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sábado, 15 de agosto de 2015

Assunção de Maria ao Céu



No coração todo puro de uma Mulher,

o Espírito Santo viu a Sua Casa.

A Casa era bela e ofereceu-A ao mundo.
O mundo que A desconhecia, entrou n'Ela.

E logo viu a Salvação
num pequenino, de nome Jesus,
todo divino e a nascer num tosco casebre.

Mas, ó maravilha inesperada!
O nascimento era numa mulher
de coração todo puro,
O seu nome, Maria.

15/Agosto/2015
                                 Teresa Ferrer Passos

domingo, 3 de maio de 2015

Procuramos a paz, Mãe



Mãe, dá-nos a Tua paz, a Tua paz imensa.
A Tua paz de esperança e de ternura dá-nos, oh Mãe!
A Tua paz suave como a chuva silenciosa nos cubra o espírito medroso, inseguro. A Tua paz cheia de Deus nos invada como um relâmpago e incendei o nosso corpo todo.
Em Ti, Mãe, ouvimos murmúrios sem os distinguirmos bem, inábeis nós, inábeis somos, Mãe. Como escutar Teus lábios de ternura a inscrever-se na carne quase surda, Mãe?
Como sentir vinda de Ti, na nossa pele, aquela mãe terrena de que Tu és a súmula eterna? Aquela mãe de que Tu te tornaste a Verdade e a Vida, depois de Jesus te eleger Nossa Mãe?
Mãe. Dá-nos uma paz nova que penetre até ao fundo o nosso coração trémulo e a palpitar. Mãe, presença feita da paz do Céu, ouvi a nossa prece, a prece da saudade de te ver ao pé de nós, como se aqui, na terra, já tivéssemos entrado no Teu Reino e descobríssemos a nossa mãe da terra, tão igual a Vós. Trazei a Vossa paz até cada um dos nossos atos, como se cada um deles fosse movido pelo exemplo da Tua paz, oh Mãe.

1 de Maio de 2015 (Dia da mãe)

                                                              Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Edificar sobre rocha


Jesus edifica sobre a rocha
   «Fraternidade não é nem mediocridade, nem confraternização. Precisamos do eterno, ou então o que é a religião, o Santo? Não nos resta nada, nada de estável, está tudo em movimento. E, no entanto, temos necessidade de uma rocha»
                     E. Ionesco (in Antidotes), cit. por Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal (1ª ed. em língua italiana no ano 2000), 1ª ed. (em língua portuguesa), 2006, p.163.

sábado, 11 de outubro de 2014

Vim chamar ao arrependimento...


Das Alturas, nos nossos dias, Jesus olha para o Seu planeta.
E parece-Lhe um deserto.
A voz dos seus Discípulos estará a apagar-se?




«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos, mas os pecadores, que eu vim chamar ao arrependimento»
Lc 5, 31-32


«Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, perdendo-se ou condenando-se a si mesmo? Porque se alguém se envergonhar de Mim e das Minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na Sua glória e na do Pai»

Lc 9, 25-26


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Condenação à morte de S. João Baptista

João Batista batizando Jesus
Pintura de Pietro Perugino (século XV)
Capela Sistina, Vaticano


O Martírio de João Baptista
(29 de Agosto)

«Herodes ficou muito triste, mas por causa do juramento que tinha feito diante de seus convidados, determinou que dessem à jovem o que ela tinha pedido, e mandou que cortassem a cabeça de João Baptista na prisão.

A cabeça de João foi levada num prato e entregue à jovem que, por sua vez, a entregou à mãe.

Os discípulos de João vieram e, levando o corpo, o enterraram. Depois foram e contaram a Jesus o que tinha acontecido.

Quando Jesus soube o que tinha acontecido, saiu dali num barco e foi sozinho para um lugar isolado.»
                                                                   (Mc 6,9-13)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Traços de infância e de amor


«Na espiritualidade de Teresa do Menino Jesus, a pessoa humana será tanto maior quanto mais se mantiver fiel à personalidade da primeira infância. O protótipo é o Jesus-Menino, ele mesmo presente em Jesus até à sua morte e ressurreição. E a cruz tem em si mesma o sentido do espírito da criança submissa, o filho obediente, o menino cheio de confiança no Pai, o Pai a tornar-se Filho: «O Deus cuja omnipotência/ Detém as vagas que rugem / Tomando os traços da infância / Quer tornar-se fraco e pequeno». Na espera da sua libertação final depois de afastar d’Ele «aquele cálice», Jesus continua a obedecer como uma criancinha.»

         Teresa Ferrer Passos, Santa Teresa do Menino Jesus e a Força dos seus Pequenos Caminhos, Edições Carmelo, 2013, p. 49.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

DOSSIER PÁSCOA/2014




«Ressuscitou, como disse»...

Qual lírio a ressuscitar em cada Primavera...


Lírios nos campos

«Jesus disse aos discípulos: "Cumprir-se-à tudo quanto foi escrito pelos profetas acerca do Filho do Homem(...), dar-Lhe-ão a morte. Mas ao terceiro dia ressuscitará".
Eles, porém nada disto entenderam. Era para eles incompreensível aquela linguagem e não entendiam o que lhes dizia»
Lc 18, 31-33

Lírio a desabrochar
«Chamou os doze e durante o caminho disse-lhes:"Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas que O condenarão à morte e O entregarão aos pagãos para O escarnecerem, açoitarem e crucificarem. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia"».
Mt 20, 17-19   
                                                      
Lírio com lágrimas de chuva
«Os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe: "Senhor, lembrámo-nos de que aquele impostor disse, ainda em vida: 'Ressuscitarei depois de três dias'. Ordena pois que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ressuscitou dos mortos. E seria a última impostura pior do que a primeira"»


Mt 27, 63-64

Lírio branco com pétalas abertas, a parecerem asas




A difícil palavra


                             «Jesus dizia-lhes: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que O hão-de matar, mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará"»
                                                                                                                                      Mc 9, 31

  As paredes erguiam-se nas mentes. O flagelo das palavras. A compaixão exposta entre altos muros de silêncio. E, Jesus, ali, aberto, a tocar cada um dos seus discípulos, a tentar arrancar portas e a quebrar o cerco que trava a voz humana. Abria janelas com palavras doces. Respirava o dentro abafado. Insuflava pronto, estoirava na largueza das palavras a fechadura que, para Ele, nunca tivera chave.

   E os apóstolos ensurdeciam, imersos em nuvens negras de incerto silêncio. Neles, não passavam as Suas palavras: "Ressuscitarei três dias depois". Depois, Jesus oferecia-lhes, com a voz, todos os espaços, como uma luz sem muros. E, a livre corrente da Sua consciência ensopava-se de repetidas palavras.


