sábado, 12 de dezembro de 2015

Dossier Natal / 2015





ERA UM NATAL 



O que eu este ano realmente queria
Era um Natal com mais Filosofia.

Escapar à Piedade e ao seu engodo;
Pensar nas relações das Partes com o Todo.

Trocar a consoada por uma coisa séria:
Provar que o Espírito é mais do que a Matéria.

Lançar-me à desfilada na Ciência Pura
Passando da Adoração à Aventura.

Achar nas raízes da Física Moderna
A justificação da Vida Eterna!...

… Vou pela rua e vou inebriado
Com o meu arrojo e com o meu projeto
De assaltar as esferas do Sagrado
E de ser o fantástico arquiteto
De um pensamento renovado,
Suprema afirmação do intelecto…

… quando a rua se estreita à minha frente
e acabo num beco sem saída.

Nas minhas costas ergueu-se uma parede.

(A luz do dia,
há pouco tão brilhante,
tornou-se baça
como um diamante
de fancaria.)

Chamo.
Só oiço de novo a minha voz

Não há vivalma.
Casas de linhas retas e escorreitas
mas um cheiro a cave abandonada.
Embora se esteja a céu aberto
ele é tão baixo e tão cinzento
que quase não me deixa respirar…

…   abro a boca     solto a garganta    quero gritar   …

− Onde é que está o Deus Menino?!
E Maria e José e toda a gente?!
Não pode ser este o meu destino!
O futuro tem de ser mais que este presente,
A rua a estreitar-se à minha frente,
As casas vazias sem ninguém,
O eco vazio do pensamento,
E o mistério da gruta de Belém
Transformado em fachada de cimento…

− Falas com quem? – pergunta um rapazito
Que vejo de repente à minha beira. –
Não percas mais tempo a pensar no infinito,
Olha que o Natal é já na sexta-feira.
Pergunta o meu nome, fala comigo;
Eu sou irmão daquele Sem Abrigo
Que nasceu numa gruta há dois mil anos.
Não O procures no pó da biblioteca,
Procura-o no rosto dos humanos…

Abre-se de novo a rua à minha frente!

Que rua cheia… que mar de gente…
Tanta alegria… tanto alvoroço…
Lá mais ao fundo vejo um Presépio
Com um Menino de carne e osso!

− Esquece as ideias, toca as pessoas,
Tão mais concretas que as teorias.
Se queres usar o pensamento,
Se queres pensar na Vida Eterna,
Basta pensares que ela é real
E que começa neste momento,
E que começa neste Natal!

19/12/2015
                 Fernando Henrique de Passos




PRIMEIRO ISRAEL, DEPOIS O MUNDO

Jesus e sua Mãe, no estábulo do Seu Nascimento

Todo envolvido em paninhos,
ao lado dos animais.
Aqui nasces pequenino, oh Jesus.
Queres espalhar o sal na terra.
És Deus a humanizar-se. És homem já divino.
És o Filho de Maria,
a mais simples mulher de Israel.
O lugar humilde, imprevisto:
um estábulo de animais.
Adormeces cedo, extenuado e a viver,
como se fosses o amanhã.
Aqui nasces, oh pequenino Jesus.
Escutas o toque das tuas mãozinhas
e entreabres os olhos à procura dos pastores.
O silêncio aquece-Te, como é doce.
Desces do Alto, bem sabes,
para chegar ao mundo inteiro.
É urgente que Te ouçam!
As palavras de Teu Pai
à espera dos ouvintes!
É preciso que acreditem nas
palavras do Altíssimo!
Oh Mãe, o Teu Filho tem pressa! 
Tem pressa de ser homem para
chegar às cidades que estão
tão perto - na Galileia, na Samaria e na Judeia -
ou tão distantes, nas gentias terras, além. 

