quarta-feira, 26 de outubro de 2016

In Memoriam de...


Poeta A. M. Couto Viana (1923-2010),
colaborador da revista Limiana (Viana do Castelo)

Soneto Breve e Leve

( in memoriam de António Manuel Couto Viana )

invoco, para a Musa minha, o 3 de Copas Arcano
Coas mãos esmigalhadas p’lo mundo da dor
Se ergue sempre o Poeta na sua fantasia.
O homem não contente cria mesmo com Amor:
Se hoje ele é Poeta, amanhã será Poesia.
Urge transformar num só verso maior
Poalha de poeira que é, no fim do dia,
Sal e escuridão volvendo-se em estertor:
Quando um mundo acaba, o outro principia.
Tiremos, entretanto, a Cristo a sua Cruz,
Louvemos o zagal e todos os trigais,
Crisantos animais que somos todos nós;
Pois assim era Buda e assim era Jesus,
Nitentes e notáveis doando aos naturais
A Virgem, visionada, e cansada, a minha voz.

                        Que Luz, 05/ 10/ 2016
                                                             AD MAJOREM DEI GLORIAM

                                  Paulo Jorge Brito e Abreu

domingo, 23 de outubro de 2016

Fraternidade única, nunca vista




Um anjo anunciou o meu nascimento a uma jovem de Nazaré que, com o espanto no coração, aceitou a vontade do Alto. A voz vinha do Espírito, vinha daquele que era. Noiva de José, a escolhida para ser minha mãe, aceitou a missão. Na aparência, impossível. Ela a tornaria possível.

As lágrimas confundiam-se com a alegria. A escolha era determinante. Decisiva. Alguns meses depois, ela, que se chamava Maria, seria o ventre materno da encarnação de Deus. À luz do Espírito, Deus e o homem iam unir-se numa fraternidade única, nunca vista.


 Teresa Ferrer Passos, Jesus até ao fundo do coração, Chiado Editora, 2016, pág.6 (a publicar brevemente).

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

No vale do mundo


Os olhos habituam-se à penumbra
E vão a pouco e pouco percebendo
O virginal delírio colorido
Das borboletas que voam só de noite.

Uma raposa espreguiça-se na relva
E a relva é branca como no Antártico
E os olhos brancos da raposa branca
Tingem de ser o nada do deserto.

10/10/2016

Fernando Henrique de Passos

sábado, 1 de outubro de 2016

Nossa Senhora da Paz, uma Devoção de Benavente

Imagem de Nossa Senhora da Paz
Igreja matriz de Benavente
(a antiga igreja ficou destruída pelo terramoto de 1909,
mas esta imagem conservou-se intacta)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A ilusão do centro: pecado original


“(…) mas quanto ao fruto da árvore
que está no meio do jardim,
Deus disse: ‘Nunca o deveis comer,
nem sequer tocar nele,
pois, se o fizerdes, morrereis” (Gen 3, 3)



Só figuras finitas têm centro.
O ilimitado é desprovido desse lugar geométrico.

No Jardim do Éden temos tudo,
No Jardim do Éden somos tudo,
E o Jardim do Éden não tem centro.

A ilusão que nos faz ver um centro no Jardim
É a mesma ilusão que nos faz querermos mais
Além de tudo o que já somos.

E é essa a raiz de todo o Mal.

15/9/2016

Fernando Henrique de Passos


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Albert Camus e a arte do romance

Albert Camus (1913-1960), Nobel da Literatura em 1957

«O artista forja-se neste ir e vir perpétuo de si para os outros, a meio caminho da beleza sem a qual não pode passar e da comunidade a que não pode subtrair-se» (Estocolmo, 1957)

                Albert Camus, O Avesso e o Direito seguido de Discursos da Suécia, Livros do Brasil, Lisboa, s/d, pág. 127 (esta publicação inclui outros textos de A. Camus).

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A violência, cenário de guerra

       
A queda das torres gémeas em Nova Iorque por embate aéreo

       A violência veiculada pela tecnologia cresce...
    E desde a declaração de guerra do fundamentalismo islâmico ao Ocidente em 11 de Setembro de 2001 nos EUA, o confronto Islão-Ocidente não deixou de crescer em várias zonas do mundo.
     Chega às próprias relações dentro da família, 15 anos depois...

