quinta-feira, 10 de junho de 2021

Um Poema Inédito:

A PALAVRA

A palavra. Quando verte o azul celeste,
refresca-se no mar. Recorte do céu.
Encanto de areais longos 
e de ventos agitados sem seguro lugar.

A palavra. Onde os abismos permanecem,
onde se veem ninhos de cegonhas acabadas de nascer,
prontas a voar, sem medo do largo espaço. 

A palavra. Paira amarga entre penedos. 
Ondas gigantescas contorcem-na.
A espuma branca devora-a.
Esparge sentidos que nem o mar descobre. 

A palavra. Apaga-se nos vales das sombras,
enterra-se nos fundos pântanos,
adia a pureza. Impossível cruzada.

A palavra. Rompe as barragens da voz
e aos mistérios, não retira os grilhões.


Sílabas mortas, entrelinhas, desvarios, 
espantosas armadilhas. Secretas. Vagas.
Indesvendáveis. A palavra.

10 de Junho de 2o21
                                             Teresa Ferrer Passos


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