quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

COMO SE FOSSE O CÉU


numa orquídea pintei a tua face
desenhada por Deus num dia de céu azul.
era o dia catorze de Janeiro. o sol estremecia 
no horizonte e tu tinhas acabado de nascer.
coberta com uma echarpe de tule
branco olhei-te com a suavidade de um flamingo
que ainda não sabe voar. tu viste-me como uma sombra
de ti próprio e pareceu-te que essa sombra
sempre tinha existido na tua memória.
memória de uma luz que não engana
nem destrói nem abandona.
assim tudo começou.
a hora era vaga e dispersa.
era o dia  catorze de Janeiro
em que uma janela se abria
como se fosse o céu.

14 de Janeiro de 2026

                           Teresa Ferrer Passos