suma, contesta (discute) a vontade de Deus (nele se realizou o 1º milagre de Jesus). Passo a citar o Padre Gonçalo, a começar logo pelo título: «Caná: o milagre que nunca devia ter acontecido». E, o autor inicia o texto, com uma outra censura ao Filho de Deus: «Em Caná da Galileia, Jesus e os seus apóstolos, em vez de penitentes ascetas, mais pareciam um grupo de amigos na pândega, a gozar os prazeres da vida!». Com que expressões se dirige o Padre, ao Deus incarnado! E ainda, achando pequena a crítica e poucas as expressões ofensivas, acrescentou: «Este milagre, pura e simplesmente, nunca devia ter acontecido! Ou, tendo-se realizado, deveria ter sido silenciado! Com efeito, este facto pouco ou nada abona a favor de Cristo, por mais que João diga, em jeito de happy end, que foi graças a este prodígio que os seus discípulos acreditaram nele (Jo 2, 11)». Todo este arrazoado foi sendo acrescentado até quase ao fim do seu texto, para terminar (desculpabilizar-se dos impróprios termos) com o efeito ironia. Não havia necessidade de usar tão agressiva linguagem para atingir os seus objectivos...*

5 de Setembro de 2017
Teresa Ferrer Passos

*Publicado (5/9/2017) in Facebook na cronologia do Fernando.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O arrependimento, a alegria de Deus



Não é o pecado que Deus acaricia, mas a fraqueza do pecador e a sua força por ter reconhecido a culpa. Deus ao ver o seu arrependimento, recebe-o de braços abertos, como o verdadeiro Pai deve receber o seu filho, se o ama. Deus não fica feliz com o pecado, mas com a conversão, e como esta é difícil! Daí a parábola do filho pródigo, recebido com uma grande festa!

4 de Setembro de 2017
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Cristo, ou a Verdadeira Filosofia a oferecer o saber supremo

Capelinha na Madeira

«O cristianismo não é uma filosofia, não é adesão a uma doutrina, mas é ENCONTRO com uma Pessoa.»
Padre Darci Vilarinho in Facebook, postado por Fernando Henrique de Passos em 30/8/2017

Comentários postados no Facebook
ou
Um Pequeno Diálogo:

«Para quê a filosofia? Para quê a teologia? Para quê a ciência? Quem é que nos manda pensar? Quem é que nos manda fazer perguntas atrás de perguntas, como CRIANÇAS? (Mas não era Jesus que gostava tanto de crianças?)»
F.H.P.

«O cristianismo possui a Verdadeira Filosofia, a que nos foi oferecida por Jesus, o Deus sábio que encarnou, se fez homem, para nos indicar o Caminho, a Verdade e a Vida!»
T.F.P.

«Sim, Teresa, tu que conheces melhor do que ninguém todas as minhas interrogações, sabes também como acima delas se ergue a minha vontade de acreditar em Jesus Cristo. Mas por vezes sinto-me cansado desta cruzada do Papa Francisco e dos seus seguidores contra o PENSAMENTO, embora me sinta cada vez mais inclinado a PENSAR (*) que eles têm razão, que o pensamento é obra do Diabo, e que o segredo da salvação consiste em desligar o pensamento e seguir apenas o coração. (*) - Curioso: terá de ser o pensamento a decretar a sua própria aniquilação?»
F.H.P.

«Há muitos pensamentos que são na verdade obra do diabo, ou dos seres diabólicos, que o representam simbolicamente (o diabo é um símbolo do mal que cresce no mundo a olhos vistos). Porém, há os pensamentos que pertencem à esfera do bem e que surgem quando menos se espera e, quantas vezes de quem menos se espera. Em suma, o pensamento é um instrumento precioso para distinguir o bem do mal, para usar da responsabilidade da acção, antes de tudo. De facto o Papa Francisco tanto quer simplificar a mensagem cristã que pode acabar por lhe retirar o que ele sempre usou nos seus comportamentos, o pensamento.»
T.F.P.