11 de Setembro de 2016
                                                                           Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

S.João de Deus, exemplo da misericórdia



S. João de Deus num painel de azulejo (Igreja do Hospital de Montemor-o-Novo)

«Hoje assiste-se ao renascimento de um neo-estoicismo, uma espiritualidade pop, new age, em que o acento volta a reincidir no sujeito enquanto carente de equilíbrio e de paz interior. Nesta perspetiva é necessário distanciar-se das fontes de sofrimento, tais como os pobres ou as questões mais prementes da sociedades. Esta mentalidade cultiva um ensimesmamento estéril, um narcisismo inconsequente, e é bem sucedida na mobilização de neófitos, homens e mulheres sedentos de afeto que cresceram em contextos desestruturados»

      Nélio Pita, "Expressões de Misericórdia" in Suplemento de Hospitalidade, nº312 / Abril-Junho 2016, pág. III.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dia Mundial da Fisioterapia

Para o Dia 8 de Setembro de 2016:
"Adicionar vida aos anos"



      A fisioterapia é fundamental em doentes com graves problemas musculares, neuro-musculares e degenerativos. Através da reabilitação, ainda que lenta, dos órgãos doentes, nasce na pessoa com deficiência uma dimensão nova para a vida.
     
     Apenas com um pequeno passo na evolução motora, há o ganho que soa a vitória. E, na vida, é com as pequenas vitórias que se constroem aquelas grandes que o sonho imagina.

     Mesmo que esse sonho seja inalcançável. Porque é o sonho que nos dimensiona para além das nossas fragilidades humanas, para além de nós.  

Dia Mundial da Fisioterapia
                                                                
                                                          Teresa Ferrer Passos




domingo, 4 de setembro de 2016

PARA QUEM O TRABALHO, OU A NOVA POBREZA…*

Aqui publico um texto que escrevi em 1998,
numa Pequena Homenagem a Madre Teresa de Calcutá,
neste dia 4 de Setembro de 2016,
em que é Canonizada pelo Papa Francisco 