    A transparência, eclodia como um luzeiro perdido na noite densa a entorpecer, sem palavras. E Jesus repetia com o som das sílabas em catadupa, "Voltarei depois". Repetia. Mas, o mistério, a clarear com palavras de água, sepultava-se à beira dos ouvidos exaustos dos discípulos. Ali Jesus, com tanta verbosidade. O Verbo estava entre eles e não entendiam o que dizia.


    O discurso insustentável ficava na memória vazia. E Jesus continuava a procurar. E forjava chaves para portas de palavras, só para as abrir. Com palavras, criava as imagens nuas da Verdade. "E não entendiam o que lhes dizia"...

Páscoa/2014
Teresa Ferrer Passos



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Entre Sexta e Domingo


Conheço bem de mais a sexta-feira,
O fim da luz às três da tarde,
A sombra adunca da figueira
À espera do cobarde.

Conheço o cheiro do vinho derramado,
Misturado com fel e com suor,
E o horror do pão que foi pisado,
E o forno vazio e sem calor.

Conheço bem a hora em que as promessas
São um corpo descendo à sepultura,
A hora absurda em que regressas
Da vida que não foi senão futura.

Conheço bem de mais a sexta-feira,
Mas tanto a conheço que adivinho
Que traz em si a Vida e a Videira
Que voltará a dar-nos do Seu vinho.

                                            12/4/2014

                                   Fernando Henrique de Passos


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A Páscoa Mariana



de todo o coração, a Sua Santidade,
o Papa Francisco

Fui liança, fui a Roma
E fui aos velhos alfarrábios; 
Rosacruz, Amor me toma
No sidéreo: são os Sábios.

É Palavra, já caindo
Meigo e meigo tamarindo,
És o si, o Santo e sina
Em cidade Bizantina.

És a Mãe, Tu és Madrinha,
Mansa, mansa Ela me chama,
E Tu voas, andorinha,
Numa plaga Franciscana.

Diva é Deus, a mim oblata
A minha prece: «Maran Atha»,
Que és o rio, Tu és a ria
E um só nome: Maria.


                                          Queluz, 07/ 04/ 2014

MISERANDO ATQUE ELIGENDO



                              Paulo Jorge Brito e Abreu


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A Páscoa em cada dia de Jesus




Cada dia, no despertar das horas,
no pulsar das tardes e das manhãs,
Jesus bebia a sua Páscoa...
No acto simples de um almoço.
No bom-dia ao camponês.
No agradecer de uma ceia.
Eram dias sempre novos.
A cada instante uma semente germinava,
um botão de rosa vermelha incandescia
na folhinha protectora. 
Eram dias cheios de trigo no pão.
E também, dias com gemidos de mãe aflita
com a filhinha doente. 
As sandálias de correias largas calcorreavam
os pés e o peso das palavras a ecoar no vento
da sua memória de cruz.
Entre ervas ruins, os passos de Jesus
enterravam-se como num túmulo vazio.
Porém, dava um sorriso coberto de Páscoa
ao desamparado que tinha fome,
fome de ver porque não via.
A sua túnica dividia-a com as lágrimas dos paralíticos 
a esperarem a redenção das caminhadas.
E aí fazia nascer a Páscoa como um templo de alegria.
No olhar, Jesus transportava Páscoa, a viver intensa
entre os lírios contorcidos
em tons de lilás e de branco. 
Nesse suave tecido, nessa doçura infinita,
nessa fragrância, que nem Salomão
com toda a sua riqueza envergava,
Jesus via a humildade como a coisa mais bela
e a simplicidade sem tempo algum,
sem fim,
à beira da Verdade que não morre
e a ser a nova Páscoa como Jesus...


                                       3 de Abril de 2014

                                  Teresa Ferrer Passos

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Páscoa






Jesus todos nós somos,
Ao acordar todo dia,
Desde uma noite de sono,
Ou da grande anestesia.


Jesus é cada manhã,
Cada aurora, cada trigo,
Cada estação renovada,
Cada uma forma de vida.
   
 Jesus é vento, canção,
Cada pingo de orvalho,
Cada lágrima não contida.

 Voltar à criança, na fé,
Do símbolo que se renova
Num ovo de chocolate.

                     
                                Luiz Martins da Silva (Brasil)


Lírios brancos pelas veredas da serrania

BOA PÁSCOA!!!


E... DOCES AMÊNDOAS!




segunda-feira, 10 de março de 2014

Quando as pessoas não O procuravam...

«Jesus não estava o dia trancado na sinagoga, Ele procurava, procurava todo o dia na rua, procurava as pessoas»

                                                                       Papa Francisco

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A face comovida de Jesus


     Oh Jesus, meu Bom Deus, é hoje a Tua Noite de Natal! Mas… o que vejo? Vejo as Tuas faces pálidas pelos muitos que rejeitam o amor dos irmãos; as Tuas faces angustiadas pelos que perseveram em não reconhecer os seus pecados; as Tuas faces caídas de tristeza pelos que nada querem receber dos pobres, porque são ricos. As Tuas faces desmaiadas ao veres aqueles que recusam a companhia dos irmãos porque o orgulho não os deixa ver que estão sozinhos.
     Como deves estar magoado, oh Jesus nosso! Na Tua Noite de Natal não vês a alegria do encontro fraterno dos que estão divididos nas vontades. E, mesmo assim, abres os braços porque vês os que não desejam a solidão e sentem saudade do irmão.  Perdoa, Pai, o orgulho que nos afasta uns dos outros e não deixes de ensinar-nos a humildade como naquele Dia em que Tu, coberto de vexames, já a ficar com o corpo desfigurado, dependurado na vileza do madeiro, sentias a alegria da companhia do bandido arrependido, a Teu lado. 
     Nesta Tua Noite de Natal peço, um pouco a tactear a Tua bênção, por todos os que sofrem o desespero da doença, peço a Tua imensa piedade. E peço-Te (atrevimento meu) que cries uma grande família com o cimento do amor a esculpir a verdadeira terra da comunhão. Que sejamos, enfim, capazes de criar laços para o grande Banquete, Contigo, no reino do Pai! Não nos largues das tuas mãos até ao fim dos tempos! Que a Tua carne, esfacelada na cruz, ressuscite todos os dias no mundo, para nos salvar das pedras em que tropeçamos a cada momento.
    
Dezembro de 2013

Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Uma porta aberta



«Ó Jesus, trespassaram vosso lado para nos abrir uma porta; feriram vosso coração para nos abrir nessa sagrada vinha, um asilo seguro de toda a perturbação externa».
                      S. Boaventura, Doutor da Igreja (1217-1274)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mandamento Novo



                    Para o Fernando, no dia dos seus anos

Jesus, Deus encarnado,
ensinou um Mandamento Novo:
«Que vos ameis uns aos outros;
assim como eu vos amei,
vós também vos deveis amar uns aos outros».
O amor fraterno, indica Jesus!
E, é esse amor, a massa com que se deve cozer
o pão da Vida, o alimento da existência!
A união entre o céu e a terra está à vista!
E eis, tão perto, a comunhão do amor,
O amor entre um homem e uma mulher:

“E os dois serão uma só carne”.   