12 de Dezembro de 2015
                                           Teresa Ferrer Passos





Santo Ambrósio, Doutor da Igreja

«Bem-aventurados aqueles que pensam na miséria e na pobreza de Cristo, o qual, sendo rico, se fez pobre por nós. Rico no seu Reino, pobre na carne, porque assumiu sobre si esta carne de pobres...

Portanto, não sofreu na sua riqueza, mas na nossa pobreza. Não foi então a plenitude da divindade que sofreu... mas a carne... 

Procura, pois, penetrar o sentido da pobreza de Cristo, se queres ser rico! Procura penetrar o sentido da sua debilidade, se desejas obter a saúde!

Procura penetrar o sentido da sua cruz, se não te queres envergonhar dela; o sentido da sua ferida, se queres curar as tuas; o sentido da sua morte, se desejas alcançar a vida eterna; o sentido da sua sepultura, se desejas encontrar a ressurreição».
            
          Santo Ambrósio (340-397),Comentário a doze Salmos







À VIRGEM MARIA, SENHORA DA SAUDADE


( invoco, para a Musa minha, o 2 de Copas Arcano )
  
Minh’ Alma só por Ti, por Tua boca
Fiando nesta noite, à luz da Lua,
Uma branca e meiguíssima falua
Que dos Teus lábios sai já feita em roca.

Minh’Alma só por Ti, e não é pouca,
E nos Teus lábios, Mãe, me apazigua.
Por Vos cantar minh’Alma, casta e nua,
À espada lança a voz, dolente e rouca.

Que em Musa lilial e na garganta,
Em Graça colorida manda Amor.
Se Amor agora acalma, e acalanta,

Na Rosa, sem agrura e amargor,
Tu és, no divo assento, o centro e Santa,
Mãe Tu és, és a esposa do Senhor.

  Lisboa, 15/ 05/ 1991 / Queluz, 03/ 11/ 2015

FIAT VOLUNTAS TUA

Paulo Jorge Brito e Abreu




«Quando deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens» 
Mt. 6, 2


«Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram»
Mt. 7, 14







NATAL



Numas palhinhas deitado,
Abrindo os olhos à luz,
Loiro, gordinho, rosado,
Nasce o Menino Jesus.

Uma vaquinha bafeja
Seu lindo corpo divino,
De mansinho, que a não veja
E não se assuste o Menino!

Meia-noite. Canta o galo.
Por essa Judeia além
Dormem os que hão-de matá-lo
Quando for homem também...

E, pensativa, a Mãe Pura
Ouve, fitando Jesus,
Os rouxinóis na espessura
Dum cedro que há-de ser cruz!...

                           João Saraiva
(1866-1948) in Na mão de Deus - Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa (Organizada por José Régio e Alberto de Serpa), Portugália Editora, 1958, pp. 261-262.






«Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino»
Mt 9, 35

«Ide, primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que o Reino dos Céus está perto»
Mt 10, 6




«Quem vos recebe, a Mim recebe, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou»
Mt 10, 40




CRUCIFIXO



                  - Minha mãe, quem é aquele
                  Pregado naquela cruz?
                  - Aquele, filho, é Jesus...
                  É a santa imagem dele!

                  - E quem é Jesus? - É Deus!
                  - E quem é Deus ? - Quem nos cria, 
                  Quem nos manda a luz do dia
                  E fez a terra e os céus;

                  E veio ensinar à gente
                  Que todos somos irmãos,
                  E devemos dar as mãos
                  Uns aos outros irmãmente:

                  Todo amor, todo bondade!
                  - E morreu? - Para mostrar
                  Que a gente pela Verdade
                  Se deve deixar matar. 

                              João de Deus (1830-1896) in Na mão de Deus (Antologia organizada por José Régio e Alberto de Serpa), Portugália Editora, 1958, pp. 234-235.