Madre Teresa de Calcutá com os pobres

  «Tive fome e deste-me de comer»
Jesus Cristo

   Missionárias da Caridade - uma Ordem Religiosa fundada por Madre Teresa de Calcutá, em 1950. Por estes anos do Pós-Guerra, o pobre torna-se o centro das preocupações da sua fundadora.
   Missionárias em busca dos que sofrem para lhes dar mais do que alimentos para o corpo, também alimento espiritual de que não eram menos carecidos. Cinquenta anos decorreram desde o lançamento deste projecto de ligação ao pobre - «no pobre, Cristo é pobre»1.
   A entrega das Missionárias da Caridade ao serviço dos pobres significa que no pobre Cristo, vivem. No pobre - o pobre que significa aquele que precisa de pão, mas que está igualmente ávido de apoio espiritual - está o Cristo vivo, o Cristo a viver connosco todos os dias sem que demos pela sua presença.
   Numa sociedade mundializante e todos os dias a criar novos reforços para a totalização dessa mundialidade (vivemos, no momento, o exemplo da União Europeia), a Ordem das Missionárias da Caridade não perdeu o sentido, não se tornou mais uma congregação humanitária; pessoas como as Missionárias fundadas por Madre Teresa de Calcutá são progressivamente mais necessárias.
   A sociedade da abundância, provocou uma  explosão de pobres (a quem nem sequer se inclui entre as estatísticas dos desempregados), envergonhados, silenciosos, que nada reclamam, a quem algumas horas em serviços a prazo ou sem contrato consolam da sua desdita. O que na verdade esses pobres se julgam é inábeis, incapazes de saber viver (a par dos empregados sempre vistos como os mais aptos, os bem sucedidos).
   Pelas Índias das castas, às quais os miseráveis não repugnam; pelas Áfricas em que as crianças subalimentadas são o espectáculo masoquista e, em simultâneo, motivo da indiferença dos que, na certeza da segurança, não se interessam pela incerteza do futuro dos outros (designadamente os Estados poderosos); pela Europa das Uniões Económico-Financeiras, ufana de um igualitarismo propagado até à exaustão em que explodem promessas eleitoralistas ou para-eleitoralistas de novos empregos e de mais trabalho para todos - por todos os continentes, em suma, grassa a hipocrisia dos governos ao serviço e a servirem-se dos grandes grupos capitalistas e das maiorias populares.
   Em todo este mundo, sem compreender a sua própria realidade social, nem sequer tentar auscultar-lhe as deficiências lesivas das minorias sem ruído, há uma frenética ânsia de dar a imagem de um planeta a caminho do progresso, sem recuos ou máculas - um progresso fundado na esperança ou na espera de mais segurança, mais emprego, mais abundância e bem-estar social.
   Em Portugal os exemplos abundam: novos cursos superiores, mais democratização do ensino com a abertura de mais vagas, mais escolas, mais, sempre mais vias para mais postos de trabalho. «O emprego espera por vós», parece ser constantemente afirmado. E  todos, todos têm a espera, talvez uma esperança vã  pela frente.
   Escritores um pouco por todo o mundo e, mais perto de nós, nos países da Europa de que fazemos parte - e refiro-me àqueles que ainda pensam, são capazes de olhar o outro, ou aquele que passa a seu lado, sem se deixarem vender às maiorias dominantes e, não raro, dominadoras (as ditaduras surgem das maiorias que esmagam as minorias, em vez de as libertarem) - estão a alertar para o perigo de se estar a enganar o tecido social da maioria votante (que dá o voto para ser governada, na espera de dias melhores, como lhe prometem), com toda uma falaciosa realidade que já nada tem de real. Trata-se de toda uma propaganda política ligada aos grandes monopólios económicos mundiais - privados e dos estados -, sempre a intervir com a reafirmação da criação de mais emprego. A verdade é que tudo isto não passa de uma falaciosa esperança. O emprego será cada vez mais desnecessário num mundo profusamente maquinizado, tecnicizado.
   A viabilidade de conseguir mais trabalho para todos os que ainda estão à espera, é praticamente nula, se essas margens que são já milhões de pessoas em termos mundiais, não fugirem ao esquema actual do sistema e àqueles que se preparam para manter esses indigentes do trabalho - silenciados, como numa culpabilização generalizada pelos insucessos individuais.
   Nasce, assim, uma das maiores injustiças sociais da época contemporânea: a desigualdade camuflada de igualdade; a submissão  ocultada sob uma pretensa  liberdade; a oligarquia plutocrata e a ditadura mascaradas de democracia.
   Neste contexto mundializante (e que se estende cada vez mais a Portugal), Madre Teresa de Calcutá e as suas Missionárias almejaram um sentido mais vivo e mais fundo. Resta, aos que sofrem na desilusão e na descrença de si próprios, ainda quem se coloque do seu lado, como as Missionárias  da Caridade. Mas outros estão a usar outros meios: a palavra escrita e propagada através do livro.  
   A situação não está a passar-se sem que haja quem se aperceba da farsa social que são, designadamente em Portugal, as chamadas Acção Social, Segurança Social, Luta contra a Droga ou as leis favoráveis à desagregação da família - edifício ético sobre o qual deve assentar uma sociedade psiquicamente saudável.
   As Missionárias da Caridade que Madre Teresa de Calcutá dirigiu até à sua morte, em 1997, estão, não no mundo, mas num mundo incluído num outro mundo, que não está perplexo, que não está a fazer uma autocrítica dos seus actos, mas que apenas procura ludibriar a situação degradante de muitos indivíduos. É um facto que «vendeu a alma» ao poder.
   Afirmava Madre Teresa: «Se não estivéssemos profundamente convencidas de que Cristo permanece oculto no rosto dos deserdados deste mundo, a nossa Missão não se justificaria». A situação é grave. Na verdade, as consequências psicológicas e morais (o suicídio e as doenças mentais), atingem  indivíduos, ou seja, pessoas, que se distinguem de massas anónimas.
   O cidadão, ou é considerado por si próprio ou a sociedade perde o seu sentido essencial. O Poder não pode ter em vista apenas fins, sem olhar aos meios, sob pena de se tornar imoral.
                                                           Teresa Ferrer Passos






*  Stella (revista) Set/Out 1998, nº579, pp.22 e 26.
1 José Luís González-Balado, Madre Teresa  dos  Pobres mais Pobres, Edições Paulistas, Lisboa, 1991, p.41.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Tudo começou aqui


Teresa com 4 meses e sua mãe

Tu nasceste neste dia
Enquanto eu me aborrecia
À espera da minha vez.
Fiquei encantado ao ver-te
E desejei logo ter-te
Para minha companhia.

Liguei lesto pra Viana
(Apesar de ser tão longe)
Onde o meu futuro pai
Já só pensava em ser monge.

Ele ouviu a voz do alto
Dizendo “ruma a Lisboa”
E julgando que era Deus
Tirou como conclusão
Que aquela ideia era boa.