Tens toda a razão, Teresa! A tua certeza de que o pensamento pode ser utilizado para o bem ou utilizado para o mal é muito mais correta do que a minha hesitação entre o pensamento "ser bom" ou "ser mau".
F.H.P.

Comentários datados de 30 de Agosto de 2017









segunda-feira, 28 de agosto de 2017

«O humano ganhara o meu coração»





«As minhas palavras soavam-lhes diferentes de tudo o que lhes fora ensinado. Ninguém antes lhes falara assim. Talvez porque eu falava de um projeto de vida eterna, de vida com abundância, de vida nova, de espírito diferente, enfim, de um homem novo a construir.

Anunciava-lhes um tempo que se aproximava. Era o tempo de uma nova humanidade toda a manifestar um mundo de criações, dividindo os seus talentos por muitos. Transportava o Espírito no meu corpo. O humano ganhara o meu coração. Tão próximo deles, de cada um deles. Eles viam esse reino novo com uma grande visibilidade embora dependente de um real demasiado sensível.»

Teresa Ferrer Passos, Jesus até ao fundo do coração, Chiado, 2016, pág.26.

     Ao longo das páginas do livro Jesus até ao fundo do coração, livro que publiquei nos fins de 2016, fui interpelando Jesus Cristo, obsessivamente, à medida que escrevia, essa aventura tão grande como poder saber se Lhe agradou...
T.F.P. (frase inserida na minha Página do Facebook)


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os males do mundo e Deus


Tragédia na Madeira: Árvore centenária cai sobre multidão que comprava velas para a festa do Dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, matando 13 pessoas e fazendo 50 feridos



1. Deus não tem a ver com a morte e o sofrimento neste mundo, porque como disse Jesus, "o meu reino não é deste mundo", porque se fosse, "teria a defendê-lo batalhões de anjos". Deixou-se prender, julgar e condenar à morte, sem obstar a essa actuação humana, porque Ele não era deste mundo, mas viera para salvar o Homem da vida finita deste mundo, a quem ele oferecia uma outra vida e uma "vida em abundância", ou seja, sem o limite da morte do mundo material.

2. Deus é o Incognoscível pelo atributo de ser transcendental, ou seja, Aquilo/Aquele que nos transcende. Assim, não se equipara a ovnis, signos, Júpiteres ou afins. A existência de todo o Universo, em que nós nos incluímos, é um mistério tão profundo quenão podemos nomear a sua Origem (os judeus - Moisés - diziam que Deus é, simplesmente, AQUELE QUE É, ou seja, sem definição vocabular com significado). Nada se pode saber nada dessa Origem Primordial por estar para além das capacidades cognitivas do Homem. Só quem é cristão, acredita que Jesus Cristo é esse Deus com uma encarnação humana porque quis resgatar a humanidade do mal em que caiu e dar-lhe a oportunidade de a levar, após a morte, para a Casa do Bem Eterno d'AQUELE QUE É.

Teresa Ferrer Passos

(Duas postagens-comentário a António Costa Santos no Facebook em 16/8/2017)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Aparições de Maria



Em cada imagem, há um sentido
próprio, inviolavelmente belo.
A imagem pronta para os olhos ávidos
de coisas, coisas sensíveis,
tão em si mesmas visíveis.
E a imagem é a Senhora
mais luminosa do que o Sol, viram-na os pastorinhos.

Que força possuiu Maria, a descer do céu.
Que impetuosa ascensão para a Sua morada.
Que imagens a maravilhá-los.
Apareceu Maria, como uma estrela intensa,
distante, cheia de proximidade.
Que sensação vê-la ali, quase ao lado deles,
a transcendê-los e igual à sua imanência!

Oh aparição de Maria, nesses dias 13
do ano de 1917!
Senhora, cercada de relâmpagos de luz e,
ao mesmo tempo, com palavras iluminadas de fé,
uma fé visível,
tão visível de significados,
como sentiram os olhos das crianças.

Oh imagem bela e perfumada de Maria.
Apareceste como qualquer outra mulher,
apareceste como qualquer mãe.
Imagem de Maria a aparecer 
para a conhecerem os mais simples do mundo, as crianças.
E, precisamente, conheceram-na,
de viva voz e com os seus próprios olhos!

Dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, 15 de Agosto de 2017

                                      Teresa Ferrer Passos

sábado, 12 de agosto de 2017

Um poema de Miguel Torga


Hoje, dia 12 de Agosto, lembramos o 110º aniversário do nascimento do Poeta e Ficcionista Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha). Aqui deixamos o seu poema intitulado «Depoimento», datado de Coimbra, 15 de Fevereiro de 1981:

«De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não. Nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.

A honra era lutar
Sem esperança de vencer,
E lutei ferozmente noite e dia,
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder.»

In Diário, XIII volume, Coimbra, 1983, pág.163.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Há 69 anos...

       Há 69 anos nascia uma menina que se chamaria Teresa, filha de Natércia, a mulher que tanto desejou o seu nascimento!
       Aqui deixo duas fotos, uma com quatro meses, outra com quatro anos e sua mãe.
     

Junto um poema de meu marido, oferecido hoje:

JANEIRO E AGOSTO

Abriste uma porta dentro do meu ser
Por onde eu saí ao teu encontro.

Pegaste-me na mão
E fizeste-me subir a longa escadaria
Que vai do inverno até ao verão,
Que vai da noite até ao dia,
Que vai da tristeza à alegria,
Que vai do pensamento ao coração.

Eu vinha do frio agreste de Janeiro
E subo ainda
Seguindo cada linha do teu rosto ─
Mapa da promessa linda
Da plenitude de luz do teu Agosto.

9/8/2017
                   Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Da água...




Das águas  soltavam-se cores 
num turbilhão de arco-íris.
As cores mais belas do mundo!
E, na imensa leveza da água,
nasciam estrelas
mais brilhantes que o Sol.
Uma música cheia de paz ressoava algures.
Donde vinha? Seria da água vasta e terna?
Indiferente, eu saltava
e saltava de novo... Saltava
como se nunca o tivesse feito.
   
27 de Julho de 2017
                                       Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 20 de julho de 2017

No princípio de nós


Cafetaria da Fundação Calouste Gulbenkian


do princípio de nós ou da beleza


numa chávena de café estremecem os teus dedos
convexos demais. Num espaço irreal
descubro grãos negros. Vejo incêndios
perpetuados em água. Vulcões negros soltam-se.

véus de nuvens densas mostram um cérebro
a escorrer seivas brancas. E os sentimentos
não transparecem. Tudo é baço, estranho talvez.

olho o café como se visse uma laranja doce.
Um encontro marcado e inclemente? Vejo o nada.
Onde estás? Pergunto.
E, tu, levantas o olhar turvo,
de súbito, para mim.

20 de Julho de 2017 (24º aniversário do nosso primeiro encontro na Cafeteria da Fundação Calouste Gulbenkian)
                                                        
                           Teresa Ferrer Passos






O LIVRO VERDE DO AMOR

Encontrámo-nos numa biblioteca
No centro de um jardim
E os livros da larga biblioteca
Escutaram com atenção minuciosa
As primeiras palavras que trocámos
E contaram-nas aos cisnes e aos peixes
E aos pardais, às joaninhas e aos melros
Que as foram repetindo sem descanso
Até elas ficarem imprimidas
No sussurrar da brisa na folhagem
E no bater do coração das árvores
E no tremer das águas nos riachos
Como as palavras de um livro transparente
Que nós ouvimos a cada regressar
À biblioteca no meio do jardim.

20 de Julho de 2017

                     Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 11 de julho de 2017

Um poema de Maria d'Eça O'Neill para minha Mãe



Teresa e sua Mãe, no quintal da casa,
em Coimbra
(1956)

No 27º aniversário da morte da minha amada Mãe,
uma lembrança de poesia - a poesia que ela tanto gostava de decorar, e, depois declamar, nos momentos apropriados.

VISÃO DO CEU

Eu amo a nuvem doirada
Que vagueia pelos ceus.
Amo a noute, quando a terra
Envolve em seus negros veus.

Amo a estrella scintillante
Com o seu grato fulgor.
Eu amo o brilho da lua
De que a prata imita a côr.

