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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Limiar



Se o tempo parasse aqui
No instante preciso da pergunta
Menos que uma fração de segundo
Antes do ponto de interrogação…


(Meio átomo em branco nesta folha,
Metade da unidade indivisível,
Eternidade escondida no possível,
Eternamente pendente de uma escolha.)

11/2/2016
                             Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 3 de abril de 2014

À distância de um sussurro

Paro à entrada da pergunta.
Já parei em muitas mais entradas,
De muitas mais perguntas.
Jamais uma só me encorajou
A atravessar o limiar das suas sombras,
A pisar o musgo virginal,
A tactear no escuro o húmido tremor
Da sua respiração expectante.

Estou à entrada da pergunta.


2/4/2014

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

?


Faz-te esponja.
Mergulha na pergunta.
Deixa-te embeber pela pergunta.

Vai mais longe:
Dissolve-te agora na pergunta
E esquece-te de ti, primeiro,
E depois, dela.

Quando acordares
Procura entre os cristais
Depositados no fundo dos ecos dos teus sonhos.

A pergunta que olhaste tanto tempo
Aí habita agora
Na sua nova forma –
Isto é, como resposta.


1/2/2014

Fernando Henrique de Passos

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Acerca do poema "Quando a luz escorrega sob os pés descalços"


“(...) E da Lua os longos cabelos prateados
Escorrendo sobre o seu corpo de mulher
Reflectiram os rostos das crianças
Que procuravam de onde vem o medo”
16/10/2013
                  Fernando Henrique de Passos


     “De onde vem o medo?”, pergunta pertinente de Fernando Henrique de Passos. “Reflectiram os rostos das crianças”, a perguntar, cada vez mais e com mais força, a perguntar! Pergunta pertinente, na voz do Poeta. Pergunta a reflectir o drama do sentimento do medo com que se confrontam tantas crianças, vítimas da crueldade, da perfídia, ou da insensatez dos adultos. Adultos que não aprenderam a cuidar delas, adultos sem escrúpulos, indiferentes à sua fragilidade e pureza.

 18/10/2013

                                                             Teresa Ferrer Passos

domingo, 30 de dezembro de 2012

Pergunta



Paro à entrada da pergunta
Caverna tão vazia que a custo tem paredes
Povoada de palavras errantes no seu erro
Tão vazias como a própria caverna que as alberga
Cada uma contendo apenas mais palavras
Soltas ocas e distantes

Desolação
Sonho de respostas sob a forma
De grandes galerias resguardadas
Forradas do musgo de redes de palavras
Se houvesse palavras com sentido

Paro à entrada da pergunta
E todo o frio do universo me congela os lábios
E as galáxias são cemitérios de frases e cristais

Bastava entrar lá dentro
Atravessar a atmosfera rarefeita
Escutar os ecos das estrelas

Paro à entrada da pergunta
Não vou em frente
Seria preciso conseguir falar
Sem proferir palavras

E o mistério permanece
Esperando quem saiba interrogar o silêncio com silêncio
Para revelar a resposta oculta atrás do nada

29/12/2012

Fernando Henrique de Passos