14 de Janeiro
                                      Teresa Ferrer Passos                                       

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Espiga de trigo novo

Maria e José a caminho de Belém

«E sentiu-se cheia de paz e com uma alegria sem fim! Sentiu-se bem-aventurada porque descobria dentro da sua intimidade todo o contentamento das árvores floridas! Esse mundo de felicidade que, afinal, a procurara e lhe mostrara como podia ser verdadeiramente fiel ao Senhor, caminho de glória, caminho de heroísmo, caminho de vida.

A partir de agora sabia que o seu corpo se tornaria um celeiro onde uma espiga de trigo novo seria guardada para oferecer ao mundo um Filho humano, todo semelhante a ela e divino porque quem o visse veria o Pai. E Jesus brotando do seu ventre seria como o trigo puro, uma dádiva sempre disponível para o amor porque nascera por vontade do Deus do Amor Absoluto, numa aliança com ela e com José....


Que alegria, em cada dia, ver esse trigo crescer na sua carne para o oferecer ao mundo! E as faces de Maria pareciam cobertas de um sorriso infinito! Através de Jesus, o Senhor poderia dar a conhecer aos homens o Seu pensamento, sem os escandalizar com uma intervenção que infringisse todas as leis naturais!»

Teresa Ferrer Passos, Anunciação (romance),
Universitária Editora, 2003, pág. 96.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Acerca do poema "O Meu Céu na Terra!..." de Santa Teresa do Menino Jesus



FACE DE JESUS, O CRISTO


ACERCA DO POEMA «O MEU CÉU NA TERRA!...»
de Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. 


No poema «O Meu Céu na Terra!...», Santa Teresa do Menino Jesus descobre na Face de Jesus, o guia para as suas acções, o caminho para a sua santidade, o rumo para a missão de transmitir os Seus caminhos até aos confins do mundo.

A missão é, para Teresa do Menino Jesus, o objectivo maior da sua vida. Na procura de seguidores de Jesus, Teresa desvenda a Sua Verdade, provoca apóstolos da Sua divindade, lança arautos do Seu Reino de Amor.  

Logo, no primeiro verso de «O meu céu na terra!...» surge esplendorosa a imagem de Jesus. Ela impõe-se por si, ela conduz «os meus passos», escreve Teresa. Depois, a doçura do Seu rosto transforma-se num céu, já, aqui, na terra.

As lágrimas, que Jesus carrega no peso da cruz - no peso do pecado - tornam esse Rosto ainda mais sedutor, ao erguer-se como a «única Pátria» e um «Reino de amor».

Ao contemplar a Face salvífica de Jesus, Santa Teresa de Lisieux acha-se à porta do Mestre, a desencantar a semelhança, e assim, a tocar, quase a medo e sem medo, o «doce Salvador». 

Ao alcançar os «traços», ao receber as «marcas» da sua beleza próxima do humano e divina - uma beleza que não está apenas na imagem exterior, mas sobretudo na imagem interior -, Teresa de Lisieux esconde-se «sem cessar» nessa Face para que, no seu caminho pequenino, Jesus a deixe chegar à santidade. 

Ela sabe que, só desse modo, tem ao seu alcance a conquista de novos santos. Novos santos que Santa Teresa do Menino Jesus tanto ambicionava oferecer ao Salvador.   

16 de Abril de 2013

                                                                                          Teresa Ferrer Passos



O MEU CÉU NA TERRA

JESUS, A TUA INEFÁVEL IMAGEM
É O ASTRO QUE CONDUZ OS MEUS PASSOS
AH! TU BEM SABES, O TEU DOCE ROSTO
É PARA MIM O CÉU CÁ NA TERRA.

O MEU AMOR DESCOBRE OS ENCANTOS
DA TUA FACE EMBELEZADA PELO PRANTO.
EU SORRIO ATRAVÉS DAS LÁGRIMAS
QUANDO CONTEMPLO AS TUAS DORES
(...)

A TUA FACE É A MINHA ÚNICA PÁTRIA
ELA É O MEU REINO DE AMOR
(...)

O TEU ROSTO, Ó MEU DOCE SALVADOR
É O DIVINO RAMO DE MIRRA.
(...)

A TUA FACE É A MINHA ÚNICA RIQUEZA
EU NÃO PEÇO NADA MAIS
ESCONDENDO-ME NELA SEM CESSAR
PARECER-ME-EI CONTIGO, JESUS...
DEIXA EM MIM A DIVINA MARCA
DOS TEUS TRAÇOS CHEIOS DE DOÇURA
E EM BREVE, TORNAR-ME-EI SANTA
E ATRAIREI PARA TI OS CORAÇÕES.
(...)

                                     Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

terça-feira, 9 de abril de 2013

«Quando Orardes...»




«Santa Teresa de Jesus no seu caminho de perfeição fez um belo e suficientemente longo comentário a esta oração ensinada por Jesus; também ela constatava, à sua volta e em si própria, o quão longe estamos da verdade do que o Pai nosso encerra.»

               Alpoim Alves Portugal, «Quando Orardes...» in Revista de Espiritualidade,  nº 81, Janeiro/Março 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Nascimento de Jesus


«Deus, fazendo-se carne, quis fazer-se dom para os homens, deu-se a si próprio por nós».
(…) «Deus não deu qualquer coisa mas deu-se a si próprio no seu filho unigénito»

«Aqui, a palavra “carne” indica o homem na sua integralidade,, nomeadamente na sua “caducidade e temporalidade”, “pobreza e contingência”».

Deus «assumiu a condição humana para a sanar de tudo o que a separa dele» e desejou «a riqueza imensa e inesgotável que é Cristo, o Deus feito homem».

«Revesti-vos de Cristo! E, com Ele, o vosso Ano Novo não poderá deixar de ser feliz».
                         
Bento XVI (Catequese semanal
sobre o Nascimento de Jesus
 em 9 de Janeiro de 2013)

sábado, 27 de outubro de 2012

Dar, como se déssemos a nós própios


«É curioso notar quantas vezes, no Evangelho, Jesus nos convida a dar: Dar aos pobres, dar a quem nos pedir emprestado, dar de comer a quem tem fome, dar o manto a quem pede a túnica, dar de beber um simples copo de água, dar gratuitamente... Ele próprio nos deu o exemplo, porque toda a sua vida se resume num dar: dar saúde aos enfermos, dar o perdão aos pecadores, dar vista aos cegos, dar de comer às multidões, dar a vida por todos. A cultura do dar tem, verdadeiramente, toda a importância para Jesus.»

Darci Vilarinho, Fátima Missionária (Novembro 2012)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ficção para atacar o Cristianismo?