Como era muito indeciso
(O filho fora mais rápido…)
Levou ainda um par de anos
Até se fazer à estrada
Pondo em ação os meus planos.

Correu tudo muito bem
A partir desse momento
E passado o tempo certo
Deu-se o nosso casamento.

E foi assim, querida Teresa,
Que eu te levei ao altar
E mesmo não sendo príncipe
Desposei uma princesa.

Mas tudo sabes tudo isto
Quase melhor do que eu sei
Pois com respeito ao meu pai
Começaste por ser nora
Mas – se o posso revelar –
És a biógrafa agora!

9 de Agosto de 2016

            Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

No 1º Centenário da Morte de Mário de Sá-Carneiro


Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quási vivido...

Do poema "Quási" de Mário de Sá-Carneiro in «Dispersão»
Edições Presença, 2ª edição, 1939, p. 47.



quinta-feira, 28 de julho de 2016

O Buda e os seus seguidores


Os crentes budistas frequentam templos,
templos erguidos em louvor do Buda,
templos com altares onde brilha o Buda
e rezam ao Buda e deixam-lhe oferendas
e esperam em troca os favores do Buda.

Mas o bom do Buda não desejou isto.

Ele descobriu coisas espantosas
sobre o ser humano, sobre a existência,
sobre a liberdade que há ao nosso alcance
de nos libertarmos da vil Lei da Dor.

E quis ensinar-nos o que descobriu.

Mas o seu caminho não é estrada plana
e é tão mais fácil construir uns templos
em louvor do Buda, com altares ao Buda,
e fazer em ouro imagens do Buda
e rezar ao Buda e deixar-lhe oferendas
e esperar em troca os favores do Buda…

28/7/2016

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O mundo hoje

De massacre em massacre, de tortura em tortura...
E é assim que o mundo continua sem saber para onde vai.

27/7/2016
                                                  Teresa Ferrer Passos

domingo, 24 de julho de 2016

Há no firmamento...





"Há no firmamento
Um frio lunar,
Um vento nevoento
Vem de ver o mar.

Quási maresia
A hora interroga,
E uma angústia fria
Indistinta voga.

Não sei o que faça,
Não sei o que penso,
O frio não passa
E o tédio é imenso.

Não tenho sentido,
Alma ou intenção...
'Stou no meu olvido...
Dorme, coração..."


Fernando Pessoa, Obras Completas de Fernando Pessoa, Poesias I, 2ª edição, Editorial Ática, Lisboa, 1943, pp.81-82.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Perseguição



Andorinha-do-mar ártica

A voz que me falou de noite
Não quero escutá-la de dia.
Ah, nada existe em mim que se afoite
A escutar de novo o que essa voz dizia!

Chamou-me abismo de mim;
Chamou-me desencontrado;
Traidor que de longe vim
Crucificar meu sonho alado.

Chamou-me inútil e vão,
Tôrre de egoismo que a si própria mente.

Eu encolhi os ombros, indiferente...

Mas porque não escutaste, coração?

Eurico Collares Vieira, «Flores de Abismo»,
Colecção Poesia Nova, nº2, Lisboa, 1944.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Acontecimento raro


Incêndio das cartas astrológicas
Abismos a abrir-se no espaço sideral
Rajadas de vento a despentear galáxias
Sobressaltos nos ínfimos asteroides
Delírio do pó feito de estrelas
Dança ritual de mil planetas
Sob a chuva de energia cósmica
Que o destino convocou ao provocar
A conjunção de dois sóis…

20/7/2016

Fernando Henrique de Passos

Sintonia sem espaço




(Ao Fernando, no 23º aniversário do nosso primeiro encontro
                                   na Fundação Gulbenkian)


Nos laços do espaço, não há o teu espaço
e o meu espaço. Tudo se mistura numa nuvem
ou num céu azul, como se fosse puro acaso.

E tudo se transforma nos segundos
que contamos entre minutos.
As nossas vozes ecoam em silêncio
e tocam-se. São uma só, e distintas.

O nosso amor impõe-se numa   
distância, sem distância alguma.
E o nosso ser tem uma sintonia
que nenhuma razão explica.

E procuramo-la tantas vezes.
Procuramo-la até num tão simples gesto
como ligar um telemóvel.

20 de Julho de 2016

                                  Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Fantástica Viagem


Estou sob a grande abóbada secreta
No bordo do mapa e no fim do mundo.
Daqui para a frente é sempre em linha reta
Através do vento gemebundo.