«Aproximaram-se então de Jesus alguns fariseus e escribas, vindos de Jerusalém e disseram-Lhe: "Porque transgridem os Teus discípulos a tradição dos Antigos? Pois não lavam as mãos antes das refeições". E vós, replicou Ele, porque transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?»
 Mt 15, 1-3

«Hipócritas! Muito bem profetizou Isaías a vosso respeito, ao dizer: "Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que me presta, ensinando doutrinas que são preceitos humanos"»
Mt 15, 7-8



MÊS DE DEZEMBRO – NATAL




O ano está no final,
Chegou o mês de Dezembro.
Com a festa do Natal,
A alegria é geral,
P’ra infância, em especial,
É assim, se bem me lembro!

As vitrines enfeitadas,
Com mil bolas coloridas
Parece o mundo das fadas!
E as crianças encantadas,
Sonham já, maravilhadas,
Com as prendas pretendidas.

Os adultos apressados
No afã do dia-a-dia,
São também contagiados
Pela mágica euforia.
E os corações mais fechados,
Enchem-se de pura alegria.

Desta forma, desprezando
Os problemas pessoais
Que os vêm atormentando,
Olham p’rós desprotegidos,
Da sorte desfavorecidos,
Mas, contudo, seus iguais!

A festa é do Advento!
E em toda a alma reluz
Um fraterno sentimento,
Que nos traz um novo alento,
Porque Natal é nascimento
Que em esperança se traduz.

Porque esta quadra, afinal,
É o tempo do Amor!
Desse Amor universal,
Que não conhece fronteiras,
E quebra as grandes barreiras,
Por Jesus, Nosso Senhor.

Grande lição de humildade,
Aquela que Ele nos deu!
A toda a humanidade.
E a promessa imorredoura,
De quem, numa manjedoura,
Entre os mais simples nasceu!

Promessa de salvação
E de uma vida imortal.
Para os que têm esperança
E esperam, com confiança,
Para todos os cristãos,
Desejo um santo Natal!...

2015

                       Nena Paulino




«Quem ouve a Minha palavra e acredita n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre em condenação, mas passou da morte para a vida!»
Jo 5, 24


«A vontade de Meu Pai é esta: que todo aquele que vê o Filho e acredita n'Ele tenha a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia»
Jo 6, 40



NATAL




Turvou-se de penumbra o dia cedo;
Nem o sol espertou no meu beiral!
Que longas horas de Jesus! Natal...
E o cepo a arder nas cinzas do brasedo...

E o lar da casa, os corações aos dobres,
É um painel a fogo em seu costume!
Que lindos versos bíblicos, ao lume,
P'lo doce Príncipe cristão dos pobres!

Fulvas figuras p'ra esculpir em barro:
À luz da lenha, em rubro tom bizarro,
Sou em Presépio com meus pais e irmãos.

E junto às brasas, os meus olhos postos,
Nesta evangélica expressão de rostos,
Ergo em graças a Deus as minhas mãos.


                                             Afonso Duarte (1884-1958) in Na mão de Deus (Antologia organizada por José Régio e Alberto de Serpa), Portugália Editora, 1958, p. 297.




"E NO SEU NOME ESPERARÃO AS GENTES"

                                                                                                                                                                S. Mateus, XII-21

No ar azul da madrugada
Virias logo, se eu chamasse?
Encostarias Tua Face
À minha face enregelada?

Apagaria a Tua Mão
As cicatrizes que deixaram
Esse fantasmas que habitaram
A minha fruste solidão?

Quando notasses, ao entrar,
Que tanto sofro por um nada,
No ar azul da madrugada
Sarar-me-ia o Teu Olhar?

Se eu Te contasse o meu desgosto
De quando a Infância me vem ver,
Ter de expulsá-la, p'ra viver,
Afagarias o meu rosto?

Vendo-me a alma condenada
A esta alheia expiação,
Virias dar-me o Teu perdão
No ar azul da madrugada?

As minhas pobres confidências,
Olhos nos olhos, ouvirias?
Com Teu sorriso acalmarias
Minhas febris impaciências?