FICÇÃO PARA ATACAR O CRISTIANISMO?*
(ACERCA DE O ÚLTIMO SEGREDO)




«O céu e a terra passarão,
mas as Minhas palavras não passarão.»

Mt 24, 35



«Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim?
As palavras que Eu vos digo, não as digo de Mim mesmo
mas o Pai que está em Mim.»

Jo 14, 10

Não sei se o cristianismo encerra O Último Segredo da religiosidade humana. Mas, se assim não é, pelo menos parece encerrar qualquer sedução frequente nos escritores contemporâneos, não para o seguirem, mas para o contestarem. Inundados de temáticas variadíssimas num mundo tão globalizado como o nosso, parecem ter muita dificuldade em não se inspirar nas tramas eclesiais, nos enredos evangélicos e nas narrativas do judaísmo para a construção de uma parte significativa dos seus romances. Trata-se do caso de José Rodrigues dos Santos. Tem em vista ser um atento observador visual do fenómeno cristão, mas numa captação demasiado literal e, por outro lado, distante do ficcional. Trata-se de uma narrativa empobrecida pelo predomínio do facto sobre a imaginação, envergando um simplismo inesperado. A ausência de um fio condutor essencialmente romanesco – e a sua substituição por um fio narrativo de uma única personagem, Tomás Noronha –, fazem deste romance um “pastiche” do género literário designado por romance.



1. A obra, apresentando-se como ficcional, transmite apenas a ideia de que o autor procura, no essencial, contestar a autenticidade dos escritos evangélicos e dos primeiros cristãos. As suas arremetidas têm nitidamente em vista escandalizar os cristãos e humilhar a sua Igreja. Escandalizar é, sem dúvida, uma táctica de vitória imediata. Com as afirmações da personagem “Tomás Noronha”, um historiador frequentador da Biblioteca do Vaticano, em Roma, o autor de O Último Segredo desvincula-se da sua argumentação ao dizer que escreveu um romance e, ao mesmo tempo, assume na personagem Noronha a sua própria argumentação ao longo desta narrativa (como afirma na entrevista ao Telejornal da RTP 2 por ocasião do lançamento de O Último Segredo).

O que José Rodrigues dos Santos (JRS) tenta provar é, no fundamental, a falta de credibilidade de Jesus, dos Apóstolos e dos que os seguiram, desde os primeiros séculos (após a crucificação). Damos só alguns exemplos retirados de O Último Segredo: «Os textos exprimem a intenção e os condicionalismos dos seus autores (…); Os autores dos Evangelhos (…) pretendiam glorificá-lo [a Jesus] e persuadir outras pessoas de que ele era o Messias» (p.51); «A história da adúltera é forjada» (p.55); «foi um episódio acrescentado por escribas» (p. 90); «a ressurreição é outra fraude» (p.82), «os versículos da ressurreição de Jesus estão ausentes dos dois melhores e mais antigos manuscritos» (p.94); «esta narrativa não pertence ao texto original e foi acrescentada por um escriba posterior» (p.94), etc. Apenas estes exemplos, podendo multiplicar-se, bastam para vermos o que move JRS, com uma evidência que não se deixa ficar por pormenores: JRS acusou de fraudes e de fraudulentos os documentos em que se fundamenta a fé cristã (não exclusivamente de inspiração católica). Mas, mais do que isso, chamou «parolo de província» (p. 278) a Jesus e «parolos e analfabetos» aos Apóstolos porque eram duma insignificante terra, a Galileia. E «a própria família de Jesus achava que ele não batia bem da cabeça» (p. 313). Depois, acentua: «A vida e os ensinamentos de Jesus não fundaram o cristianismo. Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça criar uma nova religião» (p.283). E, mais adiante: «O cristianismo não se funda na vida e nos ensinamentos de Jesus mas na sua morte» (p.283)


2. De facto, JRS não se separa da predominante mentalidade do mundo contemporâneo, não está longe das rupturas com o espaço do religioso e das dúvidas lançadas sobre a verdade dogmática do cristianismo. JRS insere-se na corrente da supremacia do relativismo que a ciência consolidou no século XX. A religiosidade, a mística, a filosofia tornaram-se saberes estranhos, contrários mesmo ao certo saber científico. As ideias de absoluto pressupostas por Platão e expressas na Crítica da Razão Pura por Kant estão submersas sob o peso de uma tecnicidade aplicada ao mental, de uma fenomenologia tão dominadora como desesperada. E tudo isto se esfuma nas ideologias niilistas ou do nada, implantadas no século XIX e que alcançam o apogeu no século XX.

Ao abrir os jogos perigosos da polémica à volta da crença e da descrença, hoje, JRS não consegue, com as inúmeras provas dadas até à exaustão pela personagem Noronha, provar seja o que for. A sua argumentação não é filosófica nem teológica; contudo, procura ser histórica. Mas, também nesta alternativa falha o seu objectivo e a sua táctica não é convincente. Com esta última área do conhecimento, a História, JRS julga ter descoberto a sua mais poderosa arma de destruição da fé cristã, derrubar a fé atacando as suas estruturas fundamentantes e fundamentais.

De facto, JRS tenta mostrar até à exaustão que são poderosas as provas dadas pela personagem Noronha neste romance, em que o autor faz jogos de historiografia, mais do que um criativo discurso da arte do romance. Baseando-se sempre nos próprios testemunhos bíblicos, JRS acredita ser capaz de pôr a nu a falsidade da pedagogia de Jesus, pedagogia olhada como leviana e insensata. Numa palavra, ao falso testemunho dos seus adeptos, aliaram-se, como acentua JRS, os fraudulentos testemunhos dos seus continuadores. Para o autor de O Último Segredo, uma infame doutrina foi edificada por escribas fraudulentos, por teólogos da sofisticação e por copistas adulteradores. Os Evangelhos e as Cartas de S. Paulo, os mais antigos testemunhos sobre a vida de Jesus são, segundo JRS, na maior parte, documentos falsos sem a mais pequena réstia de honestidade.


3. A História conduz à verdade, as fontes históricas conduzem à verdade, pensa JRS. Logo, como se isto fosse um silogismo, JRS considera que essa é a sua arma de arremesso mais poderosa. A “personagem-historiador Noronha” anda na Biblioteca do Vaticano à procura da verdade. Para descobrir a verdade é que existem as fontes e os mananciais de obras historiográficas acumuladas ao longo de milénios. Os meios para atingir os seus fins parecem inserir-se na optimização. Contudo, JRS, pouco versado nas difíceis tarefas do historiador, parte de uma premissa errada: a de que a história é a ciência que leva à verdade.