Deixou de haver lugares nesta jornada,
Apenas um relógio a servir de guia.
Entre o ponto de partida e a chegada
O espaço só de uma poesia.

Dar corda ao relógio antes de partir
É pôr a funcionar a estranha ponte
Que iguala os pontos que devia unir:
E assim, só de o olhar, já estou no horizonte…

13/7/2016

F.H.P.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Indícios


A forma invisível
Em torno da qual
Se enredam os teus sonhos

A falta de razão
Para um pôr-do-sol
Te parecer tão belo

A sombra rebelde do teu querer
Que te faz ir por outro lado
Diferente do que julgavas procurar

As palavras na música sem voz
Que te dizem aos ouvidos mil segredos
Que tu não tens palavras para repetir

:Eis alguns dos rostos
Do Senhor teu Deus

13/7/2016

Fernando Henrique de Passos

domingo, 19 de junho de 2016

No ventre do vulcão


Teu era o sangue
E lágrimas corriam do teu rosto.

A dor era também tua
E então fizeste dela a tua escrava
E deste-lhe a ordem de escavar a lava.

(Por isso ela agora sua
Abrindo a larga galeria
Por onde jorrará a luz do dia.)

14/6/2014

Fernando Henrique de Passos

sábado, 11 de junho de 2016

A legalização da prostituição

Se nós, como sociedade, queremos pôr termo à violência contra as mulheres, não faz sentido que ao mesmo tempo vamos permitir a legalização da prostituição, como a Juventude Socialista pretende.

Os miseráveis que espancam e chegam a matar as mulheres com quem vivem, fazem-no pela baixíssima conta em que têm a mulher.

Se uma lei do Estado vier dizer que o corpo da mulher pode ser alugado como um quarto de hotel ou como um automóvel, isso só virá confirmar e dar direito de cidadania à ideologia machista que vê na mulher um objeto, ideologia que está na raiz da violência dos homens contra as mulheres.

(Que união da esquerda é esta, que chega a envergonhar quem já um dia se pensou de esquerda?)

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 7 de junho de 2016

Uma folha de papel em branco


                                                                 À Teresa

A folha de papel à tua frente
Onde querias provar que Deus existe
Permanece teimosamente em branco
E Deus olha o teu esforço e Deus sorri-te.

Larga a caneta e ergue os olhos,
Sorri para Deus quando Ele te sorri,
Faz-te tu mesmo folha de papel
E deixa ser Deus a escrever em ti.

7/6/2016

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Eucaristia é para os pecadores



«Ainda há bem pouco tempo, o Papa Francisco exortava a aprender que "a Eucaristia não é um prémio para os bons, mas é força para os fracos".»

Darci Vilarinho, in Fátima Missionária, Junho/2016, p.5.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ação de Graças



Mulher,
Minha Mulher,
Que me guias desde as profundezas de mim mesmo
Até à luz de enfim saber quem sou:
Deus te abençoe pela tua presença inabalável
Como a mim me abençoou com tu seres minha.

19/5/2016

Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A lontra


Paro no seio da pergunta

(A lontra nada na líquida doçura
Entre cascatas, água, sombras, luz e nada,
Onde nada suscita uma procura
Que não seja já a coisa procurada)

Eis-me no seio da pergunta

12/5/2016

Fernando Henrique de Passos

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Alta voltagem



Os olhos do céu abriram-se muito
Os olhos do céu abriram-se tanto
Que fulgiu de novo o fogo já extinto
Deixando espelhar o brilho do espanto

8/5/2016

Fernando Henrique de Passos

domingo, 8 de maio de 2016

A lei do Letes


(convoco, para a Musa minha, o 9 de Copas Arcano)

Ó Morte e doce Morte que me zurzes
Com essa luz fatídica e cruel
Que dava a negra cor às verdes urzes
E que ria nas bênçãos de Raquel...

Doce Morte que a rir assim me surges
E que entras disfarçada de batel
Onde os bons e os maus perdem as cruzes
E a vida é um teatro de papel,

Ensina-me a cantar o teu sorriso,
Teu alor liquefeito, o Paraíso,
Ensina-me a ser Deus e não diabo,

Pois se eu hei-de morrer um dia destes,
Que seja ouvindo a voz, entre ciprestes:
«Não começo, não vivo e não acabo.»

ORA PRO NOBIS PECCATORIBUS

Paulo Jorge Brito e Abreu