E se, com esta voz de insone
Jurasse que não creio em nada,
No ar azul da madrugada
Escreverias o Teu Nome?

                   Carlos Queiroz (1907-1949) in Na mão de Deus (Antologia organizada por José Régio e Alberto de Serpa), Portugália Editora, 1958, pp. 330-331.


«Puseram-se então os judeus a murmurar contra Ele por ter dito: "Eu sou o pão que desceu do céu" e diziam: "Não é ele Jesus filho de José, de quem conhecemos o pai e a mãe?"» (...) «Isto disse Ele, estando a ensinar na sinagoga de Cafarnaum»
Jo 6, 41 e 59


 

«Dizia então Jesus aos judeus que n'Ele tinham acreditado: "Se permanecerdes na Minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á"»
Jo 8, 31-32




«Era Inverno e Jesus andava a passear no Templo [de Jerusalém], no pórtico de Salomão. (...) "Vós não credes porque não sois das Minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as e elas seguem-Me»
                                                                                                          Jo 10, 22-23, 26-27





terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Dia da Imaculada Conceição

Igreja de S. Pedro no Vaticano

«Há sempre a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projetar a nossa vida independentemente da vontade de Deus.

Esta é a inimizade que ameaça continuamente a vida dos homens, tentando contrapô-los ao desígnio de Deus.

todavia  a própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa»

                    Papa Francisco (Festa da Imaculada Conceição a 8/12/2015 e Abertura do Jubileu da Misericórdia)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Receita


Para quem busca o Absoluto:
Esmague o ego num almofariz
(caule, folhas, flores e fruto)
Mas deixe intacta a raiz.

Faça com o pó uma tisana,
Coloque-a num frasco destapado
E, à centésima semana,
Lave a raiz no preparado.

Regue-a com a luz que pôde atravessar
A noite e o seu breu
E os raios de sol que vivem no luar
Farão desabrochar um novo Eu.

7/12/2015

Fernando Henrique de Passos

sábado, 28 de novembro de 2015

Um poema de Fernando de Paços (1923-2003)

"Mulher" P.A.Renoir (1841-1919)

Pra me curar,
mais fria, a brisa;
na minha mão a tua voz lisa;
chuva, sobre esta noite lunar.

Ficar prostrado no chão e arrefecer, 
Tudo afastar, tudo esquecer.
Apenas tu,
vestindo o meu corpo nu
da tua ansiedade de viver.

Fernando de Paços, O Fértil Jardim, 1953, Edições Távola Redonda (poema 12).

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ramalho Eanes, o 25 de Novembro e o Prémio Internacional da Paz

O Presidente da República Ramalho Eanes na Posse do 1º Governo
Constitucional (1976), chefiado por Mário Soares 

Como diz o general Ramalho Eanes "momentos fracturantes não se comemoram, recordam-se". Porque são momentos fracturantes há que recordá-los como momentos exemplares de dignidade e justiça cívicas.

Na verdade, as comemorações ficam-se só por um folclore exterior e é como uma festa em que depois de se deitarem foguetes, os ares se silenciam. O 25 de Novembro foi uma data que repôs o estado de direito em Portugal, que quase sossobrava. Que todos o recordem em silêncio, pois o merece.

Lembremos, hoje, Ramalho Eanes porque receberá, (precisamente no dia em que faz anos ter chefiado um movimento de reposição em Portugal da ordem democrática instaurada em 25 de Abril de 1974), o Prémio Internacional da Paz (o mais prestigiado do continente asiático e que se destina a distinguir personalidades que em todo o mundo se destacam em diversas áreas da sociedade).

O Prémio é-lhe atribuído em Manila, capital das Filipinas. Este Prémio da Paz da Ásia corresponde ao Prémio Nobel da Paz da Europa.