JRS, com a ajuda de vários teólogos e historiadores contemporâneos, acredita que toda a verdade foi desmascarada e os fraudulentos desocultados por eles. Ora, os historiadores imparciais sabem que a História não procura a verdade, mas as verdades de cada época, a verdade dos grupos humanos antagónicos de outros, a verdade de estruturas políticas, económicas ou sociais, a verdade de estratos de dirigentes ou a verdade de massas populares com perspectivas bem diferenciadas ou coetâneas numa determinada conjuntura. Em consequência, tão pouco a história é uma garantia segura de verdade.

Só um mau historiador parte de perspectivas preconceituosas em que só pretende provar aquilo que tem em vista. Pode fazê-lo, sem dúvida, mas falha no seu ofício. O bom historiador nada tenta provar, sob pena de ir procurar argumentos a favor da sua tese e não argumentos para se aproximar do sentido próximo, o mais próximo possível, dos factos tal como eles se verificaram. A verdade de um facto, de uma conjuntura ou de uma estrutura social, varia consoante as fontes que chegaram até nós (e a sua margem mais ou menos maior de idoneidade).

Nesta narrativa ficcional, JRS introduz uma personagem (Tomás Noronha) que serve o seu objectivo de introduzir na narrativa (aparentemente ficcional) um historiador perfeito, ou seja, um historiador modelo ou ideal. Ao vestir-se de historiador modelo, praticamente infalível, Noronha não tem opositores ao seu nível. Mas ele não é mais do que o próprio autor de O Último Segredo. Só que a JRS falta a objectividade e a imparcialidade que o bom historiador deve ter na busca do sentido dos documentos e da sua autenticidade. A personagem que dialoga com Noronha é uma inspectora policial (Valentina) que nada contrapõe (apenas se espanta, muitas vezes) às suas afirmações como se estas fossem indiscutíveis e, portanto, inatacáveis.

O autor de O Último Segredo cai, assim, numa falaciosa argumentação sem a consistência que tal cometimento lhe exigiria. Vejam-se estas breves passagens: «Os autores destes textos não testemunharam coisa nenhuma» (p.144); «Dos vinte e sete textos do Novo Testamento, apenas oito são de autoria segura» (p.145); «os seus seguidores (…) puseram-se a atribuir a Jesus elementos que constavam das antigas profecias, de modo a convencer os outros judeus» (p.166); «Tudo é reminiscente do Antigo Testamento!», «mesmo os episódios da vida de Jesus» (p.169); «A fraude da divindade de Jesus» (p.183); «Paulo e Pedro aparecem até a sugerir que, em vida, Jesus nem sequer era Filho de Deus» (p.189); «Este é também o símbolo da Santíssima Trindade (…) a mais bizarra das invenções do cristianismo» (p.195), etc., etc.

A argumentação – presente nas intervenções descabidas do contexto romanesco da personagem Noronha – imbuída daquilo a que Noronha chama as provas (uma catadupa de episódios bíblicos onde procura sempre e, ao acaso, múltiplas contradições e falsificações sem qualquer estudo objectivo das mesmas) vai conduzi-lo, de acordo com o narrador (JRS ou a “personagem Noronha”), automaticamente, à verdade. O historiador Noronha ao persuadir a inspectora Valentina da ausência de idoneidade e de uma honestidade mínima dos Evangelhos cristãos desvia-a continuamente daquilo que ela pretende investigar e que é um crime cometido sobre uma historiadora também da biblioteca do Vaticano. E este rumo que é dado à narrativa é incoerente num discurso ficcional. O desenvolvimento ficcional, se não houvesse estas quebras contínuas do discurso narrativo (as provas irrefutáveis, sempre, e fiéis abonatórias da verdade), teria uma lógica. Assim, perde-a irremediavelmente para o mal da arte do romance em causa.


4. A sucessão de crimes cometidos ao longo da narrativa, induz o leitor a desconfiar de que a responsabilidade dos vários crimes cometidos ao longo deste romance (assim estranhamente denominado), seja da responsabilidade da Igreja Católica. Para JRS, a Igreja teme a descoberta das terríveis fraudes que os seus membros, desde os autores dos Evangelhos (igrejas locais seguidoras de Mateus, Marcos, Lucas e João que deram aos textos os seus nomes), esconderam sempre ao longo dos séculos.

Se o “historiador Noronha” não obtém da investigadora policial contestação (apesar de ela própria ser cristã católica), mas apenas anuência (aceita, apesar de se mostrar estupefacta com a sucessão de provas) às suas palavras acusatórias de ausência de veracidade nos factos narrados pelas fontes evangélicas, então acaba por cair num monólogo de erudição relativamente ao qual a inspectora não tem conhecimentos para contrapor seja o que for. O “historiador Noronha” vai apresentando provas indiscutíveis, completamente irrefutáveis porque ninguém lhe faz uma única pergunta que ponha em causa a sua omnisciência sobre a documentação estruturante do cristianismo. Tudo o que ele diz não sofre oposição. Ele está cheio de certezas sobre a desocultação dos enganos veiculados por um corpo eclesial desonesto, enganador dos incautos que nele vão acreditando.

A verdade é que “a personagem Noronha”, com as suas provas, representa o próprio JRS ao longo de toda a narrativa. Sob a capa de estar a escrever uma ficção, o autor transvestiu-se de historiador “preparado” até à exaustão para denunciar, com a força das muitas provas, uma crença construída, como ele considera, sobre falsidades incontáveis, e em que tantos cristãos se têm deixado enredar. Neste contexto, estranhamos como JRS se deixou ele próprio enredar na série de provas de sensatez duvidosa e nos inconsistentes argumentos do “historiador Noronha” perante um adversário que representando um cristão, nada parece saber de cristianismo (a quase amorfa “inspectora Valentina”).


5. A culminar a espantosa sucessão de provas, JRS, através daquele omnisciente “historiador Noronha”, sempre sem dúvidas de espécie alguma, ataca a fé cristã com passagens evangélicas a “provar”, sempre a “provar” que, entre outras acusações, Jesus era violento e pregava uma moral retaliadora. Ora isto não se identificaria nunca com a moral das igrejas cristãs que lhe prestam culto como o Deus que encarnou para salvar os homens do mal que eles próprios vão construindo através de pensamentos e actos. De facto, se nos Evangelhos aparecem expressões de ira e de condenação para os maus usadas por Jesus, estas expressões não são mais do que formas de persuadir os homens que se conduzem por critérios maus de que há uma justiça suprema perante a qual eles não ficarão impunes.

Como diz Jesus, «Vinde benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34). À recompensa das acções boas, não pode deixar de se contrapor o castigo que será a morte física acompanhada da morte espiritual. O inferno para o homem, ensina Jesus, é precisamente não sobreviver à morte física decorrente das leis biológicas. Mas, Jesus não tem todo o saber, quem o tem é o Pai. Foi isso que Jesus não se cansou de dizer. A missão de Jesus é precisamente proclamar o saber que o Pai possui (Mt 20, 23); não é Jesus que perdoa, mas o Pai que perdoa (Mt 12, 30-32); Jesus diz que ninguém é bom a não ser Deus (Lc 18, 19).