Amo o barco que fluctua
Do meu patrio Tejo á flor,
Amo o canto d'avesinha
Que só diz - amôr, amôr.

Amo a tarde quando o occaso
Tinge o céu de varias côres.
Amo o bosque que o acaso
Matiza com lindas flores.

Amo da pomba a doçura,
Do tigre a ferocidade;
Amo do cysne a brancura
E da aguia a liberdade.

Mas o que sobretudo amo
É, dilecto, um olhar teu,
Que nas tristezas da terra
Mostra os encantos do ceu.

Maria d'Eça O'Neill, Nimbos, Livraria Editora Viúva Tavares Cardoso, Lisboa, 1908, pp.179-180.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Efrém, o Santo e o Poeta Sírio


Santo Efrém (306-373), teólogo e grande poeta sírio


O poeta sírio Efrém (306-373) cultivou a teologia cristã como uma sabedoria literária e poética. Nascido em Nisibe, na Síria (hoje Turquia) ofereceu-se para servir a Igreja cristã. O Bispo Tiago, nesta cidade, deu-lhe protecção e, vendo a sua inteligência, fê-lo diácono. Mais tarde, convidou-o para formar uma escola teológica em Nisibe. Quando o Imperador de Roma, Juliano, entregou Nisibe aos persas pagãos (seguidores de Zoroastro), Efrém exilou-se, com os seus discípulos e fundou outra escola teológica na cidade de Edessa (cidade síria nos tempos antigos e atualmente turca com o nome de Urfa).

Nisibe, atual Nusaybin no sul da Turquia,
perto da fronteira norte da Síria

Ambas as escolas combatiam as heresias que cresciam dentro da própria Igreja. Perscrutando a emoção de que está revestido o cristianismo, e conhecendo bem a natureza humana, Efrém viu na poesia, na composição musical e na prosa poética, a grande força da busca da verdade e da conversão dos pagãos. Assim, contemplativo e asceta, escreveu hinos de louvor, orações, composições musicais e uma prosa imbuída de poesia.


Para Efrém, a liturgia, como expressão artística (declamação de poemas, cânticos musicados, etc), consegue transmitir a doutrina de modo muito mais eficaz para as conversões ao cristianismo  do que longos discursos de fundamentação filosófica (racionalista). A sua teologia nova, cheia de emoção, aliava-se à altura poética e literária de Efrém. Os seus dotes fazem-no ascender à craveira de santo e Doutor da Igreja em 1920 (com o Papa Bento XV). Pela beleza dos seus escritos teológicos foi chamado «a harpa do Espírito Santo».



Neste primeiro centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima (1917-2017), lembremos como Efrém, o Sírio, invocou Maria, Mãe de Cristo, de um modo grandioso:

«Mais resplandecente que o Sol, conciliadora do céu e da terra, paz, alegria e salvação do mundo».

Num dos seus Hinos à Virgem, escreveria:

«Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, o vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe.»

Sobre a Natividade, Santo Efrém, exaltando a grandeza humana de Maria Santíssima, sublinha, com um tom de profunda beleza, toda a humildade de Deus:

«O Senhor veio a ela
para tornar-se servo.
O Verbo veio a ela
para calar em seu seio.
O raio veio a ela
para não fazer ruído.
O pastor veio a ela,
e nasceu o Cordeiro, que chora docemente.
O seio de Maria
trocou os papéis: 
quem criou tudo
apoderou-se dele, mas na pobreza. 
O Altíssimo veio a ela (Maria), 
mas entrou humildemente.
O esplendor veio a ela, 
mas vestido com roupas humildes.
Quem tudo dá 
experimentou a fome.
Quem dá de beber a todos
sofreu a sede. 
Saiu dela nu, 
quem tudo reveste (de beleza)»

(Himno «De Nativitate» 11, 6-8)


O poeta e teólogo Santo Efrém, viria a ser um precursor da tradicional forma síria de fazer teologia. A sua devoção por Maria, levou-o a estar entre os primeiros que a Igreja cantou, ao revesti-la de glórias imensas. Na Igreja cristã do Oriente, chamaram-lhe  o Poeta de Nossa Senhora. 