25 de Novembro de 2015
                                                       Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A mundanidade destrói a identidade da família cristã

Sagrada Família

«Impressionou-me sempre que o Senhor, na Última Ceia, naquela longa oração, rezasse pela unidade dos seus e pedisse ao Pai que os libertasse de todo o espírito do mundo, de toda a mundanidade, porque a mundanidade destrói a identidade; a mundanidade leva ao pensamento único»


«À semelhança de uma grande árvore, nascida de uma simples e minúscula semente, o mesmo pode acontecer com a cultura predominante, que se impõe e seca tudo o que está ao seu redor.»

                            Papa Francisco (excertos da homilia na Missa de 19/11/2015)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A cartografia da verdade

Esquerda ou Direita? - A Verdade não pode caber apenas em metade da realidade.


Agora que se formam barricadas, deixem-me falar da terra de ninguém. De um e de outro lado as vozes são tão certas que quem as ouve, de um e de outro lado, só pode por seu lado ter uma só certeza: de lado algum se ouve a inteireza plena da verdade.

É como se a verdade fosse uma superfície curva – pensemos por exemplo no globo terrestre – e cada qual procurasse representar os pormenores dessa superfície curva em cima de uma folha de papel. (E não há nada menos curvo do que a planura de uma folha de papel.)

Se apenas quisermos representar na folha de papel uma porção muito pequena do globo terrestre, então podemos fazê-lo, e fá-lo-emos apenas com impercetíveis desvios em relação à realidade. Mas quanto maior for a área do globo terrestre que pretendermos abarcar, então tanto maiores serão as incorreções do nosso mapa plano.

É o que acontece aos que estão nas barricadas. E quem está entre ambos, apenas pode adivinhar a forma da verdade juntando pequenas porções – de um e de outro lado − de tudo aquilo que lhe vai chegando aos ouvidos.

11/11/2015

Fernando Henrique de Passos

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Da fotossíntese à respiração


Penso melhor ao pé das árvores:
as raízes trazem-me os sonhos
da terra e das sementes;
as folhas bêbedas de luz
contam-me os segredos das estrelas;
os troncos verticais são mais direitos,
na sua perfeita imperfeição,
que as retas dos geômetras;
as flores têm toda a sabedoria
do tempo e da mulher;
e os frutos são de uma certeza tão límpida e desperta
que envergonha o sonolento teorema dos sólidos perfeitos.

Penso melhor ao pé das árvores,
onde quase não separo o pensamento
do suave tumulto dos átomos gasosos
transportando até aos meus pulmões
o verde aroma fresco
do bosque que amanhece.

15/10/2015

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Do Gênesis ao apocalipse


O que é realmente importante na Bíblia: só o princípio e o fim? Poderia parecer, de facto, que a lenda de Adão e Eva explica como o Tempo se separou da Eternidade, enquanto o Apocalipse explica como voltará o Tempo a ser absorvido pela Eternidade, de modo que tudo o que está “no meio” seriam apenas acidentes, os acidentes próprios do Tempo. Mas dá-se o caso de a Eternidade participar ativamente em todos esses acidentes do Tempo, com vista ao desenlace final. Daí a importância de TODA a Bíblia, com especialíssimo destaque para os Evangelhos, que narram a descida da própria Eternidade ao seio do Tempo.

4/11/2015

Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Rosas de Santa Teresinha



O RESGATE DE SANTA TERESINHA




O poema que ontem compusemos
Não foi escrito com tinta nem papel:
Escrevemo-lo no dia que acontece
Como quem reza baixinho alguma prece.

O poema que ontem compusemos
Não foi escrito com tinta nem papel:
Foi escrito em nós por quem jamais se esquece
De dar alento à luz sempre que a luz esmorece.

O poema que ontem compusemos
Não foi escrito com tinta nem papel:
Nasceu como fruto da memória
Do dia em que te dei um certo anel…


5/11/2015

                  Fernando Henrique de Passos




A MORTE DA ROSEIRA 




O dia era cinza nas nuvens disformes
a agitarem as gotas de chuva sobre a roseira,
a pender de rosas de Santa Teresa do Menino Jesus.