Ser condenado por um Deus que expõe – através de Jesus – a conduta daquele que é bom, significa que seria absurdo Deus receber no seu “Reino”, perfeito na santidade, aqueles que são maus com os seus irmãos, aqueles que perseveram no mal, não se arrependendo da sua maldade. Como disse Jesus: «Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por Minha causa, salvá-la-á» (Lc 9, 24). Diz também que um bom (justo) pode estar entre aqueles que não cumprem os preceitos da Lei Mosaica («haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia (…)» (Mt 11, 21,22). Ou sentencia: «Vós, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. A vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para com os ingratos e os maus» (Lc 6, 35).

É um erro o autor de O Último Segredo estar a considerar Jesus como um ser mau porque ameaça com o “fogo” eterno, amaldiçoando os cruéis que sofrerão o “suplício”, sinónimo de morte eterna. A expressão “suplício”, por exemplo, contrapõe-se à recompensa dos justos que terão a “vida” eterna (Mt 25,46). Estas frases mostram que Jesus pretendeu dar aos seus ouvintes a dimensão do mal que praticam, em função do castigo que será atribuído. Se Jesus sofre e se condói ante o criminoso crucificado e arrependido que o lamenta – «Hoje mesmo estarás comigo no Reino de Meu Pai» (Lc 23, 42) –, quer-nos fazer avaliar o espírito misericordioso de Deus; se chama malditos, intemeratamente, aos fariseus, aos saduceus, aos escribas, às classes dirigentes da Palestina é porque serão benditos aqueles que se opõem à conduta desses grupos sociais (Mt 16, 6 e 11, 25, 41-46). Quando diz, «não penseis que vim trazer a paz» (Mt 10, 34), ou «não oponhais resistência ao mau» (Mt 5, 39), parece contradizer-se, mas o sentido da primeira frase é idêntico ao da segunda. Não veio trazer a paz porque a paz também pode ser podre, sem dentro, sem estar no coração. A paz que Jesus deseja não é a ausência de combate em prol da justiça e do bem; é a paz de um coração que, na paz, não aceita passivamente a injustiça, a calúnia e a crueldade. É a paz verdadeira que deve habitar o espírito e não a paz construída sobre alicerces de cobardia e submissão para não correr riscos.

E Jesus aceita o risco. Ele está no meio de inimigos e não deixa de dizer a verdade, mesmo que vá perder materialmente com isso. Lembremos a frase: «Por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade» (Mt 23, 28). Jesus toma o partido dos pobres, dos perseguidos, dos injustiçados, dos doentes, dos excluídos da sociedade, o que o expõe a ser denunciado (Judas vendeu-o por dinheiro), a ser trocado por Barrabás, um salteador, a ser motivo de prisão e condenação à morte com a pena máxima, a crucificação, pelo supremo tribunal de Jerusalém.


6. Outro ponto que O Último Segredo patenteia é a noção que JRS tem do que significa ser historiador e, portanto, do que é “fazer História”. Segundo um dos maiores historiadores contemporâneos, George Duby, o historiador «deve dar a maior atenção àquilo que não foi dito» porque «as omissões formam um elo fundamental do discurso ideológico». “Fazer História” implica, na verdade, confrontar os interesses das “classes dominantes” com “as ideologias dominantes”, mesmo com “as ideologias triunfantes” e as “elites”. Ensina Duby: «Difícil é, em primeiro lugar, a recolha de testemunhos (…) É o caso das ideologias ‘populares’ É igualmente o caso de todas as ideologias contestatárias que foram reprimidas» (Fazer História, p. 180). Ora, a de Jesus era-o. Por isso, Jesus, os seus apóstolos (e os seus continuadores), fazem parte da classe sem direitos, sem prestígio. Na verdade, Jesus contestava o poder.

Jesus sofreu a repressão brutal das autoridades políticas judaicas e do exército Romano dominador. É que Jesus pertencia ao grupo daqueles que combatiam o poder despótico de Roma («Já não há escravo nem homem livre»), e, em simultâneo, a hipocrisia e a avareza dos fariseus, entre outros pecados («Ai de vós escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do tomilho e desprezais o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade» (Mt 23, 23). Por outro lado, ao mesmo tempo que contestava o poder político do Estado Imperial Romano, atingia, sem subterfúgios, o poder político e religioso da região dominada, a Palestina. O tempo de pregação pública de Jesus foi sempre um tempo perigoso (sobretudo os grupos possidentes da hierarquia judaica queriam fazê-lo cair em ciladas, armadilhas linguísticas, contradições com a Lei Mosaica, uma Lei indiscutível para os quadros dirigentes de Jerusalém). O anúncio da Boa Nova não foi aceite pelos grandes, pelos poderosos, pela classe dirigente, nem dos judeus, nem do Império Romano, que os dominava desde a conquista romana.

Depois deste intróito, lembremos mais algumas das insuperáveis provas que JRS (o “historiador Noronha”) apresenta ficcionalmente à hipotética senhora católica, “a inspectora Valentina”, em O Último Segredo: «Não há um único texto romano do século I sobre Jesus. Nem manuscritos, nem documentos administrativos (…) nem alusões de passagem, nem referências crípticas» (p.60); «A primeira referência de um romano a Jesus foi feita no século II, por Plínio o Jovem, numa carta ao imperador Trajano» (p.60); «Quantos textos não cristãos do século I existem a relatar a vida de Jesus?» (p.60); «Vários episódios são completamente inventados» (p.147); «O Messias prometido (…) era aquele desgraçado que os Romanos haviam sacrificado» (p. 163); «Jesus», «um rabino pobre da Galileia cujo exército não passava de um punhado de pescadores e artesãos analfabetos» (p.165). Poderíamos prosseguir com a argumentação aparentemente arrasante usada pela “personagem Noronha” perante o mutismo da “inspectora” que, católica, notemo-lo de novo, se revela pouco convicta da sua fé (sempre muito complacente e desconcertada pelo espanto) perante os acometimentos eruditos de “Noronha”.


7. Ora, diz-nos George Duby em Fazer História I que é preciso «procurar nas refutações, nos argumentos da contra-propaganda» as pistas de aproximação dos factos estudados. O “historiador Noronha” não o faz ao longo das muitas páginas em que apresenta, quase incansavelmente, as suas provas. E, mais adiante, G. Duby insiste: «Os documentos nunca esclarecem directamente senão as ideologias que correspondem aos interesses e esperanças das classes dirigentes, porque apenas esses grupos detiveram os meios de construírem objectos culturais que não fossem efémeros e cujos vestígios se prestassem à análise histórica» (Ob. cit., pp.180 e 181).

