terça-feira, 31 de julho de 2018

O coração de Deus


Perante os problemas, contamos só connosco e com os nossos meios ou partimos do coração grande de Deus que nos dá “tudo o que é mais preciso”?

Dom Manuel Clemente (Twitter, 30/7/2018)

"Partir do coração grande de Deus", como escreve D. Manuel Clemente, que mais é preciso?
Teresa Ferrer Passos (Twitter 31/7/2018)

Tudo era simples e sem pompa


«Cristo Nosso Redentor com cinco pães de cevada e dois peixes banqueteou quase 5000 homens, afora mulheres e meninos: e toda esta gente ficou contente e abastada, que foi cousa miraculosa [...] sem haver aí mais iguarias, sem haver casas, nem cadeiras, nem mesas, nem aparatos. O toldo rico e dourado era o céu, os dosséis de brocado eram os temperados raios do sol, as mesas lavradas e marchetadas de prata e marfim e bisagras de ouro, eram as ervas do verde campo, as alcatifas, turquesas custosas e as toalhas finas damascadas eram as boninas e flores, que a terra produzia. Tudo era simples e sem pompa, tudo sem sinal de delícias e vaidades. Que é dos manjares brancos, que ali havia? Que é das invenções curiosas, que ali se achavam? Que é das iguarias custosas? Que é das cousas doces e das conservas esquisitas? Tudo ali era singelo, tudo era alegre e bem assombrado».

Fr. Heitor PINTO, Imagem da Vida Cristã, 1563-65.

Por intermédio de Marco Daniel Duarte (Facebook)

COMENTÁRIO:

As sábias palavras de Fr. Heitor Pinto, a faltarem, cada vez mais, numa sociedade em que prepondera a ideia de que o luxo e a fama são os únicos valores pelos quais se deve lutar.
30/7/2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O livro, a literatura em declínio

A televisão, a Internet, os vídeos, os festivais pop, as discotecas, os bares, com grande divulgação nos media, são atração crescente.
E, em Portugal, só um pequeno escol se interessa ainda pelo livro. O seu declínio é bem visível. E já não se pode parar esta evolução mental da sociedade contemporânea.

30/7/2018
Teresa Ferrer Passos

sábado, 28 de julho de 2018

Duas cidades descaracterizadas ou o fim da tradição



O que se está a passar em Coimbra, como muito bem analisa Carlos Carranca, na rede social Facebook, não é mais do que a morte de Coimbra, antes pautada pelo estudo, pelas tertúlias e pela saudade estudantil.

Algo de semelhante acontece em Lisboa. Esta cidade deixou de ter vida intelectual, deixou de ter livrarias por onde passavam os escritores, deixou de ter cafés marcados pelos seus encontros frequentes e as suas polémicas.

A vida de Lisboa já só é traçada pelas compras nos grandes centros comerciais apinhados, o consumo abundante de bebidas nos bares que enxameam as ruas e pelas filas de carros a sair para as casas de campo dos fins de semana. A vida quotidiana dos habitantes de Lisboa mais parece umas mini-férias estabelecidas durante todo o ano...

27/7/2018

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Fogos incontroláveis na Grécia que já conhecemos aqui, do outro lado da Europa, em Portugal


As férias (?!) de verão perto de Atenas, na belíssima pobreza da paisagem da antiga Hélade, a balouçarem-se nas árvores de ventos súbitos, a redemoinhar loucos fogos lançados pelo desconhecido, hoje. Férias em Atenas, num passado todo pensar o firmamento, as estrelas, a terra quente e a água morna do seu Mediterrâneo. Hoje, esse mar é refúgio de perseguidos e é também o mar dos gregos a fugir dos fogos e à espera da vida. À espera de diálogos possíveis entre uma morte pelo fogo ou a morte na frescura das ondas, cheias de vida. Vida nova, completamente nova, esperam ainda. Os gregos.

25/Julho/2018
Teresa Ferrer Passos

sexta-feira, 20 de julho de 2018

HÁ 25 ANOS (O NOSSO PRIMEIRO ENCONTRO)


Há vinte e cinco anos,
Quando saí de casa ao teu encontro,
Eu não sabia que ia ao teu encontro.

Eu não sabia que as ruas percorridas
As iríamos, juntos, percorrer de novo,
Refazendo de todas o traçado,
Demolindo casarões abandonados,
Erguendo novas moradias,
Plantando jardins no meio do asfalto.