6 de Julho de 2017 (dia em que se celebrou o meu Batismo, aos 11 meses de idade)

Teresa Ferrer Passos




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Cristo, o Corpo de Deus




Num jardim, vejo as flores
a saltar da terra virgem. E um perfume forte
inebria um Corpo. O do Deus vivo.
Um Corpo que renasceu, depois de morrer.

Viveu na sabedoria, envolto em voz.
Junto dos corpos pôs fim ao sofrimento.
Junto das almas iluminou os pensamentos.
Não acenou, soberbo, às multidões.
Não recebeu aplausos nem distinções.

Encheu de sentidos novos cada pessoa.
Cansado, sentiu a fadiga a curvá-lo.
Orando a cada instante, não adormeceu
ante os males de tanta gente.

O Corpus Christi oferecia a clemência
aos que se arrependiam, dava a alegria aos amargurados,
curava as dores dos mais flagelados.

O Corpo de Cristo respirava a contingência
e espargia o Amor do Pai. Sentia a beleza da
Virgem Maria, a Sua Mãe.
E transparecia toda a Palavra do Espírito,
a Sua essência.

Cristo, o Corpo de Deus aí está, a guardar-se ainda,
escondendo-se no Seu Coração sagrado e infinito.

Dia do Corpo de Deus, 15/6/2017
                                            Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 13 de junho de 2017

Oração de Santo António a Maria Santíssima


Santo António pregando aos peixes
Azulejo de faiança policromada do século XVII,
Museu da Cidade, Lisboa


Nós Te suplicamos, Senhora nossa,
insigne Mãe de Deus,
elevada sobre o coro dos anjos,
que enchas de graça celeste o nosso coração,
o faças resplandecer com o ouro da sabedoria,
o fortaleças com a tua força,
o adornes com as pedras preciosas das virtudes.
Ó bendita Oliveira,
derrama sobre nós o óleo da tua misericórdia,
para que cubra a multidão dos nossos pecados,
e assim sejamos elevados à altura da glória celeste
e possamos gozar a bem-aventurança dos santos,
com o auxilio de Jesus Cristo, teu Filho,
que Te exaltou sobre os coros dos anjos
e Te coroou com o diadema do Reino,
sentando-Te no trono da luz eterna:
a Ele, honra e glória pelos séculos eternos.

Santo António de Lisboa (1195-1231)



Santo António ressuscita a menina morta


***


Santo António


«Tudo quanto pedirdes com fé, na oração, recebê-lo-eis»
Mt 21,22

«Se vós estiverdes em Mim e as Minhas Palavras estiverem em vós, 
pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á concedido»

Jo, 15, 7


Batizado com o nome de Fernando de Bulhões, tomaria, já em Itália, o nome de António. Formado na escola dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em Coimbra, ambicionava ser missionário. Viajando para a Mauritânia para evangelizar essas terras, regressava a Portugal por ter caído doente, quando o barco, devido a uma tempestade, o levou para Itália, onde acabou por se curar. Contudo, não regressaria a Portugal. Tendo morrido em Pádua, em 1231, com apenas 39 anos, foi canonizado pelo Papa Gregório IX, apenas um ano depois.

Entre os seus milagres em vida, estão a ressurreição de uma menina e a cura de uma amputação. As suas pregações eram ricas de dotes oratórios; o seu amor aos pobres e a todos aqueles que via serem vítimas de injustiça, tornaram-no um franciscano de carisma idêntico ao de S. Francisco de Assis que conheceu pessoalmente. 

Com o espírito de Francisco se identificava no sentido pleno da fraternidade e da grande devoção à Virgem Maria. Pela iconografia conhecida de Santo António, o Menino Jesus, símbolo magnífico da ternura, da simplicidade e da humildade da criança, está sempre entre as suas mãos e sob o seu olhar doce e delicado. A esta iconografia não deverá ter sido estranha a sua visão seráfica do Menino Jesus.

Lisboa, 13 de Junho de 2017 (786º aniversário da morte de Santo António em Pádua)


Teresa Ferrer Passos  

Santo António e a visão do Menino Jesus

***