Lembramos, ainda, ao autor de O Último Segredo que uma minoria anti-judaica e anti-romana propagava, clandestinamente, o Evangelho (=Boa Nova) transmitido por Jesus, um condenado à morte pela Lei judaica. Esta minoria adepta do Nazareno era ignorada e não constituía motivo de notícia para a maioria dos historiadores pagãos num mundo em que o Imperador se assumia como “Pontifex Maximus”, ou seja, chefe supremo da religião do Povo Romano. Só o historiador judeu Flávio Josefo se referiu vagamente a esse crucificado na região da Judeia.

Consultámos ainda o historiador Jean Moreau, autor de La Persecution du Chrystianisme dans l’ Empire Romain, pois nos pode ajudar a esclarecer este ponto acima levantado no livro de JRS com as provas (sempre as provas) que possui “a personagem Noronha”. Vejam-se as passagens de J. Moreau que, a seguir, transcrevemos: «Até às grandes revoltas de 66, os incidentes só tiveram uma importância local» (p.24); «A perseguição de Herodes em 44 data da missão cristã a Antioquia». E, mais à frente: «Não se pode pôr em dúvida que as perturbações que ensanguentaram Antioquia em 40 resultaram da missão cristã na cidade» (p.28). E, Jean Moreau ainda acentua: «É possível que a expulsão dos judeus de Roma decretada por Cláudio seja consequência da agitação provocada na comunidade da Urbe pela primeira missão anterior à chegada de Paulo» (p.28). «De facto, Suetónio menciona entre as medidas louváveis de Cláudio esta: com frequência explodem conflitos em Roma, desencadeados por judeus cristãos» (p.29). E sublinha a seguir: «Só o messianismo cristão, ultrapassado o quadro estreito do nacionalismo judaico, podia provocar perturbações até na colónia israelita da capital [Roma]» (p.29). Também outra importante passagem deste especialista de história do cristianismo primitivo: «A alusão de Suetónio visa realmente os primeiros ensaios da expansão da religião nova em Roma» (…); «a medida tomada por Cláudio visava os judeus de Roma no seu conjunto; o governo não tinha ainda aprendido a fazer a distinção entre os judeus e os cristãos» (p.30). Para mais informação, este historiador remete o leitor para a sua obra Les Plus Anciens Témoignages Profanes sur Jésus.

Para concluir, só mais uma achega de Léon E. Halkin em Initiation à la Critique Historique: «A história não pode pretender nem a verdade objectiva na evocação do passado, nem a codificação duma experiência directamente utilizável pelo homem» (Ob. cit., p. 104). Entre as fontes mais antigas sobre factos que hoje consideramos históricos, temos de considerar as alterações de sentido, as deformações de tradução, as imprecisões dos copistas como impossíveis de remover. Na obra L’Histoire et ses Méthodes, o historiador Samaran lembra a frequência das diferentes versões dos documentos históricos: «Há mais de 188 manuscritos medievais da Ilíada (…) 393 manuscritos das Enarrationes in Psalmos de S.to Agostinho (…) Ora cada manuscrito tem uma série de variantes; contam-se em 150.000 as do Novo Testamento» (Ob. cit., p. 1275).

Não há dúvida que as narrativas da pregação de Jesus foram escritas algumas décadas após a sua morte e ressurreição, pois a tradição cultural judaica era oral e não escrita. E JRS poderá ler, para mais informações elucidativas sobre o tema, o historiador Daniel Rops em A Vida Quotidiana na Palestina no Tempo de Jesus. Se os Apóstolos tinham ofícios mecânicos (e o próprio Jesus era carpinteiro) não era por esses ofícios serem, na época, de baixa condição social, como assegura JRS nas provas dadas pelo “historiador Noronha”, pois eram bem vistos pelas camadas mais cultas: «Todos os doutores da lei trabalhavam para ganhar a sua vida: R. Aquiba como lenhador, R. Joshua como carvoeiro, (…) e o grande R. Hillel era de tão modesta condição que, como servente de pedreiro, ganhava somente meio dinheiro por dia.» (D. Rops, Ob.cit., p.162).


8. Em O Último Segredo, JRS procura fazer crer que os apóstolos e seus discípulos esperavam Jesus após a morte para estabelecer, em breve, “o Reino” de seu Pai na terra. Como tal não acontecera, os discípulos dos apóstolos, pois estes já tinham morrido, começaram a escrever a sua doutrina para que não fosse esquecida. O ponto de partida de JRS são as próprias palavras de Jesus quando anunciava que os tempos do fim estavam próximos e viria, célere, estabelecer este “Reino” na terra. Ora este “Novo Reino” de que falava Jesus começava a construir-se a partir dele próprio, não materialmente. O “Novo Reino” partia dos corações das pessoas que seguissem a sua pedagogia de vida. Um mundo novo todo feito de amor, um mundo humano fraternal e puro seria erguido se os seus ensinamentos fossem seguidos. Os apóstolos deveriam ensinar ao mundo judeu e ao mundo pagão, e em particular ao vastíssimo Império Romano, a doutrina nova («até aos confins do mundo»). Como escreve J. Tolentino de Mendonça em Pai-Nosso que Estais na Terra, Deus torna-se presente através de Jesus: «Onde Jesus Cristo estava, o Reino de Deus mostrava-se (…) Jesus viveu a sua vida como manifestação extraordinária do Reino» (Ob. cit., p.89).

O Reino de Deus estaria inscrito nas potencialidades que as palavras de Jesus começavam a erguer num mundo escasso, pobre devido à ausência de uma Paternidade celestial toda feita de amor. Cada homem que seguisse a sábia Palavra de Jesus começaria a ser uma pedra do grande “Templo”, ou seja, do “Reino de Deus”. Este “Reino”, de que era arauto o Filho de Deus, começara a ser desenhado desde o chamamento dos primeiros apóstolos: «O Reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17, 20). O Último Segredo de JRS, através da personagem “Noronha”, apresenta uma sucessão exorbitante de provas para refutar o carácter divino de Jesus Cristo, que citámos acima. Ora, contrariamente ao que aventa JRS, Cristo significando o Ungido, é uma expressão usada como atributo de Jesus e não como patronímico (com o qual JRS faz até uma paródia de claro mau gosto). Quando “a personagem Noronha” se refere, como a uma aberração, ao “Reino de Deus”, está a considerá-lo de natureza puramente material. Por isso, “o historiador Noronha” (JRS) diz que os ricos, os poderosos, os perseguidores, de acordo com as referidas palavras de Jesus (através da leitura dos Evangelistas), vão «inverter os seus papéis» e tornar-se pobres, sem poder, perseguidos (diz “Noronha”). Ora, esta inversão não pode ser material como JRS (ou “Noronha”) procura fazer crer. Lembremos apenas algumas palavras de Jesus: «Depois, direi á minha alma: Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, bebe, come, regala-te. Deus, porém, disse-lhe: Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma; e o que acumulaste para quem será? Assim acontecerá ao que entesoura para si e não é rico em relação a Deus» (Lc 12, 19-21)


