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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A cartografia da verdade

Esquerda ou Direita? - A Verdade não pode caber apenas em metade da realidade.


Agora que se formam barricadas, deixem-me falar da terra de ninguém. De um e de outro lado as vozes são tão certas que quem as ouve, de um e de outro lado, só pode por seu lado ter uma só certeza: de lado algum se ouve a inteireza plena da verdade.

É como se a verdade fosse uma superfície curva – pensemos por exemplo no globo terrestre – e cada qual procurasse representar os pormenores dessa superfície curva em cima de uma folha de papel. (E não há nada menos curvo do que a planura de uma folha de papel.)

Se apenas quisermos representar na folha de papel uma porção muito pequena do globo terrestre, então podemos fazê-lo, e fá-lo-emos apenas com impercetíveis desvios em relação à realidade. Mas quanto maior for a área do globo terrestre que pretendermos abarcar, então tanto maiores serão as incorreções do nosso mapa plano.

É o que acontece aos que estão nas barricadas. E quem está entre ambos, apenas pode adivinhar a forma da verdade juntando pequenas porções – de um e de outro lado − de tudo aquilo que lhe vai chegando aos ouvidos.

11/11/2015

Fernando Henrique de Passos

domingo, 21 de setembro de 2014

O feiticeiro transparente

O mago da praia sem idade
Vê a cada instante o universo inteiro
Conhece todas as cores da única verdade
E num perpétuo lusco-fusco de mosteiro
Vai entretecendo o tempo na eternidade

O bobo do parque dos narcisos
Procura espelhos nos olhos dos pardais
Ouve aplausos no chocalhar até dos próprios guizos
E a ânsia de ouvir cada vez mais
Torna-lhe os gestos febris e imprecisos

O drama todo do mundo
Vem do mágico e do pantomineiro
E do seu laço profundo:
Só pode agir o primeiro
Por meio do bailado do segundo


21/9/2014

Fernando Henrique de Passos

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Relativismo moral

Na sua forma mais comum, trata-se de um problema de preguiça mental, uma mistura de falta de tempo e paciência para ler, estudar e pensar; uma falsa interpretação do que significa ser humilde ("quem sou eu para dizer o que é verdade?"); e uma falsa interpretação do que significa ser tolerante ("quem sou eu para impor a verdade"?) 
Nesta primeira intervenção na opinião da tarde, proponho uma batalha sem tréguas contra o relativismo moral. 
O bem e o mal existem: não somente em filmes como "A Guerra das Estrelas" mas também em múltiplas decisões do dia a dia. 
Não se trata de ser intolerante ao ponto de impor a verdade aos outros. Trata-se de ser coerente, propondo sem descanso o que cremos como valores perenes e absolutos. 

Luís Cabral 
(aos microfones da Rádio Renascença, a 29/1/2013) 



A sociedade actual tem a memória cada vez mais a apagar-se da verdade e a mergulhar num labirinto de verdades.

Teresa Ferrer Passos