Quando saí de casa ao teu encontro,
Nada sabia dos dias que viriam,
Dos novos sóis que à noite nasceriam,
Das portas que os anjos abririam,
Dos vulcões despertos que ousariam
Sacudir os mantos de lava que os tolhiam
E transformar em sangue e água e vida
O pó, as cinzas e a lava.

Julgava viver um dia como os outros,
No dia em que saí ao teu encontro;
Julgava que o tempo seria sempre igual,
Feito de horas, minutos e segundos.

No dia em que saí ao teu encontro,
Eu não sabia que ia ao teu encontro,
E não sabia que me ia encontrar.

Mas o teu tempo era composto por compassos,
Era uma valsa ao longo de alamedas
De um labirinto largo aberto ao céu,
Um céu sem nuvens e sem presságios negros
Onde me vi espelhado nas estrelas
Quando os nossos olhos se encontraram.

20/7/2018
Fernando Henrique de Passos

APENAS HÁ VINTE E CINCO ANOS...


na fundação Gulbenkian 
um bar uma biblioteca 
e o eco das palavras 
vibraram súbitas 
perdidas 
sem sentido algum 
desencontradas de si mesmas 
e de nós. 

Nessa tarde de Julho 
os corações invisíveis tocaram-se 
numa mesa quadrada que tu preencheste 
com dois cafés, 
um para mim, outro para ti. 
Tudo começava imperceptível 
cheio de brevidade 
e nós não o podíamos saber… 

20 de Julho de 2018 (no 25º aniversário do nosso conhecimento pessoal)

Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 18 de julho de 2018

E o encontro, acontece


Os excluídos, os abandonados da sociedade, à volta, por exemplo, da igreja dos Anjos, em Lisboa, só sobrevivem pela própria comunhão que a solidão cria entre eles. E o encontro, entre eles, esbarra com o desencontro em que sobrevivem, sem se dar conta, aqueles que os excluíram, que os abandonaram.

18/Julho/2018
Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 17 de julho de 2018

Poema intitulado (teoria do tudo)



«Um fragmento de Deus
separou-se do resto do seu corpo.
Corpo e fragmento sofrem atrozmente.
Desejam reunir-se
Mas vogam no espaço que os separa.
Só podem voltar a encaixar
Se no instante em que de novo coincidam
For rigorosamente zero a sua velocidade relativa:
Não poderá haver nesse momento
Qualquer impulso mútuo...
Nem de atração...
Nem de repulsa...»

Fernando Henrique de Passos, «Breve viagem nas margens do mistério», Textiverso, Leiria, 2018, p. 51.

domingo, 15 de julho de 2018

Crescer na sua carne

«Que alegria, em cada dia, ver esse trigo crescer na sua carne para o oferecer ao mundo! E as faces de Maria pareciam cobertas de um sorriso infinito!
 

Através de Jesus, o Senhor poderia dar a conhecer aos homens o Seu pensamento, sem os escandalizar com uma intervenção que infringisse todas as leis naturais. Que palavras preciosas escutariam.»

Teresa Ferrer Passos, «Anunciação», Universitária Editora, Lisboa, 2003, p.96.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Despedida, minha mãe?!

Sempre a despedida adiada,
sem lhe ver um fim.
A tua presença em mim, no ar que respiro.
A tua voz transparente,
o teu olhar doce. 
A saudade intacta e a memória
também. Hoje. Amanhã.
Ontem. E foi há vinte e oito anos
que te olhei a última vez.

11 de Julho de 2018


                                                  Teresa Ferrer Passos




terça-feira, 10 de julho de 2018

Resistir numa estranha gruta do Norte da Tailândia

«Lao-Tseu converteu o povo
Ao não-agir
E pela pureza e pela calma,
conduziu-o à fonte»
Sseu-ma Ts'ien in H. van Praag, «Sagesse de la Chine», 1966, p.53.

Lembrando Lao-Tseu (contemporâneo de Buda e Confúcio), o grande filósofo taoísta, numa homenagem à calma daqueles 12 rapazes, entre os 11 e os 15 anos e ao seu jovem treinador, de apenas 25 anos de idade, que foi monge budista durante vários anos e que soube incutir aos seus discípulos a sua própria paz, nas duas longas e dramáticas mais de duas semanas, na prisão das rochas e da água lamacenta, na escuridão e no isolamento, vividos na estranha gruta de Tham Luang, no Norte da Tailândia.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Vida


O mistério está todo encerrado na natureza. E, eis a vida.

4/7/2018
Teresa Ferrer Passos

Sem poder agradecer


Quanto do mar somos nós, quanto lhe pertencemos,
sem saber, quanto lhe devemos, sem poder agradecer-lhe.

Teresa Ferrer Passos