9. As provas a que recorre JRS (“a personagem Noronha”) são falaciosas porque num lugar ou “Reino” de santidade (ou virtude absoluta) não pode haver mal, pobreza, injustiça, vingança ou qualquer atitude persecutória. Este “Reino” de que fala Jesus só pode ser de natureza, espiritualmente, santa. Numa atitude, pelo menos aparentemente, perversa, escreve o “historiador Noronha”: «A humildade praticada hoje era uma forma de as pessoas se tornarem poderosas mais tarde e subjugarem as que agora eram poderosas e mais tarde iriam ficar fracas» (p.321). Porque o “Reino de Deus” é de natureza espiritual e não físico-material (ou de acordo com as leis da física deste universo), a interpretação da frase «o Reino de Deus está perto: Arrependei-vos e acreditai na boa nova» foi deformada no seu sentido pelo “historiador Noronha”. Lembramos a JRS apenas algumas frases que atestam a espiritualidade do “Reino de Deus” e não a sua materialidade (segundo JRS) e que Jesus claramente revela: «Onde estiver o vosso tesouro, aí estará, também, o vosso coração» (Lc 12, 34), a «porta é estreita» (Lc 13, 24);. Estas frases são frases de natureza espiritual e não de cariz material ou concreta.

O “Reino” que Jesus anuncia é espiritual: «Na ressurreição nem os homens terão mulheres nem as mulheres maridos, mas serão como anjos de Deus no céu» (Mt 22, 30); «Não vos preocupeis quanto à vossa vida (…), pois a vida é mais que o alimento e o corpo mais que o vestuário» (Lc 12, 22-23). O próprio Filho de Deus divulgou e mandou divulgar («Ide e ensinai o que eu vos ensinei») ao mundo o que dissera aos apóstolos, pela exclusiva vontade desse mesmo Deus que queria, no seu “Reino”, todos os homens que fossem capazes de viver vencendo a tentação do mal, ou, arrependendo-se daquilo que tinha feito. Lembremos as palavras de Jesus: «Acumular tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os corroem, nem os ladrões arrombam os muros a fim de os roubar» (Mt 6, 19). Ou ainda: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento» (Lc 15, 7).


10. Quando o “historiador Noronha” apresenta um número de provas que passam sempre pelas longuíssimas citações evangélicas (ou bíblicas em geral) há a acusação de que os cristãos escreveram aquelas coisas nos evangelhos ou nas epístolas (por exemplo, Paulo de Tarso) sem escrúpulos, sem se preocuparem com a verdade dos acontecimentos, mas só porque queriam enganar. A trave mestra do romance O Último Segredo de JRS é a acusação (sem defesa consistente) de que os primeiros cristãos, os apóstolos, os discípulos destes, os padres da Igreja, os copistas, etc., forjavam frases cheias de ambiguidade, de explicações fraudulentas, de invenções, palavras de sentidos duplos, contradições em cima de contradições, tudo ao serviço de alcançarem mais adeptos, continuadores daquelas crendices por onde não passava uma réstia de honestidade.

Mas perguntamos a JRS: Que interesse teria S. Paulo em, como ele deixou escrito, «suportar trabalhos, prisões, açoites, frequentes perigos de morte»? E também de por «três vezes ter sido açoitado com varas, uma vez apedrejado, viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidadãos, perigos dos pagãos, perigos na cidade, perigos no mar, perigos entre os falsos irmãos» (2 Cor 11, 23-26)? Os mártires, como o foram S. Paulo e S. Pedro (morte por crucificação, como Jesus), Santo Estêvão (lapidado até à morte), Santa Cecília (decapitada), S. João de Brito (decapitado) e tantos outros ao longo de dois mil anos, mostram claramente como a fé cristã está muito acima de interesses egoístas, do alcance de bens, ou de honrarias materiais. A fé revelada, até serem capazes de se deixar torturar e morrer por ela, tinha uma única finalidade: dar testemunho da Verdade, essa Verdade desocultada pela Palavra de Jesus, Ele a confundir-se com o próprio “Reino” que proclamava. O “Reino estava próximo”, mas, como ensina Jesus: «Ninguém pode afirmar: Ei-lo aqui ou ali, pois o reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17, 21). É claro que Jesus queria dizer que “o Reino de Deus” não ocupava lugar de ordem físico-material. E esse Deus do “Reino” que anuncia era, na verdade, um Pai, um Pai com um “Reino” de Amor, já e agora, sem ontem nem amanhã. Esse Amor que está presente, por exemplo, nestas palavras de Jesus: «Orai pelos que vos perseguem» (Mt 5, 44).


11. O Último Segredo de JRS é um romance que procura ser de tese. Mas, falta-lhe o domínio da arte ficcional para conseguir a osmose entre a sua tese anti-cristã e o romanesco. A sua arremetida contra o cristianismo é de uma violência insuspeitada, em JRS. Todos os meios foram, lamentavelmente, válidos, para atingir o objectivo maior: cravejar uma espada de morte no peito ensanguentado de Jesus, mesmo pregado na cruz, e naqueles que acreditam na sua Palavra. Não sei se, apesar da catadupa de provas dadas ao longo das 563 páginas deste livro, JRS terá conseguido que os leitores acreditem na sua aventura de pôr em questão o cristianismo através do descrédito (do rebaixamento), lançado sobre os documentos da linha herdada dos apóstolos de Jesus, que chegaram até aos nossos dias.


12. A fé nas palavras de Jesus não precisaria sequer de todas as Palavras que os testemunhos evangélicos puseram ao nosso dispor. E isto apesar de nenhuma das suas palavras apresentar as tão veneradas provas de JRS. Os verdadeiros cristãos sempre firmaram a sua fé na simplicidade, na transparência, na pureza daquele que revolucionou o sentido da condição humana. Lembrem-se as palavras de Jesus: «O espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida» (Jo 6, 63). As Suas palavras eram ditas sem subterfúgios, sem escondidas intenções. As suas palavras só carregavam o peso da verdade que o Pai o incumbira de transmitir. Eram palavras ditas com a pureza de um coração que ama o Seu Pai celestial e que tem a missão de redimir os irmãos mais vulneráveis, mais fracos perante a tentação de praticar o mal. A missão de Jesus é uma epifania: as Suas palavras transmitiam a Verdade que Deus queria transmitir aos homens para que o seu “Reino estivesse próximo” de cada um deles, na hora do fim. Sobretudo, para que a sua vida não tivesse fim, para que tivessem a vida, e a vida em abundância.


28 de Fevereiro de 2012

Teresa Ferrer Passos
*Texto inédito da autora.