De súbito, agitado senti o coração. Que acontecia?
Cheguei à janela. Vi três jardineiros
a chegarem junto da bela roseira.
Levavam a máquina de cortar e as mãos
com luvas de proteção. A camioneta ao lado,
com as bermas descaídas esperava a roseira
a respirar vida.
O som da máquina trovejou. Os ramos tombaram
nas mãos inclementes.
As rosas choravam as gotas perdidas da chuva piedosa.
Pétalas sepultavam-se no relvado vermelho de revolta.
Os troncos abraçavam ainda as rosas.
Estavam a ser sepultadas na estupidez
de ordens superiores, dos grandes senhores...
Corri a dizer-te. E tu gritaste. Parem!
E nós, prostrados, chorámos
abraçados. Depois, a máquina emudeceu.
Voltamos à janela. Havia ainda uns fracos troncos.
Com rosas!
Os três jardineiros tinham desaparecido.
E chorámos de novo. De alegria. 

5 de Novembro de 2015 (no 22º aniversário do nosso noivado)

                                        Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Uma chuva de rosas para a Terra...



«Ó coração de Jesus, tesouro de ternura
Tu és a minha dita, a minha única esperança,
Tu que soubeste cativar a minha juventude
Fica ao pé de mim até à última tarde.
Senhor, só a Ti dei a minha vida
E conheces bem todos os meus desejos
É na tua bondade sempre infinita
Que desejo perder-me, ó Coração de Jesus!»

1895
               Santa Teresa do Menino Jesus
         (Do poema «Ao Sagrado Coração de Jesus» in Obras Completas, p.735)



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A vida não passará...

A vida chama por nós,
como uma flor viva.
Se o nascimento é a vida a cobrir os novos seres,
a infância é todo um choro a sorrir,
um cântico à vida nova.

Porém, os velhos olham a vida como um tesouro perdido.
Sabem que a morte não lhes dará outra vez a vida,
igual a esta. Que incógnita!

Esquecem que uma outra vida, não efémera como esta, sempre à beira de findar, lhes está prometida se o Amor tiver sido, em todo o nosso caminhar, um farol sempre aceso, a brilhar.

Dia de Finados (2 de Novembro)
                                                              Teresa Ferrer Passos
  

domingo, 1 de novembro de 2015

S. João Batista no Dia de Todos-os-Santos


Logo que João Batista sabia da presença de Jesus nas proximidades, mandava os seus ouvintes ir ter com Ele, Ele é que era o Messias. E avisava que ele, João, nada mais era do que uma voz a «clamar no deserto» para que os que viviam no erro se arrependessem. Depois, seguirem o Messias. Ouvirem e receberem as palavras de Jesus e fazerem-nas suas. E que oportunidade! Ele estava ali tão perto, tão próximo de cada um, ali mesmo.

A Sua chegada parecia a João marcar o fim do seu trabalho preparatório, mas Jesus não pensava assim. Se tudo se devia cumprir como o Espírito Santo o revelara a seu pai Zacarias, Jesus tinha em grande apreço pregar ao lado do Seu Mensageiro, do Seu primeiro apóstolo (= enviado). Um, numa aldeia, outro em outra. 

Porém, a humildade de João levava-o a insistir junto do seu auditório: «Eu batizo em água; mas, no meio de vós, encontra-se (…) Aquele que vem depois de mim; e eu não sou digno de desatar a correia da Sua sandália»(1).

É nessas horas do princípio de Jesus ali, ali tão perto, que João proclama à multidão: «Este é aquele de Quem eu disse: “Depois de mim, virá Alguém que passou à minha frente, porque era antes de mim”»(2).

Depois, João Batista dá o testemunho maior sobre Jesus: «Vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele»(3).


                                                               Teresa Ferrer Passos

(1) Jo 1, 26.
(2) Jo 1, 29-30.
(3) Jo 1, 32.